Até Pelé precisava treinar

O brilhante texto abaixo, do psicólogo e hipnoterapeuta mineiro J. Augusto Mendonça,  ilustra com arte a necessidade de empenho, dedicação, persistência e treino para se obter o sucesso, seja como atleta, concursando ou em qualquer meta de vida. Uso aqui o termo “podium” como simbologia para VITÓRIA. Aprecie a metáfora que ensina como ser um campeão (ou  uma campeã).

* SUBIDA AO PODIUM

Ainda não tínhamos completado 18 anos quando fomos, pela primeira vez visitar a cidade de Santos.Depois de conhecer o centro da cidade, passear pelas praias do Gonzaga e de Zé-Menino, fomos visitar o campo do Santos Futebol Clube, na Vila Belmiro. Foi uma visita realmente sensacional. Éramos oito estudantes, ávidos por conhecer as cidades, os costumes, as gentes. E todos fanáticos por futebol. Na época, o Santos de Pelé era a grande atração.

Chegamos ao estádio no início da noite, por volta de 18h30. O porteiro, muito jeitoso, deixou que nós entrássemos para ver o campo e, pasme,  amigo leitor, para ver o Pelé! Ele mesmo, em carne e osso, sozinho, batendo bola. Todos os outros jogadores já estavam no vestiário, tomando bando ou já prontos para ir para casa. Pelé, não. Ele estava lá, batendo bola, correndo de um lado para outro, no campo.

O porteiro conversava conosco, falava do Pelé com muito orgulho. Falava de sua dedicação: chegava antes de todos para os treinos coletivos. Treinava sozinho ou com quem quisesse acompanhá-lo. A vida dele era o futebol e parecia não fazer mais nada. Era como se tivesse vindo ao mundo para jogar bola. Já era tão bom e continuava treinando. Não parava nunca. O porteiro disse que ele ia embora muito tarde; que a diretoria do clube havia dado ordens para que as luzes ficassem acessas para ele, enquanto ele estivesse lá.

Nossos olhos brilhavam, o peito se enchia à medida que o homem ia falando. E nós ali, vendo o Pelé, no treino. Não havia torcedor que não quisesse  um momento desses.

Depois saímos conversando sobre a aventura. E ficamos pensando em muitos outros atletas, em outras modalidades de esporte. Pensamos na dedicação deles, o quanto de tempo eles gastavam em treinos, preparos para, um dia, ganhar uma competição e subir ao podium.

Foi daí que nos veio a idéia: ninguém sobre ao podium no dia da competição. Os atletas que chegam ao podium começam a subir muito tempo antes da data da competição. A cada dia um pouquinho. E treinam todo dia, manhã, tarde e noite. Não param nunca, se querem realmente ser os bons. Enfrentam o tempo, o clima, a natureza. Dedicam-se com relação aos cuidados com a alimentação, ao sono. E continuam treinando, procurando ficar cada dia melhor. Até que, em um dia, muito esperado, sobem ao podium. Longa caminhada, a de um vencedor. Como Pelé.

*Extraído do livro A MAGIA DA HIPNOSE NA PSICOTERAPIA, de J. Augusto Mendonça, editora Psi, São Paulo, 1995. Página 127.

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