Coaching fazendo hipnose regressiva!

A Rede Globo sempre debocha dos interesses coletivos, priorizando qualquer caminho que dê audiência e renda lucro. Para essa empresa socialmente irresponsável, vale tudo por dinheiro; até desinformar indivíduos leigos em assuntos ligados a práticas de saúde e confundir a cabeça de pessoas vítimas de abuso sexual, já tão avassaladoramente traumatizadas. Licença poética para obras de ficção tem limites e o referencial deve ser a ética e o respeito aos direitos alheios, a preocupação em não fazer mal ou prejudicar outrem. Colocar uma personagem advogada, com formação em coaching, fazendo hipnose regressiva para acessar memória de violência sexual É DEMAIS! É abusivo! E a tal profissional, em  não dando conta de lidar com a reação da suposta paciente,  chama pela acompanhante, algo impensável na prática clínica se feita por profissionais sérios. Realizar um procedimento invasivo desses sem o devido preparo é irresponsabilidade na vida real e na ficção, dados os riscos de iatrogenia clínica. Imaginem a confusão e o tamanho dos receios e das angústias permeando os pensamentos e as emoções de pessoas reais que sofreram (ou ainda sofrem) abuso sexual,  precisam de ajuda e não sabem a quem recorrer, após assistir a esses episódios deploráveis? O Conselho Federal de Psicologia (CFP) e representantes dos profissionais de coaching – uma profissão ainda sem regulamentação no Brasil e em lugar nenhum do mundo – precisam reagir e cobrar retratação da emissora por essa irresponsabilidade.

Vítimas de abuso sexual precisam de ajuda terapêutica sim, mas devem procurar   profissional adequados para essa queixa,  psicólogos clínicos ou psicanalistas, pessoas com treinamento para acessar e ajudar na elaboração de conteúdos inconscientes. A hipnose ericksoniana, por exemplo, que foi muito mal exemplificada na novela da Globo, pode ajudar sim, mas não é o único caminho e  nem todos os pacientes conseguem se submeter a sessões de hipnose;  essa queixa pode ser resolvida sem regressão hipnótica e sem essa carga de sofrimento exposta – que mais assusta as pessoas do que as incentiva a buscar ajuda. Já atendi pacientes que conseguiram lembrar-se de abuso sexual e resolver a causa subjacente de suas dificuldades sem hipnose, inúmeras vezes,  recorrendo, por exemplo,  ao trabalho com sonhos, no tempo certo do(a) paciente, após o necessário fortalecimento egóico da pessoa –  e nunca atropelando a vítima e quase forçando-a a acessar o conteúdo recalcado. Se a intenção dos roteiristas era informar sobre abuso sexual, o resultado foi também uma violência.

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