TPOC (por Gabard) – Compreensão psicodinâmica

“As primeiras contribuições psicanalíticas associavam certos traços de caráter – particularmente obstinação, parcimônia e ordem – à fase anal do desenvolvimento psicossexual. Os pacientes com esses padrões de personalidade eram considerados como tendo regredido da ansiedade de castração associada à fase edípica do desenvolvimento para o período anal relativamente seguro. Conduzidos por um superego punitivo, eles presumivelmente empregam operações defensivas características do ego, incluindo isolamento afetivo, intelectualização, formação reativa, anulação e deslocamento. Sua ordem obsessiva, por exemplo, foi definida como formação reativa contra os desejos subjacentes de se envolver com a sujeira anal e seus derivativos. A dificuldade considerável  que a pessoa com personalidade obsessivo-compulsiva tem de expressar agressão estava relacionada a lutas precoces de poder com figuras maternas em torno do treinamento de hábitos de higiene. A teimosia do indivíduo obsessivo poderia também ser considerada como uma consequência dessas mesmas lutas. Contribuições mais recentes foram além das vicissitudes da fase anal para enfocar os elementos interpessoais, a autoestima, o manejo da raiva e da dependência, o estilo cognitivo e os problemas de fazer um balanceamento entre trabalho e relações emocionais. Indivíduos com TPOC  possuem uma boa dose de dúvida. Quando crianças, eles não se sentiram suficientemente valorizados ou amados por seus. Em alguns casos, essa percepção pode ter relação com a frieza ou a distância das figuras parentais, enquanto em outros a criança pode simplesmente ter necessitado de mais reasseguramento e afeto do que a criança comum para ter sentido de aprovação por parte dos pais. O tratamento psicodinâmico desses pacientes revela fortes anseios não-satisfeitos de dependência, e uma reserva de raiva dirigida aos pais por esses não terem estado mais disponíveis emocionalmente. Pelo fato de os pacientes obsessivo-compulsivos acharem tanto a raiva  quanto a dependência inaceitáveis, eles se defendem contra esses sentimentos com defesa como formação reativa e isolamento afetivo. Em um esforço contradependente para negar qualquer dependência de outra pessoa, muitos indivíduos obsessivos-compulsivos fazem qualquer coisa para demonstrar sua independência e seu “austero individualismo”. De forma semelhante, elas anseiam pelo completo controle sobre toda a raiva e podem até mesmo fazer deferências e serem obsequiosos para evitar qualquer impressão de que possuem sentimentos de raiva. Relacionamento íntimos são um problema significativo para os pacientes obsessivos-compulsivos. A intimidade levanta a possibilidade de eles serem sobrecarregados por desejos poderosos de serem cuidados, com o concomitante potencial de  frustração desses sdesejos, resultando em sentimentos de raiva e ressentimento e em um desejo de vingança. Os sentimentos inerentes às relações íntimas são ameaçadores por terem o potencial de ficar “fora de controle”, um dos medos fundamentais da pessoa obsessivo-compulsiva. Os outros significativos com frequência queixam-se de que as pessoas amadas obsessivo-compulsivas são muito controladoras. Paralisações e impasses com frequência ocorrem nessas relações, pelo fato de as pessoas obsessivo-compulsivas recusarem-se a reconhecer que qualquer outra pessoa pode ter uma forma melhor de fazer as coisas. Tal necessidade de controlar os outros, frequentemente tem origem numa preocupação fundamental de que as fontes de conforto do ambiente são altamente tênues e podem desaparecer a qualquer momento. Em alguma parte da pessoa obsessivo-compulsiva existe uma criança que não se sente amada. A baixa autoestima associada a essa sensação infantil de não ser valorizada leva com frequência a uma suposição de que os outros iriam preferir não conviver com pessoas obsessivo-compulsivas. O alto nível de agressão e os intensos desejos de destruição espreitando no inconsciente da pessoa obsessivo-compulsivas podem também contribuir para esse medo de perder os outros.  Os pacientes com frequência temem que sua destrutividade afaste os outros ou que leve à contra-agressão, uma projeção de sua própria raiva.” (Continua) Fonte: Psiquiatria Psicodinâmica na Prática Clínica. Gabard, Glen O. – 4ª edição, SP, 2006 (p. 425-427).

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