Sobre a rotina

Que neste novo ano que se inicia, marco cronológico de orientação e otimização do tempo, saibamos nos proteger dos perigos da rotina, porque:

“A rotina é como ferrugem na engrenagem de preciosa maquinaria, que a corrói e arrebenta. Disfarçada como segurança, emperra o carro do progresso social e automatiza a mente, que cede o campo do raciocínio ao mesmismo cansador,  deprimente. O homem repete a ação de ontem com igual intensidade hoje; trabalha no mesmo labor e recompõe idênticos passos; mantém as mesmas desinteressantes conversações: retorna ao lar ou  busca os repetidos espairecimentos: bar, clube, televisão, jornal, sexo, com frenético receio da solidão, até alcançar a aposentadoria…”

Mais um trecho:

“Nesse ínterim, realiza férias programadas, visita lugares que o desagradam, porém reúne-­se a outros grupos igualmente tediosos e, quando chega ao denominado  período do gozo­-repouso, deixa­-se arrastar pela inutilidade agradável, vitimado por  problemas cardíacos, que resultam das pressões largamente sustentadas ou  por  neuroses que a monotonia engendra.

O homem é um mamífero biossocial, construído para experiências e iniciativas constantes, renovadoras. A sua vida é resultado de bilhões de anos de transformações celulares, sob o  comando do Espírito, que elaborou  equipamentos orgânicos e psíquicos para as respostas evolutivas que a futura perfeição lhe exige.

O trabalho constitui-­lhe estímulo aos valores que lhe dormem latentes, aguardando despertamento, ampliação, desdobramento. Deixando que esse potencial permaneça inativo por indolência ou rotina, a frustração emocional entorpece os sentimentos do ser ou  leva­-o à violência, ao  crime, como processo de libertação da masmorra que ele mesmo construiu, nela se aprisionando­. Subitamente, qual correnteza contida que arrebenta a barragem, rompe os limites do habitual e dá vazão aos conflitos, aos instintos agressivos, tombando em processos alucinados de desequilíbrios e choque.

Nesse sentido, os suportes morais e espirituais contribuem para a mudança da rotina, abrindo espaços mentais e emocionais para o idealismo do amor ao  próximo, da solidariedade, dos serviços de enobrecimento humano.

O homem deve renovar-se incessantemente, alterando para melhor os hábitos e atividades, motivando-­se para o aprimoramento íntimo, com consequente movimentação das forças que fomentam o progresso pessoal e comunitário, a benefício da sociedade em geral. Face a esse esforço e empenho, o homem interior sobrepõe­-se ao exterior, social, trabalhado pelos atavismos das repressões e castrações, propondo conceitos mais dignos de convivência humana, em consonância com as ambições espirituais que lhe passam a comandar as disposições íntimas.”

Trechos do livro O HOMEM INTEGRAL (Joanna de Angellis/Divaldo Franco), págs. 11 e 12.

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