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Sobre Complexo Materno

Acabo de postar na página ARTIGOS um texto sobre Complexo Materno. Escrito pela psicóloga junguiana Vanilde Gerolim Portillo, do Rio. Explica a força que pode ter um complexo constelado, como no homem o complexo materno pode se manifestar em forma de homossexualismo, donjuanismo ou impotência sexual.  Descreve um pouco da dinâmica do homem eterno adolescente e os aspectos construtivos do donjuanismo positivo. Uma leitura enriquecedora.

“Quando nos referimos ao termo “Complexo” nos remetemos, invariavelmente, a idéia de que um monstro nos ronda e a qualquer momento poderá nos atacar. Sempre surge como uma conotação psicopatológica. Quando falamos que alguém tem um complexo, preconceituosamente, pensamos que a pessoa tem uma doença, um problema psíquico. No entanto, como já vimos, os complexos não são negativos em si, os seus efeitos é que se apresentam negativamente.

Quando um complexo é constelado indica que está havendo um desequilíbrio na psique e que há uma unilateralidade entre seus componentes bipolares. Neste sentido, os efeitos dos complexos deverão ser vistos como sintomas de que algo vai mal na organização interna do indivíduo ou que há conflito interno. A constelação de um complexo tira o indivíduo da inércia, apatia e o impulsiona para a atividade. Uma vez que há sofrimento haverá a tendência de sair dele. Se bem resolvido, o conflito poder ser visto positivamente, pois implicará num upgrade da personalidade, um salto qualitativo na vida da pessoa. Leia o artigo completo neste link COMPLEXO MATERNO.

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Complexo paterno pode trazer Roriz de volta ao GDF

Estava voltando do mercado, em núcleo habitacional pobre, onde a maioria das  pessoas tem baixo poder aquisitivo, e ouvi quando uma mulher de aparência bem humilde comentou com o marido: “ainda bem que nosso Roriz tá voltando”. Estremeci, incrivelmente incomodada com a possibilidade de ter esse homem novamente à frente do GDF, desviando recursos e subtraindo dinheiro de serviços essenciais principalmente para pessoas como aquela mulher, seja para abastecer farmácias públicas, contratar médicos e outros profissionais de saúde como para  equipar escolas e etc. Mas incomodou-me também a excessiva humildade ou ignorância de pessoas assim tão desprovidas de preparo para escolher representantes. Elas colocam no poder pessoas mal intencionadas que posteriormente roubam delas mesmas. Lembrei-me das eleições de 2002. Concorriam Roriz e Cristovam Buarque ao governo do Distrito Federal. Todas as pesquisas davam como certa a reeleição de Cristovam Buarque. Eu trabalhava para uma rádio e fui incumbida de acompanhar a movimentação e o resultado na casa de Roriz. Quando Roriz superou Cristovam na contagem dos votos (até hoje há suspeita de fraude nas urnas)  assisti a um espetáculo inesquecível. O quintal e algumas dependências da casa tinham se enchido de gente e de repente uma multidão se alvoroçou e começou a correr e gritar “nosso pai vai voltar”, “viva nosso pai Roriz”. Eu e outras pessoas da minha equipe tivemos que esconder os crachás porque éramos de uma empresa que apoiava a reeleição do Cristovam Buarque (isenção na imprensa é mito) e fomos ameaçados pelos rorizistas. Difícil esquecer aqueles momentos assustadores, menos pelas ameaças, mais pela vitória do mal e da ignorância.

Ontem, após ouvir aquela pobre mulher, pus-me a refletir sobre que estranhas forças estariam por trás desse fenômeno,  a eleição de políticos ordinários, desonestos, mentirosos, populistas e perversos. A resposta: o complexo paterno. As pessoas muito pobres têm forte complexo materno. Sempre estiveram desamparadas, nunca foram protegidas, assistidas pelos próprios pais, eles igualmente miseráveis em termos financeiros e culturais. Essa carência de apoio, de ajuda dos pais alimenta o complexo paterno delas. Quando aparece uma figura pública com mensagem salvacionista, prometendo ajuda e proteção, essa pobres pessoas acreditam, projetam todas suas afetividades e esperanças de  ajuda neles e elegem os cretinos usurpadores da boa fé. Esses políticos, espiritualmente miseráveis, conhecem essa dinâmica. E com inegável perversidade  alimentam os complexos dos humildes para usar isso a favor de si. E não apenas para chegarem ao poder mas principalmente para roubar os direitos dessa pobres vítimas, já tão desprovidas de suporte. E o mais inaceitável é que eles encontram na legislação brasileira e na atuação das esferas controladoras dos desmandos administrativos a mais absoluta impunidade. Passam ilesos, como está Roriz até hoje, apesar do muito que roubou, apesar de ter sido ele o mestre nos esquemas de propina e desvios de recursos públicos seguidos pela equipe do Arruda, hoje preso (29.03.2010). Mas quem pode impedir a volta dele ao GDF? A Polícia Federal? O Ministério Público? Ao que parece, Brasília e o povo miserável dos assentamentos à volta da capital só ficarão livres de Roriz quando ele morrer. Porque antes disso, ele vai continuar abusando da Psicologia Social, da compreensão sobre a fragilidade humana para se locupletar. Ele e tantos outros. É só por isso que os maus políticos são eleitos? Não. Por que criaturas como Paulo Maluf e Fernando Collor de Melo são eleitos e reeleitos? Outro fenômeno psicológico: identificação. Sim, há muitos eleitores que chegam a admitir “se eu estivesse no lugar deles faria a mesma coisa”. Então o povo merece os maus políticos que têm? Penso que não. Penso que cabe às esferas públicas reguladoras dos desequilíbrios sociais intervirem para proteger as pessoas despreparadas, protegê-las inclusive de si mesmas. Voto obrigatório? Direito de voto para analfabeto (garantia da cidadania a quem não sabe ler ou inversão de prioridade?). Penso que o direito de eleger um representante exige comprovação de capacidade para isso, algo como um “exame da OAB” para todos que desejem o direito ao voto. Sem isso, estender o ato de votar a pessoas sem nenhuma consciência política é facilitar a ação dos mal intencionados, é largar à própria sorte as pessoas e as cidades. Entendo que está passando da hora de se reavaliar muita coisa na dinâmica política do País. Reforma política, sim. E incluindo revisão nesses mecanismo que só beneficiam aos maus políticos, a obrigatoriedade e a universalidade do voto.

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Soneto de Fidelidade

O que se lê abaixo dispensa apresentação ou justificativa.

Já expliquei antes porque a Psicologia Junguiana se serve da arte, da criatividade como instrumento. Não vou me repetir.

“De tudo ao meu amor serei atento.
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
que mesmo em face do maior encanto
dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
e em seu louvor hei de espalhar meu canto
e rir meu riso e derramar meu pranto
ao seu pesar ou seu contentamento.”

Vinícius de Moraes

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Mentir é pecado

“Mentiras e meias verdades podem abrir feridas na mais sólida união, como as ondas que, lentamente, abrem fendas nos rochedos.”

Amanheci analisando minha intolerância à mentira e minha perplexidade face à constatação de que volta e meia sou alcançada por pessoas afeitas ao mentir.

Percebo que um dos aspectos que me agrada no processo terapêutico é o ser ele um espaço de verdade. E se assim não for, perde-se o seu sentido e a sua eficácia. Em terapia somos convocados a nos defrontar com a verdade, sem covardia. A obtenção disso nos torna mais fortes, mais produtivos, mais felizes.

Todo aquele que recorre à mentira diante de uma situação que gostaria de evitar está acovardando-se frente ao medo do sofrimento que acredita vir com a verdade. Quase sempre é precisamente o contrário: a mentira é que semeará os mais dolorosos sofrimentos – para todas as partes envolvidas.

Sou tão intolerante com mentiras quanto com meias verdade e a omissões. Estas, em essência, são mentiras disfarçadas, são eufemismos de mentira.

O mentiroso destrói a confiança nele depositada, destrói a autoconfiança  da pessoa vitimizada pela mentira, destrói a admiração devotada a alguém que se mostra um fraco ou uma fraca, alguém incapaz de olhar de frente a própria realidade, alguém que deseja ardentemente algo, mas acredita poder atender a seus anseios fugindo do confronto com a realidade. Usa a mentira como refúgio, como estratégia, assim como o soldado desertor usa a escuridão como aliada para a fuga da guerra. É isso: mentirosos são desertores da vida.

Psicologicamente falando, mentir é esquivar-se da verdade, da realidade. Por trás está o medo. Assim um mentiroso é um covarde. E do mesmo modo que ele foge da verdade, a felicidade foge dele, já que ser feliz é conseqüência de um viver em coerência entre o pensamento e a ação, entre o anseio e a concretização. Que paz, que harmonia interior pode ter qualquer um que defenda a verdade, mas na vida prática minta? Que tente satisfazer suas necessidades mentindo para si mesmo e para os outros?

“Que o seu sim seja sim e o seu  não, não” Teria ensinado Jesus, segundo o Evangelho. Se assim não for haverá o pecado, pois no sentido original da palavra, pecar significa “fugir da meta”. E se a meta é a verdade, quem mente, peca. No entanto não é Deus quem nos pune por nossos pecados, mas nossos próprios atos. O sofrimento, a cobrança pelas nossas falhas acontece naturalmente, mera consequência de nossas incoerências, da lei física de ação e reação.

À propósito, veja que graça esse curto vídeo, de 36 segundos, onde um garotinho é absolutamente, graciosamente sincero:

GAROTO SINCERO

Pode alguém ficar aborrecido mesmo diante da mais dolorosa verdade, ao perceber a grandeza da sinceridade?

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Mobilização de concursados para a saúde

Fiquei devendo uma satisfação e aí vai: a tal reunião de ontem (dia 22 de março) na Secretaria de Saúde acabou naõ acontecendo. Aproximadamente 30 pessoas foram lá, na expectativa de conversar com o Secretário Joaquim de Barros, mas não fomos recebidos por ele. Isso porque  na prática a reunião não foi devidamente agendada com ele – explicação da secretária Regiane – e apesar de estar no gabinete, no Palácio do Buriti, não atendeu a Comissão dos Concursados. Explicação do secretário, também segundo Regiane: tinha acabado de conversar com o governador sobre o assunto e dependia do posicionamento do Wilson Lima para tomar qualquer decisão. Está agendada para a próxima quarta-feira (dia 24.03.10) nova reunião do Secretário Joaquim de Barros e Wilson Lima. Após esse encontro, os concursados talvez sejam recebidos pelo Secretário de Saúde. Como escrevi no post anterior: minha preocupação é com o tempo e o risco iminente de uma intervenção federal no DF, o que vai tirar dos dois não apenas os atuais postos, como também a oportunidade de fazer algo de bom pela área de saúde no DF.

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Contratação de psicólogos para escolas públicas do DF

Fui informada ontem de que a deputada Érika Kokay prometeu intermediar uma importante reivindicação: a contratação de psicólogos para as escolas públicas do Distrito Federal. Ela teria prometido convencer o governador em exercício, Wilson Lima, da urgência dessa medida, diante do elevado número de  professores da rede pública de educação que estão adoecidos. De modo particular sei bem como essa providência é necessária: em meu consultório atendo número grande desses profissionais, que chegam a mim muito destruídos, em alguns casos são verdadeiros farrapos humanos. É preciso entender que o contexto, as condições de trabalho desses profissionais em sala de aula mudou muito ao longo dos anos. Os alunos há muito não são os anjinhos do nosso tempo, não são crianças bem orientadas pelas famílias, obedientes e disciplinadas. Largados pelos pais, que precisam brigar pela sobrevivência no mercado de trabalho, os alunos na maioria dos casos são menores agressivos, mal educados, ameaçadores e que conhecem bem a impotência dos professores, caso resolvam perturbar a aula: nem mesmo um puxão de orelha ou o velho castigo de costas com chapéu de burro pode ser adotado. Isso corresponderia a ferir os direitos humanos deles e é passível de processo. Reesultado: os maus alunos deitam e rolam nas regalias pró-indisciplina e os professores ficam impotentes,entram em estresse profundo e adoecem de outras patologias. A presença de profissionais habilitados para lidar com o comportamento e as emoções humanos vai salvar muitos do estado de desespero e adoecimento em que se encontram. Vai, além disso, auxiliar também os próprios alunos, desprovidos de diretrizes, limites e meta de futuro. É, portanto, medida urgente. Difícil é saber por que cada escola do DF já não tem, pelo menos um psicólogo. A deputada pretende, segundo fui informada, argumentar inclusive que já existem psicólogos concursados aguardando convocação. Advirto, no entanto, que não pode ser qualquer psicólogo.Não basta alguém graduado em Psicologia, visto que a formação em Psicologia no DF é muito generalista. Entendo ser necessário colocar nas escolas psicólogos com formação e experiência em Psicologia Clínca ou Psicologia Escolar. Mas mesmo sendo assim é possível aproveitar os atuais aprovados, entrevistando os convocados antes de definir a lotação deles. Entendo que enviar um psicólogo sem formaçaõ em psicologia clínica ou escolar para um hospital, por exemplo, será menos danoso do que responsabilizar essa pessoa pela saúde já agravada de profgessores. Nos hospitais há todo um grupo de profissionais como suporte apra o treinamento dos novos priscólogos. Diferentemetne do que ocorre nas escolas. Há entre os aprovados na mais recente seleção profissionais com vasta experiência e formação específica para serem aproveitados nas escolas.  É comum os maus gestores públicos confundirem o trabalho desses profissionais com a atuação dos psicopedagogos, pricnipalmente no GDF. São coisas diferentes e o sistema precisa no momento de profissionais aptos a fazer intervenções adequadas.  Inclusive fiquei sabendo também que o Centro de Orientação Médico-psicopedagógico (Compp) é da Secretaria de Saúde e não da de Educação, como pode parecer. Assim, fica mais fácil recorrer aos atuais concursados a espera de contratação para atender a essa urgente e importante demanda da sociedade. Vai ficar caro para os cofres do GDF? Sim, mas  os 68 bilhões de reais arrecadados anualmente em tributos no GDF, somados aos quase 8 bilhões repassados pelo Fundo Constitucional devem ser usados em coisas assim, e não no pagamento de propina nem compra de haras para esposa de governador ou bezerras de ouro! Só uma coisa me preocupa: o tempo! Wilson Lima e o atual Secretário de Saúde, Joaquim Barros Neto podem estar com os dias contados: a intervenção está sendo costurada e logo logo pode tirar os dois das atuais cadeiras – antes mesmo que eles consigam fazer algo de digno pela saúde da população do DF. A menos que ambos sejam rápidos no gatilho! Ou melhor: rápidos na caneta. Eu estou convencida de que a medida terá total apoio da população e da imprensa, afinal, a saúde e a educação na Capital estão largadas, surrupiadas a tantas gestões que falta mesmo a intervenção de alguém com coragem e bom senso para finalmente fazer o que é necessário.

psicopedagógico (Compp) é da Secretaria de Saúde e não da de Educação, como pode parecer. Assim, é fácil utilizar oa atuais concursados a esperra de contratação

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Concurso da Sejus/GDF tem muitos inscritos

A Funiversa divulgou o número de inscritos para o concurso da Sejus, Secretaria de Justiça, direitos Humanos e Cidadania do GDF. Para Psicologia houve 1.532 inscrições, para 30 vagas. Isso dá uma média de 51 candidatos por vaga. Mas na verdade a expectativa é de aproveitar muito mais do que 30pessoas, uma vez que a investigação na vida pregressa dos candidatos será feita até a classificação 515. Isso porque os aprovados nesse concurso poderão ser contratados em outra secretaria do GDF. O maior número de inscritos foi para Pedagodia: 1632, e o menor, engenharia: 20. Estão inscritas também  pessoas pra Arquitetura (75); Serviço Social (882); Administração (689), entre outras áreas. Leia QUANTIDADE DE INSCRIÇÕES HOMOLOGADAS. Data da prova ainda não foi divulgada.

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GDF começa a convocar psicólogos em abril

Vazou! Mas é boa notícia! A Secretaria de Saúde do GDF começa em abril  (2009) a convocar concursados de seleções já realizadas. Para psicólogos, foi realizado concurso no início de 2009, mesmo certame que selecionou também fisioterapeutas, farmacêuticos e administradores. No próximo mês devem ser convocados 10 psicólogos. No mês seguinte outros dez e assim sucessivamente até setembro, totalizando 60. Como já foram convocados 20, numa etapa anterior, a Secretaria vai chegar ao total de 80 psicólogos contratados. POUCO! Muito pouco! Isso é muito aquém da real demanda, considerando os três CAPs (Centros de Atenção Psicossocial), os postos de saúde, os hospitais e as unidades de saúde mental. E  isso pra ficar só na Secretaria de Saúde, sem falar da Secretaria de Educação, onde há enorme e urgente necessidade de psicólogos. Não psicopedagogos, mas sim, profissionais com experiência em intervenções clínicas, com prática em restaurar a saúde psicoemocional dos professores. Com essa modesta contratação de mais 60 psicólogos o GDF continua repetindo o erro de “dizer que está fazendo” ou  “só pra inglês ver”. Deveria contratar pelo menos 200 psicólogos. E por que esse pinga-pinga? Se admitem a necessidade de contratar, por que não fazer isso de uma só vez já que o adoecer das pessoas não pode ser divido em parcelas? Medo da opinião particular? Tolice! A população sabe – muito mais do que os gestores públicos – da necessidade de psicólogos nas unidades de saúde e é inteiramente favora´vel a contratações na área de saúde.

Só fui informadas quanto aos números relativos à Psicologia, mas o GDF deve convocar também fisioterapeutas, farmacêuticos e administradores.

Na próxima semana haverá reunião na Secretaria de Saúde do GDF e integrantes da comissão de concursados. às 16 horas, no 10º andar do Palácio do Buriti. Quanto mais gente for, melhor!

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GDF planeja convocar psicólogos

O governador em exercício do GDF, Wilson Lima, está sendo pressionado a contratar pessoal para a saúde, área abandonada, largada às traças na gestão do senhor Arruda e do anterior, Roriz. Informações da Secretaria de Saúde garantem que está em vias de acontecer o anúncio da convocação de muita gente concursada no ano passado e neste ano para a Saúde. Já não é sem tempo!! Como dizem os adolescentes: “demorou”!

Na lista estão incluídos psicólogos, claro. Só não se sabe ainda quantos. Se fosse levada em conta a real demanda, chamariam mais de 300, para os hospitais, clínicas de saúde mental, CAPS, postos de saúde, entre outras unidades. Goiânia, que não é capital federal, tem pelo  menos 4 psicólogos em cada posto de saúde, contou-me uma amiga de lá. Na próxima segunda-feira haverá um encontro na Secretaria de Saúde entre integrantes da Comissão de Concursados e da SES para ser analisado o andamento de concursos já realizados pela Secretaria de Saúde do GDF. A reunião será no dia 22 de março, às 16 horas, no 10º andar Buriti,  na Secretaria de Saúde. Na maioria das vezes, os presentes fazem uma concentração com meia hora de antecedência em frente a uma lotérica no Buriti.  Essas informações foram divulgadas no Fórum do Correio Web.

Estou me organizando para participar da reunião e, se eu conseguir fazê-lo,  prometo contar aqui os resultados. O ideal seria  que muita gente participasse… mobilização é sempre um argumento convincente.

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Sobre Gestalt-terapia

A Gestalt-terapia, também chamada de “terapia da concentraçã’o”, “terapia integrativa”,”terapia do contato” e  “terapia do aqui e agora”, pode ser definida como uma abordagem que visa basicamente ampliar a consciência e promover o contato pleno com a experiência vivida no presente em relação ao outro e a si mesmo. O contato pleno é possível quando a pessoa se envolve totalmente com a figura, ou seja, com aquilo que emerge espontaneamente na consciência, vivenciando sem defesas a experiência do momento nos níveis cognitivo, sensorial e motor. De acordo com a Gestalt-terapia, as neuroses se caracterizam por processos de defesa ou de interrupção do contato com aspectos da realidade interna e externa, que são mantidos pela necessidade de evitar sofrimento e se tornam padrões rígidos de comportamento. Conforme essa abordagem, a mudança é gerada pela vivência plena e a compreensão ampla das dificuldades atuais, das situações mal resolvidas no passado e das perspectivas incertas de futuro que perturbam a pessoa no presente. O que se pretende com essa vivência e com essa compreensão é promover a “ressignificação” de questões angustiantes referentes ao passado e ao futuro, facilitando a superação das mesmas, por meio de experimentações no aqui e agora. A relação terapêutica é dialógica, isto é, terapeuta e cliente conversam sobre suas percepções a respeito dos problemas existenciais trazidos para as sessões psicoterápicas, sendo este diálogo marcado pela confirmação, aceitação e valorização das diferenças inerentes à singularidade de cada cliente. Há mais coisas sobre Gestalt-terapia neste blog, em + LETRAS

Autora: Carlene Tenório, professora universitária, mestre e doutora em Gestalt-terapia, gestalt-terapeuta em Brasília.

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Precisa-se com urgência de psicólogos e fisioterapeutas

Li ainda há pouco uma notícia do Correio Braziliense em que, ao comentar o estado de saúde do governador preso do DF, José Roberto Arruda, a mulher dele atribui o edema no pé à falta de fisioterapia. Então fiquei pensando nos absurdos que ocorrem em nosso país: no ano passado o GDF mobilizou profissionais de Fisioterapia, Psicologia, Serviço Social e Administração para um concurso público. As pessoas se inscreveram, estudaram e os aprovados não foram convocados.  Houve um mise-em-scène, chamaram uns gatos pingados pra dizer que estavam cuidando da saúde da população, para terem imagens a usar na ridícula propaganda do GDF… nada além disso. E olhe que a situação da rede pública de saúde é de extrema carência desses serviços e de muitos outros! No caso da Fisioterapia, as pessoas sem dinheiro ou convênio médico que precisem de fisioterapia ficam aleijadas: a fila para fisioterapia é enorme. A carência é inacreditável. O governador afastado sabia disso, mas seguiu desviando o dinheiro que deveria ser destinado às unidades de saúde para os próprios bolsos ou as maletas de empresários desonestos. O mesmo acontece com a Psicologia: escolas do DF estão sem psicólogos há muitos anos, alunos precisando, professores idem, servidores também. Sem atendimento psicológico, os professores adoecem e a Secretaria de Saúde os trata como mentirosos, embromadores ou preguiçosos. Absoluto descaso e falta de conhecimento de causa. Nos postos de saúde, nos hospitais, a demanda por psicólogos é  superior a 300 profissionais. Adolescentes internados nas unidades de atendimento a menores em situação de risco social, como o  Caje, Cesame e Ciago, estão sem profissionais habilitados para lidar com esses casos tão vulneráveis. Há um concurso com inscrições abertas, mas até as pessoas assinarem os contratos  (se isso acontecer!) os menores seguem desassistidos, como já estão há muitos meses. Arruda sabia da situação. E quando alguém ia pedir a ele que contratasse pessoas , ele respondia: “não vou gastar dinheiro com esses marginais. Eles não tem mais jeito, só a morte resolve.” Quem me contou foi uma pessoa que trabalhava com ele. Ele esquecia-se de que a verba da saúde era para ser gasta com a saúde das pessoas. Deveria, em vez de desviar os recursos, fazer o que devia: contratar os profissionais, abastecer a farmácia de alto custo e comprar todos os tipos de remédios necessários, além de equipar os hospitais e postos de saúde. Agora, com a prisão dele e o desmantelamento da gangue a sangria foi estancada, espera-se. Continuamos sem governador – a figura que o substitui é uma coisa duvidosa, patética, mas espera-se  que a saúde pública do DF volte a ser tratada com seriedade e honestidade.

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Dia Internacional do Feminino

Mulher, fraternidade, praia, arte, música, dança, criatividade, esperança, reprodução, reencarnação, religião (religare), saúde, viagem, internet, tecnologia, cultura, diversidade, tolerância, inspiração, vida. Tudo o que é amplo é feminino. Porque a própria Criação é a fêmea de Começo. Quem pensou o Dia Internacional da Mulher será que se restringia a homenagear a mulher ou tinha em mente algo mais amplo: homenagear o feminino? De modo ampliado, o dia de hoje é também uma saudação aos homens que têm sua ânima integrada, acolhida a ponto de compreenderem muito bem e respeitarem incondicionalmente a mulher. Caetano Veloso, Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Gilberto Gil, Carl Jung, Fritz Pearls, Chico César, Djavan, Francisco de Assis, Gandhi e todo aquele que não se preocupa em ser visto às vezes como um “homem feminino”, embora sendo indiscutivelmente viril. Salve o Dia do Feminino. Mas sem coisas como quem é melhor, quem vale mais, quem manda mais ou qualquer tolice do tipo disputa de gênero. Funciona melhor pensar em complementaridade, “e” em vez de “ou”, branco e preto, yng e yang, terra e oceano, sol e lua.

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Uma mulher nua no escuro

A criatividade é um dos canais de expressão da libido, entendendo aqui  libido como “instinto de vida”. Obviamente que essa percepção e afirmação não são minhas, mas do mestre Jung. Pessoas com a criatividade pulsante e que a têm reprimida, seja por entender que “arte não dá dinheiro”, “ser artista é coisa de gente à toa”, “arte não combina com seriedade cristã”, “cantar ou dançar é pra quem não quer pegar no pesado” ou qualquer “tonteria”  do tipo são  candidatas a neuroses, num primeiro momento, e a doenças psicossomáticas graves, em seguida. Axiomas desse tipo são amarras do superego que se sobrepõem aos anseios autênticos do sujeito e promovem o desequilíbrio. Em terapia, ao contrário, damos asas à dimensão criativa do  paciente. Emprestamos-lhe a tesoura para que corte as cordas, mostramos-lhe onde está escondida a chave da gaiola – para que sua alma voe alto rumo ao céu da individuação. É por isso que vez ou outra ponho neste blog algumas poesias, em letras ou imagens. Nunca minhas, claro, pois não tenho esses talentos. Com mais freqüência de Mario Benedetti, Drumond ou Fernando Pessoa. Uma vez um leitor achincalhou-me, acusou-me de tirar proveito da fama de Fernando Pessoa para atrair leitores. Só não logrou êxito em seu intento pérfido de  me ofender  porque é leve minha consciência quanto a isso. Minha intenção, quando posto poesias dos mestres, é aproximá-las das pessoas, o anseio altruísta dos próprios autores. Artistas são missionários. Têm por propósito aliviar o fardo das pessoas com a Arte, lembrar as pessoas de que Deus existe e se manifesta. Provocam sorrisos ou elevam o espírito cansado a devaneios que fazem descansar a alma. São todos anjinhos sem asas. E com seus defeitos, porque anjo é anjo e santo é santo; coisas diferentes, embora ambas divinas. Alguns desses anjinhos têm cabelinhos cacheados e já esbranquiçados pelo tempo e pela luta em defesa da Vida. Quase todos reconhecemos um anjinho desses quando aparecem em nossa frente. Benedetti era um, Fernando Pessoa outro, Drumond,  Milton Nascimento, Roberto Carlos,  Fernanda Montenegro, Flávio Migliaccio, Carlos Heitor Cony e tantos outros! Alguns nem tão famosos, embora igualmente anjos. Assim sendo, complemento este texto sugerindo que você leia ou ouça um encantador poema de Mário Benedetti, UMA MULHER DESNUDA E NO ESCURO, publicado do YouTube:

UNA MUJER DESNUDA Y EN LO OSCURO

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IV Conferência Nacional de Saúde Mental

Vem aí a IV Conferência Nacional de Saúde. O encontro, que deveria ter sido realizado no ano passado, é esperado e desejado por profissionais de saúde mental há anos. A anterior aconteceu em 2001. A responsabilidade pelo atraso é do Conselho Nacional de Saúde (CNS). De acordo com o Coordenador da Área Técnica de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Godinho Delgado,  a intenção é de que a Conferência amplie as discussões para além do campo da saúde mental, indo em direção a outros setores como direitos humanos, assistência social, educação, cultura, justiça, trabalho, esporte, entre outros. Pedro Gabriel é  irmão de personalidade conhecida dos profissionais da área: Paulo Delgado.

Os organizadores e participantes querem debater a saúde mental com os diversos setores da sociedade. A chamada Reforma Psiquiátrica começou no Congresso Nacional com empenho e dedicação de Paulo Delgado, autor de projeto de lei de 1989 que defendia os direitos da pessoa com transtornos mentais e determinava a  extinção progressiva dos manicômios no país. Esse ato deu força à luta chamada de Reforma Psiquiátrica, implantada apenas 12 anos depois, com a  Lei Federal 10.216, substitutiva da proposta anterior.

A extinção dos manicômios aconteceu ao longo do tempo, mas não se sabe ao certo se há muito o que comemorar porque, como tudo mais que é feito no  Brasil – pela metade ou pra inglês ver – as demoníacas instituições foram substituídas por clínicas sem capacidade para atender as necessidades dos portadores de   transtornos mentais. Não de forma generalizada, é fato, felizmente. Aqui no DF , no entanto, se não há manicômios havia coisas como a Clínica Planalto, fechada por cometer atrocidades inimagináveis contras os internados e mesmo hoje, na capital do País, o atendimento na área de saúde mental é piada de mal gosto. Quase não existem CAPs (os Centros de Atendimento Psicossocial) e cidades pequenas do Ceará, por exemplo, tratam melhor seus doentes mentais do que o Distrito Federal. O dinheiro que poderia mudar esse quadro, ao longo dos anos de “autonomia política” e gestão de Joaquim Roriz e Arruda foi desviado para comprar bezerras, fazendas, haras e parar nos bolsos de empresários desonestos.

A IV Conferência Nacional de Saúde Mental será realizada entre os dias 27 e 30 de junho, em Brasília e deverá ser antecedida por etapas municipais e/ou regionais (de 08 de março a 15 de abril) e etapas estaduais (de 26 de abril a 23 de maio).O tema principal da Conferência será “Saúde Mental direito e compromisso de todos: consolidar avanços e enfrentar desafios” . As discussão vão girar em torno de três eixos temáticos:
I – Saúde Mental e Políticas de Estado: pactuar caminhos intersetoriais;
II – Consolidando a rede de atenção psicossocial e fortalecendo os movimentos sociais;
III – Direitos humanos e cidadania como desafio ético e intersetorial.

Está mesmo na hora de fazer um balanço das conquistas e dos muitos desafios ainda existentes nessa área. Mas não basta discutir, conversar, analisar. É preciso mais trabalho e menos política. E mobilização social.

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Fisioterapia vitimizada

Que diabos tá acontecendo com o Brasil, nossa imprensa, com a saúde do País? Vejam que absurdo: a revista Veja, sucursal de Brasília, foi procurada pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito) para que fosse feita uma matéria séria sobre o descaso da Agência Nacional de Saúde (ANS) num ponto crucial: o referencial de honorários. O presidente da entidade, Roberto Cepeda, queria denunciar ao país que os fisioterapeutas estão sendo explorados pelas operadoras de seguro de saúde e os convêniso médicos, com a conivência da ANS, há anos. Saibam, leitores, que um fisioterapeuta ganha 5 reais por atendimento. Isso mesmo, míseros 5 reais! Esse valor é o que a ANS autoriza. É de uma tabela dos médicos da época em que o salário mínimo ainda valia 70 reais. Os médicos usam outra tabela, já referendada pela ANS. O Coffito, com base em levantamento sério, de abrangência nacional, também chegou a valores justos de referenciais e apresentou à ANS. Pura perda de tempo. A Agência faz vistas grossas, ignora a situação, compactua com a exploração e não referenda os valores justos propostos pelo Coffito. Por que, se deveria ser uma reguladora do sistema? Só me ocorre que alguém esteja levando algum por debaixo dos panos. A repórter de Veja (não sei o nome, senão escreveria), ao conversar com Roberto Cepeda, afirmou que isso não rendia matéria, que precisava ser algo escandaloso, uma denúncia, que a saúde estava assim mesmo… Ao ouvir isso dele fiquei tão perplexa que não tive argumentos para justificar tal disparate. Para mim essa visão, vinda de uma jornalista, é o verdadeiro escândalo. Mas não vou deixá-los supondo que o problema é só da revista Veja: o Correio Braziliense e a Rádio CBN também foram informados desse disparate. Mas nenhuma dos caros jornalistas contatados considerou digno de denúncia o fato de um fisioterapeuta ganhar 5 reais do convênio para um atendimento que às vezes leva uma hora de trabalho. É mão de obra qualificada, com curso superior, mesmo assim há quem ache isso normal.  Quanto o conveniado paga por mês? Dependendo da idade, chega perto de mil reais. E as operadoras querem repassar migalhas para os profissionais. O conceito de “agência reguladora” no Brasil é distorcido: essas instituições, apesar de públicas, se ocupam mais em defender os interesses do setor privado. Quanto será que os agentes públicos levam de propina? O que fazer para “desmontar” esse vergonhoso escândalo? Escuta clandestina? Da imprensa eu esperava apenas um pouquinho de jornalismo investigativo. Mas qual! Como dizem os adolescentes: não rola. Eles querem tudo pronto ou deixam pra lá. Não sei bem se,mobilizando minha “sombra”, cheguei a desejar que essa jornalista de Veja passase por um perrengue e necessitasse de fisioterapia. Às vezes as pessoas precisam sentir na carne para se darem conta da concretude de um evento. Praga eu sei que não cheguei a rogar porque não tenho certeza de que isso funcione. Talvez devesse ter testado…

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Diálogos imaginativos na elaboração de conflitos

A seguir, uma explicação resumida de como funciona uma técnica da Gestalt-terapia usada na elaboração de conflitos internos, traumas e “gestalten abertas”. Terapeutas junguianos e psicodramatistas também recorrem a essa técnica, denominada de “cadeira vazia” pelos gestaltistas:

Todos nós carregamos partes do nosso passado, distante ou recente, na forma de lembranças. Muitas das imagens e fantasias que chamamos de recordações são diferentes das coisas e eventos que realmente aconteceram. Podemos guardar percepções “distorcidas” dos fatos, o que não desqualifica essas percepções: distorcidas ou não elas existem dentro de nós, sendo de certo modo “reais”. Mas nossas imagens – mesmo sendo exatas – são apenas imagens e não os próprios fatos.

Algumas pessoas estão de tal forma carregadas do passado e envolvidas pelas lembranças de experiências vividas que possuem muito pouco envolvimento com o presente. Para reduzir o envolvimento  com as recordações é preciso se entregar a elas, em momentos e espaços apropriados, e descobrir qual é a percepção oculta que há na pessoa relacionada a essas recordações. Para isso, em processo terapêutico, pode-se recorrer ao diálogo imaginativo e à identificação. O envolvimento com a recordação, antes de ela ser elaborada e deixada de lado, dá à pessoa algo. Pode ser uma percepção, um insight sobre alguma coisa até então inconsciente, mas que vinha afetando a pessoa, ou uma compreensão diferente da predominante. Esse “achado” é muito importante para a pessoa descobrir qual necessidade o organismo (psíquico ou físico) precisa se atendida.

Se a recordação é desagradável, provavelmente existe uma situação inacabada, que está retida e não foi totalmente expressa. Ao fazer contato com essa situação inacabada, a pessoa pode redescobrir os sentimentos não-expressos e elaborá-los, percebê-los de forma adequada, isto é, atualizar a experiência.

A prática do diálogo imaginativo com alguém que não esteja presente no plano concreto (cadeira vazia), numa conversa como se estivesse falando com alguém, é importante porque desenvolve (ou recupera) na pessoa a capacidade de se relacionar com os outros, de fazer contato com outras pessoas (como também de perceber as próprias emoções, seus pensamentos e sentimentos). Reduz a atividade autista, isto é, de criação de um mundo autônomo e individual.

Por meio dessa técnica a pessoa começa a recupera o contato com o mundo e com as próprias experiências. Além disso, os diálogos esclarecem situações de conflito. No entanto, é preciso disposição para sofrer a parte desagradável da experiência e deixar que se expressem os dois lados do conflito.

Funciona melhor quando é feito em lugar e momento em que a pessoa possa falar alto e deixar todo o corpo expressar as emoções – por meio de gesticulações ou quaisquer outros movimentos corporais. Muitas vezes o tom de voz, um dedo em riste, um cenho franzido, punho fechado, ombros caídos ou outras reações expressam as coisas melhor do que as palavras. É muito importante “presentificar”  a totalidade da experiência.

Geralmente somos desequilibrados porque nos identificamos mais com uma parte do conflito e não percebemos nossa parte envolvida no lado oposto. Quando os dois lados ficam claros a partir da identificação – com as duas partes – nos tornamos mais equilibrados. A resolução do conflito libera a energia presa na luta entre as partes em oposição e a energia fica disponível, propiciando o aumento da vitalidade e gerando a sensação de clareza, força e poder. IMPORTANTE: esse processo não é algo que pode ser forçado ou manipulado. Ele acontece por si só quando a pessoa aprofunda a identificação e a consciência de ambos os lados.

Fonte: livro TORNAR-SE PRESENTE, John Stevens

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Contra a legalização da maconha

Sou contra a legalização da maconha. Respeito o direito das pessoas de pensarem diferente, mas reivindico meu direito de livre expressão e de poder me posicionar conforme meus paradigmas. E explico meu posicionamento contundente nos argumentos que se seguem, os quais são expostos e não impostos. Vejamos:  o fato de o cigarro e o álcool serem “legais” não impediu que milhares de vida se perdessem. Foi, sim, um facilitador para o consumo dessas drogas, igualmente nocivas. A legalidade permitiu a apologia do cigarro. Milhões de dólares foram investidos em marketing para convencer as pessoas de que fumar era charmoso e estava associado ao sucesso,  o que arrebanhou milhões de usuários. Tampouco acho que a ilegalidade da venda e da compra da maconha seja a causa dos crimes cometidos por traficantes ou usuários em estágio avançado de adoecimento.

Uma paciente me contou ontem que era a favor da legalização da maconha. E disse que fumava pouco porque aqui em Brasília era difícil pra ela conseguir a droga. Olhei para ela com “cara de coisa nenhuma” e perguntei: “se você, estudante de Medicina,  pessoa que conhece bem os efeitos nocivos da maconha sobre o organismo humano, me diz que  usa e que usaria muito mais se fosse fácil conseguir, porque é favorável à legalização? Mais pessoas vão usar e adoecer, se for mais fácil conseguir.” Ela respondeu-me : “É, olhando por esse lado… não tinha pensado assim.”

Mas, resumidamente, eu sou  contra a legalização da maconha por causa da natureza humana.  Me refiro às diferenças entre as pessoas.Os seres humanos são diferentes, tem potencialidades, motivações e reações diferentes. Inclusive respostas orgânicas diferentes. Uma pessoa pode ser capaz de fumar maconha com moderação, sem roubar ou matar para conseguir dinheiro para comprar a droga, sem ser “dominada” pelo vício por ser orgânica e psicologicamente mais resistente ou mais “organizada”, mas isso não acontece com todos. Há aqueles que serão tragados pelo vício, terão a saúde e a vida como um todo destruída pelo vício. Por serem mais frágeis. As pessoas têm histórias de vida diferentes, têm complexos psicológicos que atuam em suas vidas de modo diverso, suscetibilidades que podem ser agravadas com o uso de certas substâncias.

A uniformização é sempre burra quando se trata de seres humanos. E acreditem, a maioria da população é formada por pessoas mais frágeis; são poucos os mais resilientes ou mais esclarecidos. Não se sabe se essas diferenças devem ser atribuídas a diferentes estágios de evolução espiritual, como preconizam os espíritas, ou se decorrem das combinações aleatórias de genes. O fato é que elas são reais. Legalizar a maconha causaria um estrago fenomenal sobre as pessoas mais frágeis que hoje não fumam e sobre as que fumam pouco.

Sendo o Estado responsável por contornar os desequilíbrios, regular os conflitos de interesses, deve pensar nas pessoas mais frágeis. Deve proibir o consumo de qualquer coisa potencialmente capaz de adoecer as pessoas ou arrastá-las à marginalidade. Aqui no DF, alguns anos atrás o governo local resolveu investir pesado em programas de combate ao tabagismo. Por causa da contabilidade. O custo com o adoecimento de pessoas fumantes era elevadíssimo. Superava em muito o retorno em forma de impostos (do contrário nunca fariam isso!) Foram sancionadas leis proibindo o cigarro em shopping centers, faculdades e qualquer lugar fechado. Tomar um cafezinho no Parkshopping e depois fumar um cigarrinho conversando potocas com as amigas foi riscado da lista de entretenimento. Ou seja: a legalização de substâncias nocivas custa caro também em termos financeiros, para o Estado e, consequentemente, para a população.

Não atribuo a culpa pela violência urbana no Rio, em São Paulo ou outros locais dominados pelos traficantes aos usuários nem à ilegalidade da droga. Se a maconha fosse liberada, os “bandidos” que hoje aterrorizam a população encontrariam caminhos para continuar ganhando dinheiro com ela e continuariam “substituindo” o Estado em atribuições deste. E continuariam a fazer aliança com políticos e gestores públicos corruptos contra o povo. Este aspecto sim pode ser considerado um das causa da violência: a corrupção e  inoperância do Estado, que deixou o mal crescer, unindo representantes dos governos e traficantes, visando sempre o lucro. A legalização ou  a “não repressão” ao uso e comércio da droga, como preferem dizer os defensores da ideia, mudaria o quê? Seriam traficantes com aprendizado de práticas criminosas a brigar pelo lucro da maconha – briga legalizada. E mais pessoas morreriam, mais famílias seriam desestruturadas pelo vício. Nunca meça as “respostas” dos outros pelas suas. Isso é reducionismo.

E nunca tente convencer profissionais de saúde de que a maconha é inócua, que não faz mal porque NÓS ATENDEMOS MUITAS PESSOAS ADOECIDAS PELA MACONHA.

Mais uma coisa: o atual sistema de saúde pública do Brasil não está dando conta das atuais demandas em relação a pessoas adoecidas pelo uso de drogas, porque deveriam agravar o quadro? Não estamos dando conta das nossas cracolândias, porque correr o risco de agravar essa situação de modo irresponsável?  Que benefícios a sociedade como um todo teria com a legalização da maconha?

Entendo que o ATUAL contexto social, cultural, econômico e da gestão de serviços públicos não é favorável ao livre acesso a nenhuma droga, nem mesmo os cigarros convencionais ou o álcool. Muita gente adoeceu por fumar ou beber livremente. Por que deveríamos repetir o erro legalizando outro ato danoso à saúde.

Na Holanda, que as pessoas costumam usar como referencial para a liberação do consumo da maconha, o consumo dessa droga é livre apenas parcialmente: lá existem  regras, limitações, restrições – que são devidamente fiscalizadas. No Brasil, em todas as áreas a deficiência nas instâncias fiscalizadores é fato notório. A legalização aqui, neste momento, sem a necessária educação do povo, ainda que com restrições tal qual ocorre na Holanda, tornaria a coisa um oba-oba absurdo!

Quantos  dos defensores da legalização da maconha já acompanharam de perto o drama de uma família que sofre em decorrência do vício descontrolado de um dos membros do grupo, seja  filho, mãe, pai, irmão, sobrinho?  Esses defensores têm em mãos pesquisas sérias NEGANDO que muitos usuários de maconha com o tempo partem para novas experiências com drogas, inclusive experimentando o crack?  Nós que fazemos oposição nos apoiamos na observação empírica, nos relatos de pacientes, mães e pais sofridos, de ex-usuários… qual a finalidade de se legalizar algo destrutivo? Apenas para facilitar o acesso, facilitar a vida de quem a usa e deseja o aval social para esse hábito? Por que essas pessoas não vestem a camisa da responsabilidade social, da defesa da vida?

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Psicologia Junguiana justifica defesa das cotas

Algum tempo atrás quando eu ia ao campus da UnB via poucos negros, quase todos estrangeiros, filhos de africanos em missão diplomática. Ou seja: estrangeiros tinham facilidade para entrar na nossa UnB e os negros brasileiros, não. Hoje, com as cotas, esse cenário mudou e gosto de perceber isso. Sempre fui a favor da política de cotas nas universidades brasileiras. Recorro à Psicologia Junguiana para justificar essa defesa. Sou a favor das cotas porque os negros e afrodescendentes efetivamente estão em desvantagem no mercado de trabalho e em outros aspectos sócio-econômicos. Dois conceitos de Jung explicam isso: o inconsciente coletivo e as forças arquetípicas. Ainda permeia o inconsciente coletivo, devido aos quase 400 anos de escravidão do negro, a idéia de supremacia da raça branca sobre a negra, a crença de que o negro vale menos ou é menos capaz. Houve tempos em que, com o aval da igreja católica, as pessoas acreditavam que negro não tinha alma por isso não precisavam ser tratados como gente. Todos esses absurdo já estão negados e até proibidos por lei, felizmente. Mas ainda sobrevivem no inconsciente coletivo e influenciam as pessoas no modo de pensar, sentir e agir, de forma inconsciente na maioria dos casos. O fato é que devido a isso, numa situação em que duas pessoas com iguais habilidades, uma negra e outra branca, se estiverem disputando a mesma vaga para emprego, a branca será a escolhida. Desafio qualquer um a demonstrar o contrário, na prática. Uma amiga jornalista foi impedida de fazer teste para apresentação na TV Nacional, anos atrás,  por ser negra.Aborrecida, foi pedir explicação ao chefe de reportagem. A resposta dele: “as pessoas não querem ver você na telinha deles porque você é negra.” Em outro momento, essa mesma pessoa foi discriminada por uma dona de galeria de arte; uma cretina. A moça foi atender ordem desse mesmo chefe e fazer uma matéria do tipo “jabá”, como chamamos matérias pautadas para atender interesses de alguém da empresa, e ainda assim a mulher botou banca. Ligou para o amiguinho dela protestando: “você me prometeu uma matéria e me mandou uma repórter negra!”  Ele ligou para a moça, pediu que ela voltasse à redação sem fazer a matéria e posteriormente enviou outro repórter. Sinto asco de me imaginar à frente dessa pessoa, acho que cuspiria na cara dela, mesmo correndo risco de perder o emprego. Também passei a desprezar o tal chefe de reportagem, cujo nome prefiro não citar. Também concordo com os que afirmam que a sociedade tem uma dívida social com os negros e seus descendentes e toda dívida deve ser paga.

E as forças arquetípicas, onde entram nisso?  O preconceito é arquetípico, é uma espécie de herança ancestral, decorre de imagens primordiais, impressões gravadas pela repetição de reações subjetivas, transmitidas não entre descendentes parentais, mas entre representantes de determinada raça. Assim, por exemplo, tendo em vista o instinto de sobrevivência, tigres rejeitam a aproximação de lobos; eles são diferentes. Reagem para defender o bando e assegurar domínio de território. Entre os humanos ocorre o mesmo, se nos deixamos levar pelos instintos. O preconceito racial é arquetípico, tem por objetivo o instinto inconsciente de sobrevivência. Claro que isso não justifica atos racistas: a menos que não tenhamos evoluído em nada, estejamos no nível mais baixo do primitivismo. Essa força arquetípica se dissipa quando agimos de modo racional. Ao olhar nos olhos, conversar e permitir a aproximação, o receio se perde, a força arquetípica perde força e a compreensão racional assume.

Assim, nos dois casos entendo ser necessária a intervenção do Estado determinando que pessoas negras ou descendentes de negros sejam beneficiadas na disputa por uma vaga. No futuro, espero entrar na UnB e não ver a predominâncias de pessoas de pele branca. Julgo ser função do Estado intervir para tentar corrigir desequilíbrios nas dinâmicas  sociais, como forma de garantir os direitos humanos de todas as pessoas, independentemente de raça ou qualquer diferença. A política de cotas tem esse efeito: corrige distorções motivadas pela influência do inconsciente coletivo e das forças arquetípicas.

Quem se sentir prejudicado que proteste, apresente argumentos válidos. Até o momento, todas as justificativas contra as cotas não passam de falas vazias, retórica falaciosa,  defesa de antigos e injustos privilégios.

E quanto às objeções dos próprios negros? Trabalhei com um rapaz negro na Rádio Cultura de Brasília que afirmou ser contra a política de cotas. Ele dizia: “eu dispenso isso, faz parecer que não temos capacidade para disputar uma vaga com os brancos”. Eu disse: “então, se você se sente capaz, dispute uma vaga na UnB ou em outra instituição pública pela via do vestibular comum. Isso não está proibido. As cotas não obrigam negros ou afrodescendentes a utilizarem esse caminho para ingressar numa universidade. Mas entenda que nem todas as pessoas têm a sua força e resiliência igual. As pessoas tem potencialidades diferentes e muitos afrodescendentes precisam desse apoio. Se você não pode ajudar, não atrapalhe a caminhada de quem não tem seu orgulho e sua suposta força.” Acho que ele não gostou. Nem se convenceu, mas aí já é problema dele.

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Tratamento do pânico

O transtorno do pânico tem sido diagnosticado com freqüência entre pessoas de diferentes faixas etárias e todos os níveis sócio-econômico. Afeta um grande número de pessoas, causando grande sofrimento.Os sintomas são: apreensão, temor ou terror que surge sem causa aparente e em forma de ataques súbitos, alteração nos batimentos cardíacos, tremor nas mãos ou ns pernas, sensação de formigamento, medo inexplicável de dirigir ou sair de casa, medo de multidões e  sentimento de incapacidade, entre outros.

Escrevi um artigo sobre como tratar esse transtorno por  meio das técnicas da Gestalt-terapia, mas ultimamente tenho tratado pacientes com essa queixa também com a abordagem junguiana, usando Imaginação Ativa, Análise de Sonhos e Associação Livre, entre outras possibilidades da Psicologia Profunda.

O que estará por trás do surgimento de tantos casos de pânico? Acredito ser o atual modo de vida, em contextos de individualismo, competitividade exagerados e falta de compartilhamento de cuidados com as crianças, comum em décadas atrás quando tias, tios e vizinhos dividiam os cuidados com as crianças. Hoje vive-se mais isolado e os pais têm menos tempo para dedicar à proteção dos filhos, não propiciam aos bebês ou crianças de até 7 anos o necessário sentimento de amparo, de proteção e afeto.

O pânico se desenvolve a partir de experiências de desamparo, reais ou imaginárias, em que o sujeito vivencia o sentimento de desamparo, de ameaça à sobrevivência. Internamente, ocorrem conflitos, diante de situações ao mesmo tempo intolerantes e indispensáveis. Para resolver o impasse, o organismo recorre a mecanismos de defesa, buscando preservar a sobrevivência, e desenvolve a neurose do pânico.

A boa notícia é que existe tratamento eficiente para esse transtorno, com medicamentos prescritos por um psiquiatra e com psicoterapia. Mas atenção: pesquisas recentes e a experiência clínica mostram que só o uso de remédios não leva à remissão completa dos sintomas. Ou seja: o pânico NÃO  deve ser tratado apenas com remédio, sob pena de a pessoa ter que tomar os medicamentos por toda a vida. A psicoterapia é necessária e resolve o problema de forma definitiva na medida em que o processo conduz à elaboração das vivências traumáticas e o corpo dispensa os mecanismos de defesa, os sintomas.

Tenho uma amiga jornalista que está na fase final do tratamento, após dois anos de terapia e remédios. Quando começou o tratamento sequer conseguia trabalhar, terminou com dificuldade o mestrado e viveu meses isolada de todos, até dos amigos. Esse tempo ruim passou  e escrevo este post em homenagem à recuperação dela, que voltou a dirigir e acaba de retornar ao mercado de trabalho. É também para comemorar que vamos voltar a viajar, fazer programas divertidos, enfim, festejar a vida. Parabéns, amiga.

Se você deseja entender melhor isso à luz da teoria da Gestalt, sugiro que leia os textos Síndrome do Pânico: compreensão e tratamento e Mecanismos de Bloqueio de Contato . Se eu NÃO tiver sido suficientemente clara, pode protestar: me escreva reclamando! O objetivo deste blog é a informação com clareza e objetividade. Sem academicismos.

Postado por Carmelita Rodrigues