Sexo e espiritualidade

“SEXUALIDADE E ESPIRITUALIDADE: PERPLEXIDADES E HARMONIAS”

por José Cassio Martins, pastor e psicólogo

“SEXUALIDADE E ESPIRITUALIDADE”? As duas coisas são realmente incompatíveis? De que modo? Até que ponto? (Se é que esse “ponto” existe!). Por que será que ficamos tão perplexos? Se Deus criou ambas as coisas, não seriam elas “harmônicas” por natureza?

Fomos educados para pensar que estas duas coisas nada têm em comum, que são opostas, incompatíveis mesmo. O pensamento farisaico-patrístico-medieval-puritano que moldou teologia vigente é a origem dessa incompatibilidade, ou seja, ummoralismo gnóstico-dualista, que nosso querido  Dr. J. Harold Ellens refere como “teoria de dois mundos”: natural e sobrenatural.

Em seu recente livro Sex in the Bible, de 2006, observa que: “A coisa mais interessante sobre sexo na Bíblia é o fato que ela não moraliza o sexo” (Op. cit. p. 7.).Esta moralização foi feita pelos “fariseus do cristianismo”. Afinal, é mais fácil ser fariseu do que discípulo de Jesus. Essa mentalidade entrou no cristianismo, desejando “por ordem na casa”.

Só que causou mais problemas do que soluções. Esta ânsia por “ordem e decência” criou toda a severidade, o moralismo e o legalismo que vemos e que tem, segundo Ellens, sua base na experiência, no comportamento e nos ensinos  de Agostinho e Jerônimo, principalmente.

A (3x) Dra. Hanna Wolf, em seu indispensável livro Jesus na Perspectiva da Psicologia Profunda menciona quatro grandes malefícios nascidos dessa visão teológica:

a) a “equivocada compreensão patriarcal de Jesus“, cuja imagem ficou “unilateralmente masculinizada”, até mesmo “militarizada”, desconhecendo sua ternura, compaixão e misericórdia.

b) a desvalorização da mulher, que foi considerada como a fonte de todo o mal e do pecado, “a porta do inferno” (Crisóstomo).

c) a demonização do sexo, que passou a ser considerado o suprassumo da pecaminosidade. Agostinho chama o sexo e o coito de “gestos de ‘animal'”, contrários à vontade mais profunda de Deus” (p. 46). O ato conjugal passou a ser “suportável”, um “pecado leve, apenas para a procriação”, um “dever” (Id., ibid.). Isto cheira, no mínimo, a hipocrisia, não? O Concílio de Trento (sec. XVI) chama de “anátema” quem não reconhece a virgindade e a continência  como estados melhores e mais abençoados (Wolff, op. cit. p. 50).

d) a “demonização do natural”, que passa a ser visto como “antiespiritual”. Isto é um dos pilares do gnosticismo. Mas perguntamos: o que fazer quando não se é casado, ou quando o casamento apresenta problemas de saúde, ou de educação infantil distorcida? Quando há impotência, ou frigidez? Como encarar diferentes modalidades de expressão sexual? E as diferentes “espiritualidades”?

Leia as respostas e o TEXTO NA ÍNTEGRA

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