Quem tem medo de adolescentes?

Transcrevo mais um trecho do artigo da Cybelle Weinberg, este mais destinado a psicólogos e psicopedagogos. Também curto e esclarecedor.

“Conviver com adolescentes não é tarefa fácil. Em casa e na escola, pais e professores são submetidos a críticas sem fim. É próprio da adolescência criticar, questionar, exigir explicações. Para o adulto, normalmente, é um jogo duro ter alguém assim a seu lado. Se esse adulto não tiver “jogo de cintura” e não souber que por trás da agressão do adolescente há muito medo e insegurança, a convivência pode se tornar insuportável.

Trabalhar com adolescentes no consultório também não é tarefa fácil. Na maioria das vezes eles nos são trazidos pelos pais e fazem questão de deixar isso claro – que estão ali porque o pai, a mãe, a orientadora da escola, alguém deseja que ele venha, quase nunca ele.

São fechados, falam pouco, demonstram muito desinteresse. No entanto, se o (a) profissional estiver disposto a lidar com esse desafio, o trabalho pode se desenvolver de forma muito rica.

O primeiro desafio, eu penso, é NÃO se colocar no papel de conselheiro. Esse jovem já se sente por demais invadido para permitir mais uma invasão de nossa parte. Não forçar, esse é o primeiro mandamento. O segundo é ficar atento para a contratransferência, pois facilmente nos colocamos aflitivamente no papel de desejar por eles.

Nosso  trabalho não é fazer com que desejem aprender (como se isso fosse possível!). No máximo podemos ajudá-los a encontrar algum prazer em aprender. Como? Pensemos que o psicopedagogo tem nas mãos um material propício – desenhos, redações, atividades que permitem que ele fale de si. O adolescente é criativo, sente prazer em pensar criticamente; é questionador.

Diferentemente da criança, o adolescente, segundo Piaget, pensa hipoteticamente. É capaz de construir sistemas, teorias, tem uma grande capacidade de reflexão. E, o que torna o trabalho com ele ainda mais interessante, é que ele tem capacidade de pensar sobre o próprio pensamento. Para um profissional que consegue enxergar um sujeito assim cheio de possibilidades, isso não é um prato cheio?”

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