Medo de morrer

“Inteiramente despreparados, embarcamos na segunda metade da vida… damos o primeiro passo na tarde da vida; pior ainda, damos esse passo com a falsa suposição de que nossas verdades e ideais vão servir-nos como antes. Mas não podemos viver a tarde da vida de acordo com o programa da manhã – pois o que foi grande pela manhã vai ser pouco à tarde, e aquilo que pela manhã era verdade, à tarde se tornará mentira.” Carl Jung, in The Stages of Life –  Collected Works of CG Jung – 8, § 339.

Tenho ouvido muitas pessoas de meia-idade  se queixarem de estar com “medo de morrer”. Penso que, efetivamente, as pessoas na meia-idade estão morrendo,  em termos simbólicos, claro. É o começo compulsório da transformação, como ocorre à crisálida, que após envolver-se em si mesma,  ressurge transformada em ser alado, mais leve, mais colorido, renascida.

Encontrei um artigo lúcido sobre esse tema, do terapeuta Wanderley Oliveira:

“A crise existencial da meia-idade é um movimento natural da vida mental, no qual as feridas, traumas e assuntos pendentes na vida inconsciente emergem ao consciente para serem resolvidos.

Coincidentemente, essa crise ocorre em uma determinada faixa etária, entre os 35 e 55 anos, sendo possível também verificar-lhe a presença antes ou depois dessa idade.

Nessa etapa psíquica da vida, que muito se assemelha ao fenômeno biológico da ovulação feminina, a mente expurga no tempo certo o “óvulo” maduro e que necessita ser trabalhado, reconhecido pelo consciente, no intuito de organizar a vida mental.

É assim que vários assuntos que foram mal conduzidos durante a infância e a juventude regressam em forma de crise inesperada, levando a criatura às mais diversas e imprevisíveis alterações no seu mundo emocional e comportamental.

É questionada a vida profissional, a relação afetiva, os laços de parentesco, os objetivos pessoais, a forma de viver e sobreviver. E diante de todos os questionamentos a criatura talvez, pela primeira vez em sua vida, faça honestamente uma pergunta a si mesma: e eu, o que quero da vida? O certo e o errado começam a ser questionado pela pessoa. O que antes preenchia e dava motivação parece totalmente desconexo, fora de lugar. É um período de muita depressão, porque os conflitos que foram temporariamente negados regressam ou intensificam abruptamente. Nessa fase, muitas pessoas alcançam certa estabilidade financeira, os filhos já são independentes e muitas mudanças contribuem para deixar a criatura mais em contato consigo mesma, depois de muitos anos na luta pela sobrevivência e pelos deveres. Outros que não tiveram a mesma trajetória, chegam a essa idade com frustrações dolorosas em todas as áreas de sua vida e, por essa outra porta, também penetra a crise existencial com outros gêneros de angústia. LER MAIS.

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