Crise e resiliência

Participei na semana passada do III Simpósio de Saúde Mental da Amil Brasília. Uma iniciativa elogiável, tanto pela qualidade quanto pela relevância. Das minhas anotações, transcrevo algumas que considero útil disseminar. Interessou-me de modo particular a palestra da psiquiatra Maria Henriqueta Camarottti, do MISMEC, sobre resiliência.  Vejamos:

“Resiliência ocorre quando o trauma se transforma em competência. Quando a carência gera competência. É um fenômeno psicológico construído”. Disso se depreende que uma pessoa sem resiliência diante de adversidades, pode desenvolver essa habilidade. A médica destacou outros aspectos importantes sobre essa manifestação humana, a saber:

. As pessoas resilientes contaram com a presença de pessoas significativas – para apoiá-las, orientá-las ou simplesmente servir de modelo.

. Só existe quando há esperança no futuro, um sentido, uma meta, um horizonte ético que impulsiona para o futuro.

. É a capacidade de resistir e crescer  na adversidade.

. Resultante e somatório de um conjunto de qualidades não excepcionais que se articulam de maneira favorável para algumas pessoas.

Depende:

. Da história de vida da pessoa.

. De o indivíduo enxergar a crise como oportunidade de crescimento. (Para a Terapia Comunitária crise é  a exaustão do modelo antigo).

. Do aprendizado e da capacidade de multiplicação, ou seja, de entender o que a crise está ensinando? O que pode, na vida da pessoa, mudar  e dar origem a novo rumo? (A psiquiatra alerta que isso deve ser ensinado/despertado na pessoa aos poucos, e nunca no calor, no ápice da crise, quando a pessoa está precisando muito mais de apoio, de acolhimento, do que  de críticas).

Uma pessoa resiliente revela doses elevadas de autoconceito, autoestima, autoconfiança, grande capacidade de flexibilizar passado e futuro em função do presente. A fase mais importante para a resiliência acontece na infância, na forma como a criança foi acolhida, da confirmação quanto às qualidades positivas que ela obtém do seu meio, ainda que isso seja feito por uma única pessoa a sua volta.

Para finalizar, de acordo com Maria Henriqueta a resiliência está relacionada com a amplitude, a profundidade e abertura de campo perceptual de cada pessoa.  E é um processo que pode ser desenvolvido e promovido, principalmente em Terapia Comunitária (TC) que é eminentemente espaço para desenvolver a resiliência, na medida em que intensifica a autonomia, reforça a autoestima e fortalece vínculos pessoais.

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