Depressão: explicações sócio-psicológicas

A depressão parece ser um produto dos séculos XX e XXI. A instabilidade e as incertezas próprias da pós-modernidade estariam entre as prováveis causas. A falta de segurança, a instabilidade nos empregos e nas relações afetivas ou em outras esferas da vida dão a sensação, consciente ou não, de que tudo é muito instável e passageiro. E a insegurança nos leva a buscar refúgio em nosso próprio interior.

 

A cobrança permanente por marcas externas de “sucesso” (a qualquer custo!) intensifica a ansiedade e angústia das pessoas. Essa cobrança incide com muita força sobre o sujeito. Assim, a dificuldade ou mesmo incapacidade de adaptação ao mundo atual pode estar por trás da grande incidência de depressão. Com medo e sentindo-se insegura, inconscientemente a pessoa só enxerga como saída recolher-se no interior, “entrar em si.”

 

A reação depressiva é algo normal, principalmente em casos de perdas. Normal e até necessária, já que precisamos fazer reflexões, movimentos de auto-conhecimento. Anormal é permanecer em depressão. “É preciso entrar para buscar a riqueza do interior, mas em seguida deve-se subir à superfície para usufruir da riqueza descoberta”. São palavras de um alquimista.  

 

Na visão de alguns pesquisadores, a depressão decorre do fato de estarmos nos nutrindo mal (nutrição espiritual); de não estarmos encontrando tempo para o sagrado; de estamos desrespeitando a necessidade natural do ser humano de se conectar com o divino, com valores ancestrais.

  

Postado por Carmelita Rodrigues, em 31.10.08

 

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O amor e a amizade

Em 1764 Voltaire, em seu Dicionário Filosófico, fez a seguinte definição: “Amizade é um contrato tácito entre duas pessoas sensíveis e virtuosas. Sensíveis porque um monge, um solitário, pode não ser ruim e viver sem conhecer a amizade. Virtuosas porque os maus não atraem mais que cúmplices. Os voluptuosos carreiam companheiros na devassidão. Os interesseiros reúnem sócios. Os políticos congregam partidários. O comum dos homens ociosos matém relações. Os príncipes têm cortesãos. Só os virtuosos possuem amigos.”

 

E já que estamos falando de sentimentos, o que foi dito sobre o amor?  Camões disse: “Amor é um fogo que arde sem se ver; é ferida que dói e não se sente; é um contentamento descontente; é dor que desatina sem doer.”  

Vejamos o que Voltaire diz sobre o amor: “O amor é a estopa da natureza bordada pela imaginação. Quereis ter uma idéia do amor? Vede os pardais do vosso jardim. Vede vossos pombos. (…).”

 

Postado por Carmelita Rodrigues, em 09.10.08

 

 

 

O ciúme e a inveja

“Algumas emoções e alguns sentimentos considerados normais podem ter implicações psicopatológicas, a depender da intensidade e do contextos em que surgem e se desenvolvem. Vale ressaltar o ciúme e a inveja. O ciúme é um fenômeno emocional complexo no qual o indivíduo sente receio, medo, tristeza ou raiva diante da idéia, sensação ou certeza de que a pessoa amada gosta mais de outra pessoa (ou objeto) e poderá abandoná-lo ou preteri-lo. O ciúme de intensidade extrema, desprovido de crítica, é difícil de ser diferenciado do delírio do ciúme. A inveja, por sua vez, é a sensação de desconforto, raiva e angústia perante a constatação de que outra pessoa possui objetos, qualidades, relações que o indivíduo gostaria de ter, mas não tem. A inveja pode ser importante fonte de sofrimento em indivíduos imaturos, extremamente neuróticos e com transtorno de personalidade. Além disso, a inveja intensa pode ter efeitos devastadores nas relações interpessoas.”

 

Extraí esse trecho do livro Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais, de Paulo Dalgalarrondo (Porto Alegre: Atmed, 2000, pág.111) pela concisão e clareza que apresenta ao explicar temas tão complexos. Não posso deixar de acrescentar que na maioria das vezes essas emoções se manifestam de forma exacerbada, em forma de transtorno psico-emocional, sem que o indivíduo tenha controle sobre eles. Não depende da pessoa não sentir ciúme ou não sentir inveja. Nesses casos ocorre uma distorção cognitiva e/ou emocional que impede a significação correta da circunstância envolvida e faz a pessoa sofrer muito, mas não conseguir agir de forma diferente. É algo difícil de se explicar num espaço como este, mas, via de regra, está relacionado à constelação de complexos ou fixação em uma experiência traumática do passado, entre outras possibilidades. Em muitos casos, eliminá-los ou fazer com que não se manifestem descontroladamente exige tratamento psicoterápico, o que levará às origens dessas emoções. Tenho uma amiga que sofreu muito e teve grandes perdas devido ao ciúme patológico que sentia (principalmente do  marido, mas também de outras pessoas significativas). Ao ser aconselhada a fazer psicoterapia, por muito tempo ela deu a seguinte resposta: “eu não vou procurar tratamento psicológico porque eu sei que pra terapia funcionar eu teria que mudar o meu jeito de viver, mudar muita coisa na minha vida e eu não quero mudar nada.” Infelizmente, a despeito de todas as explicações dadas e todo incentivo a que enxergasse a distorção desse pensamento, ela permaneceu firme na negativa de buscar ajuda. A consequência foi muito ruim para ela: o quadro geral de um adoecimento muito mais amplo que a acometia (o ciúme era apenas um dos sintomas) se agravou, ela tentou o suicídio por duas vezes e foi internada outras tantas. Atualmente está bem medicada e fazendo acompanhamento psicoterápico. O prognóstico é dos melhores.

Postado por Carmelita Rodrigues, em 03.10.08

 

 

 

 

Um resumo sobre motivação

Provas de concursos públicos têm cobrado conhecimento sobre motivação, tanto no ambiente organizacional quanto fora dele. Em razão disso, escrevi um resumo sobre as principais teorias de motivação, recorrendo principalmente ao livro de Idalberto Chiavenato, o qual poderá ser consultado por quem deseje ampliar conhecimento sobre o assunto. Outro bom livro sobre o assunto é Psicologia nas Organizações, de Paul E. Spector, também muito usado por elaboradores de provas de concursos.

 

A motivação, conceito da psicologia largamente discutido há décadas, refere-se ao estado interior que induz determinados comportamentos em alguém, orientados por desejos, necessidades ou vontades. Relaciona-se com o esforço em alguma direção para atingir um objetivo pessoal. Motivação no trabalho é o desejo de exercer altos níveis de esforço em direção a determinados objetivos organizacionais, condicionados pela capacidade de satisfazer algumas necessidades pessoais.

 

A motivação está relacionada com três aspectos:

1.     A direção do comportamento (objetivo);

2.     A força e intensidade do comportamento (esforço);

3.     A duração e persistência do comportamento (necessidade).

 

Uma necessidade é uma carência interna, como fome, insegurança, privação material, etc. Em se tratando especificamente de motivação no trabalho, as teorias se preocupam com as razões que levam certas pessoas a realizar suas tarefas melhor do que outras. 

Leia o texto completo sobre Motivação

Postado por Carmelita Rodrigues, 01.10.08