Drogas desestruturam psiquismo humano

Eu não empunho bandeira contra as drogas nem contra coisa alguma, como pode parecer. Mas  seguro, sim,  bandeira a favor da vida. E toda vez que me deparo com um caso de vida destruída ou em vias de se desestruturar devido ao uso das drogas, não posso abster-me de analisar e expor meu humilde ponto de vista neste espaço, que é meu.

O fato é que observação empírica, análise clínica e consulta a obras científicas me levaram a concluir que o uso de drogas desestrutura o psiquismo humano. Porque anula a atuação do superego, a instância reguladora dos limites morais e espirituais. Vamos por parte: o psiquismo humano é composto, na teoria psicanalítica (e corroborada pelaprática clínica) por três componentes: o id, ego e superego. O id é incumbido do Princípio do Prazer, das necessidades instintuais do ser humano; é desprovido de fronteiras morais, não tem limites nem referenciais de certo ou errado . Tal qual age a mente do psicopata, uma mente em que prevaleça o id conduzirá o corpo para um viver desregrado, literalmente, preocupado apenas com o prórpio prazer e autossatisfação. Na ponta oposta atua a terceira instância, o superego, regulado pelo Princípio do Dever. É o guardião da moral,  dos limites sociais, das regras de convívio coletivo, do cumprimento dos propósitos espirituais da vida.

Aqui abro parêntese para lembrar que o tão antipatizado conceito de moral há que ser visto com mais sensatez: a moral em si não é coisa ruim nem contrária ao bem viver. O problema da moral reside nos extremos, nos excessos cometidos em nome dela, nos falsos moralismos. Mas a moral em si é garantia de ordem mínima necessária para evitar o caos e a  anarquia. A moral é fonte de segurança e de defesa de direitos e deveres.

No meio dessas duas instâncias psíquicas, id e superego, fica o ego, o mediador, o negociador entre o prazer e o dever. O objetivo do ego é sempre a manutenção da vida e o cumprimento da missão espiritual da vida de cada um. Dessa forma, às vezes o ego até recorre à neurose como forma de salvar o organismo, porque melhor a vida neurótica do que a morte, a extinção da vida.

Quando digo que as drogas,  sobretudo as alucinógenas, desestruturam o psiquismo humano estou querendo dizer que elas anulam, desativam a ação do superego. E isso leva a ações como ao sexo promíscuo, à prática de roubo, de homicídio – nas manifestações mais extremistas – e a reações menos drásticas, embora também nocivas, como a de uma pessoa desistir de ser pontual e assídua no trabalho ou de despreocupar-se com a pensão dos filhos ou não comparecer à visita semanal (para a criança, de fundamental importância).

Obviamente não estou afirmando que os promíscuos sexuais e sociais, os ladrões, assassinos, corruptos  ou outros portadores de comportamentos desajustados sejam necessariamente usuários de drogas. Esses transtornos podem ter outras etiologias.

Voltando à tese principal, sem um superego atuante, o psiquismo fica desequilibrado, havendo prevalência do  id e um super-esforço do ego, que tende a se fragmentar com o tempo. Sem o superego saudável, o indivíduo perde os referenciais, fica sem parâmetros, sem norte, sem limites. Fica sem motivações de vida, daí porque não demora a entrar em processo depressivo. O sofrimento, que às vezes se somatiza (se manifesta no corpo físico) é também um alerta do inconsciente, um grito de protesto  para o fato de a pessoa estar se distanciando do porto para onde deveria navegar; de ela estar desperdiçando vida ou  falhando na caminhada evolutiva.

Há comunidades em que o uso de drogas alucinógenas tem conotação mais transcendente. Destinam-se a possibilitar a compreensão de si mesmo e do sentido da vida, a ampliar a autopercepção. Mas note-se que nesses casos o uso das drogas ocorre em ambiente onde há condições de “contenção” das vivências, locais  apropriados a experiências extrassensoriais, inclusive. O alucinógeno ou mesmo o tabaco é ferramenta para a busca de um propósito maior e usado poucas vezes,  em período de tempo controlado pelo líder. Nunca para atender anseio de prazer ou fuga a qualquer hora e lugar.

Assim, chego mesmo a defender que um usuário de drogas, se necessário, nos casos de vício cronificado, se vincule a uma dessas comunidades para ressignificar sua relação com as drogas, para substituir, por exemplo, a maconha pela ayuasca até que possa se desvencilhar de todos os agentes externos e passe a ter autonomia e independência. Um freqüentador do Santo Daime explicou-me que a aspiração maior dos líderes de usuários desse chá em contexto religioso é de que os praticantes cheguem ao ponto de dispensar o uso da ayuasca, após atingir a necessária evolução.

Claro que considero mais rápido e eficiente recorrer à psicoterapia de base analítica. Mas aí já é coisa pra quem pode, não pra quem quer. E digo PODER  nos dois sentidos: econômico e  subjetivo, ou seja, ter dinheiro pra pagar as sessões e força para confrontar consigo mesmo, se deparar com suas sombras,  olhar de frente seus monstros interiores, mexer nas feridas mais dolorosas – muitas desconhecidas porque inconscientes – arrancar o carnegão dos furúnculos psíquicos. É processo para corajosos ou para quem não suporta mais o sofrimento das doenças, dos desacertos emocionais. Também  para quem anseia  marcha acelerada no caminhar evolutivo.

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Usar drogas é covardia frente à Vida

“A humanidade trocou os valores de amor e verdade pela frivolidade e prazer imediato, Ângelis (1994). Assistimos e lamentamos a difusão de drogas alucinógenas entre crianças, jovens e adultos. Constatamos que infelizmente o êxito das conquistas tecnológicas não conseguiu preencher as lacunas da existência humana. O homem moderno ficou deslumbrado com a comodidade e o prazer, ficou acostumado às sensações fortes dos sentidos e tem dificuldade de voltar-se para dentro de si e encontrar a plenitude íntima e a realização transcendente.

Afirma o psiquiatra André Gaiarsa, no livro Família e Espiritismo, (Carvalho, 1994): “a droga é a saída dos que não tem saída”, é como se, num quarto  fechado, a pessoa pintasse uma paisagem e fingisse ser uma janela. A ilusão da droga é assim, finge que está tudo maravilhoso. O uso de drogas pode ser um fato passageiro na vida dos jovens e, muitas vezes, não vai além da experimentação porque percebe que a droga não tem muito a ver consigo mesmo, opta por outras formas de se obter prazer na vida. Em  outros casos, o consumo de drogas tende a se intensificar,levando o adolescente a desenvolver uma forte dependência do produto. Quando isso acontece, revela-se pessoa insatisfeita consigo mesma, com a vida em geral, com as relações familiares e sociais. A droga entra na vida do jovem como uma possibilidade de fuga das dificuldades internas e objetivas, o que fará com que consuma cada vez mais.

No entanto, o uso de droga causa uma satisfação ilusória e passageira, pois o prazer que a droga oferece (depois de alguns anos) tende a desaparecer, dando lugar a sensações desprazerosas e, conseqüentemente, ao sofrimento. O jovem então a utilizará não por causa do prazer, mas porque precisa evitar o desprazer de ficar sem ela.

Deixa de ser um usuário recreativo e intensifica seu vínculo de dependência (passa a usar a droga como muleta).

O usuário recreativo, por sua vez, pode parar de consumir, desde que passe por uma abordagem construtiva (uma intervenção familiar e/ou profissional) que lhe mostre os perigos da tolerância e dependência e permita-lhe investigar o que está por “trás” desta forma de obter prazer, tendo em vista sua dimensão espiritual (qual sua tarefa nesta encarnação, para que veio aqui?) e suas carências afetivas.”

O trecho acima é do livro PREVENÇÃO DE DROGAS, de Rosa Maria Silvestre. O livro inteiro pode ser baixado no link A PREVENÇÃO DE DROGAS.

Eu o encontrei pesquisando sobre o assunto para obter eficiência no atendimento a um jovem de 33 anos que me procurou em uma casa assistencialista. O caso dele e de outros que já atendi em consultório me deixam convencida: o uso de drogas é prejudicial, faz mal à vida das pessoas. E me refiro às drogas ilícitas e as legalizadas, como o tabaco e o álcool. Todas são caminho contrário ao crescimento da pessoa como ser pleno, no sentido material e espiritual. Eu disse certa vez a um de meus pacientes, que ao iniciar psicoterapia era consumidor de ayahuasca (mas já havia consumido por um bom tempo maconha e cocaína): “você não precisa de ayuasca, maconha nem coisa alguma para atingir seus objetivos, inclusive o de estar bem consigo mesmo, sabe por que? Por que todos nascemos com o kit completo para nossos respectivos propósitos de vida.” Sim, vimos a este mundo material trazendo conosco tudo de que precisamos para nossa caminhada evolutiva. E mesmo quando nos faltam olhos ou membros, as partes inteiras do corpo que temos são tudo de que precisamos para o nosso desafio.

O tema drogas é sempre muito contundente e causa reações apaixonadas e às vezes até violentas por parte de quem usa e não dá conta de questionar a possibilidade de excluí-las de sua vida. Ao contrário, estão sempre buscando subterfúgios, justificativas e defesas mil para convencer-se de que “tudo bem usar drogas” ou “maconha não faz mal”. Nos comentários do post anterior um leitor chegou a me xingar de “besta”. Acho que no sentido de idiota. Não publiquei, considerei agressividade gratuita.

Por que os usuários de drogas não suportam ouvir ou ler que drogas faz mal? Vem sempre com veementes protestos e pedido de que se explique minuciosamente e com argumentos científicos qual é a base da afirmação de que drogas faz mal. Mas sabem o que é pior? Eles não se dispõem nem a ouvir nem a ler as explicações. E ficam as palavras ao vento. Raramente explico; porque na maioria dos casos trata-se de pessoas com capacidade para autodidatismo. Apenas não têm a coragem de se deparar com as verdades expostas no início deste texto, as  quais reproduzo abaixo com ampliações das idéias:

  1. Usuários de drogas  têm dentro de si um vazio que tentam preencher com as drogas. Ou simplesmente usam-nas para fugir do desafio de descobrir que vazio é esse e como verdadeiramente preenchê-lo. Não digo que não existam pessoas não usuárias de drogas que também não tenham esse vazio. Muito ao contrário: a maioria das pessoas o tem. Mas não recorrem a uma estratégia autodestrutiva para preenche-lo.
  2. O uso de drogas é autodestrutivo. Se você usa drogas, pergunte-se porque ataca seu corpo, porque danifica paulatinamente a máquina maravilhosa que é veículo de sua vida? Muitos não conseguirão responder, principalmente quando o motivo for inconsciente.
  3. Muitos usuários de droga precisam na verdade é de psicoterapia para  conhecerem a si mesmos, se depararem com suas limitações, seus defeitos, mas também com suas virtudes.
  4. A vida é pra valer, com seus prazeres e sofrimentos. A fuga da realidade é estratégia que nunca funciona nem mesmo para as crianças, quiçá para nós adultos.
  5. O grande “barato” da vida é a própria vida e o ser capaz de vencer os obstáculos, desafios, desajustes, as desadaptações, contrariedades, frustrações e quaisquer outros aspectos considerados aversivos A SECO, sem drogas, lícitas ou não. O prazer a cada conquista nessas circunstâncias é infinitamente maior. E nos faz entrar em contato com nosso eu real, nossas reais possibilidades e impossibilidades.

Aos usuários que tanto defendem que as drogas são inócuas, e me refiro aqui apenas às pessoas responsáveis, bem-informadas , sensatas e relativamente equilibradas, eu desafio com uma pergunta? VOCÊ ENSINARIA SUA FILHA AMADA OU SEU FILHO QUERIDO A CONSUMIR MACONHA OU A CHEIRAR COCAÍNA?  Não!? Por que não?! Se não é bom pra eles, é bom pra você? Há nisso uma contradição, um paradoxo do qual você foge de analisar? Quem respondeu “não”, percebe que há também, no ato de consumir drogas, uma ação inconsciente de autodestruição?  Por que não tenta descobrir a origem disso? Coragem! Não será fácil nem rápido e talvez nem mesmo barato (psicoterapias têm um custo). Mas é necessário.

Tá achando esse papo careta? O que é mais antigo e mais “careta” do que a covardia humana? Melhor ser careta e corajosa (o), ter saúde e respeito pela vida, descobrindo o caminho de SER em plenitude do que os “modernismos” de fuga da realidade e desperdício da Vida.

Meu paciente citado acima desafiou-se a se libertar. Ele queria experimentar ser livre. A verdadeira liverdade. A de sentir-se no conntrole da própria vida. Então, após alguns meses de psicoterapia,  ele desligou-se da “igreja” onde consumia ayahuasca, continuou abstendo-se de drogas lícitas e ilícitas, mudou paradigmas, modificou hábitos e gostou muito dos resultados. Algum tempo depois ele pediu para interromper também a terapia. Disse que queria testar se conseguiria caminhar com as próprias pernas. Achei fantástico e claro que lhe dei alta. Embora ainda houvesse complexos a esvaziar, no caso dele, dei-lhe alta porque o processo terapêutico deve ser encerrado quando a queixa desaparece. E ele já estava sem as queixas que o levaram ao meu consultório (a queixa dele não era uso de drogas, mas desestruturação do ego, inadequação ao mundo, depressão e dificuldade de relacionamento). Claro está que meu dever ético era o de apoiar a iniciativa de crescimento e independência dele, percebendo que ele estava apto para tal esforço.

Já se passaram vários meses e ele não voltou, o que suponho ser em razão de ele estar muito bem, já que deixei a porta escancarada para que  voltasse, se precisasse. Deixa-me feliz imaginar que ele não precisa. Nem de drogas e agora nem mesmo de psicoterapia para sentir-se livre e pleno consigo mesmo.

GDF nomea mais 24 psicólogos

A Secretaria de Saúde do GDF convou na segunda-feira passada (19.04.10) mais 24 psicólogos aprovados em concurso do ano ano passado. A primeira chamada havia incluído os 20 primeiros classificados. Desta vez a convocação vai até o 36º porque estão nomeando pessoas de classificações abaixo de 21. Alguém sabe  explicar por que? Seria uma segunda chance de nomeação para quem foi convocado no ano passado e não quis ou não pode assumir? Agradeço se algúem me explicar. Abaixo apresento a lista dos mais recentes convocados, que devem se apresentar amanhã (quinta-feira, 22.04.10).

(NOME/CLASSIFICAÇÃO):

AMANDA CHELSKI DA MOTTA 17º;

LUIZ RICARTE SERRA FILHO 18º;

GABRIEL CARDOSO DO AMARAL 19º;

HORTENCIA BARRETO MENDES  20º;
MARIA DA CONSOLACAO ANDRE 21º;

VALERIA MACHADO LEAL 22º;

CIBELLE ANTUNES FERNANDES 23º;

LARISSA POLEJACK BRAMBATTI 24º;

ADRIANO MACHADO FACIOLI 25º;

SHYRLENE NUNES BRANDAO 26º;

VALDELICE NASCIMENTO DE FRANCA RIBEIRO 27º;

JULIANA GARCIA PACHECO 28º;

MARCELO ALVES PAIVA 29º;

YVANNA AIRES GADELHA SARMET 30º;

LAILA SILVA GONCALVES 31º;

NATALIA MELO DE ALMEIDA 32º;

CAMILA PEIXOTO PESSOA GUERRA 33º;

LILIAN CHERULLI DE CARVALHO 34º;

NEULABIHAN MESQUITA E SILVA 35º;

THAIS CRUZ ANDREOZZI 36º.

Candidatos Portadores de Deficiência:

IDALICE MARIA COSTA RESENDE 5º;

KILDA MARA SANCHEZ  Y. SANCHES 6º;

PAULA FREIRE COUTINHO DA ROCHA 7º;

FERNANDO DE CASTRO CABRAL 8º;

LILIAN COSTA SCHULER, 9º

Outros profissionais também foram nomeados, conforme mostra a relação abaixo:

Especialização/nº de candidatos nomeados

Nutricionista – 25
Assistência Social – 24
Psicólogo- 24
Fisioterapeuta- 19
Farmacêutico bioquímico farmácia – 14
Farmacêutico bioquímico laboratório – 19
Auxiliar Operacional _ ortopedia/gesso – 69
Cirurgião dentista 10
Auxiliar de enfermagem – 200
Técnico administrativo – 200
Administrador – 3
Técnico em laboratório – 100
Físico – 2
Biológico- 19
Terapeuta ocupacional – 24
Técnico em nutrição – 30

Acesse a página da Secretaria de Saúde do GDF para mais informações oficiais.

Prova da Sejus no próximo domingo

Atenção inscritos no concurso da Sejus/GDF: a prova objetiva será no  próximo dia 11 (11.04.2010), domingo, na Universidade Católica de Brasília, campus de Águas Claras (QS 07, lote 01). Os portões serão abertos às 13h. Como a prova começará às 14 horas e é preciso chegar com uma hora de antecedência, os candidatos devem chegar ao local às 13 horas. Os inscritos devem acessar o  site da FUNIVERSA e retirar o  Comprovante de Inscrição com a indicação do local de prova. Informações adicionais AQUI.