Mutismo seletivo

Mais um desafio pela frente: aprender sobre mutismo seletivo (a quarta edição do DSM mudou a expressão mutismo eletivo, usada no DSM-II, para mutismo seletivo).

O CID 10 define como sendo: “Transtorno caracterizado por uma recusa, ligada a fatores emocionais, de falar em certas situações determinadas. A criança é capaz de falar em certas situações, mas recusa-se a falar em outras determinadas situações. O transtorno se acompanha habitualmente de uma acentuação nítida de certos traços de personalidade, como por exemplo ansiedade social, retraimento social, sensibilidade social ou oposição social.” Classificação no CID 10: F 94.0.

Encontrei o blog de uma mãe de criança com esse transtorno que contém informações úteis, o site da Carmem Lucia Vilanova.

“Mutismo seletivo é uma condiçao de ansiedade social, onde uma pessoa que é capaz de falar é incapaz de se expressar verbalmente em determinadas situaçoes.

No Manual de Estatística e Diagnose de Desordens Mentais, o Mutismo Seletivo é descrito como uma desordem psicológica pouco frequente nas crianças. Crianças (e adultos) com este tipo de problema sao completamente capazes de falar e compreender a linguagem, mas nao o fazem em determinadas situaçoes sociais, quando é o que se espera deles.

Funcionam normalmente em outras áreas do comportamento e aprendizado, embora se privam severamente de participar em atividades de grupo. É como uma forma extrema de timidez, mas a intensidade e duraçao a distingue. Como por exemplo, uma criança pode passar todo o tempo completamente calado na escola, por anos, mas falar livremente ou excessivamente em casa.

Outras características sao, além da timidez extrema, o retraimento social, a dependencia e o perfeccionismo.

Esta desordem NAO é considerada uma desordem da comunicação, pois a maioria das crianças se comunica através de expressões faciais, gestos, etc.

Ao realizar o diagnóstico, pode ser confundido facilmente como um tipo seletivo de Autismo ou Síndrome de Asperger, especialmente se a criança atua de modo retraído na presença do psicólogo. Isto pode levar a um tratamento incorreto. (…) LER MAIS.

No futuro, quando eu tiver aprendido mais sobre mutismo eletivo, inclusive com elementos concretos colhidos da experiência com um paciente com essa queixa, volto a postar algo sobre o tema.

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20 comentários sobre “Mutismo seletivo

  1. Tive mutismo seletivo quando estava no Jardim de Infancia e na 1ª série e só agora, com 49 anos, vendo um programa de TV, identifiquei o problema. Não falava com as duas professoras, nem com um tio nem com algumas amigas de minha mãe, embora falasse excessivamente em casa e com outras pessoas. Lembro que, no Jardim de Infancia, por duas ou três vezes, me urinei toda porque não consegui pedir permissão para ir ao banheiro. Sofri muito com isto. Entrei para o Jardim com 4 anos, mas, talvez, já tivesse o problema anteriormente. Coloco-me à disposição para ajudar no que for possível com informações do que consigo me lembrar. Nunca fui diagnosticada devido à época, talvez. Era rotulada de tímida e/ou grossa.

  2. Luiza! Nossa, amei seu contato… acho q vc pode ajudar muito; tenho muitas coisas a lhe perguntar. Qdo estiver com um tempo maior lhe escrevo no privado, tá? Obrigada por se dispor a ajudar. Abraço.

    • Fique à vontade para perguntar o que quiser. Lamentavelmente, creio que, na época, não se falava sobre o assunto. Estou certa de que minha família desconhecia o transtorno. Aliás, ainda hoje, não se comenta. A primeira vez que ouvi foi há dias no tal documentário da TV. Sofri muito mesmo com o transtorno e tive que me virar sózinha. Felizmente, consegui superar.

  3. Olá, sou psicóloga e gostaria muito de ter contato com a Luiza, pois tenho pesquisado bastante sobre o assunto e as informações de alguém que teve o transtorno seriam de grande valia. Como faço?

    Elisângela

    • Elisangela,
      Pode entrar em contato através do meu e-mail mesmo. A partir do conhecimento do mutismo seletivo descobri que o transtorno “se deslocou” para outras áreas durante toda a minha vida. Começo a entender diversos outros bloqueios. Foi importantíssimo descobrir que tive o transtorno. Agora entendo outros problemas. Afirmei que superei, mas, na verdade, transferi para outras áreas.

      • Que bom que ele está melhorando, Luiza. Em muitos casos o tempo favorece, ao promover o amadurecimento natural do indivíduo. Abraço.

      • Que bom, que ele está evoluindo na melhora, Luiza. Em muitos casos o tempo é favorável, por propiciar o amadurecimento natural do indivíduo. Abraço.

  4. Gostei de mais, de seus cometarios, minha pequena Sofía, tenhe este
    diagnostico, tirei ela da escola, pois esta em nada me ajudava, apenas
    ignorava o fato… entre em contato comigo, segue end. do meu filho…

    • Não consegui ver o end. do seu filho. Não sou profissional, mas creio que tirar uma criança com mutismo seletivo da escola é a pior coisa que se pode fazer. A não ser que seja para colocá-la em outra. A escola não pode e não tem que fazer nada. Quanto mais se chama a atenção para o fato pior. Ignore e um dia se surpreenderá. Se quiser entrar em contato comigo, fique à vontade. Repito que não sou profissional da área, mas uma pessoa que teve tal problema quando criança. Repito também que se me tirassem da escola (a não ser, repito, que transferissem para outra) teriam desgraçado minha vida. Afinal, eu era ótima aluna. Entrei para a primeira série com 5 anos numa época em que entrava com 7. Entrei para a universidade com 17 e me formei com 22, Depois fiz 6 pós-graduações, cursos de idiomas, etc.. Pelo amor de Deus, mesmo que a menina não fale com ninguém, não a deixe sem escola. Enquanto ela está lá, está aprendendo e talvez as situações a façam falar. Se quiser entrar em contato, fique à vontade (meu e-mail está acima). Abs.

  5. Muito interessante mesmo. Estava procurando alguns textos sobre o assunto pra escrever algo sobre isso no meu blog.

    Também sofri de mutismo seletivo durante 8 anos, na escola (todo o ensino fundamental), mas descobri só agora, depois dos 20.
    Na verdade, nunca cheguei a conversar com nenhum colega na escola, e nem mesmo com os professores. Também não demonstrava nenhuma expressão, não ria, não participava da educação física, nem nada do tipo.
    Mudei de escola 3 vezes, mas não adiantou. Foi difícil, porque os professores nunca me ajudaram, nem os psicólogos e psiquiatras… O diagnóstico sempre foi o mesmo: criança mimada, não fala porque não quer.
    O resultado foi o bullying e essas coisas todas que hoje são muito comuns, mas naquele tempo, ainda não era muito falado.

    Depois do ensino médio, muita coisa mudou, mas, infelizmente, hoje ainda sobraram alguns resquícios – como no ambiente de trabalho – e continuo a minha luta.

    Muito bom seu blog, estou seguindo aqui 😉
    Nêly.

      • É muito bom saber que eu não era uma “esquisita” (na verdade até era, não é?). Quando eu era criança usavam uma expressão que me traumatizou : “bicho do mato”. Diziam: ela é “bicho do mato”. Descobri que era um transtorno vendo, por acaso, um documentário na TV. O pior é que acho que o mutismo acabou, mas houve transferencia para outras áreas. Há setores em minha vida muito difíceis de entender. Penso agora se não há um deslocamento para outras áreas, ou seja, se quando o transtorno para falar acaba se não é porque se deslocou para outras áreas. Tive outros bloqueios e sou uma pessoa muuuuuuuuuuito complicada em termos de relacionamentos pessoais (não profissionais, mas pessoais mesmo). Infelizmente, há muito pouca coisa descoberta sobre o transtorno. Abraços.

  6. Verdade, esse negócio de “bicho do mato” sempre incomodou também. Mas é sempre bom ver que você não é uma “aberração” ou seja lá o que for… haha

    nêly.

  7. Sou Haliene Karen, mãe da Yasmin de 5 anos e estou passando por este problema com ela. Ano passsado Yasmin foi diagnosticada com mutismo seletivo e neste momento está fazendo acompanhamento psicológico.

      • Tive mutismo seletivo quando era criança e ninguém sabia o que era isto. A necessidade me obrigou a fazer um tremendo esforço e superar. Jamais levaria um filho com tal problema à um psicólogo. Quanto mais se fala nisto, pior. A chave do problema é IGNORAR. QUANDO E SE a pessoa sentir necessidade, ela ultrapassará as barreiras que a impedem de se comunicar.

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