Morte, perdas e viver o luto

O luto deve ser considerado um  processo normal e esperado, quando ocorre  rompimento de um vínculo. Quando o luto decorre da morte de pessoa querida, tradicionalmente é entendido a partir de suas fases:

. Entorpecimento

. Busca e saudade

. Desorganização e desespero

. Reorganização

E envolve tarefas:

. Aceitar a realidade da morte

. Vivenciar o pesar

. Ajustar-se a um meio no qual o falecido não mais se encontra

. Retirar energia emocional e reinvesti-la em outra relação.

Segundo Maria Helena Pereira Franco, por se tratar de fenômeno complexo, o luto deve ser enxergado a partir de cinco dimensões:

  1. Dimensão intelectual do luto: marcada por confusão, desorganização, falta de concentração, intelectualização, desorientação e negação.
  2. Dimensão emocional: choque, entorpecimento, raiva, culpa, alívio, depressão, irritabilidade, solidão, saudade, descrença, tristeza, negação e ansiedade, confusão e medo.
  3. Dimensão física: alterações no apetite, visão borrada, alterações no sono, dispnéia, palpitações cardíacas, exaustão, boca seca, perda do interesse sexual, alterações no peso, dor de cabeça, choro e mudanças no funcionamento intestinal.
  4. Dimensão espiritual: sonhos, perda da fé, aumento da fé, raiva de Deus, dor espiritual, questionamento de valores, sentir-se traído por Deus, desapontamento com membros da igreja.
  5. Dimensão social do luto: perda da identidade, isolamento, afastamento, falta de interação e perda da habilidade para se relacionar socialmente.

Se precisarmos considerar o luto a partir da ótica dos Cuidados Paliativos, nos casos em que o fenômeno deixou de ser “luto normal” e passou a ser Luto Complexo, com viés de patologização, devemos entender os diversos fatores que o compõem:

Fatores psicológicos

. A natureza e o significado, únicos relacionados à perda específica

. As qualidades individuais da relação que se finda

. O papel que a pessoa com morte iminente ocupa no sistema familiar e social

. Os recursos de enfrentamento do enlutado

. Idade do enlutado e da pessoa à morte

. Questões não resolvidas entre o enlutado e a pessoa à morte

. A percepção individual sobre o quanto foi realizado em vida

. Circunstâncias da terminalidade

. Percepção do senso de controle

. Perdas secundárias

Fatores sociais

. Isolamento

. Dificuldade de estabelecer e manter relações significativas

. Nova identidade social

Fatores fisiológicos

. Controle de sintomas

. Alimentação

. Descanso e sono

. Autonomia

. Qualidade de vida gral

Fatores espirituais

. Relação espiritualidade e luto

. Questionamento do sistema de crenças prévio: parte do processo do luto

Há muitos outros aspectos a serem considerados quanto ao tema, quer o interessado seja um profissional de saúde ou pessoa em luto ou prestes a perder ente querido  (nestes últimos casos, a leitura vai ajudar na compreensão e, possivelmente, na ressignificação da experiência). Assim, seria útil a leitura de todo  texto de Maria Helena Pereira Franco, cujo título é “Luto em Cuidado Paliativo, Parte IV do livro Cuidado Paliativo (páginas 559 a 5570), editado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (2008)(Cremesp).

Postado por Carmelita Rodrigues

Definição de saudade

Emocionei-me hoje cedo: uma amiga enviou—me  artigo de um médico oncologista em que ele conta uma experiência edficante, uma lição de vida ensinada por uma criança. O autor do belo artigo, rico em sentimento, em estilo literário e ensinamentos, é Rogério Brandão, de Recipe (PE). Leia pequeno trecho do artigo:

“Como médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional (….)

“… posso afirmar que cresci e modifiquei-me com  os dramas vivenciados pelos meus pacientes.

Não conhecemos nossa verdadeira dimensão até que, pegos pela adversidade,descobrimos que somos capazes de ir muito mais além.
Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional.

Comecei a freqüentar a enfermaria infantil e apaixonei-me pela oncopediatria. Vivenciei os dramas dos meus pacientes, crianças vítimas inocentes do câncer. Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento das crianças.

Até o dia em que um anjo passou por mim!
Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada por dois longos anos de tratamentos diversos, manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimios e radioterapias.

Mas nunca vi o pequeno anjo fraquejar. Vi-a chorar muitas vezes; também vi medo em seus olhinhos… Leia o artigo completo em DEPOIMENTOS. Lá está postado também o depoimento de uma paciente internada no Hospital de Base de Brasília. O texto foi escrito por ela mesma, como forma de passatempo,  por orientação da psicóloga Gabriela Barros, minha amiga, que na época era estagiária de Psicologia. Gabi nasceu psicóloga e  apesar de ter apenas 21 anos quando conviveu com a paciente, teve a capacidade de orientá-la adequadamente por saber colocar-se como “instrumento dos deuses”, para  usar expressão do mestre Moacir Rodrigues, psicólogo junguiano que vem formando bons psicoterapeutas em Brasília. Asseguro-lhes de que vão gostar imensamente dos dois depoimentos.

Postado por Carmelita Rodrigues

Saudade

Amanheci sentindo saudade. E pensando sobre o que seja essa emoção. Saudade é uma frustração, por algo experimentado e retirado à revelia dos anseios de nossa alma. Saudade é um vazio e uma presença ausente… é um descontentamento que nos faz querer voar com o vento e ir aonde está o objeto de afeto desejado. Às vezes sentimos saudade de nós mesmos, de algo que fomos, de alguém interno que sentia e enxergava diferente… de um eu ausente.  Não gosto de sentir saudade de mim, menos ainda de outrem.

Desse arroubo de sentimentalismo: quatro links com canções sobre saudade:

http://www.youtube.com/watch?v=6jpXaZhezIo – Com Caetano Veloso

http://www.youtube.com/watch?v=h2S4_DiS6AU&feature=related – Com Bruno e Marrone

http://www.youtube.com/watch?v=k7JjS8eUU9o – Vanessa da Mata e “Nossa Canção”, do RC.

Se você desejar sugerir outras canções, faça-o e eu publicarei.

Fim de curso: saudade inevitável

Turma Moacir-despedida

Encerramento do curso de especialização em Psicologia Profunda, no Intituto Aion, do mestre Moacir Rodrigues, em Brasília-DF- junho/2009.

Da esquerda para direita: Martha Alcantara, Moacir Rodrigues, Solange Mendes, Aline Vicente, Marcela Cadima, Paula Fracinette, Sandra Caiado, Gelta Caros, Carmelita Rodrigues e José Carlos Cancelli (abaixado).

Postado por Carmelita Rodrigues, em 18.07.09