Viver mentindo

São reais e sutis os fatores que levam uma pessoa a fugir do mundo, da própria realidade, a viver a vida como se o mundo fosse um palco de encenação teatral ou uma caverna-esconderijo de algo a evitar, deixando de atuar no mundo conforme o que reivindica seu eu real ou  si-mesmo.

O indivíduo não entende o que o levou a tal estratégia de sobrevivência, o que o fez redirecionar sua energia psíquica para o caminho oposto ao da vida autêntica e saudável, “muito embora tenha encontrado justificativa plausível para fazê-lo. Entre aquilo que o fez evitar o caminho da consciência e a razão plausível há uma conexão alquímica profunda, responsável pela alteração na rota da energia psíquica. Essa química interna, que mistura vetores de forças inconscientes, é inacessível à consciência e se constitui num mistério à Psicologia Profunda. Vontade consciente se mistura a processos inconscientes, redirecionando a vida do indivíduo. Tais processos inconscientes decorrem de influências orgânicas instintivas, resultantes emocionais de experiências pregressas gravadas no perispírito e de influências espirituais” (Adenáuer Novaes, Alquimia do Amor, Depressão, Cura e Espiritualidade: Fundação Lar Harmonia, Salvador,2004 – pág.20).

No processo de fuga o indivíduo prioriza valores introjetados pelo superego, a dimensão psíquica encarregada dos valores morais, das normas de conduta em sociedade. Ocorre que em um indivíduo equilibrado e saudável, id, ego e superego negociam. Há flexibilidade saudável. O indivíduo neurotizado, ao contrário, usa isso como moleta, como escudo protetor e sacraliza o que ele acatou como sendo norma de conduta para fugir de novas rotas, de tomar decisões. Por medo, muito medo,  recorre sempre à evitação do contato com a verdade. Não teme mentir, não teme enganar, não teme magoar – erros que sua construção intelectual de boa conduta condena. Mas essas “amarras” tem  menos força que o medo, substrato da covardia. Aprisionado e mobilizado pelo medo, o indivíduo magoa e faz sofrer a muitos, inclusive a si mesmo.

Como sair do pântamo da autoenganação? como quebrar as amarras e se salvar do visgo do autoengano? No indivíduo com essa dinâmica psicológica essa é  a maior batalha de vida dele. É o desafio de toda sua existência: romper com a mentira, aprender a viver em verdade absoluta. Mas é um duelo de titãs. Exige que ele tenha coragem de olhar no reflexo da própria imagem profunda, aquela que não aparece no espelho material, mas apenas no processo analítico. É desejar integrar seus aspectos sombrios e refazer rotas de vida.  Quando consegue isso, ele deixa de alimentar a vaidade, o orgulho e isso irá enfraquecer a covardia, diluir o medo e o indivíduo começa a contrutir-se como um ser autônomo e verdadeiramente inteiro; não um fantoche das convenções e aparências. Ele passa a experimentar o que verdadeiramente significa SER FELIZ E FAZER FELIZ A MUITOS.

Mas é conquista difícil para quem aprendeu a estratégia do autoengano porque “largo é o caminho que conduz à Perdição, e muitos são os que entram por ele, e estreita é a porta que leva à Vida e poucos há que a encontram.”

Leia mais sobre mentir em:

PESSOAS QUE MENTEM E FOGEM DE SI MESMAS

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