Projeção

 

Transcrevo a seguir um trecho do livro AMOR, ÓDIO E REPARAÇÃO, da psicanalista Melaine Klein, escrito algumas décadas atrás e apesar disso, atualizado:

“A primeira e mais fundamental dentre as nossas garantias ou medidas de segurança contra sensações de sofrimento, de ser atacado, ou de desamparo – da qual tantas outras decorrem – é esse processo a que chamamos projeção. Através desse processo, todas as sensações ou sentimentos penosos e desagradáveis existentes na mente são automaticamente banidos para fora de nós; admitimos que se localizem em outra parte que não em nós. Renegamo-los e repudiamo-los como emanando de nós. Na medida em que tais forças destrutivas são reconhecidas em nós, pretendemos que ali chegaram arbitrariamente e através de algum agente externo, e devem voltar ao lugar que lhes compete. Para um bebê, a distinção entre os seus estados de prazer e de desprazer, entre os sentimentos bons e maus dentro de si, reflete-se no mundo externo. A projeção é a primeira reação do bebê ao sofrimento, e provavelmente permanece em todos nós como a reação mais espontânea a qualquer sentimento penoso, ao longo de toda a nossa vida. O subsequente desenvolvimento mental permite a cada um de nós, em grau variável, controlar ou refrear essa reação primitiva e subjetiva, substituindo-a por outros processos  melhor adaptados à verdade e à realidade  objetiva da situação em que nos encontramos. (…) Se alguém nos atribui algo desagradável, nós, com muita frequência, afirmamos que, de fato, o desagradável está nele. Mais frequentemente, porém, o fato ocorre sem qualquer provocação.  Podemos constatá-lo com clareza, por exemplo, nos sentimentos do homem comum acerca da crueldade e agressividade de outras nações, nunca, porém,  da sua; ou ainda no seu ponto de vista sobre o partido político em oposição ao seu. O que os outros fazem é perigoso, destrutivo e interesseiro ao máximo, ao passo que as intenções e motivações de seu próprio partido são tão puras e justas quanto a imaginação é capaz de torná-las. No seu ambiente de trabalho, homens perfeitamente comuns mostram-se propensos a descobrir sentimentos de ganância egoística e de agressividade desenfreada em seus patrões e empregados, conforme a posição não ocupada por eles.”

O texto completo é três vezes maior do que este trecho aqui transcrito. A quem deseje lê-lo por inteiro, comprometo-me a enviar por email; basta solicitar.

Original: Amor, Ódio e Reparação – As emoções básicas do homem do ponto de vista psicanalítico. Melanie Klein e Joan Riviere (1975), 2ª ed. São Paulo, Imago Editora (p. 25-26). 

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