Arrogância e humildade

“A nossa natureza arrogante pode  se disfarçar  de grandiosidade ou de uma enorme autoconfiança, mas na verdade ela está enraizada na inadequação, na insegurança e no medo. A arrogância é uma expressão da nossa obsessão por ser maior, mais inteligente,  mais grandioso e mais importante do que as outras pessoas, para compensar  o que acreditamos estar faltando. Por nos sentirmos tão pequenos  e insignificantes, precisamos parecer maiores  do que somos para provar que, na verdade, somos especiais. Tentando compensar o medo de não sermos bons o suficiente, adotamos a atitude  “sou mais virtuoso que você” e podemos de fato a acreditar que somos melhores do que aqueles  à nossa volta. Embora a arrogância possa nos levar a sermos mais informados, bem relacionados e bem-sucedidos, a sua motivação é esconder  os nossos pontos fracos e exagerar  os nossos pontos fortes. A arrogância proporciona a fachada perfeita, permitindo-nos ser  manipuladores, irresponsáveis, controladores e violadores de regras  –  só para dar alguns poucos exemplos. Ela nos faz  olhar de cima a baixo com condescendência para aqueles que consideramos inferiores a nós. (…) A arrogância aparece na nossa vida usando vários disfarces. Ela se mostra em todos os julgamentos que fazemos contra os outros, está por trás das nossas ironias moralistas e nos mantém leais ao que acreditamos ser verdade mesmo quando há provas do contrário bem diante dos nossos olhos.

Para  descobrir onde e como a arrogância se mostra na nossa vida, só precisamos examinar os nossos julgamentos e nossas projeções. É arrogância julgar os outros e pensar em nós como se fôssemos mais evoluídos do que de fato somos. Sempre que somos afetados pelo comportamento de outras pessoas e pensamos “elas são umas retardadas” ou “por que não conseguem fazer uma  coisa tão simples?” é bom refletir se isso não seria um aviso de que estamos projetando sobre os outros alguns de nossos aspectos indesejáveis  e de que a nossa arrogância está servindo como mecanismo de defesa para que não vejamos algo sobre sós  mesmos que não queremos ver. Sempre que apontamos o dedo, cheios de  razão, ou sempre que temos certeza de que outra pessoa está aquém so seu potencial, precisamos voltar nossos olhos para nós mesmos. Isso requer grande humildade.

A arrogância sem o antídoto espiritual da humildade nos leva a uma mentalidade impenetrável que nos impede de fazer uma  autoavaliação honesta e reconhecer  os nossos impulsos sombrios, as nossas tendências destrutivas e quais dos nossos comportamentos são – e não são – aceitáveis. (…)

O antídoto espiritual: a humildade: quando recorremos à natureza humilde, temos uma consciência  pacífica do nosso lugar no todo maior. Através de olhos humildes, somos capazes de ver as boas intenções  dos outros e celebrar  – em vez de comparar e condenar – as nossas diferenças. A humildade faz de nós pessoas dispostas a aprender e nos abre para a opinião dos outros. Ela também fortalece a  capacidade de ouvir verdadeiramente  a nós mesmos e às outras pessoas. Ela nos dá a chance de não saber tudo e faz com que não nos apeguemos ao resultado a que um dia nos agarramos para nos sentir seguros. A humildade nos dá tanto a disposição para mudar como visão para fazer as mudanças de que precisamos. Despidos da capa  falsa de arrogância, somos humildes o bastante para nos ver como somos, e só então podemos começar a divisar a pessoa que somos capazes de nos tornar.

Com humildade, a nossa identidade um dia rígida  se torna mais flexível, por isso não nos sentimos mais compelidos a impor as nossas opiniões e a nossa pessoa sobre os outros. (…)

Destituídos da arrogância, das justificativas  e da convicção de estar sempre com a razão, podemos andar sob a luz do dia sem o escudo do orgulho. O nosso lado humilde entende que não somos nem melhores  nem piores do que ninguém. Ele entende que, em circunstâncias diferentes,  podemos fazer exatamente  o que as outras pessoas fazem  e nós criticamos. (…)”

Fonte: COMO ENTENDER O EFEITO SOMBRA EM SUA V IDA, de Debbie Ford. Editora Cultrix, 2010, pág. 169.

O livro acima foi escrito após o sucesso de O Efeito Sombra, do qual Debbie Ford é co-autora. As duas obras exploram o arquétipo Sombra e as consequências dele em nossa vida.

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3 comentários sobre “Arrogância e humildade

  1. Psicológico mesmo é o medo de não ser igual a todas as pessoas normais; discordo de froid.cada ser humano é único e exclusivo.

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