Diagnóstico e tratamento de TDAH

O diagnóstico do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é eminentemente clínico e deve ser realizado preferencialmente por avaliação multidisciplinar, levando-se em conta diversos aspectos. Ainda não existe marcador biológico para TDAH. Exames complementares, como o P300 (Potencial Evocado Auditivo) e Eletrocardiograma (EEC), podem ser úteis às vezes para o diagnóstico diferencial e/ou para se detectar co-morbidades, como também para controle do tratamento. Estudos apontam a prevalência de dois terços de comorbidades nos casos de TDAH. Conhecer a dosagem de ferritina também pode auxiliar no diagnóstico: baixos níveis de ferro no organismo causam agitação em algumas pessoas. Até  mesmo os níveis hormonais devem ser avaliados, já que o hipertireoidismo pode produzir sintomas parecidos com os do TDAH. Por isso é de fundamental importância avaliar se a criança ou o adolescente é ou está hiperativa(o). Alterações nos contextos social ou familiar podem resultar em respostas psicoemocioais disfuncionais semelhantes aos do TDAH e, uma vez que essas alterações sejam compreendidas e corrigidas, a inquietação e/ou desatenção da criança pode desaparecer. Em casos definidos como sendo de TDAH também é recomendável tratamento multidisciplinar, incluindo reeducação psicopedagógica, reforço escolar, psicoterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia (em alguns casos), atividades paralelas relacionadas a esporte, música ou artes e farmacoterapia (tratamento medicamentoso), também só para alguns casos.

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TDAH ou DPAC?

Há nova luz no fim do túnel para pessoas  com  sintomas de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Nos últimos quatro anos, especialistas têm trabalhado com uma nova investigação e novo diagnóstico que muda muita coisa nos casos de agitação e falta de concentração:  o DPAC. Significa Distúrbio do Processamento Auditivo Central. São alterações em uma ou mais das habilidades auditivas que afetam o desenvolvimento da aprendizagem e da linguagem. Com esse distúrbio, a criança apresenta sintomas e comportamentos semelhantes aos registrados em portadores  do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), o que leva a erro de diagnóstico. Assim, crianças que hoje estejam tomando Ritalina por terem sido equivocadamente diagnosticadas como TDAH precisam de revisão no tratamento urgente. No caso do DPAC, a Ritalina não funciona nem é necessária. A terapêutica para os DPACs  são exercícios de reabilitação fonoaudiológicos. Isto é devem ser tratados por fonoaudiólogos especializados no assunto. Não qualquer fono! O diagnóstico exige exame audiométrico específico.

Onde entra a psicoterapia nos casos de DPAC? Na correção das perdas psicológicas,  no ajuste de aspectos relevantes da rotina da criança na escola e na família. Algo semelhante ao que já é realizado nos casos de crianças hiperativas ou desatentas sem comprovação/diagnóstico de TDAH pelos exames convencionais, como o P300.

Como nos casos de TDAH, os DPAC precisam muito de afeto, de pais zelosos e atentos às potencialidades e limitações dos filhos. A mãe de um paciente meu contou-me que desenvolveu uma técnica própria para ajudar o filho nas tarefas de casa: os DPACS têm algumas limitações de aprendizagem (mas NÃO IMPOSSIBILIDADES), como por exemplo, não compreender uma questão com duas perguntas no mesmo enunciado. Nesse caso, ela usa marca-texto de cores diferentes para cada pergunta embutida, facilitando a compreensão do filho. Ela é educadora e mãe zelosa; foram essas características que a levaram a não se conformar com a ideia de deixar seu filho aprendendo menos e se sentindo inferiorizado;  ela sempre esteve em busca de compreender  bem o que se passa com a criança, hoje com nove anos, e a tentar desenvolver formas de o ajudar. Isso é uma Mãe com M  maiúsculo, não posso deixar de registrar.

Recomendo o  site COMPORTAMENTO INFANTIL  para informações  preliminares sobre o tema.

SII, TDAH: a ansiedade adoece as pessoas

Estou ficando intrigada e preocupada: já faz alguns meses que a Síndrome do Cólon Irritável (também conhecida por SII, Síndrome do Intestino Irritável) é o assunto que mais atrai leitores para meu blog. E tenho recebido ligações de um número razoável de pessoas desejando fazer terapia com essa queixa. O post de título Síndrome do Cólon Irritável tem cura já é o mais lido. Antes, o campeão de acessos era um que fala de infidelidade masculina, Por que os homens traem? seguido de perto por outro: TDAH: transtorno dos Hiperativos.

Fico me perguntando se estará havendo um excesso de diagnóstico dessa síndrome, se mais médicos passaram a conhecer o transtorno e estão identificando mais rapidamente a causa do sofrimento das pessoas ou se, efetivamente, mais pessoas estão adoecendo desse transtorno, cuja origem é quase sempre de fundo emocional, isto é, os sintomas aparecem como um alerta do organismo de que há “coisas” fora do lugar, internamente, ou que há conteúdos exigindo cuidados e, ainda, que complexos começam a se constelar. Os remédios são bons aliados, mas quase nunca dão conta do problema sozinhos.

SII e TDAH têm um componente em comum: a ansiedade. Assim como a Síndrome do Pânico, outra queixa relativamente freqüente entre as pessoas. Ao que parece estamos vivendo em contextos altamente geradores de ansiedade. A isso se somam os “desvios” no desenvolvimento das crianças, causas de futuras dificuldades psicoemocionais e até de doenças, também resultante do modo de vida atual. As exigências sociais estão focadas em aspectos que não se coadunam com as reais necessidades do ser humano, do si mesmo das pessoas. Apelo excessivo ao consumo (e cobrança pro ter sempre mais dinheiro para comprar, comprar); superficialidade nas relações humanas (sem vínculos que produzam sensação de confiança e apoio); afastamento da religiosidade (que por envolver forças arquetípicas reduz ansiedades); laços familiares inconsistentes; pressão por resultados e sinais de “sucesso” material; solidão; individualidade e competitividade (em detrimento da cooperação) são algumas das mazelas que estão por trás da ansiedade das pessoas. A violência cresce (em proporção direta com o esquecimento de Os Dez Mandamentos – fórmulas infalíveis e imprescindíveis para as interrelações humanas) e produz medo nas pessoas. À medida que os abusos aos direitos alheios aumenta (com muita impunidade), também cresce o clima de insegurança e  os indivíduos adoecem do espírito, das emoções e do corpo. As pessoas precisam descobrir caminhos de vida mais saudáveis, repensar influências da mídia e do comércio, conhecer a si mesmas, realizar “movimentos” mais freqüentes de autoconhecimento e defesa dos interesses reais de cada um, conforme os verdadeiros propósitos de vida, buscar pelo numinoso, isto é, recuperar a aliança com Deus, para evitar as doenças. Porque as indústrias, as empresas de marketting, os veículos de entretenimento e veiculação de propagandas, os políticos desonestos e gestores públicos corruptos NÃO ESTÃO PREOCUPADOS com a saúde das pessoas, mas tão somente em LUCRAR.

TDAH em adultos

“Durante muito tempo, acreditou-se que o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (ou simplesmente TDAH, como preferem os médicos) era um problema de crianças. Poucas vezes, o distúrbio dos pequenos chegava a preocupar os pais. Achava-se que, na pior das hipóteses, aquele típico moleque irrequieto, que nunca se contentava com um único brinquedo, se tornaria uma pessoa “normal” tão logo lhe brotassem os primeiros fios de barba. Mas um levantamento recente publicado nos Estados Unidos mostra que a coisa não é assim tão simples. Conhecido como National Comorbidity Survey – Replication (NCS-R, ou “Pesquisa Nacional de Comorbidades”) e divulgado oficialmente em maio último, o estudo analisou nada menos que 9 mil americanos ao longo de dois anos. E concluiu: cada vez mais, o TDAH é um problema de adultos – algo capaz de arruinar a auto-estima, as relações afetivas e principalmente o seu desempenho profissional. (…)

O publicitário gaúcho Rafael (o nome é fictício), de 25 anos, é uma das pessoas que passaram a vida carregando esses e outros problemas. Ele só foi saber que sofria de TDAH aos 21 anos, por insistência do pai – que, meses antes, descobrira-se portador do distúrbio. Ao longo da vida, Rafael sempre tivera dificuldades para se concentrar e para manter a organização. Ainda mais trabalhando em um ambiente caótico por natureza, como as agências de publicidade. “Há uma tendência de começar 2 mil coisas diferentes e não terminar nenhuma delas. Os colegas de trabalho começam a te ver como um irresponsável, que embarca em tudo que é projeto, mas nunca leva nada até o fim”, descreve o jovem. Além disso, como muitos outros casos de TDAH, Rafael criou uma indesejável mania. “Eu mentia compulsivamente.” Para contornar o problema, o publicitário procurou ajuda médica e iniciou uma terapia. Hoje, mantém-se na linha usando medicamentos específicos para esse transtorno, à base de Metilfenidato (um estimulante que “ativa” os filtros cerebrais). Conhecido pelos pouquíssimos efeitos colaterais, o remédio tem sido de boa ajuda. “Para mim, foi a solução ideal”, alegra-se.”LEIA MAIS.

TDAH: uma técnica usada com criança

No ano passado (2009) eu precisei de uma história infantil que expressasse para meu paciente de 6 anos de idade a idéia de ansiedade e que mostrasse o quanto ele perdia deixando de aproveitar as boas coisas do presente para viver sempre se projetando no futuro.Erro comumente cometido por muitos adultos também. Em resumo, a ansiedade de meu pequeno guerreiro roubava a felicidade dele porque ele estava sempre querendo passar correndo para a próxima coisa. Perambulei por livrarias e busquei algo já pronto, mas não encontrei. Então resolvi mobilizar minhas habilidades em redação e arrisquei eu mesma escrever uma história, sem ter a pretensão de ser escritora, claro. Aproveitei para introduzir na história elementos significativos para meu pequeno paciente, que adorava lutas, mistérios, guerreiros e cavernas. O resultado é o que se segue e devo adiantar-lhes que a técnica foi bem eficiente. Pedi à mãe dele que lesse um pedaço da história a cada noite. Queria desenvolver/treinar domínio dele sobre a própria ansiedade, começando por ter que esperar até o dia seguinte para saber como a história continuava. Depois pedia a ele que me contasse a história no consultório. Foi maravilhoso perceber que ele memorizava os nomes dos personagens, se identificava com um deles (meu propósito) e entendia muito bem a mensagem da leitura. Ele é realmente uma criança especial e me ensinou muito. Foi levado ao meu consultório com diagnóstico psiquiátrico de TDAH. Como a mãe não queria que ele tomasse Ritalina, decidiu colocá-lo em terapia. Decisão acertada porque o garoto evoluiu muito bem e livrou-se do sofrimento de sentir-se menosprezado, errado, inadequado, imprestável, não apenas na escola, mas também em todos os espaços. Ele estava  com baixa autoestima e a um passo de sofrer  depressão infantil. Na verdade, não se tratava de um caso típico de TDAH, mas sim de uma criança  acima da média em inteligência que estava sendo submetida a profundo sofrimento devido ao despreparo de profissionais da escola e até dos pais, embora fossem muito amorosos com ele. Em muitos casos não basta amar. Foi esse mesmo paciente que me fez enxergar a semelhança entre o processo terapêutico e a letra da música da Vanessa da Mata, que você pode ouvir clicando no link MINHA HERANÇA UMA FLOR.

Voltando à história, o texto completo está postado na página HISTÓRIAS e o título é A Gruta dos Guerreiros.

Congresso sobre TDAH no Rio

Um evento de grande importância para interessados em TDAH, o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade: o IV Congresso Internacional da ABDA (Associação Brasileira do Déficit de atenção). Será no Rio de janeiro, nos dias 31 de julho e 1º de agosto. O preço para não-sócios da ABDA é de R$ 260,00. Os temas são atrativos e interessam aédicos, psicólogos e outros profissionais de saúde. Confira na PÁGINA DO CONGRESSO. A estrela internacional é o holandês Joseph Sergeant, mas a participação do brasileiro Paulo Matos não é menos importante. Matos é autor de livros sobre TDAH e envolvido em várias atividades ligadas ao tema.

O TDAH e uma definição de “pessoa gentil”

Lucas*, meu adorável paciente de seis anos de idade, é um caso clássico de criança com TDAH. É um encanto de criança, daquelas que nos deixam apaixonados – no sentido fraterno – já no primeiro encontro. Quando falávamos das vivências dele na escola, ele referiu-se várias vezes à professora do ano passado, de quem ele fez o seguinte comentário: “Eu gosto muito dela, nunca mais encontrei ela, mas gosto dela”. Perguntei por que ele gostava dessa professora. Ele respondeu-me: “Porque ela é gentil!”  Eu insisti no assunto para entender as significações dele: “o que  é uma pessoa gentil, Lucas?” A resposta dele: “Ah, é uma pessoa que trata bem as crianças.” Perfeito, não acham? Adorei a resposta dele e me encantei um pouco mais com o pequeno gênio, que vem sofrendo com a atual professora, devido à falta de tolerância, amorosidade e despreparo para a função.

Tenho pesquisado muito sobre o TDAH e, vasculhando anotações e material informativo sobre o assunto, encontrei uma lista de sugestões direcionadas a pessoas que se relacionam com crianças hiperativas e com déficit de atenção. Foram escritas por Ângela Cota e sua filha, Cristina Cota, que deram o  curso “Metáfora Ativas no Trabalho com Crianças e Adolescentes”, em Brasília:

. É importante buscar informações sobre o TDAH para conhecer os limites da criança e do adolescente na sua atuação dentro do âmbito social educacional favorecendo a compreensão do seu funcionamento emocional;

. Saber distinguir entre o não querer e o não ter condições para (quando se trata de obediência a regras de conduta e outras instruções);

. Reforçar o que há de melhor na criança;

. Não enfatizar o fracasso;

. Explicar à criança previamente como agir fazendo orientações positivas e comunicando com clareza o que se espera dela no sentido afirmativo. Ao invés de dizer “não pode …”, dizer: “eu sei que você pode…”(detalhando o comportamento  desejado);

. Estabelecer uma rotina diária com objetivos e limites claros e conscientes;

. Ser capaz de flexibilizar e discutir possíveis alterações nos planos;

. Observar a qualidade da sua própria interação com a criança: escuta, tempo disponível, atenção focada;

. Estar atento à socialização da criança e intermediar contatos na medida do necessário;

. Estar atento à própria postura corporal ao praticar a comunicação: ficar próximo, olhar nos olhos, conter fisicamente a criança (em caso de necessidade) de maneira amorosa e firme e usar voz modulada;

. Ficar atento para discernir quando e onde persistir no comando e qual o momento de criar novas estratégias;

. Procurar estar sempre sintonizado com a empatia, ou seja – fazer o necessário (estando além da simpatia ou antipatia);

. Cuidar-se para cuidar;

. Abrir-se para as trocas mantendo um diálogo aberto com todos os profissionais envolvidos.

Nome fictício.

Postado por Carmelita Rodrigues, em 02.09.08