O Arquétipo cristão

“O drama da vida arquetípica de Cristo descreve, em imagens simbólicas, os eventos da vida consciente – assim como da vida que transcende a consciência – de um home que foi transformado pelo seu destino superior.”

Anunciação – “A  análise deve liberar uma experiência que nos aprisiona ou nos advém de cima, uma experiência que tem substância e corpo, tal como as coisas que ocorreram com os antigos. Se tivesse de simbolizá-la, eu escolheria a Anunciação.”

Natividade – “O ego individual é a manjedoura na qual nasce o Menino Jesus.”

“Aquilo que ocorre na vida de Cristo Jesus ocorre em todos os momentos e locais. No arquétipo cristão, todas as vidas  estão, de certo modo,  prefiguradas.”

“Para ser curado, o conflito projetado deve voltar à psique do indivíduo,  onde teve seu princípio in consciente. Ele deve celebrar a Última Ceia consigo mesmo, comer sua própria carne e beber seu próprio sangue; isso significa que ele deve reconhecer e aceitar  o outro que há em si mesmo… será esse, talvez, o sentido do ensinamento do Cristo , de que cada um deve carregar sua própria cruz?  Pois, se tivermos de suportar a nós mesmos, como seremos  capazes de lacerar os outros?”

“O problema da crucifixão é o início  da individuação; eis o sentido secreto do simbolismo cristão, um  caminho de sangue e sofrimento.”

Flagelação e Escárnio. O divino processo de mudança manifesta-se à nossa compreensão humana… como punição, tormenta, morte e transfiguração.”

São  trechos do livro O ARQUÉTIPÓ CRISTÃO – Um comentário junguiano sobre a vida de Cristo, de Edward F. Edinger. A obra faz  uma  analogia entre os eventos essenciais do mito cristão (entenda-se: da Vida de Cristo na Terra) e a jornada de individuação do homem e da mulher.

Recorrendo a textos das  Escritura Sagrada e imagens  da arte cristã  tradicional, Edinger ilustra  alguns estágios essenciais  – da Anunciação à Crucificação e à Ressurreição – , tanto da vida de Cristo como da jornada de  todos que se vêem  imerso no próprio destino psicológico.

A leitura foi indicação de meu didata junguiano, Moacir Rodrigues, mas só consegui achar o livro em um sebo. Suponho ser edição esgotada. A editora é a Cultrix.  Título original: THE CHRISTIAN ARCHETYPE, de 1987.