Vade-mécum de Gestalt-terapia

Um trabalho voltado para as necessidades dos profissionais e clientes de psicoterapias; instrumento para a compreensão dos conceitos e orientações sobre a prática, clínica ou em outros espaços, da Gestalt-terapia; ferramenta para pesquisadores. VADE-MÉCUM DE GESTALT-TERAPIA, Conceitos Básicos é tudo isso. E é bem mais do que isso, além de ser mais um precioso esforço de Jorge Ponciano para tornar a abordagem gestáltica e a Gestalt-terapia compreendidas, conhecidas, corretamente utilizadas e reconhecidas em todas as suas complexidades e, paradoxalmente, simplicidade. O livro aprofunda a compreensão dos conceitos e faz paralelos com o uso prático deles, funcionando como instrumento de trabalho imprescindível. Temos no Brasil poucas obras de autores brasileiros dedicadas a clarificar a compreensão da abordagem gestáltica e enriquecimento da psicologia humanista; dos poucos existentes, a maioria é de Ponciano, que conhece bem essa demanda e faz mais um esforço para preencher a lacuna. A linguagem metafórica amplia a possibilidade de compreensão, respeitando os potenciais e bagagens intelecto-psicoemocionais de cada leitor, sobretudo no momento de relacionar teoria e prática clínica. Veja como os 28 conceitos foram abordados no livro lendo trechos de três deles:

Auto-regulação organísmica: “O instrumento de manutenção da vida é a auto-regulação do organismo no mundo e a partir dele. Por intermédio dos comportamentos moleculares e molares, cada ser se auto-regula conforme a necessidade do próprio organismo, aqui e agora. (…) Sem tergiversar, o corpo apresenta aquilo que precisa para um funcionamento adequado e um equilíbrio estável; entretanto, estamos acostumados a ver nossos corpos desrespeitados ou a desrespeitá-los, obrigando-os a funcionar com sobrecarga física, emocional e espiritual. (…) Somos biopsicossocioespirituais e auto-regular-se é não perder a perspectiva dessa quádrupla dimensão humana. Cada uma dessas dimensões tem necessidades próprias que, embora juntas, formam um sistema auto-regulador que distribui os diversos apelos ou necessidades organísmicas, de tal modo que num comportamento vicário, organicamente inteligente, o sistema mais saudável tenta satisfazer um menos saudável, para que o organismo, como um todo, possa funcionar a contento. É o que chamamos função holísitica dos sistemas. Temos de recordar que, às vezes, a própria doença é uma forma precária de auto-regulação e também o caminho que o organismo encontrou para se proteger de um mal maior.” Pág. 56-57.

Awareness: “O estar consciente de que se está consciente, não como um ato cognitivo apenas, mas como algo integrador e transformador. É um momento de síntese emocional, no qual parte e todo, figura e fundo se transformam em parte-todo, figura-fundo, desaparecendo o objeto na subjetividade emocional do sujeito. Awareness é um momento de encontro com minha totalidade, buscada sempre pelas mais variadas formas de ampliação de consciência. (…) Awareness é um caminho de mudança, um processo de integração harmoniosa pessoa-mundo, de tal modo que fica na pessoa a sensação de fim de linha, de chegada de uma longa e difícil viagem e, sobretudo, uma sensação de completude, de um chão fecundo em que as sementes já podem germinar. Estar reflexivamente consciente de si mesmo no mundo é ter encontrado respostas de cujas perguntas pouco ou nada se sabia.” Pág. 75-76.

Bloqueio de contato: “A essência do bloqueio é sua consciência administrativa, ou seja, tenho consciência de que a experiência que vivo, aqui-agora, é insuportável; quero me livrar dela e uso meios claros para bloqueá-la. Procuro e encontro argumentos emocionais e os introduzo na minha experiência a fim de me livrar das sensações ou pensamentos insuportáveis, bloqueando conscientemente a sensação de contato interior comigo mesmo. (…) Palavras mestras na arte de ser terapeuta: delicadeza, ternura, cuidado. Ninguém se bloqueia porque quer ou por teimosia, pois até o querer se bloquear já é algo que nos diz onde a pessoa se encontra. Assim, quando identificamos algo a que chamamos bloqueio (afinal, o que a pessoa está fazendo é apenas se auto-regular, se auto-ajustar) precisamos de toda nossa perícia para entrar na casa protegida do cliente. Se abrirmos portas e janelas, porque assim pensamos ou sentimos que deva ser, podemos dar entrada a ventos e tufões que o cliente não tem nenhuma condição de enfrentar. Os bloqueios e as resistências do cliente precisam contar com uma amorosa proteção do terapeuta, pois eles não estão ali sem motivos. Bloqueios e resistências são forças de pessoas que, momentaneamente, perderam a confiança em seu poder pessoal e só com muito cuidado, isto é, ao se sentirem cuidadas e aceitas pelo que são e como estão, poderão recuperar seu poder pessoal de estar na vida de maneira saudável e sem medo. Atrás de todo bloqueio há um medo, mas não é o bloqueio que deve ser objeto de cuidado, e sim os componentes envolvidos nesse medo, que impedem a pessoa de se expressar, de sorrir e de viver como verdadeiramente é.” Pág. 81-82.

Sobre o autor: Jorge Ponciano Ribeiro é graduado em Filosofia e Teologia; mestre e doutor em Psicologia pela Universidade Pontifícia Salesiana de Roma; tem formação em Psicanálise e Psicologia Analítica de Grupo e em Gestalt-terapia; fez dois pós-doutorado na Inglaterra; tem quarenta anos de magistério superior; é fundador e presidente do Instituto de Gestalt-terapia de Brasília (IGTB) e autor de vários livros, incluindo: Do Self e da Ipseidade; Ruídos: contato, luz, liberdade; Gestalt-terapia de curta duração; O Ciclo do Contato; Gestalt–terapia: o processo grupal e Gestalt-terapia: refazendo um caminho.

Vade-mécum de Gestalt-terapia – Conceitos Básicos

Autor: Jorge Ponciano Ribeiro

Editora Summus, São Paulo, 2006

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