Gabarito do concurso Sesi

Quem fez a prova ontem (27.06.10) para o concurso do Sesi/DF já pode conferir o gabarito preliminar. Está no site da Funiversa.

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Geração X, Y e Z

Descobri que sou da Geração X. Vejam só! O que é isso? É a geração de pessoas nascidas entre 1961 e 1979. Portanto, quem tem entre 31 e 49 anos de idade. Esse termo é usado para estudos demográficos, em ciências sociais e em marketing.

Mas há  gerações posteriores, mais modernas. A Geração Y ou Geração da Internet, formada pelos  “nativos digitais”, engloba pessoas que cresceram na era da internet, nascidos após 1980. Estes, por sua vez, são seguidos da Geração Z, que inclui os nascidos após 1994 e antes de 2004.

Para cada uma dessas gerações citadas são feitos estudos sociológicos e comportamentais, sobretudo com finalidades mercadológicas. As pessoas das gerações mais recentes já chegaram ao mun do em meio a um boom tecnológico e presenciando os efeitos da velocidade acelerada, da inconstância, da mudança rápida. As informações e todo o resto mudam a ritmo alucinante. Imagino  que isso resulte nas eras do “não preconceito”, já que os fatos nem chegam a formar bases e já são substituídos por outros, que lhes dão nova cara, novos valores. Olhando por este anglo pode ser algo bem positivo, pois nada mais destrutivo do que preconceitos.

Estou curiosa pra saber como vão denominar os nascidos em 2005 e anos seguintes,  se já usaram a última letra do alfabeto e o ciclo de vida não parou, felizmente. Indívíduos da geração Z já são adolescentes e muitos outros já nasceram depois desse período. A minha sobrinha de 3 anos, por exemplo, sabe mais de informática do que a mãe dela, de 44 anos. Quando o computador está abrindo um arquivo, ela fica paradinha, com as mãosinhas sobre a mesa e diz:  “tá caegano”. A que geração ela pertence, se nasceu em 2007?

Minha sobrinha, Ana Luiza, de 3 anos e aprendizado acelerado, possivelmente pelo excesso de estímulos. A boina é para esconder corte nos cabelos que ela própria fez.

Para passar em concurso público (II)

Estudar para concurso é coisa surreal. Pode subtrair-nos alegrias nos domingos,  diversões de fim de dia e até mesmo minutos valiosos de bom namoro. Por outro lado, enche-nos o coração de esperança, agiganta nossa confiança no futuro e cura-nos de ansiedades por nos dar a sensação de estarmos fazendo nossa parte para realizar anseios. Sim, porque nunca se tem total controle sobre o futuro. Mesmo trabalhando muito por uma meta, ela pode simplesmente não se cumprir, se tal evento estiver fora dos desígnios do Destino, esse Senhor intrometido, mandão na vida alheia.

Estudar querendo passar em concurso público é sacrifico autoimposto, mas ainda assim, sacrifício. Como é chato ver e rever tantas vezes coisas que gostaríamos de já ter definitivamente aprendido. Mas tudo tem sempre tantos lados, tantas facetas, tantas exceções e nada pode escapar. Daí estar-se sempre voltando a pontos para corrigir algo que escapou. Já escrevi anteriormente sobre as condições necesárias para se obter aprovação em seleção pública no post PARA PASSAR EM CONCURSO PÚBLICO, mas de forma mais didática. No outro post falava a psicóloga. Neste, apenas  a concursanda.

Às vezes tenho a impressão de que para passar nessas seleções muito concorridas é preciso neurotizar-se. Mudar de tal forma a própria rotina, entregar-se com tanta dedicação aos livros, cadernos, apostilas e exercícios que nos tornamos antissociais, irritáveis (quando nos atrapalham), que acabamos por mudar algo dentro de nós. É como se precisássemos ficar meio adoecidos, fixados, fascinados e até obstinados.

Tenho gastado horas estudando para uma dessas seleções e há uma única vaga. Somos ao todo 34 inscritos e isso significa que preciso me sair  melhor do que os outros 33 concorrentes. Acredito que tenho um forte aliado: esse campeonato de futebol chamado Copa do Mundo. Não podia ter vindo em hora melhor:  como estou indiferente a essa manipulação da mídia, nos dias de jogo avanço alguns passos em relação aos meus concorrentes. Sei que tudo isso é absurdo, que eu deveria me ocupar de mim mesma, tratar de estudar e esquecer os demais concorrentes, mas e o que fazer com a minha natureza humana? Negá-la. Não dá. Tenho estudado sim, mas também torço para que os outros não façam o mesmo ou, se o fizerem, que o façam com menos afinco do que eu.

Mas não me iludo, e se algum concorrente me lê, não tema: estou consciente de que tenho estudado muito aquém do necessário. Já passei num desses concursos e me lembro bem do esforço aplicado. Em 1986 eu e uma amiga nos inscrevemos em um concurso que oferecia apenas duas vagas. Ela era boa em Matemática e eu, em Português. Resolvemos compensar nossas deficiências e todos os dias estudávamos 8 horas por dia. Eu estava namorando, ela não. À noite ela aumentava a carga horária de estudos dela enquanto eu ia me entregar à lascívia juveenil. Resultado: ela passou em primeiro lugar. E eu? Também fui aprovada, mas  em segundo lugar. Ficamos com as duas vagas! Foi uma felicidade indescritível! Nossa autoestima foi às alturas. Ela, a Selma, assumiu a função e está trabalhando no órgão até hoje. Eu havia passado também em outro concurso e dispensei esse. Anos depois pedi demissão do emprego que assumi (era no Ministério da Justiça, técnica administrativa, ganhava tão mal que passava fome!). Além disso, minha natureza inquieta e minha sede por conhecimentos me instigou a alçar outros voos. Me esborrachei em alguns paredões, em certos voos, mas valeu a pena ter seguido em frente.

O importante é que desde essa época aprendi o que é estudar para passar em um concurso com poucas vagas. Infelizmente não estou em rotina semelhante, não tenho uma parceira de estudos e estou consciente de minhas poucas chances. Mesmo assim, desistir sem fazer o possível seria preguiça. Se é verdade que de grão em grão a galinha enche o papo, preciso descobrir se, de concurso em concurso soma-se a bagagem necessária para a aprovação. Acredito que o provérbio popular não se aplica a esse caso, mas preciso ver isso na prática. Você que me lê, pode torcer por mim? Não sei se isso ajuda, mas atrapalhar,  não atrapalha.

Torcedores patriotas ou marionetes da mídia?

Ontem acompanhei uma pessoa a uma loja de eletrodomésticos para comprar uma TV de 32 polegadas, cheia de recursos tecnológicos inimagináveis anos atrás. A pessoa pagou  RS 1.800,00, divididos em 12 vezes. Ou seja: vai apertar-se no orçamento por um ano para ter uma traquitana eletrônica a qual ela nem conseguirá aproveitar bem porque trabalha em dois empregos e mal tem tempo para descansar. Detalhe: essa pessoa não chega a ganhar 2 mil reais por mês. De nada adiantaram minhas tentativas de fazê-la ver que, já tendo um televisor em casa, não precisava comprar outro e tão caro. Enquanto esperava ela fechar a compra (eu estava lá apenas de motorista-transportadora) um homem de vestes humildes chegou à entrada do estabelecimento (parecia não se julgar digno de adentrar a loja) e olhou as TVs com olhar pesaroso, de quem deseja, mas sabe que não pode ter. Pude ver sofrimento e frustração no rosto dele. E odiei a mídia, a maldita mídia que incute nas pessoas necessidades que elas verdadeiramente não têm. E faz isso movida por interesses próprios e para atender às demandas dos anunciantes: o incentivo ao consumo. Na Copa (como no Natal, Páscoa, Dia dos Namorados, etc) isso é mais gritante! Estou odiando esse patriotismo de meia pataca. Todo um país mobilizado por causa de partidas de futebol, de um campeonato de futebol. Faça-me o favor! Isso é pura alienação e regressão aos impulsos mais infantis. Então as pessoas se mobilizam, enfeitam ruas, casas, compram tudo em verde e amarelo por causa de “diversão” e não se unem para defender a Pátria de ladrões , corruptos safados, gestores e políticos desonestos? Que tipo de patriotismo é esse? ISSO NÃO É PATRIOTISMO! No dia em que as pessoas se unirem em manifestação pública para pedir atendimentos de qualidade nos hospitais públicos, quando se mobilizarem para exigir o fim da corrupção nos três Poderes eu vestirei roupa verde amarela, empunharei uma bandeira do Brasil enorme e me juntarei a eles, debaixo de sol ou chuva. Mas não me peçam para participar dessa farça, dessa manipulação chamada “Copa do Mundo”. Claro, as pessoas têm direito e necessidade de se divertir, mas não é isso, apenas, que ocorre nesses eventos. Elas são usadas, manipuladas, para comprarem, consumirem, gastarem, esquecerem os reiais problemas do País. E quem vai cuidar do coração, das emoções afetadas daquele homem que sofre porque não pode levar uma TV grande para casa? Os miseráveis que o convenceram dessa falsa necessidade têm responsabilidade sobre a frustração dele. E o pior é que essa prática adoecedora é realizada diariamente, principalmente pela televisão. Depois a própria sociedade reclama dos marginais, das pessoas que roubam e matam para serem consumidoras do que dizem ser necessário TER. Dizem a todo instante que só tem valor quem POSSUI bens materiais, quem tem dinheiro. Pois bem, os desprovidos, os usurpados economicamente tratam de conseguir obter o que passam a acreditar que precisam. E recorrem ao caminho que está ao alcance deles, a contravenção. Fazer o quê? SIM, estou dizendo que a mídia é, ao estimular o consumo desenfreado, em grande parte, responsável   pela violência urbana (e rural). Enquanto não mudarmos o teor das  mensagens disseminadas nos veículos de comunicação, lutar contra a violência será luta inglória. E pouco me importam os jogos da Copa e que se danem os patrocinadores desse grande circo. NÃO, não estou de mau humor. Estou, sim, cansada de desmandos, de ver frequentes denúncias de absurdos por má gestão de recursos públicos, seguidas da mais absoluta impunidade, e da falta de consciência política dos brasileiros. A vida não é só festa, é também responsabilidade, pelo menos no mundo dos adultos. Brincadeiras como essas, deixemos para as crianças e, no máximo, para os adolescentes. Adultos se comportando como macacos zombeteiros entusiamados além do normal por causa de partidas de futebol é mais do  que infantilidade, é tolice da mais grave, é “imbecilidade produzida”  (que interessa muito ao comércio, mas não favorece em nada a Vida).