TPOC (por Gabard)

Em cumprimento à promessa feita em abril passado, começo a postar mais informações sobre TPOC ou Transtorno de Personalidade Obsessivo-Compulsiva. Em respeito à minha fonte, Glen O Gabard (2006), mantenho o texto na íntegra (apenas omitindo trechos que referenciam capítulos anteriores) e o transcrevo sem alterações. Para não ficar um post extenso, vou dividir o texto em subtítulos e postar um a cada semana.

“O transtorno da personalidade obsessivo-compulsivo é um transtorno comum. (…) Entretanto, ele é com frequência confundido com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC.

A distinção entre TOC (ou neurose obsessivo-compulsiva) e transtorno de personalidade obsessivo compulsiva (TPOC) está baseada na diferença entre sintomas e traços de caráter persistentes. O paciente com TOC é atormentado por pensamentos desagradáveis e recorrentes e é levado a realizar rituais no seu comportamento. Essas manifestações sintomáticas são geralmente ego-distônicas, pois o paciente as reconhece como problemas e comumente quer se livrar delas. Em contrate, os traços que constituem o diagnóstico de transtorno da personalidade obsessivo-compulsivo do DSM-IV (Tabela 19.1) são padrões de comportamento que duram a vida toda e que podem ser ego-sintônicos. Esses traços não provocam necessariamente estresse nos próprios pacientes e podem até mesmo ser considerados altamente adaptativos. De fato, os estudos de médicos sugerem que certas características obsessivo-compulsivas contribuem de forma significativa para o sucesso de um médico. A devoção constante ao trabalho, típica das pessoas obsessivo-compulsivas, também leva a um grande sucesso em outras profissões, além da medicina, nas quais é essencial a atenção ao detalhe. Entretanto, o sucesso na esfera do trabalho com frequência tem um alto preço para elas. As pessoas significativas para elas frequentemente acham difícil viver com elas e frequentemente as estimulam a procurar um psiquiatra ou psicólogo.

Embora as distinções entre TOC e TPOC no DSM IV-TR sejam claras e úteis, existe alguma controvérsia com respeito à extensão da sobreposição entre essas duas entidades diagnósticas. Os sintomas de natureza obsessivo-compulsiva também foram relatados como ocorrências transitórias durante o tratamento psicanalítico de pacientes com TOC. Entretanto, estudos empíricos indicam que uma ampla gama de transtornos da personalidade podem ocorrer em pacientes com TOC. Em um estudo, menos da metade dos pacientes com TOC preencheram os critérios de TPOC. De fato, o diagnóstico caracterológico mais comum nessa amostra era o de um transtorno da personalidade misto com padrões  esquivos, dependentes e passivo-agressivos. Num estudo (Baer et al., 1990) que avaliou 96 pacientes com TOC, apenas 6% tinham um diagnóstico de transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva no Eixo II. (…)

O próximo post vai tratar da compreensão psicodinâmica do TPOC

Fonte: Psiquiatria Psicodinâmica na Prática Clínica. Gabard, Glen O. – 4ª edição, SP, 2006 (p. 424).

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