Complexo paterno pode trazer Roriz de volta ao GDF

Estava voltando do mercado, em núcleo habitacional pobre, onde a maioria das  pessoas tem baixo poder aquisitivo, e ouvi quando uma mulher de aparência bem humilde comentou com o marido: “ainda bem que nosso Roriz tá voltando”. Estremeci, incrivelmente incomodada com a possibilidade de ter esse homem novamente à frente do GDF, desviando recursos e subtraindo dinheiro de serviços essenciais principalmente para pessoas como aquela mulher, seja para abastecer farmácias públicas, contratar médicos e outros profissionais de saúde como para  equipar escolas e etc. Mas incomodou-me também a excessiva humildade ou ignorância de pessoas assim tão desprovidas de preparo para escolher representantes. Elas colocam no poder pessoas mal intencionadas que posteriormente roubam delas mesmas. Lembrei-me das eleições de 2002. Concorriam Roriz e Cristovam Buarque ao governo do Distrito Federal. Todas as pesquisas davam como certa a reeleição de Cristovam Buarque. Eu trabalhava para uma rádio e fui incumbida de acompanhar a movimentação e o resultado na casa de Roriz. Quando Roriz superou Cristovam na contagem dos votos (até hoje há suspeita de fraude nas urnas)  assisti a um espetáculo inesquecível. O quintal e algumas dependências da casa tinham se enchido de gente e de repente uma multidão se alvoroçou e começou a correr e gritar “nosso pai vai voltar”, “viva nosso pai Roriz”. Eu e outras pessoas da minha equipe tivemos que esconder os crachás porque éramos de uma empresa que apoiava a reeleição do Cristovam Buarque (isenção na imprensa é mito) e fomos ameaçados pelos rorizistas. Difícil esquecer aqueles momentos assustadores, menos pelas ameaças, mais pela vitória do mal e da ignorância.

Ontem, após ouvir aquela pobre mulher, pus-me a refletir sobre que estranhas forças estariam por trás desse fenômeno,  a eleição de políticos ordinários, desonestos, mentirosos, populistas e perversos. A resposta: o complexo paterno. As pessoas muito pobres têm forte complexo materno. Sempre estiveram desamparadas, nunca foram protegidas, assistidas pelos próprios pais, eles igualmente miseráveis em termos financeiros e culturais. Essa carência de apoio, de ajuda dos pais alimenta o complexo paterno delas. Quando aparece uma figura pública com mensagem salvacionista, prometendo ajuda e proteção, essa pobres pessoas acreditam, projetam todas suas afetividades e esperanças de  ajuda neles e elegem os cretinos usurpadores da boa fé. Esses políticos, espiritualmente miseráveis, conhecem essa dinâmica. E com inegável perversidade  alimentam os complexos dos humildes para usar isso a favor de si. E não apenas para chegarem ao poder mas principalmente para roubar os direitos dessa pobres vítimas, já tão desprovidas de suporte. E o mais inaceitável é que eles encontram na legislação brasileira e na atuação das esferas controladoras dos desmandos administrativos a mais absoluta impunidade. Passam ilesos, como está Roriz até hoje, apesar do muito que roubou, apesar de ter sido ele o mestre nos esquemas de propina e desvios de recursos públicos seguidos pela equipe do Arruda, hoje preso (29.03.2010). Mas quem pode impedir a volta dele ao GDF? A Polícia Federal? O Ministério Público? Ao que parece, Brasília e o povo miserável dos assentamentos à volta da capital só ficarão livres de Roriz quando ele morrer. Porque antes disso, ele vai continuar abusando da Psicologia Social, da compreensão sobre a fragilidade humana para se locupletar. Ele e tantos outros. É só por isso que os maus políticos são eleitos? Não. Por que criaturas como Paulo Maluf e Fernando Collor de Melo são eleitos e reeleitos? Outro fenômeno psicológico: identificação. Sim, há muitos eleitores que chegam a admitir “se eu estivesse no lugar deles faria a mesma coisa”. Então o povo merece os maus políticos que têm? Penso que não. Penso que cabe às esferas públicas reguladoras dos desequilíbrios sociais intervirem para proteger as pessoas despreparadas, protegê-las inclusive de si mesmas. Voto obrigatório? Direito de voto para analfabeto (garantia da cidadania a quem não sabe ler ou inversão de prioridade?). Penso que o direito de eleger um representante exige comprovação de capacidade para isso, algo como um “exame da OAB” para todos que desejem o direito ao voto. Sem isso, estender o ato de votar a pessoas sem nenhuma consciência política é facilitar a ação dos mal intencionados, é largar à própria sorte as pessoas e as cidades. Entendo que está passando da hora de se reavaliar muita coisa na dinâmica política do País. Reforma política, sim. E incluindo revisão nesses mecanismo que só beneficiam aos maus políticos, a obrigatoriedade e a universalidade do voto.

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5 comentários sobre “Complexo paterno pode trazer Roriz de volta ao GDF

  1. O QUE EU PENSO DA POLÍTICA.

    A melhor comparação que faço da política brasileira. Como sempre, salvo as raras e honrosas exceções. Pois há muitos políticos bons, mas a maioria sem sombra de duvida são picaretas. Tempos atrás eram, segundo o sindicalista Lula, trezentos, mas agora, com o avanço da tecnologia e o aumento desenfreados da impunidade, esse numero deve ter no mínimo triplicado. Imaginem um troço de fezes, quando ele esta estático, de preferência sobre o sol, o mesmo cria uma espécie de película protetora, a qual impede que o mau cheiro se propague, com isso não afeta muito nosso olfato, mas quando alguém mexe e remexe o referido, o cheiro fica insuportável.
    A política brasileira, e todas as políticas de países de terceiro mundo, e também, com menos intensidade nos países do primeiro mundo. É a mesma coisa. Às vezes, durante um tempo, às coisas parecem estar tudo mais ou menos bem, mas subitamente surge uma noticia de uma nova corrupção, este fato passa a ser investigado, nesse momento inicia-se uma cassada aos culpados. Mas por incrível que possa parecer, ao invés de contratarem detetives para esclarecer os fatos. Imaginem eles contratam pizzaiolo. Depois deste procedimento não há possibilidade de haver justiça, o que temos como resultado é pizza. É como se estivesse mexendo e remexendo em algo muito podre, logo começa a exalar um mau cheiro, terrível, insuportável. Se alguém tiver uma definição melhor do que esta para a política, que me passe esta informação ficarei muito grato.

    Esta crônica foi extraída do livro Crônica, indagações e teorias. Autor Paulo Luiz Mendonça.

    http://pauloluizmendonca.judblog.com

  2. OS MAUS INTENCIONADOS

    Nós temos o hábito de criticar a política, dizendo que os políticos são corruptos, aproveitadores do estado. Isso não é verdade, os políticos verdadeiros estão na política, porque almejam um melhor futuro para nosso país. Eles estão lá para criarem leis que possam influenciar no nosso progresso. O que temos que entender na política, é saber separar o que é político verdadeiro, e aqueles estelionatários que vêem na política um campo fértil para a aplicação de seus golpes. Estes estelionatários sabem que o controle das finanças do país é extremamente vulnerável, sendo assim eles como são possuidores de uma inteligência privilegiada, a qual é voltada para a maldade, se locupletam com esta vulnerabilidade do estado. Na verdade estes não são políticos são na verdade estelionatários disfarçados de políticos.
    Temos solução para este problema? Sim temos; a solução é em primeiro lugar, escolaridade adequada, em seguida, politizar o nosso povo, para que nós cidadãos comum possamos ter discernimento adequado na hora de escolher nossos representantes para exercer cargos políticos.
    Infelizmente há pessoas que procurando somente seu bem-estar sem se importar com o todo da população, vota em candidatos duvidosos, que o mesmo, depois de eleito lhe conseguirá um bom emprego. Isso na verdade é compra e venda do voto. Este procedimento na verdade é imoral, porque este cidadão ao vender seu voto, estará prejudicando a população como um todo. Qual conclusão, nós tiramos disso. Este fato acontecendo em todo nosso país é o que tem nos levado ao caos total. Enquanto uma minoria tem suas situações resolvidas, conseguindo seu emprego, muitas vezes sem merecer, a maioria da população esta a mercê de políticos inescrupulosos, que se locupletam nos cofres do estado.

    Esta crônica foi extraída do livro Crônicas indagações e teorias autor Paulo Luiz Mendonça.

  3. Paternalismo.

    Este negocio de paternalismo e coisa de governo populista é para mostrar que são bonzinhos. Para os que não entendem de política eles parecem bonzinhos, mas na verdade, estão e comprando voto de uma maneira velada. Se o governo fosse bom mesmo, não agiria assim dando esmola para os mais pobres. O interessante: em primeiro lugar seria, fechar o ralo por onde o dinheiro dos impostos escoa direto para as contas bancarias dos corruptos, corruptos estes que falam sempre nos julgamentos que não sabem de nada, não fizeram nada, são uns verdadeiros santinhos. Com o ralo fechado iria sobrar mais dinheiro para investir em programas sociais, com isso geraria mais empregos. Com a geração de mais empregos as pessoas teriam o seu próprio salário e não dependeriam mais do bolsa família. Recuperando com isso sua dignidade e poderia andar de cabeça erguida sem o constrangimento de ser um necessitado um peso para o estado.

    Paulo Luiz Mendonça. Autor do livro Crônicas indagações e teorias. Editora Scortecci.

    http://pauloluizmendonca.judblog.com

  4. Política ó política.

    A política é algo: parece simples, mas é misteriosa, e também perigosa.
    Digo por que. A coisa mais importante na democracia è evitar a todo custo á perpetuação do poder de um grupo seja ele qual for, o porquê desta observação. Os seres humanos são todos iguais não há separação de bons e maus quando se refere a poder e dinheiro, os defeitos são os mesmos, é claro que existem exceções, mas são muito raras quase não existem. Observem meu raciocínio O Lula esta já a oito anos no poder, agora a Dilma se elegeu, daqui quatro anos o lula volta e fica mais oito anos somando tudo isso da vinte anos. Vocês acham que depois de vinte anos no poder preenchendo todos os cargos estratégicos do governo com seus companheiros, eles irão querer deixar a carne seca, nunca o poder corrompe, e alem de corromper o poder é doce como mel. Daí para uma ditadura é apenas um passo. Por este motivo é bom ir alternando no poder ora um partido ora outro. E não se esqueçam o poder corrompe isso é inevitável, não se esqueçam é inevitável.
    Paulo Luiz Mendonça. Autor do livro Crônicas indagações e teorias. Editora Scortecci

  5. Agradeço sua participação, Paulo Luiz. Nossos legisladores, gestores públicos e intelectuais conselheiros do poder sabem bem o que fazer. O problema é que as ações corretas ferem suscetibilidades, vão contra interesses particulares e decide-se deixar tudo como está e nada de educação, nada de reforma política… uma bandalheira. Penso diferente quanto a você na previsão de volta do Lula à Presidência do País. Duvido que ele queira isso. Como me mostrou um amigo, não combina com o perfil dele, tanto que ele fundou o PT e nunca quis voltar a presidi-lo. E poderia tê-lo feito.Mas tb não meto minha mão no fogo. Isso é algo que o tempo vai mostrar. Enquanto isso, que nossa gente avance sempre – por conta própria, que que o Estado dá as costas a muitas coisas.
    Abraço

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