Sobre Complexo Materno

Acabo de postar na página ARTIGOS um texto sobre Complexo Materno. Escrito pela psicóloga junguiana Vanilde Gerolim Portillo, do Rio. Explica a força que pode ter um complexo constelado, como no homem o complexo materno pode se manifestar em forma de homossexualismo, donjuanismo ou impotência sexual.  Descreve um pouco da dinâmica do homem eterno adolescente e os aspectos construtivos do donjuanismo positivo. Uma leitura enriquecedora.

“Quando nos referimos ao termo “Complexo” nos remetemos, invariavelmente, a idéia de que um monstro nos ronda e a qualquer momento poderá nos atacar. Sempre surge como uma conotação psicopatológica. Quando falamos que alguém tem um complexo, preconceituosamente, pensamos que a pessoa tem uma doença, um problema psíquico. No entanto, como já vimos, os complexos não são negativos em si, os seus efeitos é que se apresentam negativamente.

Quando um complexo é constelado indica que está havendo um desequilíbrio na psique e que há uma unilateralidade entre seus componentes bipolares. Neste sentido, os efeitos dos complexos deverão ser vistos como sintomas de que algo vai mal na organização interna do indivíduo ou que há conflito interno. A constelação de um complexo tira o indivíduo da inércia, apatia e o impulsiona para a atividade. Uma vez que há sofrimento haverá a tendência de sair dele. Se bem resolvido, o conflito poder ser visto positivamente, pois implicará num upgrade da personalidade, um salto qualitativo na vida da pessoa. Leia o artigo completo neste link COMPLEXO MATERNO.

Complexo paterno pode trazer Roriz de volta ao GDF

Estava voltando do mercado, em núcleo habitacional pobre, onde a maioria das  pessoas tem baixo poder aquisitivo, e ouvi quando uma mulher de aparência bem humilde comentou com o marido: “ainda bem que nosso Roriz tá voltando”. Estremeci, incrivelmente incomodada com a possibilidade de ter esse homem novamente à frente do GDF, desviando recursos e subtraindo dinheiro de serviços essenciais principalmente para pessoas como aquela mulher, seja para abastecer farmácias públicas, contratar médicos e outros profissionais de saúde como para  equipar escolas e etc. Mas incomodou-me também a excessiva humildade ou ignorância de pessoas assim tão desprovidas de preparo para escolher representantes. Elas colocam no poder pessoas mal intencionadas que posteriormente roubam delas mesmas. Lembrei-me das eleições de 2002. Concorriam Roriz e Cristovam Buarque ao governo do Distrito Federal. Todas as pesquisas davam como certa a reeleição de Cristovam Buarque. Eu trabalhava para uma rádio e fui incumbida de acompanhar a movimentação e o resultado na casa de Roriz. Quando Roriz superou Cristovam na contagem dos votos (até hoje há suspeita de fraude nas urnas)  assisti a um espetáculo inesquecível. O quintal e algumas dependências da casa tinham se enchido de gente e de repente uma multidão se alvoroçou e começou a correr e gritar “nosso pai vai voltar”, “viva nosso pai Roriz”. Eu e outras pessoas da minha equipe tivemos que esconder os crachás porque éramos de uma empresa que apoiava a reeleição do Cristovam Buarque (isenção na imprensa é mito) e fomos ameaçados pelos rorizistas. Difícil esquecer aqueles momentos assustadores, menos pelas ameaças, mais pela vitória do mal e da ignorância.

Ontem, após ouvir aquela pobre mulher, pus-me a refletir sobre que estranhas forças estariam por trás desse fenômeno,  a eleição de políticos ordinários, desonestos, mentirosos, populistas e perversos. A resposta: o complexo paterno. As pessoas muito pobres têm forte complexo materno. Sempre estiveram desamparadas, nunca foram protegidas, assistidas pelos próprios pais, eles igualmente miseráveis em termos financeiros e culturais. Essa carência de apoio, de ajuda dos pais alimenta o complexo paterno delas. Quando aparece uma figura pública com mensagem salvacionista, prometendo ajuda e proteção, essa pobres pessoas acreditam, projetam todas suas afetividades e esperanças de  ajuda neles e elegem os cretinos usurpadores da boa fé. Esses políticos, espiritualmente miseráveis, conhecem essa dinâmica. E com inegável perversidade  alimentam os complexos dos humildes para usar isso a favor de si. E não apenas para chegarem ao poder mas principalmente para roubar os direitos dessa pobres vítimas, já tão desprovidas de suporte. E o mais inaceitável é que eles encontram na legislação brasileira e na atuação das esferas controladoras dos desmandos administrativos a mais absoluta impunidade. Passam ilesos, como está Roriz até hoje, apesar do muito que roubou, apesar de ter sido ele o mestre nos esquemas de propina e desvios de recursos públicos seguidos pela equipe do Arruda, hoje preso (29.03.2010). Mas quem pode impedir a volta dele ao GDF? A Polícia Federal? O Ministério Público? Ao que parece, Brasília e o povo miserável dos assentamentos à volta da capital só ficarão livres de Roriz quando ele morrer. Porque antes disso, ele vai continuar abusando da Psicologia Social, da compreensão sobre a fragilidade humana para se locupletar. Ele e tantos outros. É só por isso que os maus políticos são eleitos? Não. Por que criaturas como Paulo Maluf e Fernando Collor de Melo são eleitos e reeleitos? Outro fenômeno psicológico: identificação. Sim, há muitos eleitores que chegam a admitir “se eu estivesse no lugar deles faria a mesma coisa”. Então o povo merece os maus políticos que têm? Penso que não. Penso que cabe às esferas públicas reguladoras dos desequilíbrios sociais intervirem para proteger as pessoas despreparadas, protegê-las inclusive de si mesmas. Voto obrigatório? Direito de voto para analfabeto (garantia da cidadania a quem não sabe ler ou inversão de prioridade?). Penso que o direito de eleger um representante exige comprovação de capacidade para isso, algo como um “exame da OAB” para todos que desejem o direito ao voto. Sem isso, estender o ato de votar a pessoas sem nenhuma consciência política é facilitar a ação dos mal intencionados, é largar à própria sorte as pessoas e as cidades. Entendo que está passando da hora de se reavaliar muita coisa na dinâmica política do País. Reforma política, sim. E incluindo revisão nesses mecanismo que só beneficiam aos maus políticos, a obrigatoriedade e a universalidade do voto.

Soneto de Fidelidade

O que se lê abaixo dispensa apresentação ou justificativa.

Já expliquei antes porque a Psicologia Junguiana se serve da arte, da criatividade como instrumento. Não vou me repetir.

“De tudo ao meu amor serei atento.
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
que mesmo em face do maior encanto
dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
e em seu louvor hei de espalhar meu canto
e rir meu riso e derramar meu pranto
ao seu pesar ou seu contentamento.”

Vinícius de Moraes

Mentir é pecado

“Mentiras e meias verdades podem abrir feridas na mais sólida união, como as ondas que, lentamente, abrem fendas nos rochedos.”

Amanheci analisando minha intolerância à mentira e minha perplexidade face à constatação de que volta e meia sou alcançada por pessoas afeitas ao mentir.

Percebo que um dos aspectos que me agrada no processo terapêutico é o ser ele um espaço de verdade. E se assim não for, perde-se o seu sentido e a sua eficácia. Em terapia somos convocados a nos defrontar com a verdade, sem covardia. A obtenção disso nos torna mais fortes, mais produtivos, mais felizes.

Todo aquele que recorre à mentira diante de uma situação que gostaria de evitar está acovardando-se frente ao medo do sofrimento que acredita vir com a verdade. Quase sempre é precisamente o contrário: a mentira é que semeará os mais dolorosos sofrimentos – para todas as partes envolvidas.

Sou tão intolerante com mentiras quanto com meias verdade e a omissões. Estas, em essência, são mentiras disfarçadas, são eufemismos de mentira.

O mentiroso destrói a confiança nele depositada, destrói a autoconfiança  da pessoa vitimizada pela mentira, destrói a admiração devotada a alguém que se mostra um fraco ou uma fraca, alguém incapaz de olhar de frente a própria realidade, alguém que deseja ardentemente algo, mas acredita poder atender a seus anseios fugindo do confronto com a realidade. Usa a mentira como refúgio, como estratégia, assim como o soldado desertor usa a escuridão como aliada para a fuga da guerra. É isso: mentirosos são desertores da vida.

Psicologicamente falando, mentir é esquivar-se da verdade, da realidade. Por trás está o medo. Assim um mentiroso é um covarde. E do mesmo modo que ele foge da verdade, a felicidade foge dele, já que ser feliz é conseqüência de um viver em coerência entre o pensamento e a ação, entre o anseio e a concretização. Que paz, que harmonia interior pode ter qualquer um que defenda a verdade, mas na vida prática minta? Que tente satisfazer suas necessidades mentindo para si mesmo e para os outros?

“Que o seu sim seja sim e o seu  não, não” Teria ensinado Jesus, segundo o Evangelho. Se assim não for haverá o pecado, pois no sentido original da palavra, pecar significa “fugir da meta”. E se a meta é a verdade, quem mente, peca. No entanto não é Deus quem nos pune por nossos pecados, mas nossos próprios atos. O sofrimento, a cobrança pelas nossas falhas acontece naturalmente, mera consequência de nossas incoerências, da lei física de ação e reação.

À propósito, veja que graça esse curto vídeo, de 36 segundos, onde um garotinho é absolutamente, graciosamente sincero:

GAROTO SINCERO

Pode alguém ficar aborrecido mesmo diante da mais dolorosa verdade, ao perceber a grandeza da sinceridade?

Mobilização de concursados para a saúde

Fiquei devendo uma satisfação e aí vai: a tal reunião de ontem (dia 22 de março) na Secretaria de Saúde acabou naõ acontecendo. Aproximadamente 30 pessoas foram lá, na expectativa de conversar com o Secretário Joaquim de Barros, mas não fomos recebidos por ele. Isso porque  na prática a reunião não foi devidamente agendada com ele – explicação da secretária Regiane – e apesar de estar no gabinete, no Palácio do Buriti, não atendeu a Comissão dos Concursados. Explicação do secretário, também segundo Regiane: tinha acabado de conversar com o governador sobre o assunto e dependia do posicionamento do Wilson Lima para tomar qualquer decisão. Está agendada para a próxima quarta-feira (dia 24.03.10) nova reunião do Secretário Joaquim de Barros e Wilson Lima. Após esse encontro, os concursados talvez sejam recebidos pelo Secretário de Saúde. Como escrevi no post anterior: minha preocupação é com o tempo e o risco iminente de uma intervenção federal no DF, o que vai tirar dos dois não apenas os atuais postos, como também a oportunidade de fazer algo de bom pela área de saúde no DF.

Contratação de psicólogos para escolas públicas do DF

Fui informada ontem de que a deputada Érika Kokay prometeu intermediar uma importante reivindicação: a contratação de psicólogos para as escolas públicas do Distrito Federal. Ela teria prometido convencer o governador em exercício, Wilson Lima, da urgência dessa medida, diante do elevado número de  professores da rede pública de educação que estão adoecidos. De modo particular sei bem como essa providência é necessária: em meu consultório atendo número grande desses profissionais, que chegam a mim muito destruídos, em alguns casos são verdadeiros farrapos humanos. É preciso entender que o contexto, as condições de trabalho desses profissionais em sala de aula mudou muito ao longo dos anos. Os alunos há muito não são os anjinhos do nosso tempo, não são crianças bem orientadas pelas famílias, obedientes e disciplinadas. Largados pelos pais, que precisam brigar pela sobrevivência no mercado de trabalho, os alunos na maioria dos casos são menores agressivos, mal educados, ameaçadores e que conhecem bem a impotência dos professores, caso resolvam perturbar a aula: nem mesmo um puxão de orelha ou o velho castigo de costas com chapéu de burro pode ser adotado. Isso corresponderia a ferir os direitos humanos deles e é passível de processo. Reesultado: os maus alunos deitam e rolam nas regalias pró-indisciplina e os professores ficam impotentes,entram em estresse profundo e adoecem de outras patologias. A presença de profissionais habilitados para lidar com o comportamento e as emoções humanos vai salvar muitos do estado de desespero e adoecimento em que se encontram. Vai, além disso, auxiliar também os próprios alunos, desprovidos de diretrizes, limites e meta de futuro. É, portanto, medida urgente. Difícil é saber por que cada escola do DF já não tem, pelo menos um psicólogo. A deputada pretende, segundo fui informada, argumentar inclusive que já existem psicólogos concursados aguardando convocação. Advirto, no entanto, que não pode ser qualquer psicólogo.Não basta alguém graduado em Psicologia, visto que a formação em Psicologia no DF é muito generalista. Entendo ser necessário colocar nas escolas psicólogos com formação e experiência em Psicologia Clínca ou Psicologia Escolar. Mas mesmo sendo assim é possível aproveitar os atuais aprovados, entrevistando os convocados antes de definir a lotação deles. Entendo que enviar um psicólogo sem formaçaõ em psicologia clínica ou escolar para um hospital, por exemplo, será menos danoso do que responsabilizar essa pessoa pela saúde já agravada de profgessores. Nos hospitais há todo um grupo de profissionais como suporte apra o treinamento dos novos priscólogos. Diferentemetne do que ocorre nas escolas. Há entre os aprovados na mais recente seleção profissionais com vasta experiência e formação específica para serem aproveitados nas escolas.  É comum os maus gestores públicos confundirem o trabalho desses profissionais com a atuação dos psicopedagogos, pricnipalmente no GDF. São coisas diferentes e o sistema precisa no momento de profissionais aptos a fazer intervenções adequadas.  Inclusive fiquei sabendo também que o Centro de Orientação Médico-psicopedagógico (Compp) é da Secretaria de Saúde e não da de Educação, como pode parecer. Assim, fica mais fácil recorrer aos atuais concursados a espera de contratação para atender a essa urgente e importante demanda da sociedade. Vai ficar caro para os cofres do GDF? Sim, mas  os 68 bilhões de reais arrecadados anualmente em tributos no GDF, somados aos quase 8 bilhões repassados pelo Fundo Constitucional devem ser usados em coisas assim, e não no pagamento de propina nem compra de haras para esposa de governador ou bezerras de ouro! Só uma coisa me preocupa: o tempo! Wilson Lima e o atual Secretário de Saúde, Joaquim Barros Neto podem estar com os dias contados: a intervenção está sendo costurada e logo logo pode tirar os dois das atuais cadeiras – antes mesmo que eles consigam fazer algo de digno pela saúde da população do DF. A menos que ambos sejam rápidos no gatilho! Ou melhor: rápidos na caneta. Eu estou convencida de que a medida terá total apoio da população e da imprensa, afinal, a saúde e a educação na Capital estão largadas, surrupiadas a tantas gestões que falta mesmo a intervenção de alguém com coragem e bom senso para finalmente fazer o que é necessário.

psicopedagógico (Compp) é da Secretaria de Saúde e não da de Educação, como pode parecer. Assim, é fácil utilizar oa atuais concursados a esperra de contratação