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Freud estava certo

“Ao contrário do que se dizia, a psicanálise e as terapias psicodinâmicas funcionam, sim, e muito bem. Um estudo de 2016, enorme e feito no sistema de saúde inglês, mostrou que, para os pacientes com depressão mais grave, 18 meses de análise foram muito mais efetivos que o tratamento padrão, que incluía TCC. O mesmo resultado vale para outros transtornos, inclusive os mais severos.

É o que demonstra uma meta-análise publicada em 2008 no prestigioso JAMA, Journal of the American Medical Association, que concluiu que terapias freudianas com mais de um ano de duração são mais eficazes que terapias de curto prazo para pacientes com patologias complexas, como transtornos de personalidade.

O mais impressionante dos dados é que, diferente da terapia cognitiva e dos remédios, os benefícios da análise não só permaneceram, como ficaram ainda maiores após o final do tratamento, causando mudanças duradouras nos pacientes.”

O trecho acima foi retirado da matéria O retorno de Freud, da revista Superinteressante, ed.391/2018. Só li hoje e considero merecedora de divulgação, embora meses após sua publicação.  O texto destaca avanços de descobertas científicas que referendam afirmações de Freud e validam teoria e técnicas psicanalíticas. Também comenta as limitações da Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) que por décadas (de 1961 a 2015) foi aceita como “terapia baseada em evidências” e desfrutou de reconhecimento e hegemonia, em detrimento das terapias psicodinâmicas (Psicanálise e  Psicologia Analítica, cuja base fundamental é o Inconsciente e suas determinações sobre os pensamentos, sentimentos e as emoções do ser humano). Por muito tempo, a visão cientificista predominou inconteste no meio acadêmico, refutando afirmações e descobertas desvinculadas de metodologias científicas, como se essas fossem capazes de abarcar toda a complexidade do psiquismo humano. E a TCC, de todos os tipos de psicoterapias, é a que mais se enquadrada nessa visão cartesiana, tendo sido melhor aceita por todos que tenham visão limitada dos fenômenos da Vida. No Brasil, esse equívoco é largamente reforçado nos cursos de formação de Medicina. Por isso, é mais comum esses profissionais recomendarem terapias do tipo TCC, quase sempre a única da qual têm algum conhecimento. As demais, por serem deles desconhecidas, são consideradas desaconselháveis. Claro que ressaltando-se as honrosas exceções.

Em 2015, pesquisadores noruegueses publicaram uma meta-análise mostrando que a eficácia da terapia cognitiva para tratar a depressão caiu pela metade desde os primeiros estudos, em 1977. Meses depois, na Suécia, auditores do governo publicaram um relatório devastador sobre um experimento de saúde mental do país, que pagou ao longo de oito anos R$ 2,6 bilhões em TCC para os cidadãos suecos. O programa do governo, concluíram os auditores, falhou completamente em seus objetivos.

E um artigo de 2004 mostrou como os pesquisadores da TCC, para tornar os resultados mais fáceis de interpretar, excluíam dos estudos justamente o tipo de paciente mais comum nos consultórios, aquele com mais de um problema psicológico.”

O que o último parágrafo quer dizer é: a TCC é uma abordagem válida, objetiva e rápida, porém mais indicada para pacientes com queixa única ou com disfuncionalidade específica numa área.  Quando o indivíduo tem queixa complexa, multicausal e de raízes profundas (no Inconscientes), a TCC não propicia condições de compreensão ou intervenções eficazes, via de regra.

Link:  O retorno de Freud.  

2 comentários em “Freud estava certo”

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