Psicoterapia online no Brasil ainda é inviável?

A psicoterapia online é prática ainda vetada no Brasil, sob alegação do Conselho Federal de Psicologia (CFP) de que ainda faltam pesquisas e estudos científicos que comprovem a efetividade desse serviço. Vale registrar que essa modalidade de atendimento já é permitida nos EUA e em países da Europa. No meu ponto de vista, o que falta no Brasil não é comprovação da eficácia da psicoterapia online, mas mecanismos mais confiáveis de punição para os maus profissionais que abusassem da permissão para realizar esse serviço. Também considero insatisfatória a atuação do CFP como mecanismo regulador da prática da psicologia no Brasil. A exemplo disso o fato de que até hoje a cartilha de credenciamento contém informações de uma resolução antiga, de 2005,  já revogada por outra de 2012. Se não conseguem sequer atualizar algo tão simples, como confiar que a autarquia possa acompanhar com eficiência as transformações sociais e a qualidade dos serviços de psicologia? E essa crítica, creiam-me, tem mais um caráter de alerta do que de oposição gratuita ao CFP.  Outro fator que talvez inviabilize esse serviço no momento:  a impunidade generalizada que assola nosso país, em todos os setores. A fraca noção de moralidade e a ampla sensação de impunidade põe, realmente, em situação de vulnerabilidade possíveis pacientes de maus terapeutas que desejem se esconder na cortina do anonimato e da distância para fazer um trabalho nocivo, em vez de ajudar. Bom, críticas a parte, ao estudar sobre isso, fui em busca de informações sobre a qualidade dos serviços de internet no Brasil e me deparei com os fatos que se seguem:

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) produz relatórios mensais sobre a qualidade dos serviços das empresas de telefonia (móvel e fixa) no Brasil, mas não faz considerações sobre se é ruim ou boa, se melhorou ou piorou; apenas apresenta os dados na internet e distribui aos veículos de comunicação. O relatório de dezembro de 2013 é o mais recente neste momento (junho de 2014), e registra qualidade satisfatória para os serviços de banda larga no DF e na maioria dos Estados, excetuando-se o Maranhão, Mato Grosso, Pernambuco e a Bahia, em relação à banda larga, o tipo de conexão recomendada para atendimentos psicoterapêuticos online. Sem a avaliação crítica da Anatel, buscou-se conseguir alguma informação que respondesse à pergunta, mas a resposta não foi encontrada. No entanto, uma avaliação técnica mais apurada, o que se afasta dos objetivos deste estudo, pode ser obtida junto à União Internacional de Telecomunicaçães (UIT), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), que produz estudo anual sobre acesso e utilização das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) em todo o mundo; aqui no Brasil o documento recebe da Anatel o nome de “Medindo a Sociedade de Informação”. O relatório de 2011 mostra ser crescente o acesso da população às Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) em todo o mundo, “impulsionada por uma queda constante nos preços dos serviços de telefonia e de internet banda larga” (UIT, 2011). Àquela época, o Brasil estava na 64ª posição do ranking, logo abaixo da Bósnia-Herzegovina. A República da Coreia era, então, a economia mais avançada do mundo em TICs, seguida pela Suécia, Islândia, Dinamarca e Finlândia (idem anterior). Mas a classificação é abrangente e vai além do acesso à internet.

PARA SABER MAIS:

UIT: Medindo a Sociedade de Informação

ANATEL: QUALIDADE DA BANDA LARGA

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