Exames registram impacto da psicoterapia sobre o cérebro

Para pessoas excessivamente racionais e recalcitrantes em duvidar dos efeitos benéficos das psicoterapias, sugiro a leitura do texto abaixo.

Os achados vindos da neurobiologia estão fornecendo, nos últimos anos, muitas informações para nossa compreensão da psicoterapia. Uma breve revisão desses achados mostra que a psicoterapia tem grande impacto sobre o cérebro e não pode ser dispensada como mero “apoio” ou gentil tranquilizante. (…) Uma parte integral da psicoterapia psicodinâmica é a aquisição de insight que a pessoa passa a ter sobre seus próprios problemas. Até recentemente, o processo de obtenção de insight permanecia um mistério em termos de seus correlatos neurais. Um trabalho recente de Jung-Been e colaboradores (2004) lançou alguma luz sobre tal processo. Utilizando dados de Imagem de Ressonância Magnética Funcional (IRMF) e registros do eletroencefalograma, eles identificaram padrões distinto que sugerem envolvimento de hemisfério diferentes para soluções de insight e não-insight. Pessoas resolviam problemas verbais e depois de cada soluçõ indicavam se haviam solucionado o problema com ou sem insight. Os pesquisadores descobriram dois grandes correlatos neurais do insight. Imagens de exames com tecnologias modernas ( IRMF, PET , SPECT) demonstraram aumento da atividade do giro-temporal antero-superior do hemisfério direito para soluções de insight. O registros de eletroencefalograma revelaram uma súbita explosão de atividade neural de alta frequência (ondas gamma) na mesma área, iniciada 0,3 segundos antes das soluções de insight. Consequentemente, o súbito flash do fenômeno de insight na terapia pode ser refletido na atividade neural específica, que ocorre quando as conexões que eram previamente indefinidas tornam-se aparentes.

Pesquisadores da Finlândia demonstraram que a psicoterapia psicodinâmaaica pode ter um impacto significativo sobre o metabolismo da serotonina (Viinamaki et AL., 1998). No início da psicoterapia de um homem de 25 anos com transtorno de personalidade boderline e depressão, foi feita uma atomografia computadorizada por emissão de fóton único (SPECT). Outro homem com problemas semelhantes taambém passou por exames de imagem, mas não fez psicoterapia ou qualquer outro tratamento. O SPECT iniciall mostrou que ambos os pacientes apresentavam importante redução da captação de serootonina na área pré-frontal medial e tálamo emm comparação com 10 indivíduos controle saudáveis. Depois de um ano de psicoterapia psicodinâmica, a repetição do SPECT mostrou que o paciente que fez psicoterapia apresentava captação normal de serotonina, enquanto o paciente cointrole que não havia feito psicoterapia continuava a apresentar marcada redução na captação da serotonina. Pelo fato de o paciente que fez psicoterapia psicodinâmica não ter feito uso de medicação associada à terapia, esse achado sugere que a própria terapia dinâmica pode ter normalizado o metabolismo da serotonina. (…).

Fonte: PSIQUIATRIA PSICODINÂMICA NA PRÁTICA CLÍNICA, 3ª edição. Glen O. Gabbard, M.D. Editora Artmed, 2006. Páginas 28 e 29.

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