O Inconsciente Coletivo

“O inconsciente coletivo é uma parte da psique que pode distinguir-se de um inconsciente pessoal pelo fato de que não deve sua existência à experiência pessoal, não sendo portanto uma aquisição pessoal. Enquanto o inconsciente pessoal é constituído essencialmente de conteúdos que já foram conscientes e no entanto desapareceram da consciência por terem sido esquecidos ou reprimidos, os conteúdos do inconsciente coletivo nunca estiveram na consciência e portanto não foram adquiridos individualmente, mas devem sua existência apenas à hereditariedade. Enquanto o inconsciente pessoal consiste em sua maior parte de com p l e x o s , o conteúdo do inconsciente coletivo é constituído essencialmente de arquétipos.

O conceito de arquétipo, que constitui um correlato indispensável da idéia do inconsciente coletivo, indica a existência de determinadas formas na psique presentes em todo tempo e em todo lugar. A pesquisa mitológica denomina-as de “motivos” ou “temas”; na psicologia dos primitivos elas correspondem ao conceito das représentations collectives de LEVY-BRÜHL e no campo das religiões comparadas foram definidas como “categorias da imaginação” por HUBERT e MAUSS. ADOLF BASTIAN designou-as bem antes como “pensamentos elementares” ou “primordiais”. A partir dessas referências torna-se claro que a minha representação do arquétipo, literalmente uma forma preexistente, não é exclusivamente um conceito meu, mas também é reconhecido em outros campos da ciência” (Jung, pág. 51).

O inconsciente coletivo, a camada mais profunda da psique, é algo semelhante a uma herança ancestral da humanidade; não se desenvolve individualmente, mas é herdado. É formado de formas preexistentes, os arquétipos, que só secundariamente podem tomar-se conscientes, conferindo uma forma definida aos conteúdos da consciência. Tanto quanto o inconsciente pessoal, o inconsciente coletivo também pode se manifestar por meio de sonhos. Desta forma, enquanto alguns sonhos têm caráter pessoal e podem ser explicados pela própria experiência da pessoa, outros apresentam imagens impessoais e estranhas, que não se consegue associar a nada de que se tenha lembrança. Esses sonhos seriam, então, um produto do inconsciente coletivo, do depósito de imagens e símbolos que Jung denomina de arquétipos, origem também dos mitos.

O Inconsciente Coletivo talvez seja  explicação para o fato de mais de uma pessoa ter a mesma ideia em diferentes épocas e diferentes localidades, mesmo não havendo intercâmbio entre elas, algumas dando origem a grandes inventos, como ocorreu com a invenção do avião e da fotografia. Numa analogia, é como se o Inconsciente Coletivo fosse a World Wide Web (www – que em português significa, “Rede de alcance mundial”) e os notebooks  com tecnologia wireless, os indivíduos. Há uma conexão virtual das pessoas com o Inconsciente coletivo. Essa figura de linguagem facilita ou complica a explicação? Fiiquei na dúvida…

Referência:

Carl Jung – Os arquétipos  e o Inconsciente Coletivo, Editor Vozes, 2002.

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