Sentimento de culpa

Ao começar a atender uma paciente com queixa de culpar-se muito e de sentir profunda angústia em decorrência dessa emoção persistente, pus-me a pesquisar sobre o tema. Encontrei respostas muito valiosas nos livros do Greeenson, editados em 1981, mas nem por isso, desatualizados – ao contrário. A seguir, transcrevo um trecho da obra, de modo a ser fiel aos ensinamentos desse pesquisador.

“Os sentimentos de culpa podem instigar o ego a criar vários mecanismos de defesa, mas também podemos ver situações em que o sentimento de culpa exige satisfação, punição e adquire uma qualidade semelhante à do id. O ego pode se defender contra isso usando uma verdade de formações reativas que têm qualidade supermoral. Podemos ver isso de maneira bem característica na neurose obsessiva, por exemplo. Todavia, nas personalidades masoquistas graves, podemos ver uma situação em que a necessidade de sofrimento é prazerosa e onde o paciente dá expansão às exigências do seu superego, tolerando um comportamento que lhe causa sofrimento evidente. Quando isso acontece, temos uma resistência na análise porque a procura desse sofrimento é relativamente prazerosa e está, simultaneamente, bloqueando alguma outra ansiedade. Está ajudando uma função de resistência, ao mesmo tempo defensiva e gratificante. A tarefa terapêutica será a de fazer com que o ego racional do paciente identifique a função de resistência e também de persuadir seu ego a enfrentar de frente a ansiedade maior, subjacente e dolorosa, para que ela possa ser analisada”  (Greenson, pag. 93).

A culpa pode ser um caminho escolhido pelo psiquismo do sujeito para fugir de uma emoção dolorosa, sendo a causa mais longínqua, o impulso instintual subjacente que instigou a culpa e a causa fundamental uma situação traumática, ou seja, um estado em que o ego fica subjugado  e desamparado, porque está inundado de ansiedade que não consegue controlar, dominar ou refrear. “É esse estado que o paciente procura evitar criando as defesas ao menor sinal de perigo” (Greenson, pag. 86).

Por ora vou ficar nesses pequenos trechos, mas prometendo postar algo mais amplo sobre resistência, um importante componente de todo processo terapêutico, causa tanto do abandono de terapias quanto da decisão de manter-se longe de processos analíticos.

Fonte: A Técnica e a Prática da Psicanálise (Vol. I e II), de Ralph R. Greenson, editora Imago, RJ, 1981.

Jurubeba para reduzir colesterol ruim

Ao que tudo indica, o consumo sistemático de jurubeba pode reduzir o colesterol ruim. A seguir, o relato de uma experiência que indica isso:  Uma pessoa da família estava com nível elevado de colesterol, comprovado em exame de sangue. O médico prescreveu  um remédio, mas em vez disso ela passou a comer, misturado à comida, nas duas principais refeições diárias, de 8 a 10 frutinhos, preparados em forma de conserva. Voltou ao médico um mês depois com novo exame de sangue e constataram que o colesterol ruim havida baixado para  níveis normais. Surpreendido, o médico perguntou o que ela havia feito. “Passei a comer jurubebas todos os dias, junto com a comida.”, for a resposta dela. Não se sabe se ele acreditou, mas certamente foi a jurubeba, já que milagres até  podem ocorrer, mas não em situações como essa. E esses  frutinhos são benéficos também em casos de má digestão e problemas de fígado. Mas atenção: não se está afirmando que há comprovação científica desses benefícios. Além disso, opositores do consumo de plantas medicinais alegam haver risco de toxicidade em muitas plantas, inclusive na jurubeba. Quem desejar informações coletadas a partir de metodologia científica, deverá  fazer pesquisa mais profunda sobre o assunto na literatura científica. Uma cartilha do Ministério da Saúde informa que a jurubeba é fonte de vitamina A.

Como preparar:  Separe os frutinhos do caule e  retire o sépalo (aquelas folhinhas verdes que ficam grudadas ao fruto); lave bem,  em água abundante. Cozinhe as jurubebas: leve-as ao fogo em água fria e após ferver por uns 5 minutos apague o fogo. Troque a água  e ferva por mais alguns minutos, acrescentando uma pitada de sal. Repita a troca de água por, pelo menos três vezes, para  eliminar gosto amargo e substâncias potencialmente tóxicas. Quanto mais você repetir a troca da água após fervura, mais elimina o gosto amargo (o cozimento também dá maciez aos frutinhos). Deixe esfriar; misture com um pouco da última água do pré-cozimento e azeite; coloque em vidro limpo e esterilizado (esterilize com água fervente). Depois, guarde na geladeira e vá consumindo aos poucos. Particularmente, acho que dá mais sabor à refeição. Há pessoas que acrescentam pimentas e outros condimentos. Eu prefiro a forma simples.

Postado por Carmelita Rodrigues

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Projeção

 

Transcrevo a seguir um trecho do livro AMOR, ÓDIO E REPARAÇÃO, da psicanalista Melaine Klein, escrito algumas décadas atrás e apesar disso, atualizado:

“A primeira e mais fundamental dentre as nossas garantias ou medidas de segurança contra sensações de sofrimento, de ser atacado, ou de desamparo – da qual tantas outras decorrem – é esse processo a que chamamos projeção. Através desse processo, todas as sensações ou sentimentos penosos e desagradáveis existentes na mente são automaticamente banidos para fora de nós; admitimos que se localizem em outra parte que não em nós. Renegamo-los e repudiamo-los como emanando de nós. Na medida em que tais forças destrutivas são reconhecidas em nós, pretendemos que ali chegaram arbitrariamente e através de algum agente externo, e devem voltar ao lugar que lhes compete. Para um bebê, a distinção entre os seus estados de prazer e de desprazer, entre os sentimentos bons e maus dentro de si, reflete-se no mundo externo. A projeção é a primeira reação do bebê ao sofrimento, e provavelmente permanece em todos nós como a reação mais espontânea a qualquer sentimento penoso, ao longo de toda a nossa vida. O subsequente desenvolvimento mental permite a cada um de nós, em grau variável, controlar ou refrear essa reação primitiva e subjetiva, substituindo-a por outros processos  melhor adaptados à verdade e à realidade  objetiva da situação em que nos encontramos. (…) Se alguém nos atribui algo desagradável, nós, com muita frequência, afirmamos que, de fato, o desagradável está nele. Mais frequentemente, porém, o fato ocorre sem qualquer provocação.  Podemos constatá-lo com clareza, por exemplo, nos sentimentos do homem comum acerca da crueldade e agressividade de outras nações, nunca, porém,  da sua; ou ainda no seu ponto de vista sobre o partido político em oposição ao seu. O que os outros fazem é perigoso, destrutivo e interesseiro ao máximo, ao passo que as intenções e motivações de seu próprio partido são tão puras e justas quanto a imaginação é capaz de torná-las. No seu ambiente de trabalho, homens perfeitamente comuns mostram-se propensos a descobrir sentimentos de ganância egoística e de agressividade desenfreada em seus patrões e empregados, conforme a posição não ocupada por eles.”

O texto completo é três vezes maior do que este trecho aqui transcrito. A quem deseje lê-lo por inteiro, comprometo-me a enviar por email; basta solicitar.

Original: Amor, Ódio e Reparação – As emoções básicas do homem do ponto de vista psicanalítico. Melanie Klein e Joan Riviere (1975), 2ª ed. São Paulo, Imago Editora (p. 25-26).