Minha dor é só minha

Do mesmo evento citado no post anterior  colhi informações úteis sobre dor, na palestra da psicóloga Virgínia Turra. Aqui destaco que, como de outras vezes, tentarei fugir do caráter acadêmico e da linguagem técnica, num esforço para simplificar informações de modo a torná-las compreensíveis ao maior número de pessoas, principalmente não psicólogas. Este é um dos objetivos perseguidos por este blog: pincelar informações e resultados de pesquisas acadêmicas úteis às pessoas. E aqui chamo de “útil” qualquer coisa que possa diminuir o sofrimento das pessoas ou servir como facilitador para qualquer “caminhar”. Para tanto recorro às minhas habilidades em textos jornalísticos, mas sei que nem sempre consigo isso e algumas vezes caio em reducionismos. Lamentando por isso, vamos lá:

Virgínia Turra é pesquisadora há anos empenhada na compreensão da dor. Sobre o tema ensinou-nos que se trata de fenômeno eminentemente subjetivo. Isto significa dizer que cada pessoa sente dor de forma diferente, a depender de diferentes fatores, incluindo aspectos genéticos, psicológicos, comportamentais, contexto ambiental e características individuais da “ferida”, no sentido amplo do termo.

“Dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável, decorrente de lesão real ou potencial dos tecidos do organismo. Trata-se de uma manifestação basicamente subjetiva, variando sua apreciação de indivíduo para indivíduo. Está relacionada à plasticidade da nocipercepção da dor”, informou Virgínia.

De sua experiência prática, a psicóloga colheu o aprendizado de que é importante para o paciente que sua dor seja reconhecida como real. Assim, dizer algo como “a gente acredita que você está com dor” ajuda muito no acolhimento, nas intervenções ou mesmo em contexto pessoal. Não é raro pessoas com dor crônica terem seu sofrimento desqualificado, como se elas estivessem inventando uma dor inexistente, apenas porque resultados de exames ou diagnósticos não corroboram a afirmação delas.

Disso decorre que, se alguém próximo a você afirmar que sente dor numa intensidade diferente da sua, acredite. Sua forma de sentir dor é diferente da dela. O que dói pouco em você pode doer muito nela.

A compreensão do tema pode ser ampliado com uma visita ao site da SBED,a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor. De lá copiei o seguinte trecho explicativo de um artigo: “Existem diferenças básicas, quanto às dores agudas e crônicas. As agudas são de curta duração, tem finalidade biológica, servindo como sinal de alerta. As dores crônicas são as que persistem após a cura da lesão/fator desencadeador inicial e, não tem finalidade biológica”. A SBED é, digamos assim, o tentáculo brasileiro da Associação Internacional para o Estudo da Dor, a  IASP.

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