Castração de pedófilos

Será votado amanhã (16.09.09), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, um projeto de lei polêmico de autoria do senador Gerson Camata (PMDB-ES): Ele propôs que presos condenados por estupro, atentado violento ao pudor e corrupção de menores, em casos de pedofilia, sejam submetidos à castração química. A iniciativa já é a adotada nos Estados Unidos e no Canadá. O tratamento reduz a libido dos condenados por meio de medicamentos que agem no controle hormonal. A proposta será votada em caráter terminativo, o que torna desnecessária a aprovação pelo plenário da Casa. Se passar pela CCJ, o texto será enviado diretamente à Câmara dos Deputados.

Diferentemente de outros países que adotaram a obrigatoriedade do tratamento em casos graves de pedofilia, a proposta de Camata permite ao preso optar pela aplicação do procedimento. Aqueles que queiram ser submetidos ao tratamento poderão ter redução de até 1/3 da pena, caso iniciem a terapia antes de ser concedida a liberdade condicional.

De acordo com o projeto, poderão ser castrados apenas condenados que não respondam de maneira positiva a tratamentos psiquiátricos e cujo caso seja considerado grave por uma junta médica. O projeto prevê que o pedófilo que optar pela castração será obrigado a seguir o tratamento até que o juiz de execução e o Ministério Público Federal avaliem, por meio de laudo médico, o sucesso ou não da terapia. O texto determina que o condenado que reincidir nos crimes, mesmo após ser submetido ao tratamento, não poderá optar pela terapia no cumprimento de nova pena.

Fonte: Agência Estado

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Meia Maratona do Rio e uma cobertura deficiente

Quem venceu a meia maratona do Rio na categoria “cadeirante”, neste domingo (dia 06 de setembro de 2009)? Ninguém sabe. Nenhum jornalista na emissora que cobria o evento[bb] se interessou por essa inforrmação.  Quando ele cruzou a Chegada, nenhuma empolgação dos comentarista, nenhum registro do esforço sobre-humano, nenhuma palavra sobre a grandiosidade daquela disposição em vencer obstáculos. Nada, nenhuma inflexão de voz nem ligeiramente alterada. Bem diferente de quando o queniano venceu a prova correndo com pernas. Deviam então ter destacado que se tratava da cobertura de uma maratona de pernas. E não de uma corrida que incluía atletas cadeirantes.  A Globo[bb] insiste em desprestigiar esses atletas. Outros veículos de comunicação[bb] também. Por que? Porque eles não correram com as pernas?  Ora,  desde que a prova passou a incluir cadeirantes,  a competição[bb] passou a ser corrida de pernas mas também corrida de braços impulsinonando rodas.  Coisa muito difícil. Vá tentar  fazer isso pra ver o nível de dificuldade! Mais ainda: imagine-se uma pessoa sem os movimentos nas pernas tentando ser atleta?. Todo bom atleta[bb] é exemplo de superação[bb]. Um atleta cadeirante  ou com qualquer outra limitação física tem muito mais  coisas a superar  do que os competidores de corpo normal. A maior delas é o preconceito social, claramente reforçado pela mídias, até mesmo por veículos com suposta intenção de fazer jornalismo sério. Ainda me choca a mesmice do jornalismo brasileiro, a valorização do que é padrão e uma incapacidade cronificada de fazer “leituras” mais profundas dos fatos. Líbelulas são aqueles  insetos[bb]graciosos que se parecem com pequeninos aviões. Eles sobrevoam um rio e tocam superficialmente nas águas[bb], como se estivessem fazendo vôos razantes. A nossa mídia, de modo particular a imprensa  televisiva, embora não unicamente esta, faz isso o tempo inteiro. Apenas roça os fatos. Quem não sabe ler combinação de letras é chamado de analfabeto. E quem não sabe ler os fatos? Analfabeto social? Cego moral? Deficiente perceptual? Que nome se pode dar esse tipo de deficiência?  Pra saber quem eram os vencedores da prova na categoria cadeirante  acessei o portal da Globo, mas vejam as manchetes que ocupavam o espaço de notícias[bb] reais:

. Juliana Alves (quem é?) arrasa na pista e recebe coroa

. Juliana Trevisol é novo affair de Pedro Neschling

. Cassino de Las Vegasd vence leilão por luva de Jackson

. Miss Orkut fica com o RN e gaúcha é 2 lugar

Nem clicando na página Esportes eu consegui o nome do atleta cadeirante vencedor da Meia-maratona do Rio.

Na verdade, deficiente foi a cobertura do evento e não o atleta cadeirante vencerdor da difícil prova!

O preconceito é mesmo a maior chaga  da humanidade.

Sabedoria de Mário Quintana

A seguir, quatro belas reflexões de Mário Quintana:

O segredo é não correr atrás das borboletas[bb]… é cuidar do jardim[bb] para que elas venham até você.

Esta vida é uma estranha hospedaria, de onde se parte quase sempre às tontas,
pois nunca as nossas malas[bb] estão prontas, e a nossa conta nunca está em dia.

Sê bom. Mas ao coração[bb], prudência e cautela. Quem todo de mel[bb] se unta, os ursos[bb] o lamberão.

Todos esses aí atravancando meu caminho[bb], eles passarão… eu passarinho!

Esquizofrenia

Tarso, um substantivo próprio que dá nome a um personagem da novela da Globo Caminho das Índias, está sendo usado como adjetivo. As pessoas, de modo particular os adolescentes, usam-no para dizer que alguém é louco ou que tem surtos. Nem sei se as pessoas sabem ao certo o que são surtos, mas é uma expressão já do senso comum. Fui pesquisar sobre o assunto e encontrei o blog do ator que vive o personagem, o Bruno Gagliasso. Lá, no blog, encontrei um texto explicativo sobre essa psicopatologia, da psiquiatra Patrícia Schmidt. Que, segundo Bruno Galiasso, foi usado na  oficina de atores para selecionar o elenco de apoio, ainda antes da novela começar.

“Nesse pequeno texto tentarei falar sobre esquizofrenia de uma forma bem diferente das usuais explicações científicas. Antes de tudo esquizofrenia é doença e sofrimento. Depois de tudo é um fascinante universo. É hoje encarada não como uma doença única, mas sim como um grupo de patologias. Não escolhe classes sociais e grupos humanos. Só é possível entender o universo das esquizofrenias com muita empatia em relação às emoções e vivências do sujeito em sofrimento psicótico.

Imagine-se com aquela sensação de medo que surge quando paramos no sinal de madrugada, nas ruas do violento e lindo Rio de Janeiro. Agora siga imaginando-se com essa sensação durante todos os minutos do seu dia. Imagine-se com aquela vergonha que sentimos quando somos flagrados, por exemplo, com o dente sujo naquela importante leitura de texto logo após o almoço. Agora siga imaginando-se com essa sensação a todo momento, com a certeza de que as pessoas o observam, podem ver tudo o que você faz e monitoram todos os seus atos. Imagine-se ouvindo alguém chamar o seu nome, olhando em volta e não vendo ninguém como acontece conosco de vez em quando. Siga imaginado que você continuará ouvindo vozes, todo dia, hora e minuto e que você não sabe de onde elas vêm. Agora imagine-se naquele evento chato pensando no quanto você gostaria de estar em casa, debaixo das cobertas e não ali aturando o nada inteligente e piadista sem graça do diretor da sua companhia teatral. Agora imagine acreditar que todos os demais, inclusive seu diretor, podem ler seus pensamentos!

Essas sensações de nosso dia a dia, vividas numa intensidade muito maior, são algumas das sensações experenciadas pelo sujeito que sofre com a doença mental chamada esquizofrenia. A doença se caracteriza classicamente por uma coleção de sintomas, tais como alterações do pensamento, alucinações (auditivas, visuais, olfativas, mais raramente e outras) delírios, perda de contato com a realidade, podendo causar uma quebra radical do laço social. A sua prevalência atinge 1% da população mundial, manifestando-se habitualmente entre os 15 e os 25 anos, nos homens e nas mulheres, podendo igualmente ocorrer na infância ou na meia-idade.

As esquizofrenias têm tratamento e o sujeito pode se recuperar, muito embora cura no sentido estrito da medicina ainda não seja possível. Temos o controle da doença e o tratamento  visa empoderar o sujeito psicótico para que ele possa lidar melhor com seus sintomas. Medicação, psicoterapia, oficinas terapêuticas, projetos de trabalho e geração de renda, música, arte e lazer são alguns dos elementos que se preconiza hoje para o atendimento das pessoas com esquizofrenia. Desde a década de 80, o Brasil realiza a Reforma Psiquiátrica que nega a exclusão determinada pelos hospícios e propõe o tratamento dos doentes mentais na comunidade, através dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Desejamos além de proporcionar um tratamento intensivo e de qualidade, fazer uma intervenção na cultura, para que um dia possamos enfraquecer o ainda forte estigma contra o doente mental.

Como diz um amigo artista e psiquiatra – Lula Vanderlei – parafraseando Caetano Veloso, se de perto ninguém é normal, de perto ninguém também é louco todo dia. O louco pode ficar dentro da aceita normalidade. Pode trabalhar, casar, namorar, dançar, cantar. Muitos loucos são artistas e grandes artistas. Em tratamento, a crise aguda psicótica tende a ser melhor manejada e a remitir mais rapidamente.  Cada caso é um caso, mas todo psicótico é um cidadão e tem os mesmos direitos e deveres de todos nós.

Para finalizar, esquizofrenia é doença mental, sofrimento, esfacelamento, recuperação, encanto e fascínio. Cabe superarmos nossos preconceitos e assim garantir ao louco a chance de mostrar suas potencialidades e ocupar o seu lugar na sociedade.” Patrícia Schmid – Psiquiatra

Esquizofrenia é um tipo de psicose, nome científico da “loucura”. Aprendemos na faculdade uma analogia para diferenciar psicose de neurose. Imagine alguém que sai de casa e quando volta encontra a casa fechada. Esse alguém fica do lado de fora. Agora imagine alguém que sai de casa e quando volta encontra sua casa arrombada e com tudo que estava dentro quebrado. Isso é psicose. Na neurose a pessoa não perde o senso de realidade – sua conexão com o mudo não se quebra. Já na esquizofrenia, esse elo está quebrado e ele vive como se estivesse em outro mundo. Outra bela analogia que aprendi: a neurose é como um vaso trincado. A psicose é como um vaso que caiu, esfacelou-se e o dono tenta montar os pedaços. Pode até conseguir, mas um ou outro pedacinho voou pra longe e não é encontrado ou mesmo que ache todas as partes que se partiram, sempre haverá o vinco da “cola” onde foi remendado. Trabalhei numa clínica para pessoas com transtornos mentais e lá havia um homem de alta estatura, forte e de voz gutural que às vezes entrava no salão gritando: “Eles estão querendo chupar o meu cérrebro!” No mprimeiro contato isso soava como algo assustador. Com o tempo, nos acostumávamos com essa e outras manifestações semelhantes e passávamos a ouvir coisas assim apenas como mais uma das diferentes manifestações do ser humano dentro de suas singularidades. Conviver com os chamados loucos tem algo de mágico. É uma experiência semelhante a um portal que abre nossa mente para outros “mundos”, outras formas de estar no mundo, alternativa diferente de existência. É fascinante, acreditem, mas exige que você esteja muito “centrado”, emocionalmente equilibrado, e que esteja aberto para livrar-se de preconceitos.

O Jardimm Secreto

O Jardim Secreto[bb] é um filme de de clima mágico, repleto de arquétipos, como  bem enxergou o leitor deste blog que sugeriu o filme.  O personagem principal, uma menininha de 10 anos, muito inteligente e sensível, lembra a Pollyanna[bb], do livro de Heleanor  H. Porter[bb], mas é mais humano, mais próximo de nós, seres humanos falhos, com sentimentos do tipo inveja, ciúme, raiva e explosões emocionais. Isso torna o filme[bb] um referencial mais concreto .  Nos dois casos há a presença de uma criança[bb] devolvendo a vida a adultos traumatizados. E quem pode resistir ao impulso para a vida que há em uma criança? O ímpeto incontrolável, a franqueza que leva à reflexão,  o resgate da alegria[bb]. No filme, Mary, a protagonista,  faz milagres totalmente possíveis que arrancam lágrimas dos telespectadores  mais sensíveis.  Outra figura associada ao arquétipo de Salvador (o primeiro é a própria Mary) é a doce Martha, uma serviçal humilde que revela admirável elevação espiritual[bb], capaz de se colocar acima de ofensas ou tentativas de humilhação. Com doçura e perspicácia ela conquista desde a governanta rigorosa à arrogante menininha que se sente assustada ao ser transferida para uma casa[bb] sombria com  mais de cem quartos, mas nenhuma acolhida ou diversão para crianças. Mary nasce na Índia, onde é criada em meio  a muito luxo e caprichos.   Apesar da riqueza, sofre com a falta de atenção de pais egoístas e fúteis. É malcriada e intratável. Quando esses pais morrem, ela é levada para morar com um tio, que havia se casado com a irmã gêmea da mãe de Mary, na Inglaterra. Esse tio, um lorde influente e temido, perde a esposa amada  e, abalado, desiste da vida, do filho e manda trancar o jardim[bb] preferido da mulher. É o arquétipo do amor eterno[bb] ou de alma gêmea[bb]. O filho cresce enclausurado no quarto, adoecido e impedido de ver o sol e sentir o vento:  tentativa de evitar germes que o matariam mais rápido do que as supostas doenças que já o acometiam. É um menino assim, morto-vivo, que Mary descobre vasculhando a enorme mansão, às escondidas e se esquivando da amedrontadora  governanta. O encontro dos dois primos altera não só a vida do garoto, mas toda a rotina da casa. Outra figura simbólica é o irmão da empregada Martha, um garotinho doce como a irmã e belo como um príncipe[bb]. É ele quem apóia as traquinagens de Mary e, juntos, ele resolvem recuperar o jardim, cuja entrada  a menina descobre seguindo um passarinho[bb], chamado no filme de sabiá, mas que na verdade é um Pisco de Peito Ruivo. Um belo momento do filme é uma troca de olhares entre os dois, simbolizando a admiração recíproca e insinuando um encantamento que desperta o ciúme do primo. Mary salva o primo das crenças pessimistas, devolve ao tio o desejo de viver e salva a si própria, ao aprender a fazer amigos[bb]e a chorar. Qualquer descrição do filme, por mais longa que seja, não será capaz de retratar com fidelidade a beleza da história[bb].

Ficha técnica:

  • (The Secret Garden)
  • Ano de lançamento ( EUA ) : 1993
  • Direção: Agnieszka Holland
  • Atores: Kate Maberly , Heydon Prowse , Andrew Knott , Maggie Smith , Laura Crossley
  • Duração: 01 hs 41 min