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Sou JOMO! Que alívio!

Tudo que sobe desce! Lei da Física! O sucesso meteórico das chamadas “redes sociais”  parece ter atingido o ápice e o movimento agora é de descida. Talvez não em queda vertiginosa, mas  gradualmente, para o bem da humanidade! Estou falando dos que estão felizes por terem saído! Das redes sociais.

Agora existe um grande contingente de pessoas que se autodenominam JOMO. É a sigla para “joy of missing out” (prazer em estar fora, neste caso, das redes sociais e dos eventos badalados). Ser Jomo é a nova tendência, que significa sentir prazer em abster-se de gastar tempo exagerado na internet,  acompanhando a vida alheia ou  alimentando o próprio ego postando incansavelmente selfies.

Em vez disso, o comportamento in é ser autêntico, mergulhar no mundo real e cuidar mais dos próprios interesses, afinal, a vida não é um reality show e não favorece a ninguém cultivar a persona de fofoqueiro virtual, entre outros vícios.  O movimento surgiu, assim como a moda das redes sociais, nos Estados Unidos. E começa a se espalhar mundo afora.

E essa sigla, pasmem,  saiu de outra: FOMO,  abreviação de fear of missing out (medo de estar de fora). Vinha (e ainda está) incomodando muita gente a sensação de sentir-se excluído(a) de um mundo de festas e baladas! Esse medo estava (está) sempre acompanhado de ansiedade, inquietação, agitação (inconsciente ou não) e frustração, entre outras emoções nada construtivas.

Mas talvez o prejuízo maior seja de ordem paradigmática: o sujeito investir tempo para fora, extrovertidamente, e não para dentro, introvertidamente. A evolução individual (no sentido transcendente ou material) só acontece quando o sujeito investe tempo tentando conhecer e corrigir a si mesmo, isto é, quando o investimento é em si, na própria essência, nos próprios comportamentos, defeitos e  talentos  e não na imagem  “vendida” de si mesmo ou em se projetando na dos outros.

E como “tempo é ouro”, dedicar-se demasiado às redes sociais pode causar  prejuízos  de ordem prática: deixar de ocupar-se  com os estudos, trabalhos remunerados (ou altruístas) e no planejamento do futuro em bases sólidas. Ou seja: viver projetado para fora, mirando o viver alheio ou tentando espalhar uma imagem nem sempre real de sucesso e felicidade de si mesmo pode até agradar ao ego, mas desagrada ao superego pelo potencial de causar prejuízos incalculáveis, inclusive econômicos. Mas isso não é novidade, certo? Novo mesmo é as pessoas perceberem isso, isto é, reconhecerem que ninguém precisa acompanhar a vida alheia nas redes sociais para sentir-se feliz e realizado ou para atingir o sucesso desejado.

Além disso, exibir-se nas redes sociais é também expor-se demasiado e quase sempre desnecessariamente! É facilitar a vida dos malfeitores, seja o simples invejoso ao mais sofisticado hacker. Claro que as pessoas comuns, sem projeção pública e sem importância no cenário das  grandes decisões  nacionais/internacionais não são alvos frequentes de hackeamento (atividade cuja realização deve levar em conta a relação custo-benefício e não é barato).

Apesar disso, o uso exagerado e pouco criterioso das redes sociais abre brechas para muitos outros perigos, como o de expor-se aos stalkers. Esse vocábulo deu origem ao verbo“stalkear”,  criado e disseminado pela internet  com o sentido de alguém que persegue ou espiona as atividades e os comportamentos de outros usuários. E qual é a utilidade de ter a sua vida stalkeada?

Algumas empresas fazem isso antes de contratar um funcionário (preferível mostrar-se na entrevista); dizem que o governo americano o faz para analisar pedido de vistos; seu(sua) ex-  pode estar espionando sua vida neste exato momento; seu desafeto faz uso dessa “ferramenta” para saber se a praga dele(a) está dando certo… e por aí vai.

Em oposição a isso, um número grande de  pessoas está descobrindo que precisa aproveitar mais a própria vida em vez de acompanhar virtualmente a dos outros (e ter a sua acompanhada). Existe vida fora das redes sociais! E pode ser mais saudável,  mais fluida e verdadeira. A menos que dedicar tempo na produção de conteúdo para as redes sociais lhe renda dinheiro, seja sua profissão!

Ser Jomo não significa alienar-se, recusar os avanços tecnológicos, que podem ser  valorosos aliados, nem tampouco deixar de usar a internet. Ser  Jomo é utilizar a internet de forma consciente, comedida e inteligente: para pesquisar, ler notícias, fazer transações bancárias, orientar-se no trânsito, assistir a filmes (salve, Netflix!), entre outras facilidades. 

Pessoalmente, a minha opção (sim, virei Jomo há alguns meses) foi  sair do Facebook, Tweeter e Instagram. Mantenho o blog e o WhatsUpp. Este,  considero útil nas comunicações (tomando cuidado com os tais “grupos”); e o blog é minha paixãozinha desde sua criação, em 2007, como também é um valioso canal informativo, até na esfera profissional. Ah! E como tornei-me uma “fotógrafa diletante”, tenho conta no Unplash para postar minhas fotos e disponibilizá-las gratuitamente a quem apreciar e precisar. No Unplash pode-se  fazer download grátis de fotos em alta resolução e aproveitar livremente. Vejam que incrível possibilidade criada pela internet!

Crédito da foto: Markus Spiske, in Unplash

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Sou JOMO! Que alívio!

Tudo que sobe desce! Lei da Física! O sucesso meteórico das chamadas “redes sociais”  parece ter atingido o ápice e o movimento agora é de descida. Talvez não em queda vertiginosa, mas  gradualmente, para o bem da humanidade! Estou falando dos que estão felizes por terem saído! Das redes sociais.

Agora existe um grande contingente de pessoas que se autodenominam JOMO. É a sigla para “joy of missing out” (prazer em estar fora, neste caso, das redes sociais e dos eventos badalados). Ser Jomo é a nova tendência, que significa sentir prazer em abster-se de gastar tempo exagerado na internet,  acompanhando a vida alheia ou  alimentando o próprio ego postando incansavelmente selfies.

Em vez disso, o comportamento in é ser autêntico, mergulhar no mundo real e cuidar mais dos próprios interesses, afinal, a vida não é um reality show e não favorece a ninguém cultivar a persona de fofoqueiro virtual, entre outros vícios.  O movimento surgiu, assim como a moda das redes sociais, nos Estados Unidos. E começa a se espalhar mundo afora.

E essa sigla, pasmem,  saiu de outra: FOMO,  abreviação de fear of missing out (medo de estar de fora). Vinha (e ainda está) incomodando muita gente a sensação de sentir-se excluído(a) de um mundo de festas e baladas! Esse medo estava (está) sempre acompanhado de ansiedade, inquietação, agitação (inconsciente ou não) e frustração, entre outras emoções nada construtivas.

Mas talvez o prejuízo maior seja de ordem paradigmática: o sujeito investir tempo para fora, extrovertidamente, e não para dentro, introvertidamente. A evolução individual (no sentido transcendente ou material) só acontece quando o sujeito investe tempo tentando conhecer e corrigir a si mesmo, isto é, quando o investimento é em si, na própria essência, nos próprios comportamentos, defeitos e  talentos  e não na imagem  “vendida” de si mesmo ou em se projetando na dos outros.

E como “tempo é ouro”, dedicar-se demasiado às redes sociais pode causar  prejuízos  de ordem prática: deixar de ocupar-se  com os estudos, trabalhos remunerados (ou altruístas) e no planejamento do futuro em bases sólidas. Ou seja: viver projetado para fora, mirando o viver alheio ou tentando espalhar uma imagem nem sempre real de sucesso e felicidade de si mesmo pode até agradar ao ego, mas desagrada ao superego pelo potencial de causar prejuízos incalculáveis, inclusive econômicos. Mas isso não é novidade, certo? Novo mesmo é as pessoas perceberem isso, isto é, reconhecerem que ninguém precisa acompanhar a vida alheia nas redes sociais para sentir-se feliz e realizado ou para atingir o sucesso desejado.

Além disso, exibir-se nas redes sociais é também expor-se demasiado e quase sempre desnecessariamente! É facilitar a vida dos malfeitores, seja o simples invejoso ao mais sofisticado hacker. Claro que as pessoas comuns, sem projeção pública e sem importância no cenário das  grandes decisões  nacionais/internacionais não são alvos frequentes de hackeamento (atividade cuja realização deve levar em conta a relação custo-benefício e não é barato).

Apesar disso, o uso exagerado e pouco criterioso das redes sociais abre brechas para muitos outros perigos, como o de expor-se aos stalkers. Esse vocábulo deu origem ao verbo“stalkear”,  criado e disseminado pela internet  com o sentido de alguém que persegue ou espiona as atividades e os comportamentos de outros usuários. E qual é a utilidade de ter a sua vida stalkeada?

Algumas empresas fazem isso antes de contratar um funcionário (preferível mostrar-se na entrevista); dizem que o governo americano o faz para analisar pedido de vistos; seu(sua) ex-  pode estar espionando sua vida neste exato momento; seu desafeto faz uso dessa “ferramenta” para saber se a praga dele(a) está dando certo… e por aí vai.

Em oposição a isso, um número grande de  pessoas está descobrindo que precisa aproveitar mais a própria vida em vez de acompanhar virtualmente a dos outros (e ter a sua acompanhada). Existe vida fora das redes sociais! E pode ser mais saudável,  mais fluida e verdadeira. A menos que dedicar tempo na produção de conteúdo para as redes sociais lhe renda dinheiro, seja sua profissão!

Ser Jomo não significa alienar-se, recusar os avanços tecnológicos, que podem ser  valorosos aliados, nem tampouco deixar de usar a internet. Ser  Jomo é utilizar a internet de forma consciente, comedida e inteligente: para pesquisar, ler notícias, fazer transações bancárias, orientar-se no trânsito, assistir a filmes (salve, Netflix!), entre outras facilidades. 

Pessoalmente, a minha opção (sim, virei Jomo há alguns meses) foi  sair do Facebook, Tweeter e Instagram. Mantenho o blog e o WhatsUpp. Este,  considero útil nas comunicações (tomando cuidado com os tais “grupos”); e o blog é minha paixãozinha desde sua criação, em 2007, como também é um valioso canal informativo, até na esfera profissional. Ah! E como tornei-me uma “fotógrafa diletante”, tenho conta no Unsplah para postar minhas fotos e disponibilizá-las gratuitamente a quem apreciar e precisar. No Unsplash pode-se  fazer download grátis de fotos em alta resolução e aproveitar livremente. Vejam que incrível possibilidade criada pela internet!

Foto: Marcus Spiske, in Unsplash

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Sonhar com trem e túnel

Transformei parte da resposta escrita para uma leitora em um post sobre sonhos. Ela questiona sobre o significado de sonhar recorrentemente com um trem em um túnel com muita luz.

Sonhos com túneis, de modo geral, podem indicar um momento do indivíduo de passagem por uma situação difícil. Se há luz no fim do túnel remete àquela frase de senso comum “luz no fim do túnel”, que sugere: as coisas vão melhorar, tempos melhores virão. Mas há que se avaliar caso a caso, a partir das associações pessoais do sonhador.

Sonhos com trem, de modo generalizado, referem-se a pensamentos que seguem rota predeterminada, de se adotar a “lei do menor esforço”; ou podem representar uma maneira de viver antiquada/tradicional (com o inconsciente dando à pessoa um elemento para o autoconhecimento ou clarificando que as dificuldades podem decorrer desse modo de viver); ou, ainda, a preconceitos ou paradigmas muito rígidos. E também pode referir-se à consciência coletiva, isto é, aceitação tácita do status quo, de seguir a multidão em pensamento e ação.

Há uma explicação universal para o símbolo “travessia”, que transcrevo na íntegra do livro Dicionário de Símbolos (ROSA, M.A.): “passagem, peregrinação. Mudança de um estado natural para um estado consciente. Avanço. Símbolo do esforço de superação.”

Mas como já expliquei anteriormente em outros textos sobre sonhos, elementos do percurso individual do sujeito sonhador e associações particulares podem ampliar essa “explicação” ou dar a ela outros significados. A compreensão ampla e fidedigna do significado dos sonhos somente pode ser obtida em processo de análise. Destaco também o fato de um sonho recorrente representar uma demanda do inconsciente por autoconhecimento sobre um traço ou comportamento específicos do indivíduo ou sobre algo que ele precisa resolver.

E faz-se necessário ressaltar: este blog não tem o propósito de analisar os sonhos dos leitores. Eventualmente pego uma solicitação e dou esclarecimentos genéricos, quando a dúvida de um (uma) visitante pode ser a de muitas pessoas, principalmente os que têm conteúdo universal mais conhecidos . Sonhos de conteúdo muito específico, claramente recheados de aspectos individuais dificultam as generalizações e precisam ser analisados em processo analítico da pessoa. Ocorre também de eu receber um pedido de esclarecimento/interpretação e estar completamente sem tempo para responder. O Psicopauta é um blog apenas informativo (pretensamente) e não de atendimentos individuais, por múltiplas razões. Mas desculpo-me por não poder atender a todas as solicitações.

Escrevi mais sobre este assunto no texto SONHOS RECORRENTES

Fontes de consulta

TANNER, Wilda B. O Mundo Místico e Maravilhoso dos Sonhos. Ed. Pensamento. SP, 2000.

ROSA, Maria Cecília A. Dicionário de Símbolos. Oceano Indústria Gráfica Ltda. SP; s/ ano informado.

Crédito da foto: Zhifei Zhou, retirada do site Unsplash

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Não faço neve loção!

Alguns meses atrás, (mais de um ano , na verdade) aproveitando uma “janela” na agenda, desci para a sala de espera e me pus a observar os pássaros da área verde ao lado e os pacientes que estavam lá também. É uma unidade de saúde mental para crianças e adolescentes, incluindo autistas:

*Mateus, 15 anos,  caminha se arrastando, emburrado, um capuz cobre a cabeça e parte do rosto; cara amarrada. Caminha na direção do banco e despenca sobre ele; se contorce todo, como uma lesma ameaçada, e pára numa posição; só movimenta os olhos, acompanhando, algumas vezes, as pessoas que passam à frente dele.

*Lucas, 8 anos,  caminha decidido, olhar atento, na direção da horta; inquietação parece sair-lhe pelos poros. Encosta-se na cerca e põe-se a observar as plantas ao fundo e os passarinhos…  não liga pro Mateus. Não o incomoda. Mesmo assim, Mateus se incomoda, talvez com a indiferença do outro, e põe-se a observá-lo. Não se falam. Cada um no próprio mundo.  De repente, Lucas se senta à frente do Mateus, mas ainda sem olhar pra ele, a mente vagando… uma pergunta na cabeça: “por que eu gosto tanto de coisas da natureza, por que outras pessoas também gostam?”  Pergunta a si mesmo, mas fala alto o suficiente para Mateus escutar e resolver provocá-lo, se intrometendo nos pensamentos do outro.

_ Eu não gosto, disse o adolescente.

Lucas se vira para Mateus, finalmente o enxergando; estranha o agasalho com capuz do adolescente num dia ensolarado e pergunta, fugindo do assunto:

_ Você tá com frio?

Mateus não responde. Lucas volta a ignorá-lo… mas na estranha mania de pensar alto…

_ Por que as pessoas gostam de árvores?

_ Eu não gosto.

_ Gosta sim! Só não sabe que gosta… Responde Lucas, sem olhar para o adolescente.

Aquela criança pequena, por alguma razão, havia retirado o adolescente do casulo e ele passa a observar Lucas, que volta a pensar alto:

Por que as pessoas gostam de árvore?

_ Quem disse que eu gosto de árvore?!

_ Eu digo… Por que as pessoas acham flores bonitas?

_ Eu,  não.

_ Você, sim!

_ Por que as pessoas gostam de brincar na areia, pisar na grama, ouvir canto de passarinho, olhar o pôr do sol… eu não sei ainda o que essas coisas têm em comum…

_ Falsidade das pessoas… não gosto de nada disso…

_ Gosta sim, só não sabe.

Esse diálogo todo acontece sem que um olhe para o outro diretamente, mas faz surgir um risinho no rosto de Mateus…

_ Sabichão, você me conhece? Como sabe do que gosto?

_ Você é igual a todo mundo…

_ Sou nada…

_ É sim.

Nesse ponto, se restabelece o silêncio entre os dois.

Em outra ponta, duas garotinhas brincam com brinquedos já velhos, postos lá para distrair, ajudar a passar o tempo. Uma delas pergunta:

_ Da outra vez que vim aqui tinha um bate-bate azul… cadê? A outra respondeu:

_ Não faço  neve loção!

Ao som dessa frase enviesada, os dois rapazinhos se viram rápido na direção das meninas, que continuaram brincando.

Lucas põe-se a repetir baixinho:  “neve loção… neve loção… neve loção… ela quis dizer leve noção… “Ele fala pra si mesmo… mas Mateus ouve e ri…

É assim que eles se comunicam; algo meio truncado, solto, livre de padrões, mas reciprocamente influenciando; há entendimento, há comunicação, de algum tipo. Difícil é a aceitação desse funcionamento como um direito do sujeito. Comunicação singular; direito singular. Tudo em saúde mental é singular. As intervenções devem ser também, espaço para o singular.

*Os nomes são fictícios.

Uma planta singular: Ora-pro-nobis; espinhos, doçura, beleza e perfume das flores, riqueza nutricional nas folhas; a natureza é também rica em singularidade. Na imagem acima, o fruto da planta ainda verde. Na foto abaixo, as flores da planta.

Fotos: Carmelita Rodrigues
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Freud estava certo

“Ao contrário do que se dizia, a psicanálise e as terapias psicodinâmicas funcionam, sim, e muito bem. Um estudo de 2016, enorme e feito no sistema de saúde inglês, mostrou que, para os pacientes com depressão mais grave, 18 meses de análise foram muito mais efetivos que o tratamento padrão, que incluía TCC. O mesmo resultado vale para outros transtornos, inclusive os mais severos.

É o que demonstra uma meta-análise publicada em 2008 no prestigioso JAMA, Journal of the American Medical Association, que concluiu que terapias freudianas com mais de um ano de duração são mais eficazes que terapias de curto prazo para pacientes com patologias complexas, como transtornos de personalidade.

O mais impressionante dos dados é que, diferente da terapia cognitiva e dos remédios, os benefícios da análise não só permaneceram, como ficaram ainda maiores após o final do tratamento, causando mudanças duradouras nos pacientes.”

O trecho acima foi retirado da matéria O retorno de Freud, da revista Superinteressante, ed.391/2018. Só li hoje e considero merecedora de divulgação, embora meses após sua publicação.  O texto destaca avanços de descobertas científicas que referendam afirmações de Freud e validam teoria e técnicas psicanalíticas. Também comenta as limitações da Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) que por décadas (de 1961 a 2015) foi aceita como “terapia baseada em evidências” e desfrutou de reconhecimento e hegemonia, em detrimento das terapias psicodinâmicas (Psicanálise e  Psicologia Analítica, cuja base fundamental é o Inconsciente e suas determinações sobre os pensamentos, sentimentos e as emoções do ser humano). Por muito tempo, a visão cientificista predominou inconteste no meio acadêmico, refutando afirmações e descobertas desvinculadas de metodologias científicas, como se essas fossem capazes de abarcar toda a complexidade do psiquismo humano. E a TCC, de todos os tipos de psicoterapias, é a que mais se enquadrada nessa visão cartesiana, tendo sido melhor aceita por todos que tenham visão limitada dos fenômenos da Vida. No Brasil, esse equívoco é largamente reforçado nos cursos de formação de Medicina. Por isso, é mais comum esses profissionais recomendarem terapias do tipo TCC, quase sempre a única da qual têm algum conhecimento. As demais, por serem deles desconhecidas, são consideradas desaconselháveis. Claro que ressaltando-se as honrosas exceções.

Em 2015, pesquisadores noruegueses publicaram uma meta-análise mostrando que a eficácia da terapia cognitiva para tratar a depressão caiu pela metade desde os primeiros estudos, em 1977. Meses depois, na Suécia, auditores do governo publicaram um relatório devastador sobre um experimento de saúde mental do país, que pagou ao longo de oito anos R$ 2,6 bilhões em TCC para os cidadãos suecos. O programa do governo, concluíram os auditores, falhou completamente em seus objetivos.

E um artigo de 2004 mostrou como os pesquisadores da TCC, para tornar os resultados mais fáceis de interpretar, excluíam dos estudos justamente o tipo de paciente mais comum nos consultórios, aquele com mais de um problema psicológico.”

O que o último parágrafo quer dizer é: a TCC é uma abordagem válida, objetiva e rápida, porém mais indicada para pacientes com queixa única ou com disfuncionalidade específica numa área.  Quando o indivíduo tem queixa complexa, multicausal e de raízes profundas (no Inconscientes), a TCC não propicia condições de compreensão ou intervenções eficazes, via de regra.

Link:  O retorno de Freud.  

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Bullying nas escolas tende a aumentar

O episódio de hoje na escola de Suzano (SP), que resultou na morte de 10 pessoas (além do tio de um dos agressores) nos remete mais uma vez ao alerta: precisamos falar mais sobre bullying! Nas escolas, em família, nas igrejas e em outros ambientes de interação social. E mais: precisamos prestar mais atenção na saúde emocional das nossas crianças e dos nossos jovens. O bullying é um problema real e crescente. Esse tipo de violência, de origem emocional, não vai desaparecer se for ignorado, se se deixar pra lá, fingir que não está ocorrendo ou ao se atribuir pouca importância a ele. Ao contrário: vai aumentar e fazer mais vítimas com o passar do tempo! Vão aumentar tanto as vítimas de bullying quanto as vítimas das vítimas do bullying, a exemplo do que ocorreu hoje em Suzano e em Janaúba (MG) em 2017. Repetindo: precisamos prestar mais atenção à saúde mental das nossas crianças e dos nossos adolescentes, dos nossos filhos e estudantes. Não é de hoje que se percebe: o Estado brasileiro tem negligenciado na atenção ao problema do bullying nas escolas. E em vez de ampliar a compreensão e as intervenções em torno da questão, tem feito vistas grossas. Igualmente é visível a negligência às demandas por atendimento na área de saúde mental para crianças e jovens. Na contramão do aumento da população e da crescente procura por serviços psiquiátricos e psicológicos, o Estado brasileiro tem reduzido o número de unidades ambulatoriais e emergenciais de atendimento a portadores de transtornos mentais. Ignoram os gestores que quadros de alterações psicoemocionais, se não forem tratados a tempo, podem evoluir para transtornos psiquiátricos, de incalculáveis consequências? Ou apenas fingem não saber?

Vamos por parte, numa análise nem tão profunda assim: os laços familiares estão mais fracos;  as redes sociais de acompanhamento e assistência às crianças é muito frágil nos dias atuais. Se antes os pais contavam com a ajuda de avós, tios, tias, irmãos mais velhos e vizinhas  amigas no cuidado com as crianças, hoje essa “rede”, em muitos casos está reduzida a pai e mãe ou apenas mãe, quando não apenas a uma avó. Os vizinhos mal se avistam, que dirá compartilhar criação de filhos! Os genitores precisam sair de casa para trabalhar e ter dinheiro para sustentar as crianças e dedicam menos tempo aos filhos.  Então, as crianças estão chegando nos ambientes escolares já com incontáveis problemas emocionais e psicológicos, como abandono ou ausência parental. Neuroses diversas, crises de ansiedade, transtornos do sono, nutrição deficiente, funcionamento depressivo, baixa tolerância à frustração e fraco repertório nas inter-relações sociais são algumas das alterações recorrentes no desenvolvimento das crianças que são levadas às escolas.  Ou seja: grande parte das falhas das famílias estouram em salas de aulas ou nos pátios das escolas. Essas,  não têm recebido suporte maior para o incremento de suas funções, ao contrário: a autoridade dos professores foi duramente reduzida e as condições de trabalho deterioradas. Os mestres adoecem junto com seus alunos adoecidos.  E o que fazem os governantes? Fingem que não estão vendo ou que o problema é de outrem e não uma das contas a ser paga com o dinheiro dos contribuintes! Gestores desavisados preferem gastar elevadas quantias com remédios psicotrópicos, em farmácias de alto custo, como se houvesse pílula para tudo. A indústria farmacêutica adora! E talvez até compactue (mas isso já é outra grande história!). Enquanto isso, o problema dos transtornos mentais/emocionais nas escolas, incluindo o bullying, só cresce. E a conta com remédios, internações, benefícios sociais para portadores de graves transtornos psiquiátricos também, além do custo alto com o afastamento de professores e e servidores das escolas por problemas de saúde. Isto é, as mudanças na organização social afeta os pais, que afetam as crianças, que crescem doentes e vão afetar as escolas. E dão origem a tragédias como assassinatos em escolas. Em relação à violência nas escolas, e talvez também como profilaxia para algumas desordens na saúde das famílias, deve ser considerada, inclusive como medida para evitar doenças psíquicas de alunos e servidores, a hipótese de haver em cada escola pelo menos um psicólogo clínico (bem formado e experiente – para dar conta do recado e não ser mais um faz-de-conta), além de pedagogos e assistentes sociais. Ou seja: intervenções concretas e multiprofissionais – porque o problema tem causas múltiplas e complexas.

Ou seja, tanto as famílias quanto os governantes têm negligenciado na atenção às demandas psicoemocionais das crianças e dos jovens.  Assim, em ambientes escolares fragilizados nas competências para acolher e atender as dificuldades dos alunos, muitos sofrerão maus tratos por parte de quem, em família está sendo maltratado/negligenciado. Sim, estou dizendo que os autores de bullying também são vítimas e precisam tanto de atenção quanto às crianças de  ego frágil, autossuporte deficiente e habilidade de autodefesa inconsistente que se tornam anteparo da agressividade de colegas. É um ciclo vicioso que se não for interrompido acaba em tragédias como a de ontem,  porque a agressividade e/ou negligência sofrida na infância em algum momento vai manifestar-se e ser, por alguma via,  somatizada (e virar transtorno mental), ou externalizada em forma de bullying ou vingança pelo bullying sofrido. Nesse baile sinistro, ainda dançam muitas outras vítimas da falta de providências e recorrentes equívocos de políticas públicas educacionais e sociais. Resumindo: tragédias como as de Suzano e outras semelhantes têm causas sociais, familiares e políticas.

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Próteses de silicone são seguras e inofensivas?

Novas pesquisa estão revelando que colocar prótese de silicone não é seguro como afirmam as empresas fabricantes e os cirurgiões plásticos gananciosos. Um estudo divulgado em novembro de 2018 mostrou que implantes de silicone aumentam os riscos de a mulher desenvolver artrite em 600%, e de câncer de pele em 400%, além de aumentar em 450% os riscos de gravidez resultando em natimorto.

Entre as participantes pesquisadas, a motivação  mais frequente para a colocação do implante era estética (72%);  as cirurgias de reconstrução representaram 10%.

O estudo foi publicado na revista científica Annals of Surgery. Os pesquisadores analisaram  quase cem mil pacientes, os quais estavam inscritos em grandes estudos pós-aprovação de próteses entre 2007 e 2010. Do total de sujeitos,  80 mil participantes tinham implantes de silicone e o restante, implantes preenchidos com solução salina

Em todo o mundo, mais de 10 milhões de mulheres colocaram próteses de silicone. Nos Estados Unidos, a prática ficou proibida de 1990 até 2006, quando o persistente lobby das empresas afetadas, principalmente os grandes fabricantes Allergan e Mentor, conseguiram convencer a Agência Norte-americana de Alimentos e Remédios (FDA – Food and Drog Administration) de que não havia comprovação científica conclusiva da relação entre doenças desenvolvidas, como artrite reumatoide, câncer e doenças autoimunes, e a implantação de prótese de silicone.

Abaixo, algumas matérias curtas, mas esclarecedoras que podem ajudar nos primeiros passos para conhecer melhor os riscos das próteses mamárias de silicone, antes de decidir pela cirurgia ou para ajudar na decisão de explantar a já existente.

Empresas omitem lesões causadas por implantes de mama

Prótese aumenta o riso de diversas doenças, diz estudo

Implantes de silicone aumentam riscos de doenças

Além disso, no Instagram e no Facebook existem milhares de mulheres, do Brasil e fora daqui,  formando grupos e comunidades contra as próteses.

Este post, de modo particular, surgiu do relato de uma colega de trabalho, que sofreu muito até descobrir a causa dos seus males: a prótese que havia colocado a mais de 15 anos. Em breve, aqui, uma entrevista com ela, com vistas a esclarecer riscos, clarificar sintomas das complicações e relacionar medidas terapêuticas da pós-explantação.