Fim de curso: saudade inevitável

Turma Moacir-despedida

Encerramento do curso de especialização em Psicologia Profunda, no Intituto Aion, do mestre Moacir Rodrigues, em Brasília-DF- junho/2009.

Da esquerda para direita: Martha Alcantara, Moacir Rodrigues, Solange Mendes, Aline Vicente, Marcela Cadima, Paula Fracinette, Sandra Caiado, Gelta Caros, Carmelita Rodrigues e José Carlos Cancelli (abaixado).

Postado por Carmelita Rodrigues, em 18.07.09

Arquétipo do Puer, Arquétipo do Senex

 

Um livro para nos ajudar a pensar e compreender a dinâmica de duas polaridades humanas: o arquétipo da eterna criança (Puer) e a do velho (Senex). Não faz muito tempo, a cultura ocidental desprezava a infância e a juventude, superestimando a fase adulta e as supostas virtudes da velhice. Mudou o sistema político-econômico, o capitalismo ganhou força e expansão (com o efeito colateral dele, o consumismo exacerbado) e o eixo de valorização mudou também: passou a ter apreço maior o novo, o jovem e a potencialidade produtiva (ou consumista) dessa fase. O livro Puer-Senex – Dinâmicas Relacionais, lançado pelo Instituto Junguiano do Rio Grande do Sul (IJRS), aborda essa temática, analisando os reflexos das duas posturas extremistas. A seguir, a resenha da própria autora, Dulcinéa da Mata Ribeiro Monteiro: 

“Vivências do tempo-puer e do tempo-senex acontecem ao longo de toda nossa vida, sem se circunscreverem a alguma idade específica. A tessitura destes fios psicológicos e arquetípicos – Puer e Senex – plasmam significados que nos desenvolvem e nos alimentam criativamente nas mais diferentes situações existenciais. Podemos, numa análise da cultura atual, dizer que saímos de uma época de dominância dos aspectos negativos do Senex: rigidez, autoritarismo e caímos na outra polaridade, o cultivo exacerbado dos valores do Puer: eterna juventude e beleza física, falta de limites e de autoridade, pressa, hedonismo entre outros. Toda unilateralidade é um sinal de barbárie, afirma Jung, e a atual Sociedade do Espetáculo o confirma. Daí a necessidade de resgatarmos o significado arquetípico do Senex. Nosso objetivo neste volume é ampliar o horizonte de compreensão deste eixo relacional tão vital no desenvolvimento psicológico nas várias situações e fases da vida por nos colocar no eterno ciclo das mudanças e aprendizagens que o nosso peregrinar neste tempo-vida exige que façamos, e sempre. Assim, nos descobrimos na delícia e na dor do nosso processo de individuação ou de descoberta e atualização de nossas potencialidades no apelo para o nosso Self.”

 

 

 

 

Título de especialista em Psicologia

Estão abertas as inscrições para o concurso de provas e títulos do Conselho Federal de Psicologia (CRP) que resulta na concessão de títulos de especialistas. São dez especialidades: Psicologia Clínica, Psicomotriciade, Psicologia Jurídica, Psicopedagogia, Psicologia Escolar e Educacional, Neuropsicologia, Psicologia do Esporte, Psicologia Organizacional e do Trabalho, Psicologia Social e Psicologia do Trânsito. O prazo se encerra no dia 10 de novembro de 2008. As provas serão aplicadas em várias cidades. Conheça as regras, exigências e outros detalhes lendo o EDITAL.

Postado por Carmelita Rodrigues em 18.09.08

 

Relações humanas eficientes

Os seres humanos nascem e vivem em grupos, pequenos ou grandes, compartilhando necessidades básicas, prazeres ou adversidades. A maioria das atividades humanas é realizada em grupos, com grande dependência dos membros entre si. Todo indivíduo é um ser social e a coexistência é a estrutura das relações humanas.
Apesar disso, a integração entre as pessoas nem sempre flui com leveza ou de forma perfeita. Ao contrário: por trás de grandes conflitos, inimizades ferrenhas e até crimes está, muitas vezes, a falta de habilidade de algumas pessoas para interagir com outras. Por que isso ocorre? Há várias possibilidades, entre elas, a falta de repertório comportamental (usando uma expressão behaviorista); isto é: a falta de treino para recorrer à expressões e atitudes corretas em determinadas situações.
O isolamento social é um dos fatores que reforça essa dificuldade de interação por provocar falta de “repertório social”. Deparar-se repetidas vezes com situações idênticas ajuda o indivíduo a ganhar confiança em si mesmo e a sair-se bem mesmo que em situações do tipo “saia-justa”.
Mesmo uma expressão formal, uma “frase feita”, pode adquirir valor individual e assumir caráter de gentileza genuína se a emoção por trás das palavras for autêntica. Um amigo singapuriano, morando no Brasil há poucos meses, repetia sempre que alguém lhe agradecia uma gentileza: “de nada, é um prazer para mim”. É uma típica frase daqueles livrinhos de expressões para estrangeiros se comunicarem mais facilmente, mas ao ser dita por ele da forma como ele dizia, com sotaque, sorriso sincero e trejeitos de quem realmente só quer ser gentil soava extremamente agradável, como a coisa mais gentil a ser dita em situação idêntica.
Nos ambientes de trabalho, a pressão pela produção ou a competitividade selvagem podem resultar em desentendimentos que seriam evitados se as pessoas tivessem mais tempo para troca de amenidades, para demonstrar preocupação com o outro, ocupar-se com o que acontece a sua volta.
Isso é fato, mas também é verdade que raramente paramos para observar o que está acontecendo num grupo e quase nunca analisamos o nosso comportamento em grupo. Talvez nossa conduta sem sempre atenda às exigências e observações dos outros integrantes do grupo social do qual fazemos parte. E acabamos criando situações constrangedoras ou mesmo de conflito.
Além da falta de tempo, que talvez seja a justificativa menos razoável, existem outros fatores que prejudicam a boa interação social: preconceitos, condicionamentos, ausência de espírito de solidariedade, excesso de individualismo, egoísmo, frieza, indiferença, agressividade, desrespeito ou desejo de dominação.
Para errar menos é importante observar, analisar as contingências e fazer distinções. Quanto mais se consegue distinguir aspectos no ambiente que nos cerca, mais eficiente será a comunicação. Por exemplo: quando se precisa fazer um pedido a alguém, o contexto psicológico do ambiente é de grande importância, podendo ser fator decisivo.
Também e favorável a existência de reciprocidade de gentilezas. É comum as pessoas sentirem-se “obrigadas” a dar alguma coisa em retribuição a quem lhes deu algo primeiro. É daí que surgiu o hábito de presentear, distribuir brindes, amostras grátis, doar flores, fazer convites para almoços ou jantares, entre outros agrados. São recursos que podem render bons resultados se forem usados com bom senso e elegância, tanto nos ambientes profissionais quanto nos espaços de relações pessoais.
Igualmente importantes são os gestos simples de atenção, pequenas concessões e singelos favores ou serviços. Mas cuidado par anão confundir essas delicadezas com manipulações grotescas nem “puxassaquismo”. Os gestos gentis, as palavras oportunamente doces devem ser passos iniciais na abertura de novas relações de benefícios recíprocos ou preservação de boa interação pessoal.
O bom relacionamento com outras pessoas exige, portanto, comunicação eficiente. E se você quer se comunicar bem, em qualquer ambiente onde estiver, deve observar antes de falar. Qual é a conversa que acontece no ambiente? Qual a linguagem das pessoas? Quais são as crenças, os interesses e valores culturais das pessoas presentes? Esses aspectos devem ser observados para se obter sintonia com os componentes do grupo. Quanto mais sua linguagem estiver sintonizada com a dos outros, mais você será bem recebido. Assim, não informalize demais se o outro for formal e vice-versa.
E há um segredinho para se errar menos quanto à interação, ao trabalho ou convívio em grupo: o respeito. Qualquer pessoa que tenha aprendido a respeitar o outro em todos os aspectos, seja quanto à diferença de ser, agir, pensar, amar e até de errar, certamente terá mais sucesso no convívio com outras pessoas.
Outro segredo é o ensinamento de Cristo: “não faça aos outros o que não desejar que façam a você”. E há, ainda, uma segunda lição de Jesus que cabe nessa conversa: “a boca fala do que está cheio o coração”. Em quem for tão difícil entender o outro, solidarizar-se com a dificuldade alheia, omitir agressões, respeitar as outras pessoas e coisas do gênero, o problema é mais profundo e exigirá mais do que aprendizado comportamental. Pode ser necessário um intenso trabalho de reforma interior que detecte e elimine tanta falta de aceitação da imperfeição alheia. É bom lembrar que nós temos facilidade para reconhecer e criticar no outro algo que existe dentro de nós.

O TDAH e uma definição de “pessoa gentil”

Lucas*, meu adorável paciente de seis anos de idade, é um caso clássico de criança com TDAH. É um encanto de criança, daquelas que nos deixam apaixonados – no sentido fraterno – já no primeiro encontro. Quando falávamos das vivências dele na escola, ele referiu-se várias vezes à professora do ano passado, de quem ele fez o seguinte comentário: “Eu gosto muito dela, nunca mais encontrei ela, mas gosto dela”. Perguntei por que ele gostava dessa professora. Ele respondeu-me: “Porque ela é gentil!”  Eu insisti no assunto para entender as significações dele: “o que  é uma pessoa gentil, Lucas?” A resposta dele: “Ah, é uma pessoa que trata bem as crianças.” Perfeito, não acham? Adorei a resposta dele e me encantei um pouco mais com o pequeno gênio, que vem sofrendo com a atual professora, devido à falta de tolerância, amorosidade e despreparo para a função.

Tenho pesquisado muito sobre o TDAH e, vasculhando anotações e material informativo sobre o assunto, encontrei uma lista de sugestões direcionadas a pessoas que se relacionam com crianças hiperativas e com déficit de atenção. Foram escritas por Ângela Cota e sua filha, Cristina Cota, que deram o  curso “Metáfora Ativas no Trabalho com Crianças e Adolescentes”, em Brasília:

. É importante buscar informações sobre o TDAH para conhecer os limites da criança e do adolescente na sua atuação dentro do âmbito social educacional favorecendo a compreensão do seu funcionamento emocional;

. Saber distinguir entre o não querer e o não ter condições para (quando se trata de obediência a regras de conduta e outras instruções);

. Reforçar o que há de melhor na criança;

. Não enfatizar o fracasso;

. Explicar à criança previamente como agir fazendo orientações positivas e comunicando com clareza o que se espera dela no sentido afirmativo. Ao invés de dizer “não pode …”, dizer: “eu sei que você pode…”(detalhando o comportamento  desejado);

. Estabelecer uma rotina diária com objetivos e limites claros e conscientes;

. Ser capaz de flexibilizar e discutir possíveis alterações nos planos;

. Observar a qualidade da sua própria interação com a criança: escuta, tempo disponível, atenção focada;

. Estar atento à socialização da criança e intermediar contatos na medida do necessário;

. Estar atento à própria postura corporal ao praticar a comunicação: ficar próximo, olhar nos olhos, conter fisicamente a criança (em caso de necessidade) de maneira amorosa e firme e usar voz modulada;

. Ficar atento para discernir quando e onde persistir no comando e qual o momento de criar novas estratégias;

. Procurar estar sempre sintonizado com a empatia, ou seja – fazer o necessário (estando além da simpatia ou antipatia);

. Cuidar-se para cuidar;

. Abrir-se para as trocas mantendo um diálogo aberto com todos os profissionais envolvidos.

Nome fictício.

Postado por Carmelita Rodrigues, em 02.09.08