Povo desonesto ou gente injustiçada?

O povo brasileiro é realmente desonesto? Tenho pensado sobre isso e, fazendo observações empíricas, começo a desconfiar dessa crença. Talvez seja mais apropriado considerar que o clima geral de desonestidade reinante, de desrespeito quase que generalizado a regras, com as pessoas levando a sério máximas do tipo “achado não é roubado”,  “quem rouba de ladrão tem cem anos de perdão ” ou  “eu quero é me dar bem” (Lei de Gerson) possa ser mais corretamente atribuído principalmente a dois fatores: a avassaladora má distribuição de renda e a percepção de impunidade.

Nesse segundo caso, até o Supremo Tribunal Federal tem decepcionado a Nação… o que dizer de sucessivos alvarás de soltura e permissões para políticos bandidos cumprirem prisão em suas casas ou autorizações judiciais (algumas expedidas do exterior) para transgressores da Lei aguardarem resultado de recursos e julgamentos em liberdade? E os crimes comuns sem penalidades? A crescente onda de violência  urbana e de desrespeito ao patrimônio (privado e público)? Para coroar esse estado de coisas absurdas, causa revolta a recente divulgação da boa vida dos corruptos que fizeram delação premiada. Como assim?! Corromper, desviar milhões de dólares de dinheiro público, superfaturar licitações, enganar a torto e a direito, pagar/aceitar propina, causar a morte de muitos por omissão do Estado (corrupção na Saúde Pública mata pessoas) e ficar livre, leve e solto pra usufruir de rico patrimônio adquirido às custas de crimes? Que influência pedagógica essas punições-premiações apresentam?

 

Enquanto o País está mergulhado numa forte crise econômica, parlamentares, magistrados, presidente e ex-presidentes seguem mantendo benesses de alto custo para os brasileiros. A saúde agoniza sem dinheiro, a segurança pública fugiu ao controle do Estado, a fome leva milhões a comer de lixeiras e o desemprego arrasta milhares para as ruas, mas ainda assim pagamos comitivas ao exterior para ex-presidenta (além de quatro assessores pagos mensalmente com dinheiro do povo), auxílio telefone, auxílio creche e auxílio moradia a deputados (eles ganham muito pouco, tadinhos!) e damos isenção fiscal a empresas gigantescas, entre inúmeros outros desmandos. Somos campeões em conceder benefícios injustificáveis. Opa! Nós, não: nossos representantes admiráveis! Nossos probos líderes!

E como se não bastassem as misérias causadas pela impunidade, alguns corruptos impunes  seguem atuando claramente contra o povo brasileiro. Se agarram com unhas e dentes aos farrapos de poder que lhes restam, se unindo para ganhar força, para assegurar a manutenção de privilégios, aprovando leis que escravizam os trabalhadores brasileiros, que usurpam direitos conquistados ao preço de muitas lutas em movimentos organizados. Para eles, os vermes do poder, vale toda sorte de absurdos para manter o Brasil na lama da roubalheira de poucos sobre milhões.

E para conseguir colocar a cara na rua ou na TV, os larápios recorrem a toda sorte de confusão conceitual: plutocracia por democracia; corrupção por prática empresarial; demagogia por interesse social, propaganda enganosa (paga com dinheiro público) por necessária divulgação de atos governamentais… sem contar as recorrentes falácias para disfarçar iniquidades. E como se nada estivesse acontecendo, ainda gravam propaganda eleitoral gratuita repetindo a mesma fórmula-besteirol de sempre! Não têm mesmo vergonha na cara!

Então, diante de todos esses absurdos, o que pode restar de confiança na Justiça brasileira? E na política, na polícia ou em outras instituições reguladoras da ordem pública?  Por esse viés, chego à elucubração de que a má distribuição de renda, associada à falta de esperança de que as coisas vão melhorar ou que a justiça far-se-á, pode levar as pessoas a buscarem compensações, a permitirem-se minimizar a sensação de perdas cometendo delitos ou transgressões; algo como: “sou roubado por todos os lados, por que não fico esperto e aprendo a me virar?” ou “todos são desonestos, por que não posso cometer um errozinho?”  Ou seja: será mesmo que somos em maioria e primordialmente desonestos ou estamos psicológica e eticamente confundidos pelos maus exemplos das nossas equivocadas lideranças? Que não se despreze o  poder do Inconsciente Coletivo. Mas obviamente que existem pessoas moralmente mais rígidas que são refratárias a tais mecanismos, provavelmente  inconscientes.

Toda essa gama de maus feitos se mantém graças ao fraco senso crítico de um povo com pouca educação. E o que dizer/pensar do fanatismo de alguns “letrados” que persistem defendendo o indefensável? Estamos indo mal. E como miséria pouca é bobagem, longe daqui, mas não muito, loucos/perversos ameaçam desencadear mais uma guerra intercontinental… enquanto nossos líderes de meia pataca seguem brincando de fazer política.

 

 

Anúncios

Um comentário sobre “Povo desonesto ou gente injustiçada?

  1. Também estou sofrendo com Síndrome do cólon irritado e li seus posts,e me animei .
    Gostaria que você me indicasse algum profissional aqui no Rio de Janeiro, zona sul se possível.
    Te agradeço imensamente.
    Ineia Moreira

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s