Depoimentos

Definição de saudade

Como médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional (….)

“… posso afirmar que cresci e modifiquei-me com  os dramas vivenciados pelos meus pacientes.
Não conhecemos nossa verdadeira dimensão até que, pegos pela adversidade,

descobrimos que somos capazes de ir muito mais além.
Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional.
Comecei a freqüentar a enfermaria infantil e apaixonei-me pela oncopediatria.

Vivenciei os dramas dos meus pacientes, crianças vítimas inocentes do câncer.

Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento das crianças.

Até o dia em que um anjo passou por mim!
Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada por dois longos anos de tratamentos diversos, manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimios e radioterapias.

Mas nunca vi o pequeno anjo fraquejar. Vi-a chorar muitas vezes; também vi medo em seus olhinhos;

porém, isso é humano!

Um dia, cheguei ao hospital cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto.
Perguntei pela mãe.. A resposta que recebi, ainda hoje, não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.

” – Tio, disse-me ela, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores.

Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade. Mas, eu não tenho medo de morrer, tio.

Eu não nasci para esta vida!”
Indaguei:
– E o que morte representa para você, minha querida?
” – Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do
nosso pai e, no outro dia, acordamos em nossa própria cama, não é?”
(Lembrei das minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, com elas, eu procedia exatamente assim.)
– É isso mesmo.
“- Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele,na minha vida verdadeira!”
Fiquei “entupigaitado”, não sabia o que dizer. Chocado com a maturidade com que o sofrimento acelerou,

a visão e a espiritualidade  daquela criança.
“- E minha mãe vai ficar com saudades, emendou ela.”
Emocionado, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei:
– E o que saudade significa para você, minha querida?

– Saudade é o amor que fica!

Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor,
mais direta e simples para a palavra saudade: é o amor que  fica!
Meu anjinho já se foi, há longos anos. Mas, deixou-me uma grande lição que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e  carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores.  Quando a noite chega, se o céu está limpo e vejo uma estrela, chamo pelo “meu anjo”, que brilha e resplandece no céu. Imagino ser ela uma fulgurante estrela em sua nova e eterna casa.
Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que me ensinaste, pela ajuda que me deste.
Que bom que existe saudade! O amor que ficou é eterno.

Rogério Brandão
Médico oncologista clinico
RC Recife Boa Vista D4500

Esperança: Diário de uma paciente

(Relato de uma paciente do Hospital de Base de Brasília, da Unidade de Oncologia)

Cheguei neste hospital no dia 22 de abril. Há meses me alimento por sonda. Estava animada pra voltar a me alimentar por “via oral”, como os médicos falam. Quero muito voltar a comer pela boca, uma coisa tão boa que só adoecendo pra perceber. Já se passaram 20 dias desde que entrei aqui e nada de fazerem a tal cirurgia.

Hoje é 15 de maio. Ontem, finalmente, fizeram minha cirurgia. Correu tudo bem e eu estava cheia de esperança, mas hoje surgiu uma infecção. Perdi a paz e a chance de voltar logo pra casa. Espero todos os dias pela melhora que me livre daqui.

Dois de julho e ainda estou neste hospital! Já vi tantos passarem por aqui, serem operados, se recuperar e ir embora. Eu continuo aqui. Melhora uma coisa, estraga outra. Eu já não tenho muito o que fazer neste lugar… Já passeei tanto pelo jardim que não tem mais graça. Pensei e repensei tudo o que tinha para pensar. Li o que tinha de ler.

Fico olhando pela vidraça. Penso nos meus filhos que estão em Ceres, Minas Gerais. Eu me preocupo com eles. Às vezes choro, de saudade ou de tristeza mesmo. Parece que estou tão sozinha… Às vezes sinto como se estivesse no meio do mar em um barquinho bem pequeno. Então olho para todos os lados e não tem ninguém. Nesses momentos e em muitos outros, paro e rezo. Parece que Deus escuta a gente… alivia a alma.

Tenho dificuldade pra dormir aqui. Fico olhando as luzes pela janela; penso em mil coisas… o que vou fazer quando voltar? Não tenho emprego… arrumar onde? Pra fazer o quê, meu Deus! A responsabilidade agora é toda minha. Meu marido foi embora com outra. Sinto muita falta dele.. muita falta… A saudade é grande…

Fiz muitas amizades aqui: as enfermeiras, o pessoal da limpeza, outros pacientes, alguns visitantes e as estagiárias da Rede Feminina de Combate ao Câncer. Elas e a voluntária Wanda trabalham de graça. Inclusive foi uma delas, a Gabriela, que me aconselhou a escrever. Faz uma semana que sinto estar desanimando de vez, me sentindo muito deprimida…

Dona Corina é minha colega de quarto desde que cheguei aqui. Minha cama fica no canto direito e a dela, no canto esquerdo. Ela tem um radinho que me atormenta muito. E ainda passa o dia inteiro rezando. Eu acho que ela reza umas duzentas ave-marias por dia. Não é muito? A gente cansa a mente com um coisa só o tempo todo! Não é que eu não goste de rezar! Gosto, mas no limite.

Hoje eu estou com esperança de que não vou demorar mais por aqui. Meu médico tava viajando e já chegou, graças a Deus. Deve apressar as coisas.

À noite fico olhando pela janela. Tem uma placa enorme com o nome Bradesco que muda de cor. Às vezes fica vermelha, às vezes branca, às vezes preta. Fico contando quantas vezes muda de cor por minuto. É incrível como podemos observar as coisas simples quando temos muito tempo… parece que nada passa despercebido; tudo é notado: cada paciente que entra ou sai do hospital, as visitas… até o grito das sirenes durante à noite! Paciente gritando de dor, criança chorando… tudo é tão vazio.

Não é que eu ache hospital o fim do mundo, mas quando vamos ficando muito tempo vai se tornando frio, cada um na sua. A gente passa a achar tudo mudado: parece que o médico não é o mesmo de antes; as enfermeiras também não. Parece que enjoam da cara da gente. Deve ser impressão, mas parece.

De visitante só tenho minha irmã que vem aqui de vez em quando. Ela mora aqui em Brasília… não é freqüente, mas vem. Meu filho mais velho também veio me ver uma vez. Fiquei muito feliz! Fitava os olhos e o coração nele pra ver se era verdade, se ele tava mesmo aqui! É incrível matar uma saudade! Mas ao mesmo tempo ficava triste por não ver também o mais novo, o Rogério… como eu amo vocês!

Fico pensando como minha vida seria diferente se eu não estivesse aqui. Que vontade de voltar atrás e fazer tudo diferente. Seguir um caminho que nem eu mesma sabia que existia. Deus, me dá outra chance!

Três de julho: durante o dia foi normal, fui ao jardim duas vezes, consegui dormir um pouco à tarde e à noite escrevi. Assisti à novela e depois fui pra cama, contar as cores do Bradesco.

Quatro de julho: o médico disse que só vai resolver meu problema na semana que vem. Então pedi a ele que me deixasse ir pra casa, passar lá uns dias e depois voltar. Estou esperando a resposta dele. Tomara que ele deixe.

Já se passaram muitas horas e o médico ainda não voltou. Hoje é quarta-feira… se eu não sair até amanhã, não vale a pena ir, a viagem é longa e cansativa; terei que voltar na segunda… ficar lá só dois dias é bobagem. Dona Corina resolveu que não vai fazer a cirurgia; quer ir embora. Já me vejo sozinha neste quarto… oh, meu Deus, me ajuda!

Hoje é cinco de julho. Acordei muito cedo; não consegui dormir direito à noite. Fiquei pensando: hoje é quinta-feira, o Dr. Rafael disse que vai fazer a limpeza na “ferida” amanhã, mas ainda terei que esperar a recuperação… quando vou embora, cuidar da minha vida?

Como me arrependo de tudo que fiz. Acho que vou chorar todos os dias da minha vida além do que já tenho chorado. Quero muito que meus filho sejam felizes. E me sinto tão impotente… quero muito nunca mais fazer eles sofrerem. Hoje penso que tudo de ruim que aconteceu em minha vida é por minha única e exclusiva culpa.

Às vezes fico pensando: existem tantas pessoas boas no mundo. Estou internada há dois meses e 19 dias e já conheci tanta gente caridosa, prestativa, pessoas solidárias com o sofrimento dos outros. Fico até envergonhada…poderia tanto estar ajudando alguém e estou em cima de uma cama. Quando eu melhorar e sair daqui também vou ajudar os outros…

Fizeram a tal cirurgia de limpeza. Hoje é 12 de julho; faltam apenas 10 dias para completar três meses que estou aqui. São nove horas da manhã e estou pensando: será que na segunda-feira vou poder ir pra casa? Que vontade de abraçar meus filhos, dizer o quanto senti saudade… que vontade de apertar, beijar e dizer “amo muito vocês!”

Aah! Ontem eu ganhei um presente da Tânia, a chefe das estagiárias da Rede Feminina. Fiquei lisonjeada por ela ter se importado comigo. Elas são maravilhosas. Não sei o nome de todas, mas peço a Deus que possam continuar com esse trabalho que faz tanto bem a quem está nessa situação. E também ontem recebi visita de Ceres. Fiquei tão alegre que à noite demorei para dormir.

São muitas as vezes que fico pensando enquanto olho pela janela de minha enfermaria. A placa do Bradesco pisca em três cores, como já disse, dá as horas e a temperatura. Troca de cores 24 vezes por minuto. Talvez pisque mais… eu consegui contar 24 vezes. Noutras vezes paro de contar e fico só pensando… nas coisas que já fiz e de que me arrependo. Não foi traição ou covardia, não. Foram caminhos errados que trilhei. Se eu pudesse voltar atrás, pelo menos a julho de 2000, como eu seria feliz! Deus me deu tudo que eu precisava. Não foi riqueza; foi o necessário: uma casa, um carro, um marido, dois filhos maravilhosos. E mesmo assim… sabe quando a gente é insatisfeita? Não tá faltando nada e ainda assim você acha que tá tudo errado e quer mudar! Foi o que aconteceu comigo.

A insatisfação me fez perder as coisas que eu amava. Não tudo, mas parte delas. Eu quero voltar a acreditar em mim novamente. Me sinto inútil às vezes… parece que nunca fiz nada que preste. Quando eu e minhas irmãs vivíamos com meus pais, eles nunca elogiavam a gente. Sempre diziam que éramos abobadas, incompetentes. Talvez isso tenha influenciado… eu não sei. Esse período aqui no hospital foi bom para eu refletir e querer fazer diferente muitas coisas, se Deus deixar.

Hoje é sábado, sempre vou para casa de parentes, mas hoje não vou, quero ficar aqui mesmo. Corina, Corininha, o que faz agora? Rezando, minha amiga? Deus há de ouvir suas preces. Reze por mim também. O seu Carlos, que está internado aqui desde que dona Corina saiu, fala muita besteira; brigo muito com ele. Digo a ele que a mulher dele foi embora, largou ele por isso… ele é mulherengo!

O Dr. Rafael veio me ver e disse que vou embora na semana que vem! Tomara que seja bem no início da semana. Vou sentir saudade de todos !

Ontem falei com meu filho Rodrigo. Ele contou que tá lá sozinho porque o Rogério viajou com o pai. Perguntou: “mama, quando você vem?” Se Deus quiser na próxima semana. Espero que dê tudo certo… tenho medo… o doutor disse que a “ferida” não tá com aspecto bom, voltou a piorar. Meu Deus, como sou encrencada: começo a melhorar, me animo para ir embora e acontece alguma coisa que apaga minhas esperanças! Não aceito mais isso. Quero voltar pra casa!

Hoje é 14 de julho; faz dois meses que fui operada. Estou me sentindo bem. O médico disse que amanhã terei alta. Estou contando os minutos…

Quinze de julho, 11 horas. Estou indo embora! Voltar pra casa… meu Deus, que felicidade, obrigada Deus, muito obrigada! Agradeço também aos médicos que tiveram as mãos abençoadas para me operar e cuidar da “ferida”. Agradeço às enfermeiras, todas maravilhosas, embora umas mais, como a Patrícia, Romualda, Gilda, o Antônio, a Leila, o Petrônio; toda a equipe da Rede…meus amigos queridos, mil beijos a todos vocês, mil abraços de gratidão. Quanto estou feliz! Amo todos vocês! Se pudessem imaginar como é bom perceber que se ganhou nova chance!

25 comentários sobre “Depoimentos

    • Carmelita, obrigada por sua generosidade em criar esse site p/todos nós.Eu sou cristã, espírita kardecista,e sei q fora da verdadeira caridade ñ há salvação.E o q vc faz p/todos q lêm meus artigos e ou outros escolhidos e publicados p/vc,são um grande alento no carregar de nossas cruzes.Vc é uma pessoa extremamente humana, caridosa,humilde,e com seu coração gigante,cheio de amor pelo próximo,ajuda a todos nós em nossas aflições e tribulações da vida.Além,claro,de nos esclarecer de forma clara e objetiva, sobre as enfernidades do corpo e principalmente da alma,e nossos traumas q nos causam tantos transtornos.Fique com Deus.

      • Obrigada, Gleide, pelo incentivo. Apenas tento me redimir junto ao Universo pelos incontáveis erros que cometo,mesmo tentando acertar, posto que sou muito carente de evolução espiritual e mui imperfeita em vários sentidos. Abraço,
        Carmelita

  1. Olá, Sérgio. Fico feliz em saber que de alguma forma lhe proporcionamos algum tipo de alento. Considero muito construtivo esse tipo de raciocínio: descobrir força em dentro de si ao perceber que todas as pessoas têm problemas e que para alguns a cruz é muito mais pesada que a nossa. Em outras palavras, isso equivale a reconhecer que perdemos energia ao maximizarmos os efeitos dos nossos problemas. Parabéns pela visão otimista… estou certa de que você tem capacidade e repertório comportamental para superar crises. Estou torcendo por você. Um abraço,
    Carmel

  2. quem nao precisa de um ombro amigo, de um apoio nas horas tristes, de alguém que só nos veja chorar, ou apenas nos escute um pouco? psicologia, medicina da alma, a medicina do futuro breve se Deus assim permitir a cura pela fala chegou! muito bom, simplismente maravilhoso!abraços.

    • Vc tem toda razão Edjane.A psicologia é realmente a medicina da alma.Sou…fui advogada.Mas,conhecendo o site da Carmelita,se eu ainda pudesse,faria psicologia.E ela faz com q fiquemos entusiasmados através de seus artigos e conselhos.Realmente é maravilhoso!!!

  3. Fiquei mais certa do chamado que Deus tem para minha vida. Ajudar pacientes desacreditados,sem querer nada em troca,somente ajuda-los.È realmente muito triste saber que pessoas estão nos hospitais sem uma visita ,sem uma palavra amiga… Sou pedagoga recém formada e cristã.Fiz minha monografia:O PEDAGOGO HOSPITALAR,agora quero ser voluntária em algum hospital .Pode contar comigo!!!

  4. nossa como foi maravilhoso ter encontrado força nessa leitura do texto eu estava muito deprimida estou passando uma fase de minha vida muito ruim com doença. um grande abraço.

  5. Gostaria de saber mais, sobre seu trabalho com crianças, pois assistir um programa e gostei muito, estou com dificuldade com meu minho de 12 anos, na aprendizagem ( escola ), gostaria de seu contato no Rio de Janeiro, tb sou estudante de psicologia, e gostei do seu trabalho… bjsssssssssss

  6. Olá, Shirley! Faz-me muito bem o incentivo que vem dos leitores. Obrigada. Fico feliz que vc tenha gostado. Infelizmente não tenho contato no Rio: moro e atendo aqui em Brasília. Quando vier à
    Capital, visite-me! Meu telefone comercial é o (61) 9972-6076.
    Um abraço,
    Carmelita

  7. adorei conhecer te um pouco,eu dei ca de mama terminei o tratamento esses dias ..estou muito feliz..quero te conhecer melhor.sabe de onde eu sou?rialma pertinho de ceres..bjs tudo de bom………….

  8. Alessandra, esse depoimento é de uma paciente do Hospital de Base de Brasília. Foi ela quem viveu essa dolorosa, embora edificante, experiência. Acredito que sua admiração seja dirigida a ela (a qual preciso manter no anonimato.
    Um abraço,

  9. Carmelita,
    Este depoimento é muito bom. Muitas pessoas precisam de ler e meditar. somente lendo é que passaremos a dar valor às nossas vidas. Minha mãe teve CA de mama, Jesus já a levou para junto dEle há dois anos. Amanhã faz três perdi meu avô, também com Ca de estômago. O meu irmão caçula (32 anos), teve CA de testículos, hoje, ele estar bem, não sei até quando, espero que Jesus tenha realmente o curado. no dia 15/01/09 ele terá consultas com a oncologista Drª Cláudia/Marcos (HUB), sempre ficamos apreensivos, pois esta doença é muito traçoeira. Mas confio no Senhor Jesus, tenho certeza que Ele quer o melhor para nós. Diante de tudo isto sinto-me fragilizada.
    Ah! gostaria de saber se esta paciente estar bem.
    Abraços,

  10. Este texto me deu um ponto de luz;Pois pude ver que Deus nos guia e nos norteia para podermos dar continuidade s nossas vidas, compartilhar experincias e aprender com outras.Quero agradecer a todos que compartilham amor, esperana e compaixo…
    Feliz dos que amam sem querer recompensas!

  11. Oi Carmelita,agradeço muito sua orientação. Realmente sei q é fundamental caminharmos juntos com:medicações,psicoterapia e fé(e a FÉ em Deus é profunda dentro de mim).Caso contrário ñ teria passado p/tudo q te contei, e muitooooo mais!!!, sem me revoltar ou sucumbir. Caí muitas vezes, mas levantei sempre mais forte p/lutar.Deus sempre me segura em seus braços nos momentos mais difíceis.Meu maior problema, é q sempre fui muito só p/ser filha única,sentir a necessidade de afeto e só ter sofrido rasteiras nesse sentido.E agora,c/62 anos de idade, com início de Alzheimer,continuo ñ tendo a atenção de meus filhos,e consequentemente,a presença de meus netinhos.Luto c/total Fé em Deus p/apagar todos os meus traumas e superar a ausência e descaso dos q mais amo,mas dói demais.Meus filhos ñ me visitam nem mesmo uma vez ao mês.E qd passam aqui p/algum motivo(ñ visita),meus netos ñ vêm junto.Infelizmente isso me dá um vazio profundo,e me sinto rejeitada como na infância(c/dúvida s/adoção).Êles me tratam como uma pessoa problemática(agora q ñ tenho + como ajudá-los em nada).Antes,estavam sempre perto de mim.Diz o ditado popular:Só vale o quanto pesa!Hoje ñ tenho dinheiro p/ajudar,vivo em dificuldades dependendo dos outros(estranhos),então eles ñ precisam dessa velha mãe.Carmelita,sempre fui calma,alegre,até extrovertida,apesar de td na minha vida.Agora me sinto sem alegrias.Mesmo q tivesse RS p/pagar terapia,ñ teria quem me levásse.Sofro tb de doença ósseo-degenerativa,e pelo Alzheimer,me perco sozinha.E aí minha irmã em Cristo?só tenho q segurar minha cruz e carregá-la com fervor,esperando dias melhores junto ao Pai Eterno.Desculpe o desabafo.Vc me transmitiu confiança e afeto.Obrigada p/td.

  12. Gleide, minha cara irmã, há ainda muitas coisas que você pode fazer que lhe darão alegria e bem-estar. Uma delas é ler. Penso que todo o sentido da vida é a evolução do espírito, que é eterno, não se acaba com a morte. Então, com boas leituras, além de se animar, vc tb estará aprendendo, evoluindo espiritualmente. Se me permite, vou lhe sugerir alguns títulos, vc pode comprá-los pela internet ou nas livrarias ou em sebos (gosto muito de garimpar boas coisas em sebos) ou pegar emprestado em bibliotecas.Primeira sugestão: FRANCISCO DE ASSIS, de Miramez e João Nunes Maia. É uma obra com viés espírita e, pelo amor de Deus, mesmo q vc seja católica, não alimente preconceito contra outras religiões. Caso contrário sua religião não seria cristã, mas apenas “papal”. Nosso Guia espiritual deve ser Jesus Cristo e nunca um papa, homem comum e pecador como os demais. Você consegue imaginar Jesus Cristo tendo preconceito religioso, dizendo Às pessoas para recusar esse ou aquele caminho religioso? Não. Cristo está verdadeiramente preocupado com a evolução das pessoas, nunca em fazer apologia de religiões. Esse livro, inclusive, revela muitas coisas sobre o propósito das doenças. Há outros dois, infanto-juvenis, que talvez vc já tenha lido, mas é sempre bom reler boas coisas: Pollyanna, de Eleanor H. Porter, e O Pequeno Príncipe. Só pra começar. Se desejar outras indicações, volte a me escrever; terei prazer em lhe acompanhar nessa viagem. Outra coisa que pode fazer é pintar, mesmo que não tenha muita habilidade com desenho ou qq tipo de arte, a simples predisposição para colocar na tela conteúdos internos lhe fará muito bem. Todos nós somos muito sozinhos, Gleide, do nascimento até a morte. Não espere que os outros lhe façam feliz; não conte com ninguém para impedi-la de sentir solidão. Isso é impossível. Faça-se feliz você mesma, fazendo coisas agradáveis e construtiva. Tome sol, faça caminhadas, ouça músicas, plante flores… há muitas coisas boas para se fazer A MENOS QUE SE DESEJE CULTIVAR A TRISTEZA E A AUTOPIEDADE. É muito chato conviver com pessoas que sentem pena delas mesmas e vivem esperando que tb nós tenhamos piedade delas. Ninguém quer sentir pena de ninguém, queremos conviver, estar ao lado de pessoas de bem com a vida. Quando mudamos nossa postura de mártires, “coitadinhos”, doentes ou sofredores, automaticamente atraímos pessoas para nosso lado. Mas essa não deve ser a meta e sim, fazer-se feliz. Conheço uma senhora de 93 anos, mãe de 13 filhos, aque vive sozinha, mesmo sendo doente. Os filhos não a abandonaram, visitam-na, mas todos têm muitas coisas pra cuidar; a vida nos dias atuais é diferente de décadas atrás, qdo era possível parar para cuidar dos pais idosos. Não estou aprovando a conduta dos seus filhos, em absoluto, apenas dizendo que eles tb têm as razões deles. Não julgue nem alimente ressentimento. Viva sua vida buscando ser uma pessoa melhor a cada dia, tentando ao máximo esquecer o passado, começando cada dia como um presente de Deus e oportunidade para aprender algo novo e – com isso – ser uma pessoa melhor. Esforce-se para entender o que desejei lhe dizer e tente por em prática algumas mudanças.
    Abraço

    • Muito obrigada querida Carmelita, por suas indicações.Sou como vc.Sigo Cada passo que Jesus nos ensinou,mesmo c/minha pequenez.Êle é o meu ídolo!!!e,por coincidência,vc indicou o livro de um espírito que sempre amei p/sua história de vida,q é Francisco de Assis.Sua oração faz parte de minha vida.Sou espírita,mas,acima de td sou Cristã.Obrigada pelos conselhos.Q Jesus te abençoe.

  13. VAMOS DAR VALOR A NOSSAS VIDAS,HOJE ESTOU COM DEPRESSÃO POR3VER MEU PAI COM LEUCEMIA E MINHÂ MADRINHÂ COM UM CA.DE PELE QUE JÁ TOMOU CONTA DA SUA CABEÇA TODA,ESTOU MUITO MAL,DEUS OLHE POR MIM,ESTÁ HIST. É UMA LIÇÃO DE VIDA.
    NÃO QUERO FALAR MAIS NADA!!!!!

  14. Olá Dra Carmelita, leio sempre todos os comentários do seu blog mas os depoimentos eu nunca tinha lido.Tenho e devo deixar o meu depoimento aqui pois acredito que faço parte do resultado positivo do seu trabalho aqui no blog.
    Há alguns anos atrás quando li a bula do rivrotil e fui questionar ao psiquiatra que me “tratava” do que significava aquelas informações e ele com uma cara de discarado me disse: O paciente não pode ler a bula. Não me conformando fui pesquisar na internet e dei de cara com o seu blog, foi aí que comecei a fazer o desmame (tomava um comp. de 2 mg por dia), Dra as sensações foram as mais loucas possiveis, mas em aproximadamente uns 6 meses conseguir me libertar, me libertei do rivrotil e do psquiatra, mas perdir meu emprego com alzheimer, sem reconhecer meus própios amigos e o tal médico me dizia: O rivrotil da um certo esquecimentozinhooo. Hoje faço tratamento com o neuro para crises parciais complexas, na época era apenas crises de ausencia, acredito que se tivesse feito o tratamento correto não teriam evoluidos, mas dou graças a Deus por não esta hoje internada em um caps pois com aquele tratamento cada dia estava ficando mais abestalhada, hoje ninguem me faz mais de besta pois eu me lembro das coisas e já recuperei a minha memória em 90%
    Meu nome é vasti, tenho 36 anos, sou casada e mãe de 3 filhas e sou muito grata pela sua participação no restabelecimento da minha saúde!

    • Olá, Vasti. Obrigada pelo seu depoimento. Fico sinceramente muito feliz por você tenha conseguido se livrar da rede nefasta dos laboratórios, em conluio com alguns maus profissionais da Medicina e sobretudo, com a omissão do Estado brasileiro. É uma pena que você e outros poucos que já relataram terem conseguido se livrar da dependência e se salvado de tão graves efeitos colaterais sejam a minoria. Fico contente também em saber que após suspender a ingestão desse remédio, após algum tempo os prejuízos na memória sejam revertidos. Temia que fossem irreversíveis. Seja feliz a partir de agora, lembrando-se da máxima de Jesus: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.”
      Abraço,
      Carmelita

  15. Bom dia, meu nome é Luiz Guilherme e tenho 18 anos, quando era pequeno sempre sonhava com um lugar que não sei identificar, mais o local era meio antigo com muros de pedras altos, e era só isso que sonhava, mais ontem eu tive o mesmo sonho mais ao invés de acordar o sonho continuo e eu cheguei em uma casa com uma família e ficava la por muito tempo, e depois eu ia em bora, mais voltava la para falar com uma mulher, mais não achava ela.

  16. Estou em um estágio bastante avançado de depressão e acabei tomando 80 gotas de rivotril. Quero saber ao certo o que vai acontecer comigo. Sinceramente não vejo mais graça em continuar com a minha vida.

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