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Bullying nas escolas tende a aumentar

O episódio de hoje na escola de Suzano (SP), que resultou na morte de 10 pessoas (além do tio de um dos agressores) nos remete mais uma vez ao alerta: precisamos falar mais sobre bullying! Nas escolas, em família, nas igrejas e em outros ambientes de interação social. E mais: precisamos prestar mais atenção na saúde emocional das nossas crianças e dos nossos jovens. O bullying é um problema real e crescente. Esse tipo de violência, de origem emocional, não vai desaparecer se for ignorado, se se deixar pra lá, fingir que não está ocorrendo ou ao se atribuir pouca importância a ele. Ao contrário: vai aumentar e fazer mais vítimas com o passar do tempo! Vão aumentar tanto as vítimas de bullying quanto as vítimas das vítimas do bullying, a exemplo do que ocorreu hoje em Suzano e em Janaúba (MG) em 2017. Repetindo: precisamos prestar mais atenção à saúde mental das nossas crianças e dos nossos adolescentes, dos nossos filhos e estudantes. Não é de hoje que se percebe: o Estado brasileiro tem negligenciado na atenção ao problema do bullying nas escolas. E em vez de ampliar a compreensão e as intervenções em torno da questão, tem feito vistas grossas. Igualmente é visível a negligência às demandas por atendimento na área de saúde mental para crianças e jovens. Na contramão do aumento da população e da crescente procura por serviços psiquiátricos e psicológicos, o Estado brasileiro tem reduzido o número de unidades ambulatoriais e emergenciais de atendimento a portadores de transtornos mentais. Ignoram os gestores que quadros de alterações psicoemocionais, se não forem tratados a tempo, podem evoluir para transtornos psiquiátricos, de incalculáveis consequências? Ou apenas fingem não saber?

Vamos por parte, numa análise nem tão profunda assim: os laços familiares estão mais fracos;  as redes sociais de acompanhamento e assistência às crianças é muito frágil nos dias atuais. Se antes os pais contavam com a ajuda de avós, tios, tias, irmãos mais velhos e vizinhas  amigas no cuidado com as crianças, hoje essa “rede”, em muitos casos está reduzida a pai e mãe ou apenas mãe, quando não apenas a uma avó. Os vizinhos mal se avistam, que dirá compartilhar criação de filhos! Os genitores precisam sair de casa para trabalhar e ter dinheiro para sustentar as crianças e dedicam menos tempo aos filhos.  Então, as crianças estão chegando nos ambientes escolares já com incontáveis problemas emocionais e psicológicos, como abandono ou ausência parental. Neuroses diversas, crises de ansiedade, transtornos do sono, nutrição deficiente, funcionamento depressivo, baixa tolerância à frustração e fraco repertório nas inter-relações sociais são algumas das alterações recorrentes no desenvolvimento das crianças que são levadas às escolas.  Ou seja: grande parte das falhas das famílias estouram em salas de aulas ou nos pátios das escolas. Essas,  não têm recebido suporte maior para o incremento de suas funções, ao contrário: a autoridade dos professores foi duramente reduzida e as condições de trabalho deterioradas. Os mestres adoecem junto com seus alunos adoecidos.  E o que fazem os governantes? Fingem que não estão vendo ou que o problema é de outrem e não uma das contas a ser paga com o dinheiro dos contribuintes! Gestores desavisados preferem gastar elevadas quantias com remédios psicotrópicos, em farmácias de alto custo, como se houvesse pílula para tudo. A indústria farmacêutica adora! E talvez até compactue (mas isso já é outra grande história!). Enquanto isso, o problema dos transtornos mentais/emocionais nas escolas, incluindo o bullying, só cresce. E a conta com remédios, internações, benefícios sociais para portadores de graves transtornos psiquiátricos também, além do custo alto com o afastamento de professores e e servidores das escolas por problemas de saúde. Isto é, as mudanças na organização social afeta os pais, que afetam as crianças, que crescem doentes e vão afetar as escolas. E dão origem a tragédias como assassinatos em escolas. Em relação à violência nas escolas, e talvez também como profilaxia para algumas desordens na saúde das famílias, deve ser considerada, inclusive como medida para evitar doenças psíquicas de alunos e servidores, a hipótese de haver em cada escola pelo menos um psicólogo clínico (bem formado e experiente – para dar conta do recado e não ser mais um faz-de-conta), além de pedagogos e assistentes sociais. Ou seja: intervenções concretas e multiprofissionais – porque o problema tem causas múltiplas e complexas.

Ou seja, tanto as famílias quanto os governantes têm negligenciado na atenção às demandas psicoemocionais das crianças e dos jovens.  Assim, em ambientes escolares fragilizados nas competências para acolher e atender as dificuldades dos alunos, muitos sofrerão maus tratos por parte de quem, em família está sendo maltratado/negligenciado. Sim, estou dizendo que os autores de bullying também são vítimas e precisam tanto de atenção quanto às crianças de  ego frágil, autossuporte deficiente e habilidade de autodefesa inconsistente que se tornam anteparo da agressividade de colegas. É um ciclo vicioso que se não for interrompido acaba em tragédias como a de ontem,  porque a agressividade e/ou negligência sofrida na infância em algum momento vai manifestar-se e ser, por alguma via,  somatizada (e virar transtorno mental), ou externalizada em forma de bullying ou vingança pelo bullying sofrido. Nesse baile sinistro, ainda dançam muitas outras vítimas da falta de providências e recorrentes equívocos de políticas públicas educacionais e sociais. Resumindo: tragédias como as de Suzano e outras semelhantes têm causas sociais, familiares e políticas.

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