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Câncer de ovário: ameaça silenciosa

Recebi um email alertando para o silêncio perigoso do câncer de ovário. Enviei os sintomas citados na mensagem para uma ginecologista muito conceituada em Brasília, a médica Maria Quitéria Cordeiro, para checar a veracidade dos dados. A médica confirmou as informações e acrescentou outras.

Sintomas do câncer ovariano:
. Dor ou desconforto pélvico ou abdominal;

. Problemas gastrointestinais persistentes, como gases, náuseas e indigestões;
. Vontade de urinar freqüente, sem haver infecção;
. Perda ou ganho de peso inexplicável;
. Pelve ou abdômen inchados, intumescidos ou com sensação de estar cheio;

. Cansaço anormal ou mudanças inexplicáveis do funcionamento intestinal.

A ginecologista Quitéria Cordeiro explica:

“Quando o abdômen está  muito elevado, semelhante a uma gravidez de 5 meses, pode significar  liquido  na cavidade  abdominal, o  que chamamos  de Ascite, muito  comum no tumor de ovário (TU). Esse tipo de doença é silenciosa, como  é a maioria dos cânceres, e não detectado  no papanicolau. Esse exame costuma falhar também na detecção de câncer de colo uterino, de  10% a 20 % dos casos, havendo o vírus  do HPV.”

É dessa médica, especialista em HPV, a afirmação de que 90% dos brasileiros, de ambos os sexos, têm o papilomavírus humano (HPV). Isso impõe a necessidade do uso de camisinha nas relações sexuais, mesmo quando a mulher está tomando anticoncepcional. E inclusive quando a relação é entre marido e mulher, se o contrato de fidelidade sexual não é respeitado integralmente. Como o seguro morreu de velho e quem vê cara não vê coração, o melhor é desconfiar da fidelidade do (a) parceiro (a)  diante da menor alteração genital; fazer o exame e radicalizar na prevenção.

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O Inconsciente Coletivo

“O inconsciente coletivo é uma parte da psique que pode distinguir-se de um inconsciente pessoal pelo fato de que não deve sua existência à experiência pessoal, não sendo portanto uma aquisição pessoal. Enquanto o inconsciente pessoal é constituído essencialmente de conteúdos que já foram conscientes e no entanto desapareceram da consciência por terem sido esquecidos ou reprimidos, os conteúdos do inconsciente coletivo nunca estiveram na consciência e portanto não foram adquiridos individualmente, mas devem sua existência apenas à hereditariedade. Enquanto o inconsciente pessoal consiste em sua maior parte de com p l e x o s , o conteúdo do inconsciente coletivo é constituído essencialmente de arquétipos.

O conceito de arquétipo, que constitui um correlato indispensável da idéia do inconsciente coletivo, indica a existência de determinadas formas na psique presentes em todo tempo e em todo lugar. A pesquisa mitológica denomina-as de “motivos” ou “temas”; na psicologia dos primitivos elas correspondem ao conceito das représentations collectives de LEVY-BRÜHL e no campo das religiões comparadas foram definidas como “categorias da imaginação” por HUBERT e MAUSS. ADOLF BASTIAN designou-as bem antes como “pensamentos elementares” ou “primordiais”. A partir dessas referências torna-se claro que a minha representação do arquétipo, literalmente uma forma preexistente, não é exclusivamente um conceito meu, mas também é reconhecido em outros campos da ciência” (Jung, pág. 51).

O inconsciente coletivo, a camada mais profunda da psique, é algo semelhante a uma herança ancestral da humanidade; não se desenvolve individualmente, mas é herdado. É formado de formas preexistentes, os arquétipos, que só secundariamente podem tomar-se conscientes, conferindo uma forma definida aos conteúdos da consciência. Tanto quanto o inconsciente pessoal, o inconsciente coletivo também pode se manifestar por meio de sonhos. Desta forma, enquanto alguns sonhos têm caráter pessoal e podem ser explicados pela própria experiência da pessoa, outros apresentam imagens impessoais e estranhas, que não se consegue associar a nada de que se tenha lembrança. Esses sonhos seriam, então, um produto do inconsciente coletivo, do depósito de imagens e símbolos que Jung denomina de arquétipos, origem também dos mitos.

O Inconsciente Coletivo talvez seja  explicação para o fato de mais de uma pessoa ter a mesma ideia em diferentes épocas e diferentes localidades, mesmo não havendo intercâmbio entre elas, algumas dando origem a grandes inventos, como ocorreu com a invenção do avião e da fotografia. Numa analogia, é como se o Inconsciente Coletivo fosse a World Wide Web (www – que em português significa, “Rede de alcance mundial”) e os notebooks  com tecnologia wireless, os indivíduos. Há uma conexão virtual das pessoas com o Inconsciente coletivo. Essa figura de linguagem facilita ou complica a explicação? Fiiquei na dúvida…

Referência:

Carl Jung – Os arquétipos  e o Inconsciente Coletivo, Editor Vozes, 2002.

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A Sombra


Para Jung, a Sombra é o centro do Inconsciente Pessoal, o núcleo do material que foi reprimido da consciência. A Sombra inclui aquelas tendências, desejos, memórias e experiências que são rejeitadas pelo indivíduo como incompatíveis com a Persona e contrárias aos padrões e ideais sociais. Quanto mais forte for nossa Persona, e quanto mais nos identificarmos com ela, mais repudiaremos outras partes de nós mesmos. A Sombra representa aquilo que consideramos inferior em nossa personalidade e também aquilo que negligenciamos e nunca desenvolvemos em nós mesmos. Em sonhos, a Sombra freqüentemente aparece como um animal, um anão, um vagabundo ou qualquer outra figura de categoria mais baixa.

Em seu trabalho sobre repressão e neurose, Freud concentrou-se, de inicio, naquilo que Jung chama de Sombra. Jung descobriu que o material reprimido se organiza e se estrutura ao redor da Sombra, que se torna, em certo sentido, um Self negativo, a Sombra do Ego. A Sombra é, via de regra, vivida em sonhos como uma figura escura, primitiva, hostil ou repelente, porque seus conteúdos foram violentamente retirados da consciência e aparecem como antagônicos à perspectiva consciente. Se o material da Sombra for trazido à consciência, ele perde muito de sua natureza de medo, de desconhecido e de escuridão. A isso se chama “integrar a sombra”, uma das metas da psicoterapia.

A Sombra é mais perigosa quando não é reconhecida pelo seu portador. Neste caso, o indivíduo tende a projetar suas qualidades indesejáveis em outros ou a deixar-se dominar pela Sombra sem o perceber. Quanto mais o material da Sombra tornar-se consciente, menos ele pode dominar. Entretanto, a Sombra é uma parte integral de nossa natureza e nunca pode ser simplesmente eliminada. Uma pessoa sem Sombra não é uma pessoa completa, mas uma caricatura bidimensional que rejeita a bipolaridade bem e mal e a ambivalência presentes em todos nós.

Cada porção reprimida da Sombra representa uma parte de nós mesmos. Nós nos limitamos na mesma proporção que mantemos este material inconsciente.

À medida que a Sombra se faz mais consciente, recuperamos partes previamente reprimidas de nós mesmos e ganhamos mais saúde e ampliamos a construção de nossa autonomia. Além disso, a Sombra não é apenas uma força negativa na psique. Ela é um depósito de considerável energia instintiva, espontaneidade e vitalidade, e é a fonte principal de nossa criatividade.

Assim como todos os Arquétipos, a Sombra se origina no Inconsciente Coletivo e pode permitir acesso individual a grande parte do valioso material inconsciente que é rejeitado pelo Ego e pela Persona.No momento em que acharmos que a compreendemos, a Sombra aparecerá de outra forma. Lidar com a Sombra é um processo que dura a vida toda, consiste em olhar para dentro e refletir honestamente sobre aquilo que vemos lá.

Fonte: PsiqueWeb

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Diferença entre Psicologia e Psicanálise

É bem frequente a confusão entre Psicologia e Psicanálise ou entre psicoterapeuta e psicanalista. Assim, considero útil esclarecer sobre a diferença existente. A Psicanálise é um método de Psicologia Clínica desenvolvido  por Sigmund Freud. A formação em Psicanálise é feita não por faculdades ou universidades, mas por associações e sociedades de Psicanálise.   Mas um psicanalista não necessariamente será um psicólogo; na verdade, raramente o é. O registro profissional dos psicanalistas não é feito junto ao Conselho Federal de Psicologia nem pelos conselhos regionais de Psicologia. Por outro lado, para ser psicanalista o indivíduo precisa ter nível superior em qualquer área e fazer formação específica em Psicanálise (além da graduação em Psicologia, no caso dos psicólogos). Neste caso, além da graduação em Psicologia, esses profissionais precisam se especializar em Psicanálise, se quiserem ser também psicanalistas. Estes, se quiserem registro no Conselho Federal de Psicologia (CFP) ou em um Conselhos Regional de Psicologia(CRP) terão que cursar Psicologia em uma insitutição de ensino superior. Exemplo concreto: eu, Carmelita Rodrigues, sou psicoterapeuta, analista junguiana, graduada em Psicologia, com pós-graduação em Psicologia Profunda. Na minha prática clínica utilizo conceitos e técnicas da Psicanálise porque essa minha epecialização inclui um ano de introdução à Psicanálise (e outros três anos de Psicologia Analítica). Apesar disso, eu não posso me intitular psicanalista, pois não o sou. A formação completa em Psicanálise é de quatro anos. A  Psicologia Analítica, por sua vez, é também chamada de Junguiana porque foi desenvolvida pelo suíço Carl Gustav Jung. Tanto a Psicanálise quanto a Psicologia Junguiana são abordagens usadas em psicoterapia (Psicologia Clínica), que inclui ainda outras abordagens, como a Gestalt-terapia, desenvolvida pelo alemão Fritz Pearls, o Psicodrama, do romeno Levy Moreno, e a Hipnoterapia, do psiquiatra alemão Erik Erikson, entre outras abordagens e técnicas psicoterápicas.

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Tempo de internação por alcoolismo é maior entre as mulheres

Um estudo de doutorado da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP), da USP, constatou que as mulheres passam mais tempo internadas por causa do alcoolismo do que os homens. A pesquisa, que ouviu 2.203 pacientes de 56 municípios da região Centro-Oeste de Minas Gerais, revelou também que a faixa etária das internações está diminuindo. De acordo com o estudo, do professor Richardson Miranda Machado, o tempo de internação médio da mulher é de 24,4 dias, enquanto do homem é de 22,2 dias.

O tempo de internação maior das mulheres, é explicado, segundo o professor, por dois fatores básicos: um deles se refere às condições fisiológicas da mulher: “Pelas próprias proporções anatômicas, a mulher que é bem menor do que o homem, apresenta-se mais frágil e sofre mais com o efeito do álcool, o que requer um tempo maior para a recuperação”. O outro motivo levantado diz respeito a mudanças ocorridas no comportamento. Segundo o professor, a identidade cultural da mulher mudou muito nos últimos anos. “Antes, a mulher que bebia era mal vista, hoje tal hábito não é condenado”, diz o pesquisador. Entre as entrevistadas existem meninas de 10 anos de idade. Leia matéria na ÍNTEGRA.

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Combate ao tráfico de drogas

Assisti hoje ao documentário “Notícias de uma guerra particular”, dirigido por Katia Lund e João Moreira Salles, com a colaboração de Walter Sales. A produção captou imagens e depoimentos nos morros do Alemão, Cantagalo,  Chapéu, Santa Marta e  Rocinha, todos do Rio de Janeiro, nos anos de 97 e 98. São decorridos 12 anos, mas tem-se a impressão de que o filme foi feito este mês, tal a atualidade do problema. O governador do Rio, Sérgio Cabral, usa o problema da guerra civil provocado pela expansão do tráfico de drogas no estado como bandeira política, festeja a atuação policial que extermina traficantes e vítimas inocentes, canta de galo como se estivesse com o controle da situação, mas tudo não passa de encenação, se não for alienação social. A verdade é que o problema, que começou  nos anos 50, tem duas causas básicas: a distribuição injusta de renda e a omissão do Estado.

Vamos por parte, começando com uma frase explicativa de Janete, moradora de um dos morros-cenário do filme: “ninguém tá querendo mais esse salário de miséria”.  Quando as riquezas ficam concentradas nas mãos de poucos e para a maioria sobram migalhas, longas e escravizantes jornadas de trabalho mal remuneradas, vence o instinto pela vida. As pessoas vão em busca de outra alternativa de sobrevivência. Leia explicação de Hélio Luz, chefe da Polícia Civil do RJ quando o filme foi gravado, fazendo uma análise humana das motivações dos traficantes: “se eu conseguir emprego eu vou trabalhar 12 horas por dia pra ganhar 112,00 por mês (salário mínimo de 1997). Se eu me encaixo no tráfico eu ganho o triplo disso por semana.” Bem óbvio.

A segunda causa: todo espaço vazio é preenchido; é lei da física. Onde o Estado deixa de atuar, fazendo o que lhe compete fazer, outra “força” humana vai entrar e fazer o que precisa ser feito, vai ocupar o espaço vazio. Ignorar a responsabilidade dos governantes na expansão da guerra do tráfico seria estupidez. Não é preciso ser socióloga para compreender que a guerra entre polícia e traficantes é coisa inútil que nada resolverá. Não enquanto não forem feitas mudanças estruturais na sociedade brasileira e corrigida a má distribuição de renda, corrigidas as grotescas distorções na divisão dos privilégios. Como o documentário mostra, o Estado – mobilizando a polícia – só passou a se incomodar com a violência nos morros quando ela saiu de lá e passou a ameaçar a vizinhança. Antes, simplesmente se ignorava o problema ou prevalecia a diretriz: “eles que se matem entre eles”. Mas quando a violência de lá resvalou para o mundo dos privilegiados, as autoridades resolveram intervir. Mas o fizeram e continuando fazendo sempre na base do faz de conta que estamos resolvendo. A conseqüência é que o problema vai se alastrando. Os substitutos do Estado, ganhando força e poder, ampliam seus tentáculos. Vão em busca de ocupar outros espaços deixados vazios pelo Estado. Onde for. Assim, o problema nasceu no Rio, mas se transferiu para outros estados, como São Paulo e Minas Gerais. Omissão do Estado. É talvez o resultado mais efetivo dessas  ações policias: o problema apenas muda de lugar. Expulsos de determinado morro, os traficantes vão atuar em outra localidade.

Sim, o filme é  representação social da violência, mas  mostra também a fragilidade ética, primeiramente dos detentores do poder e da elite abastada; em segundo, da classe social desprivilegiada. Porque não se pode ter ilusão: na espécie humana há desvios de conduta em todas as classes sociais. Mas o que o documentário mostra é a necessidade de se considerar as circunstâncias que levam as pessoas a integrar o tráfico. Trata-se de problema sistêmico, interligado a outras questões  interdependentes. Não resolve invadir o morro, atirar, matar, exterminar e, em seguida, simplesmente descer o morro como se tudo tivesse ficado bem. A questão é mais profunda. Uma analogia: numa horta, não basta arrancar as ervas daninhas que surgem sem limpar a terra das sementes escondidas. Do mesmo modo, na questão do tráfico, essas ações de invasão dos morros de nada adiantam. Porque as pessoas sempre irão fazer movimentos para assegurar a própria vida e dos seus familiares. Sem trabalho bem remunerado, sem políticas sérias de habitação, saúde e educação, sem distribuir melhor as riquezas do país, que são de todos e não de uma minoria que luta com unhas e dentes, sem escrúpulos ou ética, para não perder privilégios, o futuro é incerto e volta e meia os próprios privilegiados serão vítimas dos desprovidos, dos socialmente abusados. Desde que o mundo é mundo que os mais fortes tentam usurpar direitos dos mais mais fracos. Embora a passos de tartaruga, penso que esses vitimizados mais e mais estão aprendendo a se defender. É óbvio que não se pretende com essa análise defender o tráfico de drogas nem os traficantes. O que está em discussão é o fato de que compete ao Estado resolver os problemas sociais sem teatro, sem distorções da realidade, sem ilusões, sem politicagens baratas. Por que os traficantes não têm prestígio nem grande domínio na Suiça, Suécia e entre outras comunidades onde prevalece a justiça social ou onde existe qualidade de vida?   Pessoas bem educadas, bem alimentadas e com reconhecimentos social são pessoas com esperança de felicidade. São pessoas que não precisam usar drogas, salvo uma ou outra, cuja causa do vício tem origem diversa e mais fácil de ser tratada.

O filme Notícias de uma Guerra Particular foi dividido em 10 partes e postado no YouTube.

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Bullying nas escolas

Bullying volta a ser assunto constante nos telejornais e nas rádios. Alguns anos atrás o tema chegou a ser amplamente explorado, mas pouco foi feito como forma de prevenção ou combate. Bullying é a prática de atos agressivos, verbais ou físicos, de maneira repetitiva. Na escola, pode ser cometido por um ou mais alunos contra ou até mesmo por professores contra alunos. É um tipo de ameaça, intimidação recorrente. Atualmente existe a versão virtual desse tipo de comportamento, o chamado cyberbullying, quando essa violência é propagada na internet. O bullying está novamente em pauta, mas de novo percebe-se pouca efetividade no enfrentamento da questão. Não se percebe, por exemplo, secretários de educação, psicopedagogos nem professores se mobilizando no combate a esse tipo de violência nas escolas. Apenas se fala nele, se reconhece a existência, o que já é alguma coisa, mas muito insignificante.

Podem ser considerados atos de bullying coisas como usar apelidos pejorativos para humilhar os colegas, xingar, fazer piadinhas sobre a condição física ou jeito de ser do outro, excluir, discriminar, humilhar, ofender, chutar, bater, perseguir, em resumo: fazer sofrer. É função da escola observar a existência ou  não dessa  prática e em havendo crianças sendo vitimizadas, tomar as providências necessárias, isto é, conversar com agressores e vítimas. Alguns alunos podem ocupar o lugar de testemunha do bullying. É importante que professores e a direção da escola estimulem a denúncia desse tipo de violência para que o ambiente escolar seja de segurança, acolhimento e confiança nas  interrelações. O papel dos professores também é fundamental. Eles podem identificar os atores do bullying, sejam eles agressores ou vítimas. É importante destacar também que um aluno considerado praticante de bullying, isto é, o agressor, não deve ser execrado ou punido de forma cruel e inconseqüente. Isso porque na maioria dos casos, os autores de atos de violência na verdade são também vítimas. Costumam ser jovens ou adolescentes sem orientação e apoio familiar; filhos de pais omissos ou despreparados. Isso quando não são eles próprios vítimas de violência em suas casas e apenas repetem o comportamento. É mais eficiente uma intervenção de acolhimento e orientação adequada.  As vítimas de bullying costumam ser crianças com problemas psicológicos, seja apresentando baixa autoestima, falta de autossuporte ou excesso de retraimento; jovens ou adolescentes que não sabem reagir, se defender quando agredidos. Brincadeiras agressivas ou de mau gosto, troca de ofensas e “zoação”, como dizem os adolescentes, sempre existiram em escolas e continuarão existindo. Embora sempre produzam resultados negativos, essas coisas nunca deixarão de existir. Mas é preciso limite. É preciso distinguir entre uma zoação e uma agressão mais contundente. O diferencial costuma ser a repetição, a reincidência do ato contra a mesma  vítima. a quem deseja saber mais sobre o assunto recomendo o site do OBSERVATÓRIO DA INFÂNCIA. Lá existe até uma aula pronta, com 43 slides, para ser usado em sala de aula ou outro espaço.

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Individuação: sentido de viver

O conceito de individuação foi criado pelo psicólogo Carl Gustav Jung, um suíço que chegou a ser considerado por Freud como seu herdeiro intelectual. Esse é um dos conceitos centrais da sua  Psicologia Analítica ou Junguiana ou, ainda, Psicologia dos Complexos. A individuação é o processo de evolução do ser humano, por meio do qual uma pessoa sai do estado infantil de identificação para um estado de maior diferenciação. Isso exige ampliação da consciência para que o indivíduo consiga identifica-se menos com as condutas e valores encorajados pelo meio no qual se encontra e mais com as orientações emanadas do  si-mesmo,  a essência do ser, o eu-real ou totalidade  (a totalidade inclui as instâncias psíquicas sugeridas por Carl Jung: persona, sombra, self e outros arquétipos). Para Jung, esse estado evoluído de consciência é o propósito da psique, isto é, da própria existência humana. Ao longo da vida, no entanto, podem ocorrer eventuais resistências, interferências no processo de individuação, o que causa sofrimento e  doenças psíquicas. Caminhar para a individuação não significa entrar em conflito com as regras sociais ou normas de convívio coletivo do meio no qual o indivíduo se encontra. Pelo contrário: um dos desafios do indivíduo que busca a individuação é conseguir adaptar-se ao seu meio social e inserir-se de forma a ser membro ativo de sua comunidade. Jung acreditava que poucas pessoas atingiam a individuação de forma mais ampla. Particularmente credito que ele conseguiu atingir, assim como Gandhi e Francisco de Assis. Jesus Cristo é o exemplo mais perfeito de pessoa individuada. Entre os passos a serem percorridos no caminho da individuação está a assimilação das quatro funções (sensação, pensamento, intuição e sentimento), conceitos definidos por Jung em sua teoria dos tipos psicológicos. Numa analogia, a meta da individuação é o equivalente à “Opus”, ou “Grande Obra” dos alquimistas.

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Sonhos recorrentes

Sonhos recorrentes são alertas do inconsciente quanto à necessidade de resolver algo interno (com repercussão externa). É a forma do si-mesmo, via inconsciente, enfatizar um problema  não resolvido, um padrão de comportamento não superado, uma situação que está sendo evitada ou alguma coisa ainda não aprendida. Quando isso ocorre, a pessoa terá sonhos contendo sempre os mesmos elementos simbólicos.

Um exemplo concreto: alguns anos atrás uma paciente sonhava sempre com dois elementos: água e morro. Sonhava repetidas vezes que um rio, córrego ou lago a impediam de seguir em frente e ir aonde queria. Com o morro, ela se via tentando subir o terreno elevado, que apresentava uma inclinação tão forte que a impedia de prosseguir; ou ela rolava de volta, desistindo de subir. Havia elementos arquetípicos, como os existentes no mito de Sísifo, aquele mortal condenado por Zeus a empurrar uma grande pedra até o topo de um morro, de onde ela desceria antes de chegar ao topo, sendo Sísifo obrigado a recomeçar o trabalho, eternamente.

O mito de Sísifo retrata a história daquele que foi considerado o mais astuto dos mortais. Seus problemas começaram quando ele “delatou” Zeus, num episódio em que este se camufla de águia e rapta a jovem filha do deus-rio, Asopo. Sísifo desperta a ira de Zeus, que o entrega ao deus da morte, Tânatos.  Mas o esperto Sísifo consegue enganar o dono do mundo dos mortos e consegue sair de lá. Por duas vezes Sísifo consegue enganar a Morte. Sísifo morre de velhice e, como castigo, Zeus o envia a Hermes para conduzir sua alma a Hades. No tártaro, Sísifo foi considerado um grande rebelde e teve um duro castigo: condenado, por toda a eternidade, a rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível e o trabalho tinha que ser reiniciado. Por esse motivo, a tarefa que envolve esforços inúteis passou a ser chamada “Trabalho de Sísifo”.

No caso da minha paciente, havia complexos que precisavam ser esvaziados. Sem isso, ela estava sempre voltando às mesmas dificuldades e repetindo os erros.
Nos sonhos, de modo generalizado, a água simboliza o inconsciente, nossos sentimentos e emoções, mas também as profundezas e experiências espirituais. Montanhas e morros são a simbologia do inconsciente para barreiras e obstáculos a serem superados. Em outros casos têm o sentido de se estar perto de Deus, estado exaltado de consciência, ideia e motivos elevados. Em alguns contextos pode expressar, ainda, pensamento livre, mente aberta, pensamentos abstratos.

No caso citado, o sonho com as águas lhe impedindo de avançar expressavam que ela estava presa por conteúdos inconscientes, reprimidos ou recalcados. Os  morros e terrenos elevados revelavam que havia coisas a serem lembradas e elaboradas. Não poderia ser o segundo sentido da simbologia porque no sonho ela  ficava frustrada por não ir adiante e não se sentindo “próxima a Deus”. O significado do elemento depende do contexto do sonho e das emoções que eles provocam no sonhador.

Lembro de ela ter questionado se em a minha interpretação estando correta, como ela saberia que os complexos tinham sido esvaziados. Respondi-lhe: “você vai sonhar com alguma coisa lhe dizendo isso.”

E, efetivamente, foi o que aconteceu: após algum tempo de terapia analítica, os complexos foram esvaziados e ela teve  dois sonhos que mostravam isso. Em um deles ela se via em um terreno com água e precisava ir para o lado oposto. Percebia o obstáculo, mas pensava e dizia para si mesma “outras pessoas conseguem, então eu também consigo”. Em seguida entrava na água e seguia em frente até chegar do outro lado. No outro, ela tinha que escalar uma espécie de terreno elevado e para não descer morro abaixo, fincava as unhas na terra, como garras, e conseguia chegar ao topo. Nos dois casos acordava comemorando internamente a vitória. E a conquista era reforçada na sessão terapêutica.

Escrevi mais sobre sonhos no texto SONHAR COM TREM E TÚNEL

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Saúde e espiritualidade

Acabo de acrescentar à página de ARTIGOS deste blog um texto esclarecedor do Jornalista Paulo Cardoso de Almeida sobre a relação entre saúde e espiritualidade. Leia trechos do artigo, cujo título é UMA PRECE E UM COMPRIMIDO:

“Até que ponto casos de recuperação inexplicavelmente rápida podem ser creditados à fé não se sabe, mas a verdade é que montanhas continuam se movendo por aí. A medicina, sob o olhar atento de alguns observadores de mente mais aberta, acompanha esses movimentos e procura estudá-los na ânsia de compreender o que há por trás disso tudo.

Um dos pioneiros nos estudos científicos do potencial de cura pela fé, o Dr. Harold Koenig, reuniu ao longo dos anos resultados de pesquisas que demonstram que a fé religiosa não só é capaz de prevenir, como pode ajudar na recuperação de doenças graves.”

“Durante as orações, esses pacientes controlam indiretamente suas doenças”, afirma o Dr. Koenig, acreditam que não estão mais sozinhos e que têm o apoio de Deus na batalha contra a doença. “ Isso protege do isolamento psicológico que os derrubaria antes mesmo que a doença o fizesse”. É evidente que isso pode ser encarado, pelos céticos, como mera auto-ajuda, mas esta auto-ajuda já não seria um importante fenômeno a ser estudado? Por quais mecanismos a vontade pode transformar o organismo doente?

Na pesquisa elaborada pelo também pioneiro no tema Dr. Herbert Benson, ele procura explicar a fisiologia envolvida na cura pela fé. Segundo seus estudos, de 60% a 90% das consultas médicas envolvem doenças relacionadas ao estresse – hipertensão, infertilidade, insônia e problemas cardiovasculares. Para ele, esses pacientes possuem um alto índice de noradrenalina e adrenalina, os chamados hormônios do estresse.”

“Para praticar suas orações, a pessoa se coloca em estado de concentração. Isso desacelera os batimentos cardíacos, a respiração, e ela vai relaxando gradualmente. Conforme avança com orações repetitivas, reduz a velocidade de suas ondas cerebrais. De que outra forma se consegue esses efeitos no ser humano? Só com medicamentos. Sendo assim a oração, movida pela fé, atua indiretamente no bem estar e na recuperação”, afirma.

“Na conceituada Faculdade Johns Hopkins, o clínico geral e psiquiatra Dr. Thomas A. Corson ministra um curso sobre “Fé e Medicina”. Ele afirma que esse tema avançará para todas as Universidades pelo mundo e vai ajudar a melhorar ainda mais a relação que já foi tão distanciada: médico-paciente. Aproximadamente 2/3 das universidades americanas já contam com a disciplina de saúde e espiritualidade em seus currículos e aqui no Brasil a Universidade Federal do Ceará foi a pioneira e várias universidades brasileiras já contam com cursos sobre o assunto como disciplina optativa.

Dr. Décio acredita que a cura, de uma maneira ou de outra, sempre passa pela Fé, a crença e a confiança na cura, que são muitíssimo potencializadas pela religiosidade, mas “sempre acompanhada dos medicamentos e tratamentos receitados pelo médico”, como alerta o Dr. Dale A. Matthews, professor de medicina em Georgetown e autor do livro “The Faith Factor” – O Fator Fé: ‘a oração jamais poderá substituir os medicamentos, eles são complementares no tratamento. Ambos, médico e paciente, julgarão quanto é necessário de cada afirma Dr. Matthews’. Por isso a denominação Terapias Alternativas, tem sido substituída por Terapias Complementares, pelos médicos que estudam este assunto.”

“Temas como espiritualidade e religião sempre foram tabu nos meios acadêmicos em especial na medicina. Ciência lógica, racional e objetiva, a medicina encarou por muito tempo esse assunto como sua antítese, uma condição ilusória, subjetiva e difícil de descrever, mesmo sabendo que Hipócrates, o pai da medicina ocidental, colocava a questão espiritual como fundamental para o sucesso de qualquer tratamento.”

“Essa realidade está mudando, estamos avançando, evoluindo. Quanto mais próximos estivermos dos problemas espirituais de nossos pacientes, mais próximos estaremos da cura ou, pelo menos, da compreensão de seus males, sejam eles físicos ou espirituais afirma o Dr. Décio.

O curioso é que as pessoas buscam sua fé apenas em situações extremas. ‘As enfermidades fazem com que as pessoas revejam valores, fiquem mais abertas e mais transparentes. O paciente moribundo é como um oráculo, pergunte e receberá respostas verdadeiras.’ revela Dr. Iandoli.”

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Política e psicologia

Este blog não é de política e sim, de psicologia. Mas entendo que há três áreas do conhecimento que permeiam todas as demais: a psicologia, a comunicação e a política.

Assim, como posso deixar de manifestar minha percepção de psicóloga e comunicadora diante de absurdos da política? Com poderia ficar indiferente ao ver políticos inescrupulosos usando os complexos psicológicos dos eleitores para ganhar voto? Políticos do estilo de Joaquim e Weslian Roriz, a aprendiz… Grande parte da população de baixo poder aquisitivo sofre as conseqüências de complexo paterno e materno, inclusive agravados por maus políticos que, ao desviarem recursos públicos, aumentam a miséria material dessas pessoas. Ao negligenciar a saúde pública, aumentam o sentimento de desamparo e desproteção dos pobres. Sabedores disso, essas criaturas inescrupulosas vestem as personas de “pai” e “mãe” substitutos e suas equipes tentam inculcar nos humildes jargões como “nosso pai Roriz” e “mamãe Weslian”. De  psicologia social eles parecem entender bem, ainda que de modo intuititvo, obviamente que usam essa compreensão para manipular as pessoas de modo a atingir objetivos nefastos. Seria patético se não fosse criminoso. E mentem. Descaradamente. Cinicamente. Fazem falsas promessas, como o fazem os pais ruins, causa de complexos psicológicos que se estendem por toda a  vida dos indivíduos. Mas por que se preocupariam com as mazelas psicológicas da população se não dão importância a coisa mais tangíveis, como falta de profissionais, remédios e equipamentos nos hospitais? Ou escolas seguras e bem providas do essencial? Não. Definitivamente essa não é uma preocupação deles.  O que os move é a busca incansável pelo poder e a oportunidade de desviar recursos públicos, aumentar o próprio patrimônio subtraindo dinheiro de impostos e repasse federal para alimentar a máquina da corrupção e enriquecer. Ainda que empobreçam a alma. Abusam do nome de Deus; pedem votos até em nome de Nossa Senhora! Prometem atender as demandas das pessoas mesmo sabendo que não irão cumprir o compromisso. Há muito tempo o senso de responsabilidade, a vergonha na cara e o temor a Deus deixaram de ser diretrizes dessa gente. Sabemos em Psicologia e outras áreas da saúde que as doenças e os sintomas de mau funcionamento físico são também avisos de mau funcionamento orgânico, psicológico e desvios do espírito na caminhada evolutiva. Joaquim Roriz, para pegar apenas um exemplo, está com a saúde frágil, fazendo hemodiálise peritonial. Mesmo assim, foge da reflexão sobre os próprios erros e segue ensinando mulher, filhos, sobrinhos e quem mais queira aprender sobre corrupção e política abusiva. Não ouve os apelos do corpo para que salve a alma, se redima, trace novo percurso de vida. A avidez por ganho-roubo de dinheiro toma a frente. E a companheira de 50 anos aprendeu com a convivência. Diz-se por aí que os afins se atraem. Em essência, provavelmente ela sente e pensa como ele, do contrário não seria conivente por tanto tempo. Educação de qualidade, politizadora, conscientizadora e crítica talvez possa salvar a população dessa escória de políticos. Mas é preciso, antes, varrer essa gente do poder; abrir alas para a construção da cidadania.

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Efeitos dos alimentos nas emoções

Banana:contra a ansiedade

Se você anda mais ansiosa que o normal, aposte na banana para elevar os níveis de serotonina. Quando os níveis desse neurotransmissor estão baixos, falha a comunicação entre as células cerebrais. Aí você fica irritada e especialmente ansiosa. A fruta combina doses importantes de triptofano e vitamina B6. Juntas, as duas substâncias se tornam poderosíssimas na produção da serotonina. Quanto consumir: 2 unidades por dia

Mel: pura alegria

Triste sem motivo? De novo a causa pode ser a       serotonina de menos. Nesse caso, o mel funciona     como um calmante natural, pois aumenta a eficiência da serotonina no cérebro. Mas não é só aí que ele atua. Quando alcança o intestino, ajuda a regenerar a microflora intestinal. Resultado: o ambiente se torna mais propício para a produção de serotonina. Surpresa? Pois é, cerca de 90% do neurotransmissor do bom humor é produzido no intestino. Quanto consumir: 1colher (sopa) / dia.

Abacate: amigo do sono

Dormir é tão importante para viver bem quanto comer direito e fazer exercícios. Tem noite que o sono não vem? Põe fé no abacate. Tudo bem, ele tem gordura, mas é boa. E oferece vitaminas que ajudam você a se entender melhor o travesseiro. A vitamina B3 equilibra os hormônios que regulam as substâncias químicas cerebrais responsáveis pelo sono. Já o ácido fólico funciona como se fosse uma enzima, alimentando os neurotransmissores que fazem você dormir bem. Quanto consumir: ½ abacate pequeno, 3x / semana.

Salmão: levanta o astral

Mau humor constante pode ser sinal de falta de ômega 3 no prato. O representante oficial dessa gordura amiga é o salmão. Mas existem outros peixes (atum, aranque e sardinha) que jogam seu astral lá para cima. O ômega 3 melhora o ânimo porque aumenta os níveis de serotonina, dopamina e noradrenalina – substâncias responsáveis pela sensação de bem-estar. Estudos também comprovam que este ácido graxo tira os radicais livres de cena e assim protege o sistema nervoso central. Quanto consumir: 1 porção, 3x / semana.

Lentilha: afasta o medo

Angústia e medo podem estar relacionados ao desequilíbrio de cálcio e magnésio. Essa dupla atua no balanceamento das sensações. Além de incluir alimentos com cálcio (queijo e iogurte) e magnésio (acelga) na dieta, consuma mais lentilha. Ela tem efeito ansiolítico, ou seja, tranqüiliza e conforta. Isso porque é precursora da gaba, neurotransmissor que também interfere nos sentimentos. Quanto consumir: 3 conchas pequenas / semana.

Nozes: mantém a concentração

São muitos os nutrientes das nozes. Mas é a vitamina B1 a responsável por essa fruta oleaginosa melhorar a concentração, pois a B1 imita a acetilcolina, neurotransmissor envolvido em funções cerebrais relacionadas à memória.Quanto consumir: 2 nozes, 4x / semana.

Chá verde: espanta o estresse

Essa erva, a Camellia sinensis, tem fitoquímicos (polifenóis e catequinas) capazes de neutralizar as substâncias oxidantes presentes no organismo que, em excesso, deixam você cansada e estressada e acabam desorganizando o funcionamento do organismo. O estresse é capaz de desencadear a síndrome metabólica, culpada por doenças como a obesidade e a depressão. Beber chá verde, conforme alguns estudos, melhora a digestão e deixa a mente lenta. Quanto consumir: 4 a 6 xícaras (chá) / dia.

Brócolis: deixa a mente esperta

É comum você demorar alguns segundos para lembrar o número do seu telefone? Este alimento é rico em ácido fólico, acelera o processamento de informação nas células do cérebro, conseqüentemente, melhorando a memória. Porções extras desta verdura vão fazer você lembrar de tudo rapidinho.Quanto consumir: 1 pires / dia.

Clorela: controla a preocupação

Comportamento obsessivo pode ser sinal de que as células do organismo estão desvitalizadas. A alga clorela funciona como um poderosíssimo reparador celular, melhorando as funções fisiológicas e o sistema imunológico. E mais: contém vitaminas (B3, B6, B12 e E) e minerais (cálcio, magnésio e fósforo) e aminoácidos (triptofano) que ajudam a estabilizar os circuitos nervosos, acabando com a aflição e aumentando a sensação de conforto.Quanto consumir: de 2 a 4g / dia (cápsula)

Óleo de linhaça: dribla o apetite voraz

O óleo extraído da semente de linhaça e prensado à frio é uma fonte vegetal riquíssima em gordura ômega 3, 6 e 9. Melhor: é um dos poucos alimentos com ômega numa proporção próxima do ideal, o que é imprescindível para que exerça suas funções benéficas. Uma delas é regular os hormônios que ajudam a manter o sistema nervoso saudável. Com isso, a ansiedade perde espaço e a cumpulsão a comida fica bem menor. Quanto consumir: 1colher (sobremesa) / dia, antes das refeições principais.

Gérmen de trigo: acaba com a irritação

Assim como as nozes, o gérmen de trigo tem vitamina B1 e inositol, que reforçam a concentração. Mas por ter uma boa dose de vitamina B5, o gérmen é especialmente indicado como calmante, já que melhora a qualidade de impulsos nervosos, evitando nervosismo e irritabilidade. Quanto consumir: 2 colheres (chá) / dia.

Tofu: espanta o desânimo

O queijo de soja tem o dobro de proteínas do feijão e uma boa dose de cálcio. Também é rico em magnésio (evita o enfraquecimento das enzimas que participam de produção de energia) e ferro (combate a anemia). Quando estes minerais estão em baixa no organismo, você se sente fraca e sem ânimo. Mas é a colina, substância que protege a membrana das células cerebrais, que dá ao tofu o poder de acabar com o cansaço mental. Quanto consumir: 1 fatia média / dia.”

Fonte: Nutrissoma, clínica de nutrição de Porto Alegre (RS).

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Depressão por fatores externos e resiliência

Algumas pessoas entram em processo depressivo após ser submetidas a situações de grande estresse. Outras, mesmo passando por situações idênticas resistem sem alterações duradouras no estado de humor. Sem entrar na análise profunda das diferentes causas da depressão, pode-se afirmar que uma pessoa submetida à situação de estresse (profissional ou emocional) e que tolera melhor as circunstâncias opressoras, vencendo a “crise” sem lesões severas é um indivíduo resiliente. Entre muitas conceituações para o termo, pode-se explicar a resiliência como sendo o equilíbrio entre tensão e habilidade de lutar além do aprendizado adquirido no momento em que depara  com graves obstáculos e sofrimentos. O indivíduo sem resiliência é como um ser de vidro, que se quebra ao ser submetido a pressões e situações estressantes. Em outra comparação, semelhante a uma bexiga de borracha, que suporta ser enchida de ar e após ser esvaziada volta à forma anterior, uma pessoa resiliente resiste a pressões sem “estourar”.

Dicas para aumentar a capacidade de resiliência*

. Mentalizar seu projeto de vida, mesmo que não possa ser colocado em prática

imediatamente. “Focar” em um propósito específico reduz o sentimento de vitimização;

. Aprender e adotar métodos práticos de relaxamento e meditação;

. Praticar esporte para aumentar o ânimo e a disposição física e mental; os exercícios

aumentam a produção de endorfinas e testosteronas que, consequentemente,

proporcionam sensação de bem-estar;

. Aproveitar parte do tempo para ampliar os conhecimentos, pois isso aumenta a

autoconfiança;

. Transformar-se em um otimista incurável, visualizando sempre um futuro bom;

. Assumir riscos (ter coragem);

. Tornar-se um “sobrevivente” repleto de recursos no mercado profissional;

. Separar bem quem você é e o que faz;

. Usar a criatividade para quebrar a rotina;

. Examinar e refletir sobre sua relação com o dinheiro;

. Permitir-se sentir dor, recuar e, às vezes, enfraquecer, para em seguida retornar ao

estado original.

* Dicas do Dr. Alberto D’Auria, ginecologista e superintendente de Saúde Ocupacional do Hospital e Maternidade São Luiz.

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Significado dos sonhos

Disse no post SONHOS E PESADELOS NA PSICOTERAPIA que  alguns elementos dos sonhos têm simbologia universal, isto é, tem o mesmo signific ado para diferentes pesoas. Vou citar apenas três desses elementos que costumam ter significado semelhante para não me estender muito: sonhos com carro, com casa e envolvendo nudez. O carro, se for o seu, representa o seu corpo e o estado em que ele se encontra. É também o símbolo da autoimagem, o amor próprio, a personalidade, a liberdade de ir e vir, o poder de realização,  a vontade de ter sucesso ou seu curso de ação. Então, por exemplo, se você sonha que seu carro está amassado ou estragado,  seu Inconsciente pode estar lhe dizendo que você anda desvalorizando a si mesmo, com pouco amor-próprio, negligenciando a saúde ou causando algum dano a seu próprio corpo. Ou permitindo que alguém lhe prejudique – nunca se deve esquecer a autoresponsabilização em tudo que nos ocorre. A interpretação vão apresentando variações de significado  conforme os demais elementos e o contexto geral do sonho,  as próprias associações e interpretações muito pessoais do conteúdo do sonho.

Sobre sonho com casa transcrevo na íntegra trecho do livro O Mundo Místico, Mágico e Maravilhosos dos Sonhos: “O seu lar simboliza o local onde você vive mental e emocionalmente, a área dos pensamentos que lhe ocorrem com mais freqüência, a estrutura do seu sistema de crenças construído desde a infância.  Representa o lugar a que você pertence, sua base, suas raízes,  sua tradição, sua segurança e seu estado de consciência. Simboliza a soma de tudo aquilo em que você aprendeu a acreditar. À medida que você aprende e se desenvolve, aceita novos ensinamentos e idéias; sua consciência se expande. Isso é muitas vezes simbolizado por novas salas que são acrescentadas ou descobertas, contanto que as novas idéias se adaptem à atual estrutura do seu sistema de crenças. Quando o novo não pode existir dentro do velho, deve-se encontrar ou construir uma nova casa. É aí que começamos a construir ou procurar novas casas. Podemos ter vários conjuntos de crenças e casas nas várias áreas da nossa vida ” (Tanner, pág. 265). Para cada parte da casa que aparece no sonho há um significado diferente. Assim, sonhar com a dispensa da sua casa há relação com suas necessidades básicas. Sonho com quarto de criança fala da necessidade de criar um projeto novo ou novo ideal. Simboliza também o local onde se cuida de alguma coisa. Há, ainda, diferentes tipos de casa, nova, velha, dos pais, etc.

Sonhos com nudez podem ter muitos significados, dependendo do sentimento individual quanto a ficar nu. Generalizando, aparecem relacionados a situações em que a pessoa se sente exposta, pega desprevenida ou com receio de que algo seja tornado público. Pode representar sentimento de pobreza, de desproteção, falta de amor, falta de apoio ou mesmo sentimento de inexistência de coisas básicas necessárias ao dia a dia. Sentir que nos faltam essas coisas nos deixa com sentimento de nudez, de que estamos largados ao deus-dará ou expostos aos caprichos do público. Também pode estar simbolizando falta de idéias, de atitude, de opinião ou indecisão generalizada. A nudez pode, ainda, estar associada à necessidade de se enfrentar e revelar a  realidade “nua e crua”, deixar de lado disfarces, derrubar barreiras, dependendo das circunstâncias e dos sentimentos presentes no sonho.

Qualquer que seja o sonho, no trabalho de “análise de sonho” feito em terapia, o paciente é guiado para chegar às próprias interpretações, a partir de suas asociações pessoais, de modo a entender o “recado” do inconsciente e, dessa forma, descobrir  o que esteja mobilizando o psiquismo no momento do sonho.

A análise de sonho é caminho muito eficiente para se chegar a conteúdos profundos e, a partir disso, ao autoconhecimento, à elaboração de conteúdos e o esvaziamentos  de intrincados complexos psicológicos que são causas de doenças, sofrimento ou dificuldade de relacionamento, entre outras consequências.

Fonte: TANNER, Wilda B. O Mundo Místico, Mágico e Maravilhosos dos Sonhos. São Paulo (SP): Pensamento, 2000.
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Sonhos e pesadelos na psicoterapia

Os sonhos, excetuando-se aqueles que são resquícios do cotidiano e os premonitórios, são comunicados do Inconsciente para o Consciente. Nós, psicoterapeutas junguianos, fazemos análise de sonhos como técnica  para acessar o Inconsciente dos pacientes e conduzi-los à elaboração de conteúdos profundos. A linguagem do Inconsciente é simbólica. Por isso os sonhos às vezes parecem incompreensíveis. Na análise do sonho, no entanto, o paciente faz suas respectivas associações e chega à compreensão do que está sendo “dito” pelo inconsciente. Sonhos iguais podem ter sentido e significado diverso para diferentes pessoas, dependendo das associações, que são muito subjetivas. No entanto, certos símbolos são universais. Também é possível generalizar a ocorrência de pesadelos. Algumas pesquisas detectaram relação entre nossos problemas (físicos ou emocionais) e os pesadelos. “Em geral, quem tem pesadelos são as pessoas que têm algum medo ou um problema que não querem enfrentar ou do qual preferem fugir, na esperança de que ele desapareça sozinho. Mas nossos problemas não desaparecem quando ignorados: eles geralmente passam a ser representados em pesadelos que podem se tornar recorrentes se os problemas não forem enfrentados. (…) Os pesadelos parecem ocorrer com maior freqüência quando a pessoa – geralmente sensível e gentil, mas também medrosa – permite que alguém a manipule ou controle, sendo incapaz de mudar a situação” (Tanner, pág. 236).

O medo parece ser a causa dos pesadelos também nas crianças, justamente por serem mais vulneráveis e indefesas. Crianças em contextos desfavoráveis, sem muita resiliência, apresentam pesadelos recorrentes, o que reflete a angústia e o estado de tensão internos (às vezes também externo). Em alguns casos o sentimento de desamparo surge ainda na gestão, como também nos primeiros anos de vida, devido a circunstâncias que a criança interprete como sendo ameaçadoras. Daí a importância de cercar as crianças de proteção, apoio e todo amparo necessário a um ser indefeso e sensível, levando em conta, inclusive, que algumas crianças são mais sensíveis que outras, por razões biológicas (de origem genética) ou por causa desconhecidas da ciência.

“Quando uma criança sente que está sendo perseguida por um monstro é certo que está se sentindo ameaçada e que precisa de amor e compreensão. É importante ajudá-la a compreender a causa real desse problema e indicar-lhe uma solução. Nem sempre o monstro é alguém da família – talvez represente ameaças de outras crianças, um professor, um parente, um estranho, uma briga de família ou até mesmo um filme que provoca medo. Seja qual for a causa, é melhor que seja tratada o mais cedo possível de maneira carinhosa e compreensiva” (idem, pág. 237)

Os pesadelos das crianças também podem significar medo das figuras paternais (uma mãe  ou  pai de temperamento violento), pessoas a quem ela deveria amar, segundo o que é introjetado. Nesse caso, quando quem ameaça a criança é um pai alcoólatra, uma mãe, um irmão que atormenta ou outra pessoa investida de autoridade que deveria cuidar da criança, surge um conflito interno porque o medo é causado por alguém a quem a criança deveria amar. “Ela não consegue dizer que tem medo de sua mãe “amorosa”, porque isso vai contra toda sua programação. Os filhos devem amar os pais! Assim, o medo real vem disfarçado na forma de imagens míticas” (idem anterior). É o que se passa quando a criança tem pesadelos, por exemplo, com o bicho-papão. O pesadelo está dizendo a ela que há algo a ser resolvido, que ela precisa enfrentar um medo. As introjeções sobre o que ela deve ou não fazer, como amar os pais, não permitem-na enxergar que o monstro do sonho é a mãe ou o pai. Essa criança precisa de ajuda, porque o medo dela é real, e não de alguém lhe dizendo que foi só um sonho, que ela deve esquecer. Algumas mães ou pais muito treinados na compreensão e na paciência, com algum conhecimento de desenvolvimento infantil e psicologia, podem ajudar seus filhos – se disporem de tempo para isso. Em outros casos, é mesmo necessário a psicoterapia – para, inclusive, evitar o desenvolvimento de neuroses e/ou perdas psicológicas que afetem a autoestima e o sentimento de autoapoio.

Fonte: TANNER, Wilda B. O Mundo Místico, Mágico e Maravilhosos dos Sonhos. São Paulo (SP): Pensamento, 2000.

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Identificação e sentir a dor do outro

Sentir a dor do outro é identificação; é falta de ego distônico; é ego sintônico. É dinâmica adoecida que não ajuda nem à própria pessoa, nem a quem se deseja ajudar. Não se deve confundir a noção de solidariedade ou compaixão com isso. São coisas diferentes: a compaixão é necessária, a solidariedade também, claro. Mas essas coisas podem ser vivenciadas sem um “misturar-se” ao outro. Deve-se sempre separar o que é nosso do que é do outro;  olhar para o outro em dificuldade ou em sofrimento com o ego distônico, isto é, sem entrar no sofrimento do outro, olhar de fora. Senão, a pessoa que está tentando ajudar também se fragiliza e perde condições de acolher ou socorrer o outro. Um exemplo concreto: quando um filho se machuca, é claro que a mãe amorosa vai acorrer ao filho para ajudá-lo porque o ama e não o quer sofrendo. Imagine se, em vez de manter-se forte e no papel de mãe, ela se desmancha em choro e sofrimento e sente nela a dor do filho a ponto de perder a ação? Coitada da criança.A mãe equilibrada, ao contrário disso, vai continuar no lugar dela, de mãe da criança, outro ser ligado àquele que se machucou, mas separando-se dele a ponto de manter o equilíbrio para ter condições de socorrer o filho. As pessoas me perguntam sempre como nós terapeutas conseguimos lidar com tanto sofrimento sem se abalar.  Digo sempre que é uma das primeiras coisas que aprendemos na formação em Psicologia Clínica: separar os conteúdos dos pacientes dos nossos. Evidentemente que o recurso não é a indiferença: sentimos compaixão pelo sofrer do paciente, nos solidarizamos com ele e o acolhemos, mas a dor dele continuará, em terapia como no dia a dia, sendo dele e de mais ninguém. Se nos misturássemos aos pacientes, adoeceríamos junto e não conseguiríamos atender mais ninguém . Aconselho as pessoas com movimento ou atuação de “ajudadoras” a pensarem nisso e a adotarem essa dinâmica. Para o bem de todos. Até porque, cada dor, cada sofrimento encerra em si uma oportunidade de aprendizado muito individual, é uma lição muito direcionada. Então ninguém pode tomar para si um sofrimento que, no outro, tem um propósito específico. Acolher, socorrer, solidarizar-se não exige um misturar-se ao outro.

Livros

Psico-oncologia: Caminhos e perspectivas

Livro da editora Summus mostra a importância da psico-oncologia no tratamento de pacientes com câncer. O tema é abordado por meio de três diferentes referenciais teóricos: psicanalítico, fenomenológico e sistêmico. Além disso, apresenta trabalhos realizados com crianças e adultos com câncer, familiares e profissionais de saúde. Destinado a psico-oncologistas, estudantes, pesquisadores e profissionais de saúde.

A psico-oncologia é uma área ampla e multidisciplinar que ainda impõe crescentes desafios a pesquisadores, profissionais de saúde e organizadores de serviços hospitalares. Partindo dessa premissa, o livro Psico-oncologia – Caminhos e perspectivas (288 p., R$ 59,90), lançamento da Summus Editorial, organizado pela psicóloga Carmem Maria Bueno Neme, apresenta a experiência prática dos autores e discute resultados de pesquisas de ponta. A obra oferece estudos e relatos de experiências desenvolvidas em hospitais, apontando uma diversidade de métodos, técnicas e aportes teóricos que refletem diferentes práticas e estilos dos profissionais e demonstra o crescimento e a riqueza da psico- oncologia. “Atualmente, ela pode ser vista como uma área sólida e consistentemente estabelecida, embora ainda aberta a futuros desenvolvimentos na pesquisa, na prática e na realização de serviços”, complementa a organizadora.

A psico-oncologia surgiu da necessidade de oferecer ao paciente com câncer um modelo de atenção integral – biopsicossocial – capaz de melhorar sua qualidade de vida, aumentar sua sobrevida e as possibilidades de reversão da doença, fortalecer seus recursos e modos de enfrentamento da doença e dos tratamentos, além de atender também às necessidades dos familiares e dos profissionais de saúde envolvidos. Segundo a organizadora, a especialidade representa hoje ampla área de estudos e de atuação profissional. Entre os objetivos, diz ela, estão à prevenção do câncer, o tratamento e a assistência integral ao paciente oncológico e os seus familiares, a formação de profissionais de saúde e a realização de pesquisas que possibilitem a sistematização dos conhecimentos produzidos e conduzam a novas informações.

Organizado em três grandes temas, dividido em oito capítulos, o livro é uma referência essencial para profissionais e estudantes de medicina, psicologia, serviço social e enfermagem. Em linguagem acessível, os autores abordam questões atuais e relevantes na psico-oncologia, com aspectos inéditos em três perspectivas teóricas: psicossomática psicanalista, fenomenologia e sistêmica. “Profissionais e pesquisadores que vêm construindo a psico-oncologia no Brasil e no mundo apontam diferentes aspectos que permeiam a trajetória de todos os envolvidos, desde o diagnóstico até o controle da doença ou sua terminalidade”, afirma a psicóloga.

Ao longo da obra, os autores apresentam o relato completo de um serviço de psico-oncologia criado e desenvolvido em um hospital de Bauru, interior de São Paulo, retratando procedimentos práticos dos profissionais.  Eles mostram também trabalhos realizados com crianças, envolvendo mães e familiares, com mulheres, relacionado à conjugalidade, e com profissionais de saúde. A obra inclui ainda dois capítulos voltados à avaliação psicológica e o histórico da psico-oncologia no Brasil, destacando caminhos, resultados e desafios da prática.

Resultado de um projeto iniciado há dezesseis anos, o livro traz importantes diferenciais em relação a outras obras publicadas sobre o tema. Os autores registram iniciativas como a atuação do psicólogo hospitalar com doenças na infância, estudos clínicos de casos sobre mulheres com câncer de mama, de útero e de ovários, câncer infantil e os significados da doença para a família, vivências de mães de crianças com câncer quando morrem companheiros de tratamento e o contato com a morte de pacientes no serviço de oncologia hospitalar, entre outras questões.

Texto: resenha da editora Summus (para quê refazer o que está bem feito?)

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Personagens de novela e a influência da TV

Uma jornalista do portal IG me procurou para comentar alguns aspectos comportamentais de uma personagem de novela da  TV Globo, a Diana, de Passione. Confesso que inicialmente o convite me desagradou, até me aborreceu. Isso por considerar que há coisas mais importantes acontecendo no País e que os veículos de comunicação deveriam se ocupar de temas mais úteis, usar melhor seus espaços a serviço da população. Bom, mas ao refletir um pouco me dei conta de que estava sendo radical e impulsiva.

Para não ser grosseira com a jornalista, que apenas explora as pautas que recebe, respondi o email-convite com rápidas explicações, contestando a premissa da pauta. A repórter Carina Martins demonstrou feeling e enxergou na contestação da proposta de reportagem um bom material de contraponto. Pediu-me para publicar as respostas e montou o texto com o título  Os Pecados de Diana.

Após, lê-la, pude enxergar uma certo sentido na análise. Me explico: novelas globais e de outras emissoras têm forte influência sobre o público. Portanto, é necessário conhecer a extensão dessa influência e até mesmo entender as causas dela. Assim, discussões desse tipo podem ser útil em alguma medida. Na matéria explico resumidamente algo sobre identificação do público com os personagens. Suponho, claro, que tanto a direção da emissora, quanto os autores entendam bem isso, que conheçam exatamente os fatores que levam um personagem a agradar e ou desagradar. Não devemos jamais subestimar a capacidade dos outros.

O que me preocupa é que, apesar de entender isso, os responsáveis por essas atrações televisivas não usam melhor o recurso para construir uma sociedade melhor. Muito ao contrário: não é raro surgirem personagens nefastos cujo modelo comportamental se alastra entre as pessoas, funcionando como referencial ou até mesmo algo que dá chancela de normalidade. Neste momento me vem à mente personagens do tipo espertalhão, para quem os fins justificam os meios e que no final das contas  levam a melhor e terminam a história tendo final feliz.

Sim, estou defendendo o uso das novelas como recurso didático e não apenas de entretenimento. Porque, se a força de influência da televisão é grande, por que não usá-la na construção de um mundo melhor? Mas na prática essa ideia não agrada aos autores. Tanto que as histórias deles funcionam como escola de malandragem, curso de picaretagem ou treinamento para a bandidagem e falta de caráter.

Alguns podem contestar dizendo: “apenas retratamos a realidade como ela é”. Eu ponho isso em dúvida. A maioria da população não é de picaretas, embora eles existam. O Brasil não tem apenas gente sem caráter que “arma”  pra cima dos outros. Se querem retratar nossa realidade, por que não retratam personagens decentes, admiráveis e cujo exemplo faria tão bem à construção da noção de cidadania, civilidade e outras virtudes? Seria porque os autores pouco entendem disso?

A bem da verdade, sempre que tentam retratar alguém “do bem”, como se diz por aí, o fazem de forma sofrível, caricata e equivocada. Confundem ser honesto com ser  idiota e não conseguem construir nada além de um personagem patético e distante do real. O que parece interessar é tão somente a audiência e nesse ímpeto, nem percebem a rejeição das pessoas a coisas distantes do mundo delas.

Às vezes tenho a impressão de que autores de novelas, diretores e produtores de programas televisivas vivem em mundo próprio, focados nos holofotes e com o ego tão inflado que não enxergam as necessidades reais e os anseios verdadeiros do público. Se você desejar, pode ler a matéria da Carina no link acima ou neste: OS PECADOS DE DIANA.

Bem, como acho muito chata gente que só sabe criticar e procurar defeitos, preciso ser justta e admitir que algumas vezes eles acertam. Considero que um desses casos é o personagem de Murilo Rosa, o Solano, da novela Araguaia. O padre, dessa mesma história, talvez caminhe na mesma direeção. Outro que me agradou foi a Viviane, de Escrito nas Estrelas.