Um pé de moringa e um vândalo

Plantei um pé de moringa oleífera em julho deste ano, numa área pública perto do bloco onde moro. Adubei a terra, reguei e acompanhei a planta se adaptando ao novo solo. Começou a crescer.  Era tempo de seca em Brasília, então, dia-sim, dia-não, eu parava o  carro lá perto com uma vasilha de água e a regava. Ela correspondia aos cuidados crescendo rápido. Um certo dia, uma alma sebosa passou por lá e quebrou a arvorezinha. Do nada; de graça.  Não sei se achou engraçada essa bestialidade ou porquê o fez; não vi a criatura, felizmente. Só encontrei  o pé de moringa quebrado quando fui regar. Acreditei que ela iria brotar e se recuperar, então continuei molhando a terra do toquinho que restou. No fim da mesma semana, a alma sebosa voltou lá e atacou de novo; quebrou até o toquinho; a raiz estava exposta no ponto de quebra. Quem gosta de plantas consegue mensurar minha tristeza. Supus que ela iria morrer, que tinha acabado pra ela. A besta tinha vencido a árvore. Parei de regar, mas continuei a olhar pro local onde ela esteve a crescer naqueles dias, entristecida com a humanidade… por que quebrar uma arvorezinha inofensiva? Não sou capaz de entender. Nas caminhadas de fim de semana, passei a evitar aquele percurso para não ficar chateada. Mas ontem, muitos meses depois, voltei pra casa mais cedo ( ainda estava claro) e olhei na direção da arvorezinha. De longe vi umas folhinhas… “será que o pé de moringa ressurgiu?” Pensei, perplexa. Alterei meu percurso e fui ver de perto. Surpresa! Vi essa linda imagem da foto. A moringa ressurgiu; o que restou do tronco hibernou durante a seca e com as chuvas ganhou força para brotar. E voltou a crescer. Resistiu aos maus tratos da besta e da seca e lutou bravamente para viver. O tronco agora é curto, mas as folhas estão belíssimas, vistosas. Ela é uma planta guerreira, como todas as outras da mesma espécie.

A moringa oleífera é uma árvore comestível (hortaliça arbórea). Dela podemos comer as folhas (em saladas ou acrescentadas a sucos verdes), as flores (aquecidas no azeite, em forma de farofa) e as vagens quando novas (cozidas no ensopado, arroz, feijão ou em receitas mais elaboradas). Pode-se desidratar as folhas e preparar um pó para jogar sobre a comida e nos sucos, ou para fazer chás. As propriedades nutritivas e medicinais são surpreendentes. Na internet há vários sites informando sobre a riqueza dessa árvore, de origem indiana, mas que se espalhou pelo mundo todo. Existem também deliciosas receitas com ela, inclusive de bolos e pão-de-queijo. As mulheres indianas usam as folhas da moringa com frequência; por lá  é comum ter um pé dessa plantinha no quintal, perto das cozinha, para enriquecer de nutrientes os alimentos preparados. Na África, vem sendo usada em programas de combate à desnutrição. No Brasil, algumas universidades pesquisaram suas propriedades úteis às pessoas e novos estudos estão em andamento. Encontrei vários artigos científicos confirmando as informações de sites não-acadêmicos. Ela é mesmo tudo aquilo que dizem. Ela se adapta bem a qualquer solo, qualquer clima e dá flores e vagens o ano inteiro. De crescimento rápido, as folhas podem começar a ser consumidas a partir do quarto mês. No nono mês de vida já haverá vagens. Alimenta também as abelhas e os passarinhos, com  mel de suas flores. Tem mais: o chá dela tem poder de reduzir o açúcar no sangue (hipoglicemiante), portanto ajuda os diabéticos. Atua na redução do colesterol ruim e também beneficia quem sofre de hipertensão. Para alguns ela ajuda a melhorar o sono. Chamada de “Árvore da Vida”, essa planta é um verdadeiro presente do Criador para a insensata humanidade. Neste caso específico, o meu receio agora é que o mesmo vândalo volte e quebre novamente esse belo, generoso e inofensivo pé de moringa (foto).

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Até breve, querido mestre

A Psicologia no Brasil está mais pobre: o mestre Moacir Rodrigues nos deixou, voltou pro Mundo Espiritual. Levou com ele enorme cabedal de conhecimentos em Alquimia, Simbologia, Mitologia, Religiões, Psicanálise e Psicologia Analítica. Incomparável mestre junguiano; amado mestre; muito querido. Sinto-me privilegiada, muito honrada de tê-lo conhecido, convivido com ele, aprendido, sido orientada, analisada por ele… quanto aprendi! Eu o tenho como meu pai intelectual,  sem exagero. Ele foi meu Guia encarnado na minha escolha profissional, nos primeiros passos da jornada em Psicologia Clínica. Um legítimo continuador do trabalho de Carl Jung. Um autêntico trabalhador da Obra de Renovação do Mestre Jesus. Tinha como propósito intelectual formar bons terapeutas… Nós, alunos dele, nos esforçamos para honrar esse desafio dele. Até um dia, querido mestre.

Evento em homenagem a ele hoje (28/09/2017), às 19h00, no templo da Rosa Cruz, na 607 Norte. Aberto ao público.

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Celebrando o encerramento da formação em Psicologia Profunda, do Instituto Aion (Moacir é o da esquerda, em pé); junho de 2009.

Viveiro distribui de graça mais do que mudas no DF

Há três anos a  Administração do Lago Norte, uma das 31 regiões administrativas do Distrito Federal, montou  um viveiro de plantas ornamentais, medicinais e árvores  frutíferas num pequeno terreno do bairro, com a finalidade principal de contribuir com o meio ambiente. Com o passar do tempo, pode-se perceber que o alcance da iniciativa, no entanto, vai muito além disso. Uma dedicada equipe e voluntários abnegados têm feito do espaço um oásis de beleza e generosidade. Lá, as pessoas podem pegar mudas gratuitamente e aprender sobre o cultivo de algumas espécies. Moradores de qualquer localidade do DF (ou mesmo de fora do DF) podem ir ao Viveiro, para conhecer, conseguir algumas mudinhas ou para colaborar, de alguma forma. A EBC fez uma matéria informativa, da qual participei como personagem, que pode ser vista no link abaixo:

VIVEIRO DO LAGO NORTE

Ou

http://tvbrasil.ebc.com.br/reporter-df/2017/07/viveiro-comunitario-do-lago-norte-doa-cinco-plantas-por-pessoa-gratuitamente

 

 

 

Sugar Daddy e abuso sexual

Você sabe o que é “sugar daddy“? E “sugar mommy”? Você pode até não saber e eu vou entender. Eu própria entrei em contato com esses conceitos dois dias atrás. Mas olhe: o perigo é seu filho ou sua filha adolescente saberem. Uma das minhas paciente, aos de 16 anos de idade, e as coleguinhas dela sabem; uma delas chegou a se cadastrar no site que oferece esse “serviço”. A minha expectativa, no entanto, é de que as autoridades policiais, sobretudo as que atuam para coibir pedofilia pela internet saibam o que é e atuem em defesa dos nossos menores de idade.

Vejam a explicação que encontrei na internet: “sugar daddy é o velhote rico e generoso que dá presentes caros para uma namorada jovem“. Entenda que o termo namorada aí é puro eufemismo. Sugar daddy, no meu ponto der vista, é prostituição no sentido mais antigo da palavra. E pior – e o que mais me assustou – é também uma porta escancarada para a pedofilia. Na prática, é o uso da internet para mediar a exploração sexual, inclusive de menores. A perplexidade não para aí. Ao entrar no site, no rodapé, estão listadas empresas patrocinadoras do site. E adivinha quais? Rede Globo, Rede TV, GNT, Revista Forbes, Yahoo e Trip Linhas Aéreas. Todas, claro, defendendo os próprios interesses comerciais. Ah! Sugar Mommy é a versão feminina da coisa!

De acordo com o relato da adolescente, a amiga dela havia se cadastrado sem qualquer dificuldade, isto é, não havia impedimento para menores de idade! Então fui testar,  usando um email fake (não prossegui até concluir o cadastro porque estava enojada demais e não tenho o sangue frio dos investigadores desse tipo de abuso). Bom, no início da primeira página há um termo de adesão, avisando ser necessário ter no mínimo 18 anos  de idade… mas e daí? O (a) menor pode mentir, esconder a idade real.  Isso exime o site de responsabilidade pelo risco de envolver menores? Por que não pedem CPF e checam, por exemplo? Para preservar a privacidade? Alegação fraca: é possível conhecer nome e idade do cadastrado, entre outros dados, e preservar a privacidade. Para isso existem os nickies (ou apelidos). O fato de o próprio menor ter-se cadastrado espontaneamente elimina o traço de abuso e/ou aliciamento? Entendo com convicção que  NÃO. Posso até reconhecer o direito de uma mulher adulta ou de um homem que já atingiu a maioridade escolher a prostituição como fonte de renda. Isso é uma escolha e os adultos ganham essa prerrogativa ao saírem da adolescência. E eles arcam com os efeitos das próprias escolhas. No entanto, quando envolve relacionamento entre um menor de idade e uma pessoa que seja pelo menos cinco anos mais velha que a criança ou o adolescente fica configurado abuso.

Ninguém ignora que uma criança ou um adolescente ainda não tem a personalidade formada, apesar das estimulações precoces da atualidade, que não tem convicções nem conhecimento suficiente sobre as mazelas da humanidade, nem é capaz de compreender de forma ampla as implicações entre ação e reação/ato e consequências futuras. Tanto é assim que a minha paciente levou o assunto para conversar justamente porque estava desconfiando “ser uma coisa suja“, nas palavras dela, mas não tinha certeza disso. Contou que quando conversaram sobre o assunto, ela e as amiguinhas tinham dúvidas sobre isso ser ou não uma fonte digna de renda – o que vinham procurando. Na dúvida, ela quis ouvir minha opinião, já que não tinha coragem de abrir-se com os pais.

É claro que um homem adulto sabe ser convincente, sabe reconhecer os interesses de uma jovem e oferecer/prometer exatamente o que terá o poder de aliciá-la. E isso é crime. Aliciar, seduzir menores de idade é crime, é abuso sexual contra menores. Pouco importa se nos moldes antigos, convencionais, ou recorrendo aos avanços tecnológicos.

Pra finalizar, estou consciente de que a ideia veio de fora, especificamente dos Estados Unidos, e que a mim não compete avaliar como a coisa funciona lá. Preocupa-me como essa mediação tecnológica para um crime tão vil esteja funcionando aqui no Brasil, principalmente neste momento de tamanha frouxidão moral e impunidade generalizada a favor dos transgressores das leis e dos direitos fundamentais do ser humano. E certamente não é por razão diversa que muitos estrangeiros vêm ao nosso País em busca de turismo sexual.

O que leva as empresas citadas a patrocinarem algo assim, honestamente não está lá muito claro para mim: ainda acredito na humanidade. Certamente não é por ingenuidade.  Talvez sejam razões semelhantes às que levam essas e outras a patrocinarem lixos como Big Brother, Fazenda,  Casa dos Artistas  ou coisa do gênero. Minha expectativa é de que a Polícia Federal já esteja no encalço dos abusadores. Desta vez ficarei feliz em estar desatualizada e descobrir que há muito o tema já é objeto de investigação policial. Finalmente, vou abster-me de informar a qual site me refiro para não colaborar, nem minimamente, com a divulgação desse lixo.

Família não é uma democracia

É do professor e filósofo Mario Sergio Cortella o livro Família – Urgências e Turbulências (Cortez Editora, 144 págs., preço sugerido R$ 38), lançado em maio deste ano. Na obra, Cortella destaca a dificuldade atual dos pais para exercer autoridade sobre os filhos.

Há uma entrevista interessante com o professor no site de O Estadão, sob o título

Os pais esquecem que a família não é uma democracia’, diz Mario Sergio Cortella

Vale conferir! Tenho escrito post na mesma linha de pensamento, com base na minha experiência clínica com crianças com transtorno de conduta.

 

 

 

 

 

Psicotrópicos em excesso

“Brasília Dopada” é uma série de reportagens do Correio Braziliense, jornal diário do DF, que aborda o aumento do uso de psicotrópicos pelos moradores da Capital. A seguir,  alguns tópicos que chamam atenção:

. No ano passado, Secretaria de Saúde do GDF distribuiu 7,2 milhões de doses de antidepressivos;

. Entre 2015 e 2016, o consumo de medicamentos antipsicóticos em Brasília cresceu 53,4%;

Link da matéria completa 

 

Povo desonesto ou gente injustiçada?

O povo brasileiro é realmente desonesto? Tenho pensado sobre isso e, fazendo observações empíricas, começo a desconfiar dessa crença. Talvez seja mais apropriado considerar que o clima geral de desonestidade reinante, de desrespeito quase que generalizado a regras, com as pessoas levando a sério máximas do tipo “achado não é roubado”,  “quem rouba de ladrão tem cem anos de perdão ” ou  “eu quero é me dar bem” (Lei de Gerson) possa ser mais corretamente atribuído principalmente a dois fatores: a avassaladora má distribuição de renda e a percepção de impunidade.

Nesse segundo caso, até o Supremo Tribunal Federal tem decepcionado a Nação… o que dizer de sucessivos alvarás de soltura e permissões para políticos bandidos cumprirem prisão em suas casas ou autorizações judiciais (algumas expedidas do exterior) para transgressores da Lei aguardarem resultado de recursos e julgamentos em liberdade? E os crimes comuns sem penalidades? A crescente onda de violência  urbana e de desrespeito ao patrimônio (privado e público)? Para coroar esse estado de coisas absurdas, causa revolta a recente divulgação da boa vida dos corruptos que fizeram delação premiada. Como assim?! Corromper, desviar milhões de dólares de dinheiro público, superfaturar licitações, enganar a torto e a direito, pagar/aceitar propina, causar a morte de muitos por omissão do Estado (corrupção na Saúde Pública mata pessoas) e ficar livre, leve e solto pra usufruir de rico patrimônio adquirido às custas de crimes? Que influência pedagógica essas punições-premiações apresentam?

 

Enquanto o País está mergulhado numa forte crise econômica, parlamentares, magistrados, presidente e ex-presidentes seguem mantendo benesses de alto custo para os brasileiros. A saúde agoniza sem dinheiro, a segurança pública fugiu ao controle do Estado, a fome leva milhões a comer de lixeiras e o desemprego arrasta milhares para as ruas, mas ainda assim pagamos comitivas ao exterior para ex-presidenta (além de quatro assessores pagos mensalmente com dinheiro do povo), auxílio telefone, auxílio creche e auxílio moradia a deputados (eles ganham muito pouco, tadinhos!) e damos isenção fiscal a empresas gigantescas, entre inúmeros outros desmandos. Somos campeões em conceder benefícios injustificáveis. Opa! Nós, não: nossos representantes admiráveis! Nossos probos líderes!

E como se não bastassem as misérias causadas pela impunidade, alguns corruptos impunes  seguem atuando claramente contra o povo brasileiro. Se agarram com unhas e dentes aos farrapos de poder que lhes restam, se unindo para ganhar força, para assegurar a manutenção de privilégios, aprovando leis que escravizam os trabalhadores brasileiros, que usurpam direitos conquistados ao preço de muitas lutas em movimentos organizados. Para eles, os vermes do poder, vale toda sorte de absurdos para manter o Brasil na lama da roubalheira de poucos sobre milhões.

E para conseguir colocar a cara na rua ou na TV, os larápios recorrem a toda sorte de confusão conceitual: plutocracia por democracia; corrupção por prática empresarial; demagogia por interesse social, propaganda enganosa (paga com dinheiro público) por necessária divulgação de atos governamentais… sem contar as recorrentes falácias para disfarçar iniquidades. E como se nada estivesse acontecendo, ainda gravam propaganda eleitoral gratuita repetindo a mesma fórmula-besteirol de sempre! Não têm mesmo vergonha na cara!

Então, diante de todos esses absurdos, o que pode restar de confiança na Justiça brasileira? E na política, na polícia ou em outras instituições reguladoras da ordem pública?  Por esse viés, chego à elucubração de que a má distribuição de renda, associada à falta de esperança de que as coisas vão melhorar ou que a justiça far-se-á, pode levar as pessoas a buscarem compensações, a permitirem-se minimizar a sensação de perdas cometendo delitos ou transgressões; algo como: “sou roubado por todos os lados, por que não fico esperto e aprendo a me virar?” ou “todos são desonestos, por que não posso cometer um errozinho?”  Ou seja: será mesmo que somos em maioria e primordialmente desonestos ou estamos psicológica e eticamente confundidos pelos maus exemplos das nossas equivocadas lideranças? Que não se despreze o  poder do Inconsciente Coletivo. Mas obviamente que existem pessoas moralmente mais rígidas que são refratárias a tais mecanismos, provavelmente  inconscientes.

Toda essa gama de maus feitos se mantém graças ao fraco senso crítico de um povo com pouca educação. E o que dizer/pensar do fanatismo de alguns “letrados” que persistem defendendo o indefensável? Estamos indo mal. E como miséria pouca é bobagem, longe daqui, mas não muito, loucos/perversos ameaçam desencadear mais uma guerra intercontinental… enquanto nossos líderes de meia pataca seguem brincando de fazer política.