Motivação

A motivação, conceito da psicologia largamente discutido há décadas, refere-se ao estado interior que induz determinados comportamentos, orientados por desejos, necessidades ou vontades. Relaciona-se com o esforço em alguma direções para atingir um objetivo pessoal. Motivação no trabalho é o desejo de exercer altos níveis de esforço em direção a determinados objetivos organizacionais, condicionados pela capacidade de satisfazer algumas necessidades pessoais.

 

A motivação está relacionada com três aspectos:

1. A direção do comportamento (objetivo);

2. A força e intensidade do comportamento (esforço);

3. A duração e persistência do comportamento (necessidade).

 

Uma necessidade é uma carência interna, como fome, insegurança, privação material, etc. Em se tratando especificamente de motivação no trabalho, as teorias se preocupam com as razões que levam certas pessoas a realizar suas tarefas melhor do que outras.

Se os indivíduos têm as habilidades necessárias e há poucos limitadores de desempenho, pressupõe-se que altos graus de motivação levam a bons desempenhos no trabalho. Duas teorias se baseiam nas necessidades humanas: a Teoria da Hierarquia de Necessidades e a Teoria ERC (Existência, Relacionamento e Crescimento).

A Teoria da Hierarquia das Necessidades, de Maslow, destaca a importância dos indivíduos satisfazerem às necessidades físicas, sociais e psicológicas. Em ordem ascendente, essa hierarquia inclui a satisfação das necessidades fisiológicas, de segurança, associação, estima e auto-realização, conforme ilustra a figura abaixo:

 

 

Auto-realização  

 

 

Estima

Respeito a si próprio e aos  outros

 

 

Sociais – necessidades sociais, amor, afeto, reconhecimento, pertencer a um grupo

 

 

Segurança – necessidade de abrigo e proteção

 

 

Fisiológicas – necessidades ligadas a sobrevivência, como água, comida, ar , sexo

 

 

O nível da auto-realização refere-se à satisfação dos objetivos pessoais e alcance pleno do potencial individual. Na definição do próprio Maslow é “o desejo de ser tudo o que se é capaz de ser”.

       Quando uma necessidade é relativamente satisfeita, a próxima mais elevada torna-se dominante no comportamento da pessoa. O passo inicial para se motivar uma pessoa é saber qual é o nível da hierarquia para o qual ela está mobilizada para poder satisfazer aquela necessidade ou carência específica.

       Apesar de ser uma teoria empírica e sem base científica relevante, essa teoria teve e ainda tem grande aceitação entre os administradores. Segundo Idalberto Chiavenato (in Administração nos Novos Tempos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005), isso ocorre devido à lógica intuitiva e a facilidade de compreensão.

       No livro citado acima esse autor relaciona exemplos de cada uma das necessidades em dois ambientes: fora do trabalho e no trabalho. Exemplificando: educação, religião, passatempos e crescimento pessoal são necessidades enquadradas em auto-realização fora do trabalho; diversidade e autonomia, trabalho desafiante, participação nas decisões e crescimento profissional são exemplos de necessidades de auto-realização no trabalho.

A teoria dos dois fatores, proposta por Frederick Herzberb, é especificamente voltada para a motivação nas organizações. É também conhecida como Teoria dos Fatores Higiênicos e Motivacionais ou Teoria da Higiene-Motivação. Trata de aspectos relacionados ao ambiente de trabalho. Herzberg defendeu que a insatisfação está mais relacionada com o ambiente no qual a pessoa trabalha do que com a natureza em si do trabalho.

 

Os dois fatores podem ser assim divididos:

Fatores higiênicos                                   

 (Insatisfacientes)                                            

 

. Condições de trabalho                           

. Salários, premiação por produção             

. Benefícios e serviços sociais                         

. Políticas da organização        

. Relações com a chefia, colegas e subordinados

 

Fatores motivacionais

(Satisfacientes)

 

. O trabalho em si mesmo

. Realização pessoal

. Reconhecimento do trabalho

. Progresso profissional

. Responsabilidade

 

Os fatores higiênicos ou insatisfacientes têm relação com o contexto do trabalho, com o ambiente organizacional, o “como a pessoa se sente em relação à empresa”. Os fatores motivacionais ou insatisfacientes estão relacionados às fontes de satisfação no trabalho, ao “como a pessoa se sente em relação ao cargo” que ocupa.

Chiavenato afirma que as teorias de Maslow e de Herzberg sobre motivação proporcionam arcabouço que permite ao administrador aplicação prática no cotidiano. As duas teorias são criticadas principalmente pela inconsistência da base científica, o que abriu espaço para outras com maior grau de validade científica, como a Teoria ERC e a Teoria das Necessidades Aprendidas.

A Teoria ERC (Existência, Relacionamentoe Crescimento), de Clayton P. Alderfer, é uma simplificação da teoria de Maslow, da qual difere em três aspectos: a Teoria ERC reduz as necessidade básicas a três; enquanto a teoria de Maslow defende que o progresso de uma pessoa na hierarquia é o resultado da satisfação das necessidades mais inferiores, Alderfer adota o princípio de frustração-regressão (uma necessidade inferior pode ser ativada quando uma mais elevada não for satisfeita).

Por exemplo: se alguém está frustrado por não ter tido reconhecimento nem promoções no trabalho, outras necessidades mais baixas, como segurança no trabalho e conforto físico, podem vir à superfície como motivação.

O terceiro aspecto que diferencia a Hierarquia de Necessidades da Teoria ERC: enquanto Maslow preconiza que a pessoa focaliza uma única necessidade de cada vez, Alderfer defende que mais de uma necessidade pode ser ativada ao mesmo tempo.

 

As três necessidades essenciais da Teoria ERC são:

 

1.    Necessidades de existência (de bem-estar físico): existência, preservação e sobrevivência. Reúnem as necessidades básicas e de segurança, da teoria de Maslow. Nesse conjunto estão incluídos aspectos como salário, benefícios sociais, condições ambientais de trabalho e políticas organizacionais sobre segurança no trabalho.

2.   Necessidades de Relacionamentos (de relações interpessoais): referem-se ao desejo de interação social, à sociabilidade. Incluem as necessidades sociais e os componentes externos de estima de Maslow.

3.   Necessidades de crescimento: São as necessidades de desenvolvimento do potencial humano e desejo de crescimento e competência pessoal. Engloba os componentes intrínsecos da necessidade de estima e da auto-realização de Maslow.

 

     A Teoria das Necessidades Aprendidas, de McClelland (de 1961), relaciona motivação e necessidades à aprendizagem. Esse teórico defende que as necessidades humanas são aprendidas e adquiridas ao longo da nossa vida. Mc Cleland focaliza três necessidades básicas:

 

1.   Necessidade de realização (nR) – É o desejo de ser excelente, melhor ou mais eficiente que as outras pessoas, de resolver problemas ou dominar a realização de tarefas complexas. “A pessoa que possui essa necessidade gosta de ter responsabilidade, traça metas para a própria realização, assume riscos calculados e deseja retroação de seu próprio desempenho” (idem citação anterior a Chiavenato, pág. 483).  

2.  Necessidade de poder (nP) – Refere-se à necessidade de poder e autoridade, de controlar os outros, ser responsável pelas outras pessoas ou de influenciar o comportamento delas, de vencê-las pela argumentação. Esse poder pode ser negativo, quando há a tentativa de dominar e submeter as outras pessoas, ou positivo, quando se recorre a comportamentos persuasivos e inspiradores.

 

3.   Necessidade de afiliação (nA) – Reflete o desejo de interação social, de estabelecer amizades e relações interpessoais com os outros. Quem tem essa necessidade prioriza os relacionamentos sociais em detrimento da realização pessoal.

 

 Para McClelland, essas três necessidades são aprendidas e adquiridas no decorrer da vida, como resultantes da experiência de vida de cada um. Essa aprendizagem leva as pessoas a desenvolverem padrões de necessidades que afetam seu comportamento e desempenho.

Essa teoria permite ao administrador localizar essas necessidades em si mesmo e nos subordinados para criar ambiente de trabalho que favoreça os desempenhos pessoais orientados pelas necessidades localizadas. Segundo Chiavenato, a necessidade de poder é típica de quem usa o carisma e outras características pessoais para subir na vida e na organização.

 

Postado por Carmelita Rodrigues, em 01.10.08

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10 comentários sobre “Motivação

  1. muito bom o blog.
    esse tema tem sido muito abordado em todas as cadeiras de psicologia e tem se mostrada um factor q suscita sempre muito cuidado qd se refere ás organizaçoes.
    parabens…

  2. Bom dia! Seu artigo é muito bom. Vc é detalhista e descreve aspectos do comportamento motivacional que não vejo normalmente em artigos. Muito bom mesmo.
    Só queria fazer um comentário sobre a situação desse conceito atualmente, tão carente de status científico. Realmente estamos no período pré-paradigmático.
    Não podemos mais aceitar que as necessidades de base orgânicas sejam equiparadas com “necessidades” de origem social, como valores e motivos. E, claro, não podemos confundir, como tantos outros artigos no mercado, que comportamentos motivados sejam definidos com quaisquer movimentos ou condutas triviais.
    Sucesso prá vc!
    Angela Pes!

  3. Muito bom mesmo, sou fã de psicologia, pretendoo iniciar no proximo ano, e entra para esse time de profissionais que ajuda milhares de pessoas a se sentir melhor, estou com um blog tamben, quizer dar uma olhada, muito obrigado
    Felipe souza

  4. Boa tarde!
    Tatiane, é Angela Paes novamente. Vejamos mais um pouco sobre esse complexo tema que é a motivação.
    Há muito tempo leio sobre motivação. E tudo o que sei é que não podemos tratar os chamdos “fatores motivacionais” (segurança, filiação, poder ou qualquer outro motivo!), nítidamente de origem social, como necessidades prementes, equivalentes as necessidades fisiológicas, tais como fome, sede, sono, etc.
    Em se tratando de motivação, ainda estamos no período preparadigmático.
    Reflita!
    Um grande abraço para vc!
    Angela Paes!

  5. Sinceramente, achei o que estava procurando. Sou Administradora e estou estudando para concurso….achei todos os detalhes que precisava.
    Obrigada!

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