Síndrome de Irlen

Síndrome de Irlen é a dificuldade para manter a atenção no que está sendo lido  ou  para compreender e memorizar. É relacionada à atividade ocular durante a leitura. Quem sofre desse distúrbio, claro, sofre déficit na  aprendizagem e pode haver também comprometimento  comportamental e dificuldades nas inter-relações sociais.

As respostas para as perguntas abaixo podem apontar a existência dessa síndrome:

  1. Você salta palavras ou linhas quando lê?
  2. Você relê palavras ou linhas?
  3. Ao ler um texto, você perde a parte onde estava?
  4. Você se desliga do que está lendo com frequência?
  5. Quando está lendo, você precisa de fazer intervalos?
  6. Você sente que a leitura fica mais difícil na medida em que você lê?
  7. Quando você lê, seus olhos ficam ardendo, com sensação de areia  ou lacrimejando?
  8. Quando você lê, seus olhos ficam ardendo, com sensação de areia  ou lacrimejando?
  9. Ler o(a) deixa cansado(a)?
  10. Você pisca, aperta os olhos ou franze a testa ao ler?
  11. Você prefere ler em ambiente menos iluminado?

Pelo menos três resposta  afirmativas indicam necessidade de avaliação mais completa sobre o caso.

Fonte do questionário: http://irlenbrasil.com.br/

Os sintomas desse transtorno podem ser confundidos com os da dislexia, do DPAC e até mesmo do TDAH.

É mais um desafio no diagnóstico de casos de dificuldade de aprendizagem.

Diferentemente do DPAC, que é um déficit no processamento auditivo central, e portanto uma dificuldade relacionada à audição, a Síndrome de Irlen está associada à visão. Já o TDAH, o Transtorno do Déficit da Atenção e Hiperatividade, é uma alteração mais relacionada à produção de neurotransmissores envolvidos no comportamento de atenção ou ou de agitação psicomotora (explicação bem reducionista, claro).

O fato é que antes de optar por qualquer medicação, os profissionais responsáveis devem entender bem o quadro para acertar na terapêutica. Lembrando que em alguns casos, os sintomas de qualquer um dos distúrbios acima citados podem estar presentes, mas ser apenas de ordem psicoemocional. Neste último caso, uma análise clínica correta pode conduzir  à reparação sem a necessidade de medicação, desde que seja possível fazer ajustes no ambiente escolar e familiar e, sobretudo, no modo como as demandas psicológicas e emocionais do menor estejam sendo atendidas.  Cada caso é um caso; tem-se que tomar cuidado com as generalizações precipitadas.

Sugiro a leitura de mais informações sobre a Síndrome de Irlen nos links a seguir:

http://www.portaldaoftalmologia.com.br/site/site2010/index.php?option=com_content&view=article&id=1044:conheca-a-sindrome-de-irlen&catid=41:noticias&Itemid=77

e

http://www.leilynay.com.br/leilynay/materias/a-sindrome-que-torna-a-leitura-mais-dificil

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Sobre a tristeza humana

Reflexões do grande filósofo e escritor Sartre:
“A tristeza passiva é caracterizada, como se sabe, por uma conduta de abatimento: há diminuição do tônus muscular, palidez, resfriamento  das extremidades; a pessoa vira-se para um canto e permanece sentada, imóvel, oferecendo ao mundo a menor superfície possível. Prefere a penumbra à plena luz, o silêncio aos ruídos, a solidão de um quarto à multidão dos lugares públicos ou das ruas. ‘Para ficar sozinho com a dor’, dizem. Isso não é verdade: é de bom-tom, com efeito, parecer meditar profundamente sobre sua mágoa. Mas são raros os casos em que se aprecia realmente a dor. A razão é bem outra: tendo desaparecido uma das condições ordinárias de nossa ação, o mundo exige de nós que ajamos nele e sobre ele sem ela. As potencialidades que o povoam (trabalhos a fazer, pessoas a ver, atos da vida cotidiana a cumprir) permanecem em sua maior parte as mesmas. Só que os meios para realiza-las, os caminhos que sulcam nosso ‘espaço hodológico’, mudaram. Por exemplo, se fiquei sabendo de minha ruína, não disponho mais dos mesmos meios (carro particular, etc.) para realiza-las. Preciso substituir aqueles meios por novos (andar de ônibus, etc.), e é precisamente o que não quero. A tristeza visa a suprimir a obrigação de buscar esses novos meios, de transformar a estrutura do mundo substituindo sua constituição presente por uma estrutura totalmente indiferenciada. Trata-se, em suma, de fazer do mundo uma realidade efetivamente neutra, um sistema em equilíbrio afetivo total, de abandonar os objetos com forte carga afetiva, de leva-los todos ao zero afetivo e, desse modo, apreendê-los como perfeitamente equivalentes e intercambiáveis. Em outras palavras, por não poder e querer realizar os atos que projetávamos, fazemos de modo que o universo nada mais exija de nós. Para tanto podemos apenas agir sobre nós mesmos, ‘ficar na penumbra’ – e o correlativo noemático dessa atitude é o que chamamos de sombrio. O universo é sombrio, isto é, de estrutura indiferenciada. Ao mesmo tempo, porém, tomamos naturalmente a posição recolhida, nos ‘encolhemos’. O correlativo noemático dessa atitude é o refúgio. O universo inteiro é monótono, mas precisamente porque queremos nos proteger de sua monotonia assustadora e ilimitada, constituímos um lugar qualquer num ‘canto’. É a única diferenciação na monotonia total do mundo: um trecho de muro, um pouco de obscuridade que nos dissimula sua imensidão sombria.”
ESBOÇO PARA UMA TEORIA DAS EMOÇÕES, Jean-Paul Sartre, 2011. Porto Alegre: Editora  L&PM. Páginas 68 e 69.