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Efeitos da maconha

“Eu não deveria estar falando, enquanto psiquiatra, sobre efeitos da maconha, uma vez que esta, hoje, me dá muito dinheiro. Estou cuspindo no prato em que eu como. Eu deveria é estar achando bom o aumento no número de problemas psiquiátricos da maconha, pois estou botando comida na mesa com esse dinheiro maldito.

Estou num hospital psiquiátrico há quase 40 anos, ora como psiquiatra, ora como paciente (KKKK). Ja vi muitas complicações da maconha,  e elas têm aumentado, mas toda vez que a gente avisa para uma família – preocupada com o fato de que “esquizofrenia” grave de seu filho/sua filha foi produzida pela maconha – eles dizem: “gente, mas como ninguém nunca avisou isso? Por que todo mundo fala que não faz mal? Por que a imprensa não avisa? Dr. mas ela não faz menos mal do que cigarro e álcool? Meu filho diz que  ele tem amigos que fumam há décadas e são normais (…)”

O texto acima é  do psiquiatra Marcelo Ferreira Caixeta, publicado pelo Jornal da Cidade Online. Replico a opinião desse  médico no Psicopauta pelo fato de que o texto expressa exatamente o que venho defendendo, aqui mesmo e fora daqui, inclusive em ambientes acadêmicos, há alguns anos.

A maconha não é inócua, como também não o é o cigarro, o álcool nem remedinhos para dormir. Por vezes sofri duros ataques ao me posicionar publicamente contra a legalização da maconha. Tudo bem, a exposição em redes sociais e em blogs nos põe a mercê de críticas; faz parte.

O que me causava apreensão era algo mais grave: a percepção do risco real de que a maconha fosse liberada no Brasil, país cuja saúde pública é precária e o grau de informação da população baixíssimo, além de tantas outras mazelas sociais que levariam muitas pessoas à morte ou a sofrimento intenso a partir de surtos e/ou vício. Seríamos uma nação de zumbis, vendo se proliferarem as “cracolândias”e similares.

Chegamos bem perto da legalização, graças a políticas equivocadas e descomprometidas com a saúde coletiva. Tendo a acreditar que, felizmente, esse risco está temporariamente afastado, graças à gestão conservadora dos próximos anos, que assumirá a partir de janeiro de 2019. Até que o povo tenha mais maturidade e evolução para gerenciar as próprias escolhas, convém que o Estado assuma a função linha dura e protetiva. Até lá poderemos aprender com a experiência, os prós e os contra, dos países que já legalizaram.

Sugiro a leitura do artigo completo, que pode ser lido no link EFEITOS DA MACONHA.

 

Leia mais sobre o assunto em CONTRA A LEGALIZAÇÃO DA MACONHA.

 

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Diferença entre neurose e psicose

Uma analogia visual pode clarificar a diferença entre neurose e psicose. Na neurose, o psiquismo está em desequilíbrio, com o funcionamento alterado. Na psicose, a alteração é mais grave e irreversível. O sujeito “saiu da casinha”, na linguagem popular. Meu didata em psicologia analítica, saudoso professor Moacir Rodrigues, fazia a seguinte analogia: “na neurose, o indivíduo é como uma pessoa que percebe sua casa danificada e sai dela, buscando forma de reparar os estragos; quando ele volta, encontra a casa no lugar e consegue entrar nela e reparar os danos. Na psicose, o sujeito entra em colapso psíquico, sai da “casa”, perambula por outros “lugares”, mas não consegue voltar e tampouco restaurar a casa danificada. A Psicanálise recusa a ideia de que a psicose é irreparável, mas ela predomina em todas as outras escolas de psicologia. A prática clínica tem exemplos que confirmam a irreversibilidade da psicose, mas em se tratando de psiquismo humano, quem pode se sentir autorizado a dar garantias  ou fazer afirmações definitivas? O que é incontestável é que os transtornos mentais são terrenos de singularidades, onde inexiste possibilidade de padronizar relações causais e/ou manejo de tratamento, sem correr o risco de errar muito. Em resumo, na doença mental, tudo é possível, até a cura da psicose.

A primeira imagem,  aqui representa a neurose; a segunda imagem 2, a psicose.

Analogia de neurose

Analogia de psicose