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Este País tem donos! Ou: estimulando a divisão

Tive um sonho. Explicativo; metafórico. A Psicologia Analítica chama de Sonho Arquetípico ou Grande Sonho. Nele eu vi inicialmente uma cidade moderna, que de repente deixa de ser uma cidade e passa a ser um país. Vi sua imensidão e suas verdes matas! Vi tantas riquezas! Em cima e sob o solo; e muita água cristalina!  O céu muito azul; aves coloridas sobrevoando. Se me afigurou que havia cidade embaixo e em cima da terra… essas coisas estranhas de sonhos.

Vi sua gente também, o povo desse país tão verde. E a população estava dividida em grupos: uns vestiam vermelho;  outros,  amarelo e azul. E as pessoas brigavam, se digladiavam, se ofendiam, alguns corriam atrás de outros; uns realizavam duelos de espadas. Havia brados e  gargalhadas debochadas. Vi grandes grupos mais afastados também; uns jogando futebol;  outros, festejando não sei o quê.  Pareciam alheios, indiferentes ao topo do morro e às pessoas que brigavam; mais riam e pulavam de modo irrefletido do que aparentavam racionalidade.

Então enxerguei  um morro. As pessoas divididas em diferentes grupos estavam na base do morro, que  era dourado e brilhava, como se fosse formado todo ele de ouro e pedras preciosas.  No topo dele havia poucas pessoas; bem poucas!  E estavam muito bem vestidas, como se tivessem saído de um evento pomposo, como entrega do Oscar.  Fumavam grossos charutos e sobre as cabeças tinham cartolas. As mulheres tinham o colo coberto de preciosas joias e usavam vestidos de festa, muito glamorosos, ricamente enfeitados de desenhos dourados, como seda brocada, e com pedras preciosas incrustradas.

Ainda sonhando entendi que as pessoas do morro que olhavam para baixo representavam pessoas muito ricas do Brasil. Bem poucas eram as do topo do morro, como já disse,  e as do pé do morro, numerosas, uma multidão, como também já disse, mas repito, e estavam divididas em grupos.    

Enquanto as pessoas de baixo brigavam, as do alto gargalhavam e assistiam  às cenas aos pés delas com desprezo e arrogância. Havia uma orquestra com um  maestro que mexia a baqueta conforme o que acontecia lá em baixo, de forma a dar novo som e a provocar novas reações na ralé, que não percebia a manipulação.

Minha interpretação: o lugar é o Brasil. O morro, o topo da pirâmide social onde 1% dos mais ricos distribuem entre si  30% das riquezas, e todo o resto da numerosa população de trabalhadores fica com  o restante. 

Os grupos de pessoas representam a população brasileira, atualmente dividida no dualismo esquerda x direita ou  bolsonaristas x lulopetistas, principalmente. A quem interessa essa rivalidade? Contra quem guerreiam as pessoas não-ricas, classe média e mesmo as pobres? Brigam entre si enquanto os verdadeiros inimigos manipulam para continuarem “donos” das riquezas do País.

Os grupos mais afastados são as pessoas isentas e as indiferentes, que optam por não se envolverem na disputa pela ordem social e distribuição das riquezas da Nação, como se fosse isso atribuição de outros, ocupando-se eles apenas de diversão, futebol e banalidades.

Ainda agora, se me pondo a analisar o significado do sonho me pergunto onde estava situado Sérgio Moro? No topo do morro, apoiando as elites aristocráticas  ou na base da pirâmide? Até ontem eu talvez o colocasse como um personagem franciscano, do tipo que nasce entre os ricos, mas  rompe com a oligarquia e vai viver em defesa dos desfavorecidos. Hoje, já o retirei desse roteiro poético e estou começando a enxergar que ele é um dos que traga charuto cubano, fabricado por escravos do regime comunista.

Um detalhe: para os “aristocratas” do topo do morro pouco importa se a ralé é subjugada pelo regime comunista ou capitalista. Desde que eles continuem os donos da riqueza, o sistema de governo é só algo a ser acochambrado aos interesses deles, que é o de manter a pirâmide com base alargada e um topo afinado, forrado de ouro.

Como no jogo de xadrez, onde existem o rei, a rainha, o bispo, o cavalo e os peões, vez ou outra é preciso sacrificar alguns peões para salvar a realeza. E também vez ou  pode aparecer um peão rebelde,  com retórica boa ou que consegue ameaçar de alguma forma o status quo do “jogo”. No mundo real, nessa hora, os poderosos se reúnem para descobrir qual o preço do “peão”; quanto ele cobra para deixar em paz a aristocracia e manter as coisas como são. Ou: qual a hora certa de abater o resistente.

Pensando assim, talvez faça sentido pensar que o pobre Luiz Inácio Lula da Silva  tenha sido apenas um peão no tabuleiro dos abonados –  em riquezas materiais, mas tão desprovidos de virtudes e a elas indiferentes. Pode-se deduzir que talvez o operário pernambucano tenha logo entendido a jogada:  ou se venderia, aliando-se aos interesses das elites e tentando dela fazer parte, ou morreria, politicamente. Se bem que alguns peões fora do comum já morreram de fato e outros, foram vítimas de atentado.

Hoje, para mim, Bolsonaro é esse peão incômodo que tem resistido a muitas investidas, a ataques por todos os flancos e que aparenta disposição para morrer lutando em vez de se render ou se vender.  Mas se assim o é, a divisão ideológica entre nós tem sido providencial para os habitantes do topo do morro! Temos sido usados, impelidos a nos atacarmos mutuamente enquanto continuamos subjugados e produzindo riquezas para eles.  E se assim continuarmos, tudo ficará bem para eles, mas não para nós.

E Sérgio Moro? Talvez tenha feito tudo de caso pensado, para colaborar com os parceiros de aristocracia e, mesmo desprezando o Bozo, (negou a Bolsonaro um aperto de mão na época de campanha) tenha aceitado ser ministro dele para estar perto do inimigo. A saída neste momento, tão inoportuna para o Brasil, pode ter sido algo meticulosamente planejado e articulado como estratégia para encurralar o “peão” rebelde e garantir a vitória sobre a plebe que, com ajuda da internet,  ameaça “mexer no queijo” das elites. Afinal, de quem é esse país? Quem tem mamado e mandado nele todo esse tempo? Mudar agora e abrir mão de fatias maiores riquezas, revendo a distribuição das riquezas? De jeito nenhum!

Assim, ou Bolsonaro se alia ao Centrão no Congresso, fazendo acordos para aprovar irrelevantes avanços – e começa a jogar o jogo deles para não ser retirado à força do poder – ou eles vão forçar o impeachment do presidente eleito pela maioria da população. Daí  continuarão donos da Nação e dos destinos dos brasileiros. E sabe quem até o momento tem ajudado as oligarquias? Quem vai ajudar a derrubar o defensor do País? Os incautos opositores políticos dele, que ainda não perceberam quem realmente são os inimigos. Cartas à mesa! Que vençam os mais espertos! Ou, se houver uma ajudinha do Céu, que vença a Verdade. Deus salve esta Nação.

Texto e fotos: Carmelita Rodrigues
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Solidariedade…

… entre os passarinhos. Porque entre os humanos tá difícil! Hoje vi um sabiá bicando a corda de um comedouro para derrubar alpiste e ajudar os amigos que ciscavam no chão, sob a árvore onde o comedouro estava pendurado: tico-tico, canário-da-terra, azulim; todos amiguinhos. Sabiás nem gostam tanto de alpiste e esse não descia para comer as sementes! Eles preferem as frutas que coloco por lá, como mamões, bananas e abacates.

Em geral as aves que compartilham a pequena área verde do meu trabalho são muito educadas e ficam pousados num galho perto do comedouro ou das frutas, à espera de que o outro termine de comer para só então se aproximar. Algumas vezes ocorrem brigas, principalmente se aparecem as pombas-rolas, os sanhaços e bem-te-vis.

Os beija-flores costumam ser muito territorialistas: expulsam as cambacicas que vão beber o melzinho que ponho para todos como se o mundo fosse só deles. Como enganam: têm uma leveza e penas coloridas que de tão belas, ou por gostarem de néctar, os associamos a doçura… ledo engano. São bem agressivos, briguentos!

Mas na maioria das vezes reina a cortesia, como hoje. E foi tão agradável assistir! Tanta “civilidade”!

Por lá também aparecem pica-paus, os de corpo preto & branco e os amarelados, mas eles “não se mistura”! Nem é por esnobismo, creio eu. Apenas por não disputarem o mesmo alimento. Ou melhor: os vermezinhos de troncos de árvores que saboreiam também são apreciados pelos bem-te-vis. Mas os pica-paus têm “ferramentas” exclusivas, então fica cada um no seu canto.

Enquanto isso, no reino dos humanos, pessoas nada evoluídas se engalfinham pelo poder ou para manter privilégios. Humanos de almas em putrefação, de tanta maldade, se reunem em conchavos para tramar contra um líder que julgam lhes ameaçar a liberdade de roubar e trair.

Nesses tempos de pandemia, não bastassem as preocupações com a doença, muitas almas feias, tão feias, andam em polvorosa no reino dos ditos racionais, armados de mentiras, falácias e muita, mas muita hipocrisia. Verdadeiras pragas do Planeta!

No reino dos animais, ao contrário, predominam os impulsos para sobreviver, sim, mas em harmonia. E de quebra, espalham cantos e cores, graça e beleza; tentam despertar os humanos para o real sentido da vida. Em vão, pobres serezinhos tão belos! Chegam nem perto de atingir esse intento!

Onde reina a irracionalidade, então?!

O sabiá, posicionado no galho acima do comedouro, bicava a cordinha e fazia o comedouro balançar, derrubando as sementes de alpiste.

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Um tempo para tratar o pulmão da Terra

O isolamento obrigatório das pessoas devido à  pandemia do COVID-19 teve pelo menos um efeito positivo: diminuiu a poluição do ar. A  paralisação de atividades industriais, comerciais e menor tráfego de veículos nas rodovias e estradas reduz os índices de dióxido de carbono lançados na atmosfera. Pode-se dizer que o vírus afetou os pulmões dos homens para que a natureza pudesse tratar o pulmão do Planeta.

Na China, houve queda de pelo menos 25% na emissões de dióxido de carbono (CO₂), segundo cálculos de Lauri Myllyvirta, do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (Crea), com sede nos Estados Unidos. Redução de 25% nas emissões de gás carbônico na China equivale à redução global de 6%.

Nos Estados Unidos, o tráfego nas estradas e rodovias diminuiu drasticamente no início da segunda quinzena de março. Um satélite que detecta emissões na atmosfera ligadas a carros e caminhões mostra enormes quedas de poluição nas principais áreas metropolitanas, incluindo Los Angeles, Seattle, Nova York, Chicago e Atlanta.

O portal especializado Carbon Brief estima que se a redução do consumo de carvão se somar à queda de utilização do petróleo, as emissões mundiais de CO2 podem baixar este ano em cerca de 7%. Esse percentual é quase os 7,6% de redução firmados no Acordo de Paris como meta para 2020. 

Na Europa, imagens do satélite Sentinel 5,  feitas no período entre 05 e 25 de março, mostram redução nos níveis médios de dióxido de nitrogênio, na comparação com o mesmo período do ano passado, em cidades como Bruxelas, Paris, Milão e Frankfurt. Em Madri, os níveis médios de dióxido de nitrogênio recuaram 56% na comparação semanal depois que o governo espanhol proibiu viagens não essenciais a partir de 14 de março.

No Brasil a situação é parecida: A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) registrou boa qualidade do ar para os poluentes primários, são emitidos diretamente pelas fontes poluidoras, em todas as 29 estações de monitoramento da região.

A má notícia é: se não houver mudança de paradigmas e condutas, quando o isolamento acabar, governos vão incentivar a retomada das indústrias e de outros processos produtivos e em pouco tempo a emissão de gases poluentes voltará aos índices de antes ou estarão maiores, nos esforços de compensação de perdas financeiras.

Fontes:

BBC – https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51682790

The New York Times: https://www.nytimes.com/interactive/2020/03/22/climate/coronavirus-usa-traffic.html

Notícias UOL:

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-brasil/2020/03/30/com-isolamento-cai-a-poluicao-do-ar-em-sao-paulo.htm

Portal Extra Classe: https://www.extraclasse.org.br/ambiente/2020/03/pandemia-reduz-poluicao-na-atmosfera/


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Tempo para autoconhecimento e descobertas pessoais

Uma reflexão: a Segunda Guerra Mundial, com a convocação para que as mulheres substituíssem os homens – enviados às frentes de combate nos campos – nas fábricas e nas indústrias, despertou nelas o desejo de trocar a vida de dona de casa pelo mercado de trabalho. Após experimentar uma rotina de sair de casa, ter um trabalho e ter o próprio dinheiro, elas descobrirem que podiam ( e queriam) ser ser mais do que apenas “do lar”. E o mundo nunca mais foi o mesmo. Nem as mulheres!

Agora, século 21, a pandemia do coronavírus, com a obrigatoriedade de as pessoas ficarem em casa, pode também ter um efeito inesperado, mas na direção contrária: muitas mulheres podem descobrir que ficar em casa, cuidando dos filhos, da casa e do marido pode ser bom! E podem optar, no “pós-guerra”, por trabalharem menos tempo fora de casa – ou nem trabalharem. Ou, na mesma onda, mais homens perceberem que ter tempo para ficar em casa com a família é algo que desejam e/ou necessitam. Tempo para serem pais. Tempo para serem maridos. Tempo para serem bons filhos e passearem mais, conversarem mais com os pais e com as mães.

Isso porque as pessoas estavam vivendo “no automático”, sem entenderem a si próprias, sem conhecerem o que realmente lhes importa, o que desejam de fato. Um tempo para o autoconhecimento, para o encontro consigo mesma(o) pode mudar muita coisa, interna e externamente.

E adivinhem quem mais irá se beneficiar disso? As crianças! Não é pequeno o número das que têm tomado muita Ritalina e Risperidona, numa vã tentativa de compensar falta de atenção maternal/paternal por medicamentos.

Claro, haverá também um contingente de pessoas que festejará a volta da “normalidade’, quando poderão voltar a transferir a maternidade/paternidade às creches, babás ou escolas. Porque sempre haverá pessoas com pouco ou nenhuma vocação para serem mães ou pais. Isso só a evolução da Humanidade pode mudar.

Mas sei, com base na minha prática clínica e observação empírica, que há muitas pessoas com suas inclinações reais sufocadas pelo cotidiano estressante, pela competitividade do mundo capitalista e, principalmente, pelo distanciamento dos reais valores que fazem a vida valer a pena, incluindo a conexão com o Numinoso.Ter dinheiro e conforto é bom e desejável, mas nunca o “ter” será mais importante que o “ser”; nunca a acumulação de bens materiais, por si só, será fonte de realização.

Então, eu desejo, pelas crianças e pelos adultos, que no “pós-guerra-Covid” muitas pessoas se beneficiem de reflexões profundas e descobertas sobre si mesmas, a ponto de passarem a viver com mais qualidade, dando mais atenção às demandas reais dos filhos, dos pais, dos cônjuges e às próprias demandas , valorizando menos as convenções sociais irrefletidas. Adivinha quem vai perder com isso? A indústria farmacêutica, que talvez venda menos remédios.

Eu não me importaria de perder todos os pacientes com Transtorno de Ansiedade, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou Transtorno Opositor-Desafiador (TOD), entre outras alterações psicoemocionais. E embora não tenha entrado em isolamento (sou da assistência em saúde), eu também tenho feito minhas reflexões. E percebi: se minha mãe ainda estivesse aqui, eu viajaria muito, muito mais com ela. Viajamos pouco! Hoje sei disso.