Pecados e virtudes capitais

Você se lembra quais são os sete pecados capitais?

  1. Gula
  2. Avareza
  3. Soberba
  4. Luxúria
  5. Preguiça
  6. Ira
  7. Inveja

E em oposição aos pecados, as sete virtudes (para combater os pecados capitais)

1. Temperança (gula)
2. Generosidade (avareza)
3. Humildade (soberba)
4. Castidade (luxúria)
5. Disciplina (preguiça)
6. Paciência (ira)
7. Caridade (inveja)

Veja significado, neste contexto, da palavra capital: “Que importa ou diz respeito à cabeça, à vida de uma pessoa: pena capital (isto é, de morte (Dicionário Priberam).

Veja o significado que a Igreja Católica deu ao termo, de acordo com explicação do Wikipédia: “Os conceitos incorporados no que se conhece hoje como os sete pecados capitais se trata de uma classificação de condições humanas conhecidas atualmente como vício, que é muito antiga e que precede ao surgimento do cristianismo, mas que foi usada mais tarde pelo catolicismo com o intuito de controlar,educar e proteger  os seguidores, de forma a compreender e controlar os instintos básicos do ser humano. O que foi visto como problema de saúde pelos antigos gregos, como por exemplo a depressão (melancolia, ou tristetia), foi transformado em pecado pelos grandes pensadores da Igreja Católica.

Assim, a igreja Católica classificou e selecionou os pecados em dois tipos: os pecados que são perdoáveis sem a necessidade do sacramento da confissão, e os pecados capitais, merecedores de condenação. A partir do início do século XIV a popularidade dos sete pecados capitais entre artistas da época resultou numa popularização e  mistura com a cultura humana no mundo inteiro.”

A Psicologia Junguiana (ou Analítica) chama de “sombra” os comportamentos considerados “pecados capitais”. São inconscientes, na maioria das vezes. Portanto, o sujeito pode até querer agir contrariamente ao inspirado pelo instinto, mas não consegue porque uma força instintiva, quase sempre atuante como mecanismo de defesa, invade o psiquismo e determina emoções e ações da pessoa. Decorrem, quase sempre de intrincados complexos. Não funciona reprimir, não é eficiente negá-los, ao contrário: ao negar uma aspecto sombrio, ele ganha força, cresce e um dia toma a frente, à revelia da razão. A igreja católica age na contramão disso, com o intuito de “controlar”, alimentando o medo da condenação eterna. O que isso tem de cristão? O que isso tem de  divino? Francamente!

Fazer um depressivo supor que ele está em pecado por sentir-se triste, sem força, desvitalizado é mais cruel ainda. E demoníaco. E por último, sempre tive horror a isso que eles chamam de “sacramento da confissão”. Devo revelar a um padre meus pecados… para quê preciso de intermediário na hora de suplicar o perdão divino? O que esse intermediário fará com as informações obtidas em confissionário? Claro que nem todo padre é antiético, mas muita confissão serviu de subsídio para dominação da igreja sobre os fiéis. Funciona mais você confessar seus pecados a um terapeuta, que não vai lhe julgar, condenar nem ameaçar com a punição eterna. Ao contrário, vai lhe acolher, ajudar-lhe a analisar os motivos inconscientes da conduta, vai lhe apontar alternativas e mecanismos de como agir de forma diferente, quando você estiver pronto para a transformação. As virtudes devem surgir de forma espontânea, ser verdadeira conquista da alma, não algo forçado, reflexo da repressão. Conteúdos reprimidos ou recalcados são apenas a camuflagem de um árduo trabalho ainda por fazer. Por meio da ampliação da consciência. Como já expliquei a um amigo diácono, a religião NÃO é o melhor caminho para mudar e/ou transformar muita coisa dentro de nós. Principalmente quando se trata de conteúdo inconsciente. Deseje, persiga as virtudes. Mas da forma certa, por meio do autoconhecimento, que conduz à ampliação da consciência e, consequentemente, à salvação verdadeira. Não necessariamente a aprovação de padres e papas, claro. Mas quem lhe interessa seguir e agradar? a Deus ou ao papa? Mas algumas pessoas parecem ter mais medo de terapia do que do diabo? E olhe que ele nem existe! Por que? Não posso responder por todos, mas em alguns casos que conheço porque o processo terapêutico pode levar à desconstrução da fé na crença católica, em dogmas e sacramentos católicos. E muitos fiéis dessa religião (não todos, obviamente) são MUITO LEAIS À IGREJA CATÓLICA e nem tanto a Deus.

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Um comentário sobre “Pecados e virtudes capitais

  1. Quanto desconhecimento da fé católica. Quanto a ela o próprio Jung lhe ensinaria muito – mesmo não sendo católico! Recomendo a leitura… A sombra mencionada no texto, porém, ficou bem exemplificada pela sua própria projeção na igreja católica… A existência de mediadores da igreja só existe porque o seu próprio fundador – Jesus – assim indicou, e por óbvia necessidade da natureza humana, que tbm viu a importância de ter terapeutas…

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