Encerrando Ciclos ou fechar gestalten

O estilo literário de Paulo Coelho não me agrada. Quando tinha vinte e poucos anos tentei ler os livros dele, aos quais todos faziam largos elogios, mas não consegui ir adiante. Até o Português ruim me incomodou. Agora, depois dos 40 e muito mais criteriosa, é menos provável ainda que eu aprecie algum dos livros dele. Estranhamente, nunca aprecio coisas que agradam a muita gente indiscriminadamente ou sobre a qual estejam todos fazendo apologia. “Toda unanimidade é burra”, teria dito Nelson Rodrigues, de quem também não gosto. Ah, podem me xingar os ortodoxos da literatura ou coisa que o valha, mas também não gosto do livro Macunaíma. Tentei ler Comer, Rezar e Amar, de uma tal Elizabeth Gilbert, e achei um lixo. Mas é considerado best seller, parece que vai até virar filme!!!  Nem sempre me oponho aos best sellers: adorei O Caçador de Pipas, de de Khaled Hosseini. Pessoas chamadas por Jung de  “genéricas” apreciam mediocridades e sempre se deixam levar como gado tocado em boiada. Não, não sou mal humorada: apenas prefiro garimpar raridades e fugir do óbvio. Bom, minha amiga Gabriela Barros enviou-me um texto cujo título é Encerrando Ciclos e gostei imensamente. Bem poderia ter sido escrito por um psicólogo dos mais lúcidos, mas – segundo ela, foi escrito por Paulo Coelho. Sabedora de minha rejeição quanto ao trabalho dele ainda se desculpou por me enviá-lo.  Tenho compromisso com a verdade e não posso deixar de admitir que uma coisa é boa só por antipatizar pelo autor do trabalho.  Então aí está, julgue você mesmo. Por uma questão de justiça e democracia, estou aberta a críticas, já que critiquei!

“ENCERRANDO CICLOS
Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos – não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração – e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”.

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada e insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.

Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.”

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