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Relato de um refugiado

Podemos aprender muito com a experiência dos outros e evitar sofrimentos. O intento das linhas abaixo é esclarecer sobre uma realidade que nenhuma pessoa boa e responsável deseja para nossa gente; informações de um paciente venezuelano que migrou para o Brasil há três anos.

As experiências que motivaram este texto foram contatas no contexto terapêutico, razão porquê omito nomes e quaisquer dados que possam levar à identificação do meu paciente, que migrou para o Brasil há cerca de três anos, inicialmente vindo para Roraima.

Logo ao chegar ao Brasil, após viver horas de medo, incertezas e “perrengues” variados, ele presenciou o linchamento de um conterrâneo que foi pego furtando objetos num comercio da cidade de Pacaraíma, para onde veio estimulado por um tio. E contou: “Eu me vi num cenário de guerra; as pessoas gritando, umas assustadas, outras revoltadas… foi assustador”. E continuou: “eu entendo os brasileiros; é chato quando um estrangeiro vem pra sua cidade e rouba, cria confusão… mas eu também sofri vendo aquele homem ser espancando, ele tava errado, mas é que a gente tá vivendo situação muito difícil, falta dinheiro até pra comer… fiquei muito dividido, confuso, só queria que aquilo acabasse…”.

A promessa do tio, que trabalhava uma pousada, era de que ele teria muitas vantagens e facilidades em Roraima, que faz fronteira com a Venezuela, como a maioria sabe. Mas como é de se esperar, o tio prometeu coisas que ele não encontrou ao chegar, pelo contrário, se viu trabalhando 14 horas por dia, ganhando o que mal dava para comer e pagar um quarto para dormir; experimentou a sensação de viver como um escravo – o que ele já sentia imerso nas circunstâncias opressoras no próprio país.

Na Venezuela, ele também trabalhava duro e como era jovem e produtivo, conseguia às vezes ganhar 10 dólares por semana. Disse que a mãe, nem tão jovem, ganhava em torno de 3 dólares semanais.

Ele diz achar ingênua a crença de que o Estado socialista na Venezuela distribui de graça comida, remédios e outras coisas que as pessoas precisam: “Nada é de graça lá! E quem não consegue arranjar emprego, passa fome. Existem armazéns do Estado, onde se pode comprar alguns alimentos subsidiados, mas em geral só se consegue pouca coisa. E pra conseguir coisas melhores é preciso “puxar o saco” da pessoa responsável pela localidade, uma espécie de líder comunitário; esses, têm um pouco mais de facilidades, mas também precisam “lamber as botas” de quem está acima; tem muita corrupção e por coisa pouca. Mas nada é de graça”. Um parêntesis: essa situação de bajulação em torno do líder local, num regime ditatorial, é mostrada na série coreana de título “Pousando no Amor, exibida pela Netflix. Serve como ilustração didática, embora seja obra de ficção apenas para entretenimento. 

Outro aspecto que talvez seja útil esclarecer: ele tem pouco mais de 19 anos de idade e diz ter sofrido muito preconceito pela orientação sexual dele;  vê o próprio país como muito atrasado em conquistas sociais. “Lá, por exemplo, não é permitido casamento entre gays; aqui tem muito mais respeito e leis que protegem a gente; não é que seja proibido ser gay na Venezuela, mas a gente sofre todo tipo de preconceito e não tem o Estado nem leis nos protegendo”. 

Ele diz sentir “coisas muito negativas e ruins” em relação às pessoas daqui que ficam defendendo bandeiras da esquerda, iludidos, sem buscar entender melhor o que estão defendendo; “eu tenho que sair de perto quando elas começam a falar do que não conhecem, a defender ideias esquerdistas…”. E diz sentir pavor ante à perspectiva de que um governo esquerdista venha a assuir o poder político no Brasil. “Aconteceu recentemente na Argentina; tenho medo que aqui também aconteça…” Após muitos desafios e sofrimentos, até chegar em Brasília, se estabelecer com emprego de carteira assinada e até conseguir trazer a mãe, ele teme que também nosso país entre no caos de um regime esquerdista. “Desde que houve o golpe no nosso país, a vida lá foi só piorando; meu avô conta como era antes e ele morreu relembrando tudo que as pessoas perderam; ele tinha esperança de que a ditadura acabasse, mas morreu antes”.

As constantes incertezas, injustiças e lutas para sobreviver fizeram-no desenvolver quadro de ansiedade generalizada. “Ainda hoje tenho pesadelos com minha avó me pedindo para ir vê-la antes que ela morra; pra mim isso é um pesadelo; ela que me criou…  é uma pessoa doente e não aguenta uma viagem longa; mas também eu não posso ir visitá-la porque tenho medo de não poder voltar ao Brasil e ficar preso lá”. E acrescentou: “eu só volto para meu país quando o Maduro cair”.

A avó, segundo ele, vive com a renda da própria aposentadoria, que é de 1 dólar (isso mesmo, um dólar! Pedi para ele repetir achando ter entendido errado, mas não, os aposentados venezuelanos recebem por mês um dólar de proventos) somado a outro dólar da aposentadoria do marido, transferida para ela. “Mas claro que não dá pra viver com dois dólares; nós mandamos dinheiro daqui para ela; senão estaria passando fome. Muita gente lá, a maioria da população, eu acho, só não passa fome porque tem parentes em outros países que enviam dinheiro pra eles”.

Esse meu paciente chegou ao consultório com muitas alterações psicoemocionais, incluindo quadro de ansiedade generalizada, crises de pânico e sintomas de reação aguda ao estresse (no caso, fadiga de combate).

Fico feliz em informar que, passadas algumas sessões, agora ele está bem melhor, menos ansioso, menos tenso, dormindo melhor, planejando o futuro e vivendo momentos felizes aqui no nosso País, que ele diz ter escolhido para viver a vida toda. Admira-me a força e resiliência dele, tendo que passar por tantas situações difíceis desde a infância só por ter nascido numa ditadura dita “socialista”, mas que nada tem de preocupação legítima com o bem-estar das pessoas.

Atualmente, é possível encontrar migrantes venezuelanos, cubanos e até argentinos em Brasília e em outras cidades onde atuem instituições de apoio a refugiados. No ano passado, o Correio Braziliense fez uma reportagem interessante contando histórias de outros “sobreviventes” da ditadura de Maduro: Histórias de venezuelanos que vieram para Brasília.

Pra encerrar, a quem ainda se considere socialista/comunista (marxista ou fabianista),  uma pergunta: você realmente acredita que a vida no Brasil iria melhorar se nos tornarmos uma ditadura socialista/comunista? A quem respondeu sim, um conselho: voltar aos estudos; pesquisar, se informar melhor, ampliar conhecimentos sobre geopolítica, sociologia, história do Brasil, história mundial; ler reportagens de veículos neutros; ou simplesmente conversar com refugiados! Quem sabe assim conseguir voltar a se orientar com base na realidade concreta e sair da visão utópica, produzida por doutrinações veladas, que só beneficia aos espertalhões mal intencionados;  esses, usam os bons sentimentos das pessoas boas, que desejam um mundo melhor, para enganar e usá-las como trampolim para o poder. O marxismo nunca foi nada além de plataforma política para chegar ao poder. Qualquer promessa além disso é pura MENTIRA.

Migrantes venezuelanos caminham por uma trilha para o Brasil, na cidade fronteiriça de Pacaraíma, em abril de 2019. (Foto CNS/Pilar Olivares.

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Perfil psicológico de Karl Marx

Sobre o homem que muitos ainda admiram e que foi responsável pela morte de milhões de pessoas no mundo todo e nos dias atuais ainda causa sofrimento a outros milhões: Karl Marx.

“Quando Marx estava na Universidade de Berlin, juntou-se a uma escola de esquerdistas de hegelianos, seguidores do filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel. Naquele momento, toda a energia desse grupo era consumida pelo desejo de liquidar o cristianismo. David Friedrich Strauss havia publicado sua “Vida de Jesus”, em 1835 e chocado toda a Alemanha com afirmação de que os evangelhos não eram documentos históricos verdadeiros, mas sim meros mitos que ele acreditava terem sido desenvolvidos a partir do imaginário comum entre os cristãos primitivos. Um companheiro próximo de Marx, Bruno Bauer, escreveu sobre o mesmo tema em 1840, sob o título de “Crítica Histórica dos Evangelhos Sinóticos”. Nessa obra, o autor alegou que os evangelhos haviam sido forjados, que Jesus nunca havia existido e era uma figura ficcional e que, portanto, o cristianismo era uma fraude.

         A essa altura, Bauer e Marx resolveram criar coragem para publicar a revista de ateísmo, mas o empreendimento não obteve patrocínio e morreu na gestação.

         Todavia, a campanha anticristã ganhou outro eloquente protagonista chamado Ludwig Feuerbach, que em 1841 publicou seu “Essência do Cristianismo”. Ele não apenas ridicularizava o cristianismo, mas também apresentava a tese de que o homem é a mais elevada forma de inteligência do universo. Esse exótico lampejo de especulação fascinou Marx, que já incluíra a mesma ideia em sua tese de doutorado. Marx havia dito abruptamente que era necessário “reconhecer como a mais alta das divindades a própria autoconsciência humana”.

A reação do governo a essa campanha anticristã tomou um aspecto sério, o que levou Marx a concluir que não seria prudente apresentar sua tese à Universidade de Berlin, onde estivera estudando. Seu amigo Bruno Bauer lhe sugeriu que fosse à Universidade de Jena. Marx aceitou a sugestão e acabou por receber seu grau de doutor em filosofia nessa instituição, em abril de 1841.

Logo a seguir, no entanto, um duro golpe derrubou sua apaixonada ambição de se tornar professor de filosofia em uma universidade alemã. Esse golpe resultou da colaboração entre Marx e Bauer na redação de um panfleto que foi rigorosamente investigado em razão de seu tom revolucionário. Quando o governo prussiano identificou os autores, Bauer foi sumariamente demitido da Universidade de Bonn, e Marx foi notificado de que jamais teria permissão para ensinar em uma universidade alemã.

A chama do espírito revolucionário ardeu intensa em Marx e ele convenceu-se de que precisava iniciar um movimento para reformar o mundo. Contudo, para conseguir levar a cabo essa tarefa, precisava da companhia de Jenny von Westphalen, a atraente e bem quista filha de um aristocrata alemão que morava na cidade onde Marx nascera. Durante sete anos, ele correspondeu-se com ela. Uma de suas cartas deixava claro que, casando-se com ele, ela se tornaria a esposa de um revolucionário: “Jenny! Se ao menos pudermos unir nossas almas, com desdém lançarei minha luva à face do mundo e hei-de caminhar sobre os destroços como criador”.

Casaram-se em junho de 1843. Naquele momento, o noivo estava desempregado, e Jenny von Westphalen logo descobriu que essa seria uma característica permanente de toda sua vida de casados. Karl Marx jamais alcançou a menor compreensão da responsabilidade assumida pelo marido como chefe de família. Mesmo assim, Jenny von Westphalen continuou leal e devotada a Karl Marx, sob circunstâncias que teriam arrasado uma mulher de menos fibra. Após o casamento, tiveram uma lua de mel de cinco meses, depois da qual foram a Paris, onde Marx esperava colaborar na publicação de um jornal revolucionário chamado “Anuários franco-alemães”. O periódico faliu após o primeiro número e Marx passou os quinze meses seguintes com a agradável tarefa de “estudar e escrever”.

         Esse seria o padrão em toda a sua vida. Mais tarde, enquanto sua família passava fome, ele poderia ser encontrado na biblioteca, dedicando-se ao estudo da matemática superior, uma área interessante, mas que não lhe traria renda alguma. Voltaire referiu-se com escárnio à geração de homens incapazes de conduzir sua própria família e que, por isso, retiravam-se para o sótão, porque de lá conduziriam o mundo inteiro. Marx parecia encaixar-se nesse modelo. Embora parecesse fisicamente indolente, Marx era capaz de realizar quantidades prodigiosas de trabalho intelectual, desde que se tratasse de um assunto que lhe interessasse. Salvo isso, nem se mexia. Como resultado dessas características de personalidade, Marx jamais teve profissão, ofício, ocupação ou meio de sustento. Acerca dessa fase, um biógrafo simpático a ele declara:

Achava o trabalho regular uma coisa maçante; as ocupações convencionais o deixavam mal-humorado. Sem um tostão no bolso e com a camisa empenhada, examinava o mundo com ar de grão-senhor […] Nunca teve dinheiro na vida. Era de uma ineficiência ridícula em suas tentativas de enfrentar as necessidades econômicas de casa e da família, e sua incapacidade para questões financeiras fez com que passasse por uma série infinda de lutas e catástrofes. Sempre estava endividado e sob incessantes cobranças dos credores […]. Metade dos bens da família estava sempre na casa de penhores. Seu orçamento desafiava todas as tentativas de pôr a vida em ordem. Sua bancarrota era crônica. Os milhares e milhares que Engels lhe entregava derretiam-se entre seus dedos como se fossem neve. (Ruhle, Otho, Karl Marx, pp.383-384).

Trecho do livro O Comunista Exposto, W. Cleon Skousen. Vide Editorial (SP, 2018); páginas 54 e 55).

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É impossível ser cristão comunista/socialista

Quando vejo pessoas religiosas combatendo Jair Bolsonaro e sendo favoráveis à volta de Lula à presidência do Brasil ou apoiando projetos da Esquerda “progressista”, me pergunto: “será que  sabem o que estão fazendo? Será que sabem que ideias estão apoiando?” A resposta, após estudar sobre política, geopolítica, marxismo, cristianismo e outras religiões, é NÃO.

“Temos de combater a religião – este é o ABC do materialismo e, consequentemente, do marxismo”.  São palavras de Lênin, no livro Religion, que ele publicou em 1933 pela International Publishers, de Nova York (pág. 14).

Um discípulo dele, Willian Foster, declarou: “Deus será banido dos laboratórios, bem como das escolas” (Foster, Willian Z., Toward Soviet America, International Publisher, Nov York, 1932, pág. 316).

A realidade é: quem apoia os defensores da chamada Esquerda, no Brasil e no mundo todo, não faz ideia de a quem está servindo, por mais bem intencionado que seja, e sequer conhece a fundo princípios e dogmas de uma coisa e outra (do marxismo e do cristianismo).

Então, especificamente aos irmãos cristãos, um recado. Não é possível ser marxista, comunista ou socialista e ao mesmo tempo ser cristão! São coisas incompatíveis. Uma nega a outra.

Proponho que para entender a incompatibilidade entre cristianismo e religiosidade de modo geral e comunismo/socialismo basta observar a realidade, atentar para os fatos racionalmente e perceber que é possível relativizar tudo que dizem outros humanos, mas nunca a Verdade.

A Verdade dos evangelhos é a lealdade aos princípios de defesa da Vida. Algum cristão consegue imaginar Jesus se posicionando a favor do aborto? Ou a favor da legalização das drogas? Ou acredita que matar em defesa de uma “revolução” X ou Y, tem aprovação de Cristo? No momento atual, quando o presidente de Cuba ordena a policiais que batam, prendam ou matem pessoas que se oponham ao regime, ele está sendo materialista ou cristão? Uma atitude dessas pode ser abonada por um seguidor de cristo como algo defensável? E quando ele conclama cidadãos cubanos a defenderem o regime, denunciando e empurrando para a morte irmãos, vizinhos, amigos, parentes, esse líder está agindo dentro dos princípios do cristianismo? Certamente não, nem do cristianismo, nem do budismo, taoísmo, confuciosismo ou maometanismo ou nenhuma outra forma de religiosidade.

Percebem? As práticas marxistas/leninistas se opõem a qualquer pensamento religioso, daí porque defendem o fim de toda religiosidade. No mundo todo, as religiões são unânimes em proibir a morte de outras pessoas, a mentira, o furto e a cobiça às posses alheias (o respeito à propriedade), e o falso testemunho; e ao mesmo tempo defendem que se deve honrar pai e mãe (e o nome de Deus), a castidade (não à promiscuidade e a perversões sexuais – não confundir  isso com homofobia ou autorização para preconceitos), o direito ao descanso semanal (não à escravidão de uma pessoas por outra) e, por extensão, o respeito à Natureza e a todos os seres vivos. AS religiões, ao contrário do que desejam os ditadores, ensinam sobre humildade, fraternidade, caridade e respeito a todas as formas de vida; nada que valide ös fins justificam os meios”.

Exatamente por isso, o cristianismo e outras religiões já são proibidas e/ou perseguidas em países comunistas/socialistas. Porque há incompatibilidade com esses princípios espiritualistas/transcendentes de organização social e os métodos do comunismo/socialismo.

Quando Karl Marx disse “a religião é o ópio do povo”, ele estava defendendo que o Estado ocupasse o lugar de Deus. E que ser humano representa o Estado e em nome dele age? O dirigente máximo, o ditador! Melhor exemplo disso é a proibição, na Coreia do Norte, de sorrir, falar alto, cantar, dançar e beber álcool a cada dia 08 de julho, em respeito ao aniversário da morte de Kim Il-sung, o ditador que iniciou o regime comunista na Coreia do Norte, em 1948. Não é o ditador tentando substituir Deus?

Na China e na Coreia do Norte, o cristianismo precisa ser vivido na clandestinidade; nesses dois países, os cristãos são considerados inimigos do Estado. A organização alemã Missão Portas Abertas, uma entidade internacional dedicada a apoiar cristãos perseguidos, tem dados abundantes sobre as vítimas e sobre os métodos de perseguição. É só pesquisar.  

Líderes chineses, norte-coreanos e cubanos são verdadeiros genocidas, mas no Brasil, genocida é um presidente que defende a liberdade religiosa, que convida a orar o Pai-Nosso e combate com veemência o marxismo, e cujos apoiadores, reunidos em manifestações, oram pelo País e pelos equivocados opositores da Nação! Não desejam a morte de nenhum opositor nem espalham ódio, ao contrário do que é propagado em fake news. A alcunha de genocida é proferida por quem nada sabe de História e/ou por  gente que espalha mal intencionadas narrativas com intenções sombrias e em nada patriotas nem humanistas.

Ao apoiarem os inimigos desse presidente, (que comete seus erros e tem sim, aspectos a serem melhorados, como todo ser humano), estão fortalecendo os perseguidores do cristianismo. Para os que gostam de citar a Bíblia, recomendo ler Lucas 11:23 e Matheus 12:30, que dizem “toda pessoa que não está comigo, contra mim está, e aquele que comigo não ajunta, espalha.” Ou seja, os cristãos devem tomar cuidado com as falácias e os discursos enviesados dos que os convidam a atacar e não a defender a  obra do Cristo.

Para finalizar recomendo leitura sobre Richard Wurmbrand, um pastor e escritor evangélico romeno, preso e torturado pelo regime comunista da União Soviética na Romênia, ao divulgar que o comunismo era anticristão, e por teimar em manter uma igreja cristã nos subterrâneos dos países da chamada Cortina de Ferro. E para fechar, a célebre frase de Cristo: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Não é de Bolsonaro; é do Evangelho de Jesus, (João 8:32).

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Reflexão em tempos de abusos

Por que as pessoas estão abrindo mão da própria faculdade/capacidade de pensar? Por que estão abdicando do senso crítico e se deixando conduzir por cegos? Comodismo? Imaturidade? Fuga da responsabilidade? Medo irracional?

Quem não governa a própria vida, fatalmente será governado.

“Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo de escuro. A real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.” Platão

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Hoje é dia de Carmelita?

_ Hoje é dia de Carmelita?

_ Sim! Hoje você tem terapia. Respondeu a mãe.

_ Tá; vou me arrumar.

Ele tem só 4 aninhos, e um caminhão de inteligência e espírito independente. Sozinho sabe reconhecer o dia da semana que vai ao meu consultório e se arruma sem pedir ajuda da mãe. Às vezes chega com um visual bem estranho, mas quem se importa? Vamos chamar isso de “licença para construção do autossuporte”. A mãe, sabiamente, respeita esse anseio de autorrealização, mas impõe limites quando necessário.

Ontem, recebi dele um elogio enviesado:

_ Ainda bem que hoje era dia de Carmelita; senão eu não ia jogar esse jogo muito legal! Comentou, demonstrando estar adorando a atividade com um jogo didático. Claro que retribui rindo solto e comentando: “Ah,você é um fofo!” Ao que ele respondeu:

_ Minha mãe fala isso toda hora, que eu sou um fofo e engraçado! Rimos juntos.

Ele não diz “hoje é dia de terapia”, como outras crianças; ele categoriza o evento como”dia de Carmelita”. Como às vezes sou muito dura com ele e ele próprio sabe das condutas inadequadas (ele é o que chamo de TODizinho, isto é, tem Transtorno Opositor Desafiador, TOD), possivelmente, ao se referir à ida dele à terapia como “Dia de Carmelita” ele esteja, inconscientemente, minimizando a própria necessidade de fazer terapia.

Não, isso não é psicologização exagerada: crianças com TOD, via de regra, têm inteligência acima da média, anseio de perfeição e negação dos próprios defeitos (inconsciente, claro), além de uma propensão para transgredir, quebrar as regras, e para manipular adultos de modo a fazerem valer a própria vontade (vontade impositiva e egoísta é algo que sobra neles); sabem usar a inteligência elevada em defesa própria. Mas, também via de regra, têm sentimentos amorosos (digo apenas “coração bom), desejam fazer a coisa certa e serem aceitos e queridos.

Outra paciente, de sete anos à época e com queixa similar, sonhava em ganhar na escola o “Certificado de Alma Boa”, uma estratégia pedagógica adotada para incentivar nos alunos boas condutas. Achei a ideia muito interessante. Essa menininha batia nos colegas, fazia birras ao ser contrariada (baixa tolerância à frustração), entre outros “desvios comportamentais”. Ela se ressentia ao ver outras crianças serem agraciadas com o certificado e ela, não! Em terapia, trabalhamos as disfuncionalidades comportamentais e outras condutas, quase sempre desrespeitosas em relação aos direitos dos outros. Um dia ela ganhou o tal certificado. Chegou à sessão radiante para me contar sobre a conquista! Esse e outros episódios confirmam minhas suspeitas de que, internamente, eles reagem mal e por impulso, mas gostariam de fazer diferente.

Outro todizinho me disse certo dia: “tia, eu entendi o que acontece comigo: tem um vulcão dentro de mim e às vezes ele entra em erupção”. Brilhante analogia! Fiquei estática, admirando a percepção dele, que também tinha só quatro anos de idade. Este caso, havia o TOD associado ao espectro do autismo leve. Foi muito enriquecedor trabalhar com ele! Somado à inteligência, o sorriso iluminado como raios de sol, ele ainda tinha uma “pegada sedutora”. Dizia sempre: “primeiro as damas”, ao nos aproximarmos de uma porta. Como não se encantar? A vigilância quanto ao risco de contratransferência é permanente!

Não é fácil ser pais, professores nem terapeuta deles. Mas, particularmente, gosto muito. Tenho tido sucesso em ajudá-los e isso me proporciona elevado sentimento de realização profissional. Como manejar? Bem, isso já é um segredo profissional! Brincadeira! A chave, basicamente, está nas clarificações que os convença a enxergar sentido nas regras, nas orientações dadas aos pais no sentido de ele saberem impor limites e frustrá-los com senso de justiça e retidão, isto é, a terem “autoridade parental”( não autoritarismo arbitrário). Ao mesmo tempo, há que se temperar isso com muito amor, em casa e no consultório. E quanto antes esse trabalho for feito, maiores os êxitos. “É de pequeno que se torce o pepino”, diziam nossos avós, com toda razão.

Autistas e TODs são os meus encantos e também meus “professores”. Como não amá-los?

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Terapia online e terapia presencial: diferenças e confluências

Para dar uma espiadinha no conteúdo do livro PSICOTERAPIA PRESENCIAL E ONLINE: CAMINHOS DIFERENTES QUE SE ENCONTRAM, incluindo o índice, acesse o link dele no Amazon. Ou clique na imagem abaixo.

Outros market places onde o livro pode ser encontrado:

No Shoptimes:https://www.shoptime.com.br/busca/psicoterapia-presencial-e-online-caminhos-diferentes-que-se-encontram?rc=Psicoterapia+Presencial+E+Online%3A+Caminhos+Diferentes+Que+Se+Encontram

No site das Americanas:https://www.americanas.com.br/busca/psicoterapia-presencial-e-online-caminhos-diferentes-que-se-encontram?rc=Psicoterapia+Presencial+E+Online%3A+Caminhos+Diferentes+Que+Se+Encontram

No site Ureader: https://www.ureader.com.br/ebook/1082221/psicoterapia-presencial-e-online-caminhos-diferentes-que-se-encontram

No ESTANTE VIRTUAL:

PSICOTERAPIA PRESENCIAL E ONLINE: CAMINHOS DIFERENTES QUE SE ENCONTRAM

No site Um livro: PSICOTERAPIA PRESENCIAL E ONLINE

No Estante Virtual : PSICOTERAPIA PRESENCIAL E ONLINE

No Mercado Livre: Psicoterapia Presencial e Online…

O book trailer (semelhante a um trailer de filme), apresentando o conteúdo pode ser visto no Youtuber, no link a seguir:
https://www.youtube.com/watch?v=L0-uSCk7K8c&feature=youtu.be

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Momento terapêutico

Sentado à minha frente, distraído com tintas e o esforço de pintar um Minion, está um paciente fofo; já nos conhecemos tem uns 8 meses; ele agora está com sete anos de idade e bem mais organizado no funcionamento geral; apresenta traços do espectro autista (do tipo Asperguer). Nossa aliança terapêutica é forte. Ele se encanta com as cores novas que vão surgindo da mistura de outras. Estava precisando de marrom; então pego um pouco de verde e misturo a uma porçãozinha de vermelho, usando a ponta da espátula; vemos surgir o marrom. Ele se surpreendeu: “Funcionou! Deu marrom! Nossa, você é boa nisso! ” Eu pergunto: “Sou boa em quê?!” Ele responde prontamente: “em fazer marrom!” Riso solto dos dois lados. Minutos depois, me distraio por segundos, fugindo do espaço da terapia, e sem querer solto um sonoro suspiro (inquieta com uma questão pessoal). Ele levanta a cabeça e me olha; eu devo ter feito uma expressão de tristeza ou algo parecido, porque me pergunta: “Por que você tá assim?” Eu digo: “Ah, problemas de adultos, meu bem. Não se preocupe”. Ele insiste: “Diz aí, qual é o B.O?”. Não me aguento e explode uma gargalhada. Ele gargalha também e ficamos lá, uns bons minutos rindo um do outro. Coisas assim compõem a magia de ser terapeuta de crianças. Daí penso novamente: “eu tenho a melhor profissão do mundo”.

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Book trailer: uma novidade do mercado editorial

Semelhante ao trailer de um filme, agora inventaram o book trailer. É uma espécie de resenha com cara de peça publicitária; uma apresentação sucinta de um livro. Acabo de publicar no Youtube, em um canal que criei só para essa finalidade, um book trailer do meu recém-publicado livro PSICOTERAPIA PRESENCIAL E ONLINE: Caminhos diferentes que se cruzam. Gostei do resultado, cujo link está abaixo:

BOOK TRAILER

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Livro novo! Psicoterapia presencial e online: caminhos diferentes que se cruzam

Transcrevo abaixo o texto da editora Dialética para apresentação do livro (meu livro! ); achei que ficou bem fiel ao conteúdo.

“A prática da psicoterapia, exercício de amor crístico, faz as pessoas se identificarem umas com as outras e iniciarem um caminhar compartilhado; faz nascer no psicoterapeuta a vontade de ser uma ponte capaz de conduzir o paciente/cliente ao outro lado, o lado do encontro com ele mesmo, do amor-próprio e do autoconhecimento. Freud abriu caminho, Carl Jung e outros o alargaram. Hoje, esse ofício sublime dispõe de variadas estradas. O avanço das tecnologias de comunicação e a expansão da internet trouxeram para o universo das práticas de saúde a psicoterapia online, que estende os braços para a psicoterapia presencial, e nessa aliança ambas expandem as ofertas de ajuda às pessoas. O isolamento social imposto pela gestão da Covid-19 empurrou as pessoas para o caminho do virtual. Este livro desnuda aspectos das duas modalidades, passeando por temas como aliança terapêutica, ética, cuidados com a confidencialidade, relatos de psicólogos experientes e de pessoas que já fizeram psicoterapia. A obra foi escrita não apenas para psicoterapeutas, estudantes de psicologia e outros profissionais interessados em compreender o universo da prática clínica em Psicologia; é dirigida também a todas as pessoas que desejem compreender melhor o que é fazer psicoterapia, presencial ou online, e que precisem de informações úteis na escolha do profissional.”

Mais informações

Versão e-book e Kindle

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Diferença entre fazer psicoterapia e conversar com amigos?

A psicoterapia envolve a comunicação entre pacientes e terapeutas que se destina a ajudar as pessoas. As pessoas procuram psicoterapia quando desejam:

  • Encontrar alívio da angústia emocional, como tornando-se menos ansioso, com medo ou deprimido.
  • Procurar soluções para problemas em suas vidas, como lidar com decepções, tristezas, problemas familiares e insatisfação com o trabalho ou carreira.
  • Modificar maneiras de pensar e agir que as impedem de trabalhar produtivamente e de desfrutar de relacionamentos pessoais.

A psicoterapia em geral começa com uma conversa sobre eventos marcantes do presente ou do passado e as inquietações que levaram a pessoa a procurar ajuda. Após essa avaliação inicial, em que normalmente o profissional e o paciente definem uma queixa, ambos estabelecem um acordo, denominado contrato de tratamento. Esse contrato especifica define objetivos do tratamento, procedimentos de tratamento e um cronograma regular para o horário, local e duração de suas sessões de tratamento. Às vezes, esse contrato de tratamento é escrito explicitamente, mas com mais frequência é apenas verbal, discutido entre paciente e terapeuta.

Falar com um psicoterapeuta é diferente de falar com um amigo basicamente em três aspectos, os quais aumentam a probabilidade de ser útil:

  • Os amigos podem ser capazes e dispostos a ouvir e dar conselhos, mas psicoterapeutas qualificados e devidamente licenciados são profissionais treinados, com educação especializada e experiência na compreensão de problemas psicológicos.
  • Enquanto as amizades são tipicamente relacionamentos mútuos nos quais as pessoas se revezam para serem úteis umas às outras, a psicoterapia é inteiramente dedicada ao bem-estar do paciente, à compreensão da dinâmica consciente e inconsciente dele e orientada para acompanhar o paciente no percurso de autoconhecimento, descoberta de limites, potenciais e outras singularidades,  construção ou recuperação da autoestima e do autossuporte, entre inúmeros outros benefícios. A psicoterapia concentra-se exclusivamente nas necessidades do paciente, com intuito de aliviar-lhe sintomas, corrigir disfuncionalidades e apontar soluções para problemas ou mudanças no estilo de vida.
  • Em contraste com a mutualidade, a informalidade e os múltiplos interesses compartilhados que geralmente caracterizam as amizades, a psicoterapia envolve um compromisso formal de se reunir regularmente em um horário designado, para falar apenas sobre as preocupações do paciente e continuar a se encontrar, desde que sirva ao paciente interesses.

Fonte (com adaptações): APA – Associação Americana de Psicologia

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Conselhos do mestre Ponciano

No vídeo abaixo, o professor Jorge Ponciano, gestaltista amoroso, generoso e tão sábio, faz reflexões MUITO preciosas sobre essa época de pandemia. Mas também sobre a Vida, as relações, a saúde, o sentido de vida e de tantas outras coisas.

LIVE DE JORGE PONCIANO RIBEIRO: PANDEMIA À LUZ DA GESTAL-TERAPIA

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Projeção de mim no outro

Muito antes de Jung, o grande poeta e dramaturgo inglês Shakespeare já falava de Sombra, um importante Arquétipo da teoria analítica de Carl Jung:

“A suspeita sempre persegue a consciência culpada; o ladrão vê em cada sombra um policial.”

Ou seja: enxergo no outro o que existe dentro de mim; atribuo ao outro (projeto) o que na verdade é meu.

É também refletido na frase de Freud: “Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais sobre Pedro do que sobre Paulo.”

Jesus também falou algo semelhante: “a boca fala do que está cheio o coração”.

Apontar um defeito no outro é projetar minha Sombra na outra pessoa. Ou: Se conto a alguém que Maria é medrosa, só consigo enxergar medo na Maria porque o medo reside no meu interior, o que me permite reconhecê-lo no outro. Ao atribuir algo a outrem estou, na verdade, usando o outro como tela de projeção do MEU conteúdo.

E sabe o que descobri na prática clínica e muitas reflexões filosóficas? Isso vale também para características boas. É comum as pessoas generosas enxergarem generosidade nos atos das outras pessoas, mesmo quando a generosidade está apenas nela própria, o que lhe tira a malícia de se proteger de intenções maléficas.

Essa característica é comumente usada por manipuladores versados em usar outras pessoas como escada para os próprios objetivos. Assim, uma pessoa altruísta, empática e generosa pode ser facilmente enganada com ideias que prometem “um mundo melhor”, por ser esse o anseio dos bons, quando na verdade a proposta não passa de plataforma ou meio de alguém atingir determinados objetivos.

O melhor caminho para se proteger dos manipuladores é o autoconhecimento; o que permite a cada um descobrir sobre as próprias virtudes e defeitos, limites e possibilidades pessoais. Assim, a pessoa age fora do “modo automático”, sem ser invadida por conteúdos inconscientes, apoiando-se na racionalidade saudável (não a racionalidade patológica, que em alguns casos é apenas mecanismo de defesa inconsciente).

Carl Jung falou sobre o “curador ferido”: o bom médico, o bom psicoterapeuta – e por extensão qualquer profissional de saúde – é aquele que tenha sido ele próprio ferido, tenha vivenciado experiências dolorosas de modo a ampliar a capacidade de empatia e de ter compaixão pelo sofrimento do paciente. A ideia foi extraída da mitologia grega, contida no mito de Quíron, aquele que pôde tornar-se um exímio curador a partir de sua própria ferida incurável.

Explico de forma mais ampla a associação que Jung fez entre os mitos e o funcionamento humano no post A MITOLOGIA EM NÓS.

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Fortalecendo a relação amorosa na pandemia

Casar é buscar parceria, certo? Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Se não for assim, para quê casar? Fácil falar, né?!  Na prática, porém, o bicho pega. Mas sabe aquela brincadeira entre amigos(as) de que não se pode casar antes de fazer uma longa viagem juntos para conhecer o cônjuge em diferentes situações e testar a relação num tempo maior de convivência? Quem duvida da validade dessa ideia? Então, se seu cônjuge passou no teste e vocês se uniram no dia a dia, talvez falte um pouco de criatividade e, claro, senso de responsabilidade, inclusive para se lembrar dos propósitos de estarem juntos. E paciência. É verdade: às vezes um CAMINHÃO de paciência. Tudo bem, paciência é uma virtude a ser desenvolvida.

Esqueça o “ e foram felizes para sempre”; isso é conto de fadas, apenas uma metáfora para dizer que a relação deu certo. Ou lembre-se da frase, mas não se esqueça de considerar que o felizes para sempre não exclui compartilhar dificuldades. Enfrentar problemas não é necessariamente ser infeliz; é ser adultos! E desejar só diversão e felicidade, além de infantil, é para os fracos (ou para os sonhadores)! Os fortes se testam e se descobrem mutuamente na adversidade. Mas sempre valerá outro velho conselho: para um relacionamento dar certo a longo prazo, os casais devem manter o espaço pessoal de cada um. O isolamento social forçado pela pandemia dificulta isso, claro, mas não inviabiliza. Zelar para respeitar a privacidade mínima do outro e, dentro do possível, fazer um ligeiro afastamento momentâneo apenas para oxigenar a individualidade. Aí entra a necessidade de serem criativos e respeitosos mutuamente em relação ao “espaço” do outro.

Além disso, a permanência juntos por muito tempo pode ser uma oportunidade para os casais se  reconectarem, redescobrirem-se mutuamente. “Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio” – porque o rio está sempre mudando,  tornando-se outro rio com o correr das águas. Isso ocorre também com as pessoas. Se o(a) parceiro(a) mudou, descubra quem é essa nova pessoa e como se relacionar com ela. O modo de fazer isso é muito individual. Também é muito singular o caminho de os parceiros se moldarem ao “novo” cônjuge.

Namoro e casamento são caminhos de evolução, de crescimento pessoal em parceria com outra pessoa. Quem prometeu que só envolve flores?! Mas pode haver flores no caminho também. Lembrando que algumas flores têm espinhos como forma de autoproteção! E falar de flores faz lembrar outra grande necessidade nas relações amorosas: fazerem coisas divertidas juntos. Na fase de namoro e/ou noivado, convidamos o outro muito mais vezes para coisas agradáveis, certo? Só uma vez ou outra para uma chaticezinha. Após o casamento, o cotidiano engole as pessoas como um tsunami e adeus diversão. Quase sempre a lógica é invertida: só uma vez ou outra uma diversão. Forçosamente isso vai deixar a convivência pesada. Então, sejamos criativos em descobrir coisas agradáveis para fazermos a dois, mesmo com o isolamento social.

O lazer sempre será um componente necessário a qualquer casal, com ou sem filhos – com filhos mais ainda! E a diversão também existe em coisas simples! Há muito prazer, por exemplo, em duas pessoas contemplarem juntas o pôr-do-sol! Em lerem poemas um para o outro (para os que gostam). Ou cozinharem juntos, montarem uma varanda florida (sem varanda no apartamento pode ser em uma estante próxima à janela – nada de desculpas!). Na verdade não há a necessidade de se apresentar uma lista de opções, inclusive porque levantar as possibilidades criativas é um trabalho que pode ser feito em conjunto.

O fundamental é o amor, a afetividade construída entre ambos e, também importantíssimo, o respeito em relação ao outro, inclusive para reconhecer que a pessoa está de mau humor e quer sossego. Deixe quieto (a), então. Analisar as contingências, “ler” o que está acontecendo a sua volta e não sair disparando ações irrefletidas. Andar em vez de correr dentro de casa – no sentido figurado, claro. Com esse textinho quis apenas fazer algumas observações simples, lembretes corriqueiros. Espero ter ajudado.

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A história real do menino-pássaro

Apesar de muito raros, casos reais de crianças portadoras da Síndrome de Mogli, (nome inspirado no caso do menino criado por lobos) existiram ao longa da história e um deles foi descoberto em 2008, na cidade russa de Volgogrado.

“Assistentes sociais encontraram um menino de sete anos de idade, chamado Vanya Yudin, que vivia em uma minúscula casa rodeado de gaiolas com pássaros. Segundo relatado na época pelo Daily Mail, o jovem foi achado em um minúsculo apartamento de dois quartos que parecia funcionar como um aviário, cheio de gaiolas contendo dezenas de pássaros. Tudo isso rodeado por grãos e fezes dos animais.”

A continuação da história pode ser lida na versão em português em AVENTURAS NA HISTÓRIA. Busquei na web informações complementares sobre o garoto hoje e só encontrei informações de 2018, segundo as quais ele estaria morando em um asilo em Volgogrado, mas estavam planejando transferi-lo para um centro de atendimento psicológico que estava dois anos atrás, monitorando a propagação da síndrome de Mogli, onde havia cinco crianças com a mesma síndrome. Se alguém mais habilidoso em pesquisar na internet quiser ajudar na busca por notícia mais atual…

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Pela busca do sentido de viver

Quando vi a fotografia de um amigo pendurado pelo pescoço, falecido, autoimolado, me pus a perguntar “que sentido ele dava à Vida?”, “que dor atroz ou frustrações cortantes o empurraram para o buraco escuro do desespero a ponto de ele desistir de viver?” Mas se a dor dele era atroz, certamente não era a única nem a maior. Se as frustrações lhe roubaram o ímpeto de continuar em frente, quão frágeis ou talvez ilusórias eram as próprias metas de vida e o sentido por ele atribuído às lutas do viver extensivas a todos os seres humanos?

No caso específico do meu amigo, ele tinha família, renda, reconhecimento público, casa própria, propriedade rural para entretenimento e descanso, amigos e tinha, sobretudo, muitos irmãos a sofrerem mais do que ele, precisando de ajuda, material ou moral. Mas o olhar continuou voltado para si apenas? Há egoísmo no suicídio? Talvez o menor dos componentes. E o maior? Arriscaria afirmar: ausência ou percepção equivocada do sentido da Vida na Terra.

O ato de suicídio pode ter algo de corajoso, afinal lançar-se no obscuro mundo dos mortos sem saber o que há por lá, e ninguém que, forçosamente, foi visitar o Hades voltou de corpo presente para contar como é lá, certamente exige coragem. Mas acima de tudo é ato de desespero. Julgamento moral sobre a atitude, certamente é algo a ninguém autorizado, visto que a nenhum ser humano foi dada a faculdade da onisciência.

No entanto, soa imaturidade querermos abster-nos de refletir e buscar entender as causas de tão extremada e irreversível atitude, inclusive para fins de prevenção. As circunstâncias, como é sabido, são as mais variadas, mas em todas o que há de recorrente é a perda da fé na continuidade da vida pós-morte, o sentimento de desistência, o achar que não vale a pena continuar vivendo e, em muitos casos, angústia tão profunda que conduz a intenso desespero na alma. Resumidamente, em todos os casos parece predominar a ilusão de que matando-se o corpo, eliminar-se a dor da alma.

Na mesma direção, portadores de transtornos mentais que cometem atos de autoagressão (como cortar-se com lâminas), relatam algum tipo de alívio: enquanto estão sentindo a dor na pele, por alguns instantes ficam livres da dor na alma. Esta, se lhes afigura tão lancinante que passa a valer a pena uma dor física em troca de instantes de alívio das angústias. “Quando eu estou fazendo isso, eu deixo de sentir essa coisa dentro de mim, essa agonia, esse fogo me queimando…” A frase é de uma adolescente questionada sobre os cortes no braço e nas pernas.

Tanto quanto as causas dessas dores intensas e subjetivas – tão difíceis de serem expressas – a forma de enfrenta-las é muito singular. O conceito de resiliência, a capacidade que algumas pessoas têm de permanecerem saudáveis e equilibradas apesar de expostas a severas adversidades, começou a ser usado no sentido psicológico na década de 80. A ideia veio da Física e refere-se à capacidade de um material voltar ao estado inicial após sofrer profunda tensão. Por extensão e redutivamente, ser resiliente é ser capaz de voltar ao estado de antes após sofrer abalos; é resistir à “quebra” ou “deformação”.

Variados estudos e propostas de intervenções foram testadas no mundo todo com o intuito de se desenvolver resiliência nos indivíduos. Fosse uma questão meramente física, biológica ou de sentido apenas racional certamente os esforços teriam surtido resultados mais eficazes e os índices de suicídio não teriam crescido em números alarmantes, tampouco aumentado a fuga para antidepressivos e ansiolíticos, uma proposta tortuosa dos avanços da Medicina.

Contudo, por envolver dimensão muito mais complexa, as pessoas seguem enfrentando grandes dificuldades para se defrontarem com a dor e o sofrimento. Ao se analisar estatísticas de casos de suicídio, nenhuma relação é capaz de explicar o fenômeno. Nenhum fator responde sozinho pelos altos índices de suicídio, que pode ser considerado como a falência da capacidade de resolver uma crise pessoal, resultante ou não de fatores externos. É o resultado fatal de uma alteração piscoemocional ou psicoemocional-social-espiritual, de um problema de saúde mental greve não solucionado.

A Lituânia, país desenvolvido e membro da União Europeia, aparece como infeliz campeão nos casos de suicídio em 2018, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). No mesmo relatório, o Brasil aparece na posição 113, apesar da extensão de nossas crises econômica, político-social, moral e financeira e todas as mazelas disso decorrentes, incluindo pobreza extrema afetando mais de 13 milhões de brasileiros. A Lituânica, registrou em 2018 um PIB de 16,6 €, enquanto o Brasil, no mesmo ano, computou 7,56 €. Ou seja, a questão está longe de ser explicada pelo viés econômico meramente. A cultura, a religiosidade, a organização político-partidária, nenhum desses fatores explica isoladamente os altos índices de suicídio da Lituânia.

Um estudo mais aprofundado, verificando-se meticulosamente o caso da Lituânia e outros que encabeçam a lista, inclusive em contraponto com os de menores índices, talvez possa trazer valiosas respostas. Que variáveis são recorrentes em um e em outro caso? Há que se buscar hipóteses explicativas e compreensão ampliada do problema mundial.

De acordo com o relatório de 2016 da OMS, anualmente mais de 800 mil pessoas cometem suicídio em todo o mundo; uma pessoa a cada quatro segundos. Grande parte dos casos têm relação direta com distúrbios mentais mais comuns, como a  depressão, a esquizofrenia e os transtornos psicóticos. O abuso de drogas e o alcoolismo também têm influência considerável na ideação suicida, principalmente entre jovens de até 29 anos de idade.

 No caso dos jovens, alguns fatores podem ser elencados como tendo relação causal com o suicídio: influência de produções audiovisuais (séries e/ou filmes televisivos ou de plataformas  streaming); impacto das redes sociais ou do universo digital; falta de expectativa no futuro; conflitos relacionados à orientação social e falta de tratamento ou inadequação das intervenções.

Nos casos dos não-jovens, principalmente os idosos ou pessoas mais maduras, a relação causal pode ser diferente e possivelmente a falta de expectativa no futuro ou ausência do sentido de viver desponte como causa principal. Para esses casos,  o psiquiatra suíço Carl Jung apresenta alguma luz: o criador da Psicologia Analítica,  ensinou que as pessoas saudáveis na meia idade, após terem alcançado as realizações materiais, familiares e profissionais, naturalmente voltavam-se para fora de si e focam no “outro” o sentido para viver. Ou seja, encerrada a fase das conquistas pessoais efêmeras, chega a hora de somar conquistas que o indivíduo poderia levar para além-túmulo. É a atenção voltada para o metafísico. Mas para isso fazer sentido a pessoa precisa ter a visão transcendente da existência humana e não um pensamento materialista de que com a morte do corpo tudo termina.

O oposto do olhar transcendente é a visão hedonista da vida, isto é, colocar o prazer como bem supremo, finalidade e fundamento da existência humana. Para a Neurociência, o pensamento antecede a emoção e a ação. Então, a visão de vida orientada por crenças materialistas pode levar a pessoa a recusar qualquer necessidade de enfrentamento da dor, seja decorrente de doenças, limitações do envelhecimento do corpo, grande privação material, decepção afetiva e/ou sentimento de vergonha/humilhação frente a um suposto erro ou fracasso material/social (golpe na vaidade).   

Outro grande fator de perda do sentido de viver que pode levar ao suicídio, em casos extremos, é o afastamento do Numinoso, alguma divindade e/ou crença em um Poder Supremo que lhes aponte alguma compensação após o sofrimento. Não no sentido de troca ou mercantilismo, mas de ordem cósmica universal, Justiça Superior, propósito evolutivo ou algo similar.

Assim, as ideias alimentadas a partir do Iluminismo e a supervalorização do cientificismo resultaram no afastamento das pessoas de suas respectivas deidades e, percebe-se hoje, tirar Deus da vida das pessoas nenhum benefício trouxe.

Então talvez se deva buscar nova compreensão da relação criatura e Criador, aproveitando-se dos avanços tecnológicos e desenvolvimento do intelecto humano e não utilizando-se dessas conquistas para negar a existência de Deus e a necessidade humana de alguma experiência metafísica.

Importante também assinalar que o decurso histórico da humanidade mostrou que, sem empunhar nenhuma bandeira, para fins de sentimento de realização ou saúde mental, o dinheiro não substitui Deus, tampouco as titulações acadêmicas, nem a fama, lideranças políticas ou o Estado em si. A criatura carece do criador como a criança do pai e da mãe. Obviamente não estou afirmando que a causa do suicídio é sempre falta de religiosidade e ou espiritualidade. A simples vivência espiritual por si só não debela todas as angústias da alma. Defende-se aqui um sentido de vida construído em bases sólidas, seja pela via da religião (do latim religare) ou de uma conexão qualquer com o Numinoso, que pode ser, inclusive, pela conexão arquetípica com a Natureza, no papel de Grande Mãe.

Foto de Benjamín Gremler in Unsplash

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Família funcional, criança saudável

Inspirada no texto do filósofo Carlos Adriano Ferraz, professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), preciso novamente falar da importância que os pais e as mães têm para os filhos, não apenas do ponto de vista da sobrevivência, mas principalmente da saúde mental.

Ele afirma em texto publicado no Jornal da Cidade Online: “Uma família funcional não precisa do Estado. A família é uma das derradeiras resistências aos avanços do Estado sobre as vidas individuais.”

Minha prática clínica como psicóloga de crianças e adolescentes numa unidade pública de saúde (e de adultos no consultório particular) corrobora a veracidade dessa afirmação. Percebemos com clareza que as crianças são sequeladas pela falta de funcionalidade das famílias, quando não da ausência de um núcleo familiar estruturado para lhes assistir o período de desenvolvimento infantil.

Sendo mais direta: crianças cujos pais e mães são responsáveis, presentes, comprometidos com o desenvolvimento dos próprios filhos dão conta de educa-los, acompanhar o crescimento/desenvolvimento psicoemocional deles sem precisarem de psicólogos, psiquiatras e/ou medicamentos do governo.  

Muitos dos transtornos que levam as crianças às unidades de saúde mental têm origem na falta de funcionalidade das famílias, desde o Transtorno Opositor-Desafiador (TOD) à Depressão, passando por outros como Transtorno de Ansiedade e o Antissocial.

Obviamente alguns indivíduos chegam à fase adulta com sintomas dessas alterações, senão com elas agravadas. E, obviamente também, não se pode negar a força influenciadora do meio social, principalmente da escola, sobre o manejo das famílias, mesmo as funcionais. Tampouco seria correto negar a existência de alterações psíquicas e psicoemocionais de  causalidades diversas das mencionadas aqui, com origem/causa mais profunda. 

Em reunião de trabalho no início do isolamento social ouvi a preocupação de alguém da nossa chefia  ao afirmar, com a certeza de um tolo, que os transtornos das crianças que atendíamos estariam agravados com o isolamento. Para mim e  colegas  que conhecem a dinâmica e a gênese  das alterações na saúde dos nossos pacientes isso soou como uma sandice.  Protestei, explicando que poderia ocorrer o contrário: elas retornarem à rotina mais saudáveis do que antes porque estavam recebendo atenção e cuidados de quem realmente lhes interessa, os próprios pais.

Claro que há deploráveis exceções, como os menores cujos pais nunca entenderam  a necessidade de dedicação e renúncia envolvidos na maternidade e na paternidade. Nesses casos haverá sempre transferência de responsabilidades para  escolas e serviços de saúde, ou para outros parentes. E essas famílias também confirmam a afirmação inicial: necessitam do Estado porque são disfuncionais.

Neste período de isolamento social tenho visto cenas que exemplificam bem o porquê, a partir da comparação com o oposto,  de tantas crianças adoecidas das emoções e dos comportamentos. Antes da pandemia, raros eram os pais e as mães que víamos dando atenção aos seus filhos, fazendo coisas simples como testar receitas culinárias, desenhar e/ou recortar figuras, fazer colagens, jogar entretenimentos simples (dominó, Ludo, quebra-cabeças, etc.), ler,  assistir a bons filmes juntos, moldar argila ou massinha colorida,  passear de bicicleta, patinete ou simplesmente andar de mãos dadas, como tenho recorrentemente visto no meu bairro, que dispõe de amplos espaços abertos.

Mais fácil será continuar esse saudável convívio com as crianças após o isolamento, já que espaços públicos estarão liberados, como parques, ruas de lazer, clubes e circos, entre tantas outras opções. Quem não sabe o valor que tem um piquenique no parque embaixo de uma árvore, rodeados de uma imensidão  verde? E, por que não, até de um piquenique no fundo do quintal ou no meio da sala? Coisas diferentes e criativas despertam o interesse das crianças, fazem-nas sorrir e ter confiança nos adultos que cuidam delas. Além de enriquecerem o vínculo e as memórias afetivas.    

Numa leitura mais ampla sobre os efeitos do bom desenvolvimento das crianças, pode-se afirmar que fortalecer o futuro do nosso País envolve também recusar qualquer produto televisivo e/ou ação político-social,  governamental ou não, que esconda estratégias de enfraquecimento das famílias  e os valores ético-morais que lhes dão consistência e força. Pense: a quem interessa desconstruir as famílias e criar indivíduos dependentes do Estado? A quem deseje controlar os indivíduos e a sociedade!

Minha expectativa é de que essa dolorosa crise causada pela COVID-19 deixe como resultado positivo o fortalecimento dos núcleos familiares e a descobertas dos pais sobre o que realmente tem mais valor para seus filhos: presentes caros? Ou uma hora na companhia deles? E do que realmente as crianças precisam: exagerada permissividade para compensar ausência e atenção? Ou muitos “nãos” orientadores sobre limites e necessidade de autorrespeito, respeito aos outros e aos diretos coletivos?

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Este País tem donos! Ou: estimulando a divisão

Tive um sonho. Explicativo; metafórico. A Psicologia Analítica chama de Sonho Arquetípico ou Grande Sonho. Nele eu vi inicialmente uma cidade moderna, que de repente deixa de ser uma cidade e passa a ser um país. Vi sua imensidão e suas verdes matas! Vi tantas riquezas! Em cima e sob o solo; e muita água cristalina!  O céu muito azul; aves coloridas sobrevoando. Se me afigurou que havia cidade embaixo e em cima da terra… essas coisas estranhas de sonhos.

Vi sua gente também, o povo desse país tão verde. E a população estava dividida em grupos: uns vestiam vermelho;  outros,  amarelo e azul. E as pessoas brigavam, se digladiavam, se ofendiam, alguns corriam atrás de outros; uns realizavam duelos de espadas. Havia brados e  gargalhadas debochadas. Vi grandes grupos mais afastados também; uns jogando futebol;  outros, festejando não sei o quê.  Pareciam alheios, indiferentes ao topo do morro e às pessoas que brigavam; mais riam e pulavam de modo irrefletido do que aparentavam racionalidade.

Então enxerguei  um morro. As pessoas divididas em diferentes grupos estavam na base do morro, que  era dourado e brilhava, como se fosse formado todo ele de ouro e pedras preciosas.  No topo dele havia poucas pessoas; bem poucas!  E estavam muito bem vestidas, como se tivessem saído de um evento pomposo, como entrega do Oscar.  Fumavam grossos charutos e sobre as cabeças tinham cartolas. As mulheres tinham o colo coberto de preciosas joias e usavam vestidos de festa, muito glamorosos, ricamente enfeitados de desenhos dourados, como seda brocada, e com pedras preciosas incrustradas.

Ainda sonhando entendi que as pessoas do morro que olhavam para baixo representavam pessoas muito ricas do Brasil. Bem poucas eram as do topo do morro, como já disse,  e as do pé do morro, numerosas, uma multidão, como também já disse, mas repito, e estavam divididas em grupos.    

Enquanto as pessoas de baixo brigavam, as do alto gargalhavam e assistiam  às cenas aos pés delas com desprezo e arrogância. Havia uma orquestra com um  maestro que mexia a baqueta conforme o que acontecia lá em baixo, de forma a dar novo som e a provocar novas reações na ralé, que não percebia a manipulação.

Minha interpretação: o lugar é o Brasil. O morro, o topo da pirâmide social onde 1% dos mais ricos distribuem entre si  30% das riquezas, e todo o resto da numerosa população de trabalhadores fica com  o restante. 

Os grupos de pessoas representam a população brasileira, atualmente dividida no dualismo esquerda x direita ou  bolsonaristas x lulopetistas, principalmente. A quem interessa essa rivalidade? Contra quem guerreiam as pessoas não-ricas, classe média e mesmo as pobres? Brigam entre si enquanto os verdadeiros inimigos manipulam para continuarem “donos” das riquezas do País.

Os grupos mais afastados são as pessoas isentas e as indiferentes, que optam por não se envolverem na disputa pela ordem social e distribuição das riquezas da Nação, como se fosse isso atribuição de outros, ocupando-se eles apenas de diversão, futebol e banalidades.

Ainda agora, se me pondo a analisar o significado do sonho me pergunto onde estava situado Sérgio Moro? No topo do morro, apoiando as elites aristocráticas  ou na base da pirâmide? Até ontem eu talvez o colocasse como um personagem franciscano, do tipo que nasce entre os ricos, mas  rompe com a oligarquia e vai viver em defesa dos desfavorecidos. Hoje, já o retirei desse roteiro poético e estou começando a enxergar que ele é um dos que traga charuto cubano, fabricado por escravos do regime comunista.

Um detalhe: para os “aristocratas” do topo do morro pouco importa se a ralé é subjugada pelo regime comunista ou capitalista. Desde que eles continuem os donos da riqueza, o sistema de governo é só algo a ser acochambrado aos interesses deles, que é o de manter a pirâmide com base alargada e um topo afinado, forrado de ouro.

Como no jogo de xadrez, onde existem o rei, a rainha, o bispo, o cavalo e os peões, vez ou outra é preciso sacrificar alguns peões para salvar a realeza. E também vez ou  pode aparecer um peão rebelde,  com retórica boa ou que consegue ameaçar de alguma forma o status quo do “jogo”. No mundo real, nessa hora, os poderosos se reúnem para descobrir qual o preço do “peão”; quanto ele cobra para deixar em paz a aristocracia e manter as coisas como são. Ou: qual a hora certa de abater o resistente.

Pensando assim, talvez faça sentido pensar que o pobre Luiz Inácio Lula da Silva  tenha sido apenas um peão no tabuleiro dos abonados –  em riquezas materiais, mas tão desprovidos de virtudes e a elas indiferentes. Pode-se deduzir que talvez o operário pernambucano tenha logo entendido a jogada:  ou se venderia, aliando-se aos interesses das elites e tentando dela fazer parte, ou morreria, politicamente. Se bem que alguns peões fora do comum já morreram de fato e outros, foram vítimas de atentado.

Hoje, para mim, Bolsonaro é esse peão incômodo que tem resistido a muitas investidas, a ataques por todos os flancos e que aparenta disposição para morrer lutando em vez de se render ou se vender.  Mas se assim o é, a divisão ideológica entre nós tem sido providencial para os habitantes do topo do morro! Temos sido usados, impelidos a nos atacarmos mutuamente enquanto continuamos subjugados e produzindo riquezas para eles.  E se assim continuarmos, tudo ficará bem para eles, mas não para nós.

E Sérgio Moro? Talvez tenha feito tudo de caso pensado, para colaborar com os parceiros de aristocracia e, mesmo desprezando o Bozo, (negou a Bolsonaro um aperto de mão na época de campanha) tenha aceitado ser ministro dele para estar perto do inimigo. A saída neste momento, tão inoportuna para o Brasil, pode ter sido algo meticulosamente planejado e articulado como estratégia para encurralar o “peão” rebelde e garantir a vitória sobre a plebe que, com ajuda da internet,  ameaça “mexer no queijo” das elites. Afinal, de quem é esse país? Quem tem mamado e mandado nele todo esse tempo? Mudar agora e abrir mão de fatias maiores riquezas, revendo a distribuição das riquezas? De jeito nenhum!

Assim, ou Bolsonaro se alia ao Centrão no Congresso, fazendo acordos para aprovar irrelevantes avanços – e começa a jogar o jogo deles para não ser retirado à força do poder – ou eles vão forçar o impeachment do presidente eleito pela maioria da população. Daí  continuarão donos da Nação e dos destinos dos brasileiros. E sabe quem até o momento tem ajudado as oligarquias? Quem vai ajudar a derrubar o defensor do País? Os incautos opositores políticos dele, que ainda não perceberam quem realmente são os inimigos. Cartas à mesa! Que vençam os mais espertos! Ou, se houver uma ajudinha do Céu, que vença a Verdade. Deus salve esta Nação.

Texto e fotos: Carmelita Rodrigues
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Solidariedade…

… entre os passarinhos. Porque entre os humanos tá difícil! Hoje vi um sabiá bicando a corda de um comedouro para derrubar alpiste e ajudar os amigos que ciscavam no chão, sob a árvore onde o comedouro estava pendurado: tico-tico, canário-da-terra, azulim; todos amiguinhos. Sabiás nem gostam tanto de alpiste e esse não descia para comer as sementes! Eles preferem as frutas que coloco por lá, como mamões, bananas e abacates.

Em geral as aves que compartilham a pequena área verde do meu trabalho são muito educadas e ficam pousados num galho perto do comedouro ou das frutas, à espera de que o outro termine de comer para só então se aproximar. Algumas vezes ocorrem brigas, principalmente se aparecem as pombas-rolas, os sanhaços e bem-te-vis.

Os beija-flores costumam ser muito territorialistas: expulsam as cambacicas que vão beber o melzinho que ponho para todos como se o mundo fosse só deles. Como enganam: têm uma leveza e penas coloridas que de tão belas, ou por gostarem de néctar, os associamos a doçura… ledo engano. São bem agressivos, briguentos!

Mas na maioria das vezes reina a cortesia, como hoje. E foi tão agradável assistir! Tanta “civilidade”!

Por lá também aparecem pica-paus, os de corpo preto & branco e os amarelados, mas eles “não se mistura”! Nem é por esnobismo, creio eu. Apenas por não disputarem o mesmo alimento. Ou melhor: os vermezinhos de troncos de árvores que saboreiam também são apreciados pelos bem-te-vis. Mas os pica-paus têm “ferramentas” exclusivas, então fica cada um no seu canto.

Enquanto isso, no reino dos humanos, pessoas nada evoluídas se engalfinham pelo poder ou para manter privilégios. Humanos de almas em putrefação, de tanta maldade, se reunem em conchavos para tramar contra um líder que julgam lhes ameaçar a liberdade de roubar e trair.

Nesses tempos de pandemia, não bastassem as preocupações com a doença, muitas almas feias, tão feias, andam em polvorosa no reino dos ditos racionais, armados de mentiras, falácias e muita, mas muita hipocrisia. Verdadeiras pragas do Planeta!

No reino dos animais, ao contrário, predominam os impulsos para sobreviver, sim, mas em harmonia. E de quebra, espalham cantos e cores, graça e beleza; tentam despertar os humanos para o real sentido da vida. Em vão, pobres serezinhos tão belos! Chegam nem perto de atingir esse intento!

Onde reina a irracionalidade, então?!

O sabiá, posicionado no galho acima do comedouro, bicava a cordinha e fazia o comedouro balançar, derrubando as sementes de alpiste.