Orgulho e preconceito: sugestão de bom filme

Desejando ver um bom filme? Sugiro Orgulho e Preconceito. Deliciosamente romântico, com cenas de desejo e amor tão sutis que nos deixa com vontade de gritar aos ouvidos da TV Globo: “não precisa apelar, colocar gente pelada transando na TV para falar de paixão.”  A sutileza do enredo, das falas e das imagens expressam com profunda intensidade a força das emoções sobre nós. Não vou me estender no comentário: é desnecessário e ainda que eu escrevesse mil palavras não me aproximaria da descrição perfeita. Chama a atenção o olhar profundo e tocante do personagem principal, o apaixonado Senhor Darcy (Mathew Macfayen). O enredo surpreende na forma delicada e indireta de falar de amor verdadeiro, tão raro.  Ao final do filme, uma amiga que assistia junto emitiu longo supiro e disse: “ai, será que existe um homem que ame assim? Se existir, eu  quero!” Rimos muito dela porque no comentário simplório e espontâneo ela expressou o anseio da maioria de nós. E a frustração coletiva: homens amorosos, cavalheiros e verdadeiramente enamorados, capazes de gestos de  renúncia e dedicação por amor só se vê mesmo em filmes e livros. Uma pena: as mulheres são capazes do mais verdadeiro, dedicado e profundo amor… já os homens… estão sempre buscando coisas tão diferentes e vazias! Detalhe: o filme foi escolhido aleatoriamente e NÃO foi sugestão do bonito dono da locadora (pelo vigor dos bíceps, ele provavelmente só assiste a filmes de pancadaria). Bom, deixemos de queixas. Para ter uma ideia do conteúdo, clique no link a seguir e veja alguns trechos do filme, uma produção franco-anglo-americana de 2005: ORGULHO E PRECONCEITO.

Pecados e virtudes capitais

Você se lembra quais são os sete pecados capitais?

  1. Gula
  2. Avareza
  3. Soberba
  4. Luxúria
  5. Preguiça
  6. Ira
  7. Inveja

E em oposição aos pecados, as sete virtudes (para combater os pecados capitais)

1. Temperança (gula)
2. Generosidade (avareza)
3. Humildade (soberba)
4. Castidade (luxúria)
5. Disciplina (preguiça)
6. Paciência (ira)
7. Caridade (inveja)

Veja significado, neste contexto, da palavra capital: “Que importa ou diz respeito à cabeça, à vida de uma pessoa: pena capital (isto é, de morte (Dicionário Priberam).

Veja o significado que a Igreja Católica deu ao termo, de acordo com explicação do Wikipédia: “Os conceitos incorporados no que se conhece hoje como os sete pecados capitais se trata de uma classificação de condições humanas conhecidas atualmente como vício, que é muito antiga e que precede ao surgimento do cristianismo, mas que foi usada mais tarde pelo catolicismo com o intuito de controlar,educar e proteger  os seguidores, de forma a compreender e controlar os instintos básicos do ser humano. O que foi visto como problema de saúde pelos antigos gregos, como por exemplo a depressão (melancolia, ou tristetia), foi transformado em pecado pelos grandes pensadores da Igreja Católica.

Assim, a igreja Católica classificou e selecionou os pecados em dois tipos: os pecados que são perdoáveis sem a necessidade do sacramento da confissão, e os pecados capitais, merecedores de condenação. A partir do início do século XIV a popularidade dos sete pecados capitais entre artistas da época resultou numa popularização e  mistura com a cultura humana no mundo inteiro.”

A Psicologia Junguiana (ou Analítica) chama de “sombra” os comportamentos considerados “pecados capitais”. São inconscientes, na maioria das vezes. Portanto, o sujeito pode até querer agir contrariamente ao inspirado pelo instinto, mas não consegue porque uma força instintiva, quase sempre atuante como mecanismo de defesa, invade o psiquismo e determina emoções e ações da pessoa. Decorrem, quase sempre de intrincados complexos. Não funciona reprimir, não é eficiente negá-los, ao contrário: ao negar uma aspecto sombrio, ele ganha força, cresce e um dia toma a frente, à revelia da razão. A igreja católica age na contramão disso, com o intuito de “controlar”, alimentando o medo da condenação eterna. O que isso tem de cristão? O que isso tem de  divino? Francamente!

Fazer um depressivo supor que ele está em pecado por sentir-se triste, sem força, desvitalizado é mais cruel ainda. E demoníaco. E por último, sempre tive horror a isso que eles chamam de “sacramento da confissão”. Devo revelar a um padre meus pecados… para quê preciso de intermediário na hora de suplicar o perdão divino? O que esse intermediário fará com as informações obtidas em confissionário? Claro que nem todo padre é antiético, mas muita confissão serviu de subsídio para dominação da igreja sobre os fiéis. Funciona mais você confessar seus pecados a um terapeuta, que não vai lhe julgar, condenar nem ameaçar com a punição eterna. Ao contrário, vai lhe acolher, ajudar-lhe a analisar os motivos inconscientes da conduta, vai lhe apontar alternativas e mecanismos de como agir de forma diferente, quando você estiver pronto para a transformação. As virtudes devem surgir de forma espontânea, ser verdadeira conquista da alma, não algo forçado, reflexo da repressão. Conteúdos reprimidos ou recalcados são apenas a camuflagem de um árduo trabalho ainda por fazer. Por meio da ampliação da consciência. Como já expliquei a um amigo diácono, a religião NÃO é o melhor caminho para mudar e/ou transformar muita coisa dentro de nós. Principalmente quando se trata de conteúdo inconsciente. Deseje, persiga as virtudes. Mas da forma certa, por meio do autoconhecimento, que conduz à ampliação da consciência e, consequentemente, à salvação verdadeira. Não necessariamente a aprovação de padres e papas, claro. Mas quem lhe interessa seguir e agradar? a Deus ou ao papa? Mas algumas pessoas parecem ter mais medo de terapia do que do diabo? E olhe que ele nem existe! Por que? Não posso responder por todos, mas em alguns casos que conheço porque o processo terapêutico pode levar à desconstrução da fé na crença católica, em dogmas e sacramentos católicos. E muitos fiéis dessa religião (não todos, obviamente) são MUITO LEAIS À IGREJA CATÓLICA e nem tanto a Deus.

Exemplo de boa notícia

Como é bom tomar conhecimento de gestos altruístas, exemplos de generosidade autêntica, como a da pessoa que, exigindo anonimato, comprou as telas do grafiteiro Daniel Martinelli, de 23 anos, morador da Cidade de Deus. Ele trabalhou por 19 horas ininterruptas nos painéis que decoraram a quadra da Fundação para a Infância e Adolescência (FIA), onde a família Obama participou de  programação cultural. O trabalho árduo, sem parar pra comer ou tomar banho, a dedicação à arte (talvez paixão mesmo pelo grafite) lhe renderam boas coisas: foi elogiado, prestigiado pelo chefe de estado mais importante do mundo (não se pode negar isso), ganhou um incalculável reforço para a autoestima e ainda “faturou” um bom dinheirinho vendendo as telas. Mas o que me emocionou mais foi a sensibilidade do “comprador”. As telas têm seu valor artístico, claro, mas estou certa de que a motivação para a compra deve ter sido mesmo o desejo de “fazer a diferença” na vida do jovem, de ser um incentivador, de estender a mão, de patrocinar a inclinação artística do rapaz. Se assim não fosse ele  não teria tido a preocupação de manter-se no anonimato. A imprensa referiu-se a “um comprador anônimo”  e não a “uma compradora”, daí suponho que tenha sido um homem. Fiquei especulando comigo mesma quem teria sido… Luciano Huck? O próprio Barack Obama? Acho que não vamos saber quem foi, mas isso nem tem tanta importância. Vale muito mais o referencial positivo do caso desse jovem, a ideia mostrada aos demais jovens de que vale a pena viver com dignidade, dedicar-se à arte em vez de traficar drogas ou pichar espaços públicos ou alheios, que se pode ter grandes alegrias fazendo a coisa certa e não cair no ócio desconstrutivo, enfim, ele mostrou que vale a pena trabalhar pelo que se gosta e acredita, se isso em vez de ferir direitos alheios, ao contrário, proporciona cor, beleza e esperança  à vida – própria e a dos outros. Sou sua fã, Daniel. E penso que coisas assim é que deveriam encher as telas das TVs e dos cinemas; não a constante apologia à sensualidade promíscua ou ao consumo excessivo. Sou admiradora inconteste  também do “Comprador Anônimo”. Que o gesto lhe encha o coração de alegria e paz interior. Parabéns pela grandeza de alma. Daniel também tem um blog: DANIEL MARTINELLI. Provavelmente ele irá postar lá as fotos dos painéis agora famosos.

Uma bela canção

Uma sugestão de música bonita que os caminhos da Vida me mostraram com muita poesia e bom humor.

You Raise me up, do grupo irlandês Westlife. Fala de apoio, solidariedade, de companheirismo, de amor,  em qualquer uma de suas facetas.

A letra é linda, a melodia e os arranjos da versão mix, idem! Mas a nova versão foi retirada do You Tube pela Sony, reivindicando direitos autorais.

Abaixo a versão original, com tradução no pé.

No álbum de recordações de minha vida, ocupa lugar especial.

Quer ouvir? Clique aí: YOU RAISE ME UP

Em Araras-SP

Conheci Araras, interior de São Paulo, neste Carnaval. A cidade é uma graça, encantadora, mas quase fui atropelada: é que lá, diferentemente de aqui em Brasília, os motoristas NÃO PARAM NA FAIXA DE PEDESTRES!!! Acreditam?! Ignoram a faixa, o Código de Trânsito.. ainda teve um que parou, mas me xingou ! Se ia me xingar, por que parou? Testei várias vezes, e em nenhuma a minha impressão ruim foi desmanchada! Nada é perfeito mesmo! O governo do Estado de São Paulo precisa fazer com urgência uma campanha ampla, abrangente, de educação no trânsito para ensinar motoristas a respeitarem a legislação e os pedestres. Fui informada de que a situação é a mesma em todas as cidades de SP. Tanto dinheiro arrecadado com IPVA e nada de educação no trânsito? Pode não! Paulistas, cobrem do governador e dos prefeitos. É mais do que uma  questão de educação e civilidade; trata-se de respeito pela Vida!

Gosto desse padre, que milagre!

“Não se contente com uma felicidade de fachada! A felicidade é o conforto interior de saber que você é o que é. Quanta felicidade de fachada há por aí? (…) Prefiro mil vezes reconhecer que estou quebrado, porém verdadeiro, do que viver com uma fachada inteira, mas que não é real.

Precisamos ter coragem para quebrar nossas fachadas de felicidade, pois Deus não pode trabalhar em fachadas, Ele só pode trabalhar em nosso coração. Precisamos romper com as máscaras. O processo de retirar as máscaras consiste em tirar de dentro de nós todas as falsidades e hipocrisias.” Padre Fábio de Melo

Gosto desse padre! É lúcido, verdadeiro, corajoso. Nem parece alguém talhado pela filosofia da Igreja Católica. Que me perdoem os católicos, mas a Igreja Católica não é exatamente parceira da Verdade, todos sabemos disso, inclusive os seguidores dela que não sejam alienados.