Mentir é pecado

“Mentiras e meias verdades podem abrir feridas na mais sólida união, como as ondas que, lentamente, abrem fendas nos rochedos.”

Amanheci analisando minha intolerância à mentira e minha perplexidade face à constatação de que volta e meia sou alcançada por pessoas afeitas ao mentir.

Percebo que um dos aspectos que me agrada no processo terapêutico é o ser ele um espaço de verdade. E se assim não for, perde-se o seu sentido e a sua eficácia. Em terapia somos convocados a nos defrontar com a verdade, sem covardia. A obtenção disso nos torna mais fortes, mais produtivos, mais felizes.

Todo aquele que recorre à mentira diante de uma situação que gostaria de evitar está acovardando-se frente ao medo do sofrimento que acredita vir com a verdade. Quase sempre é precisamente o contrário: a mentira é que semeará os mais dolorosos sofrimentos – para todas as partes envolvidas.

Sou tão intolerante com mentiras quanto com meias verdade e a omissões. Estas, em essência, são mentiras disfarçadas, são eufemismos de mentira.

O mentiroso destrói a confiança nele depositada, destrói a autoconfiança  da pessoa vitimizada pela mentira, destrói a admiração devotada a alguém que se mostra um fraco ou uma fraca, alguém incapaz de olhar de frente a própria realidade, alguém que deseja ardentemente algo, mas acredita poder atender a seus anseios fugindo do confronto com a realidade. Usa a mentira como refúgio, como estratégia, assim como o soldado desertor usa a escuridão como aliada para a fuga da guerra. É isso: mentirosos são desertores da vida.

Psicologicamente falando, mentir é esquivar-se da verdade, da realidade. Por trás está o medo. Assim um mentiroso é um covarde. E do mesmo modo que ele foge da verdade, a felicidade foge dele, já que ser feliz é conseqüência de um viver em coerência entre o pensamento e a ação, entre o anseio e a concretização. Que paz, que harmonia interior pode ter qualquer um que defenda a verdade, mas na vida prática minta? Que tente satisfazer suas necessidades mentindo para si mesmo e para os outros?

“Que o seu sim seja sim e o seu  não, não” Teria ensinado Jesus, segundo o Evangelho. Se assim não for haverá o pecado, pois no sentido original da palavra, pecar significa “fugir da meta”. E se a meta é a verdade, quem mente, peca. No entanto não é Deus quem nos pune por nossos pecados, mas nossos próprios atos. O sofrimento, a cobrança pelas nossas falhas acontece naturalmente, mera consequência de nossas incoerências, da lei física de ação e reação.

À propósito, veja que graça esse curto vídeo, de 36 segundos, onde um garotinho é absolutamente, graciosamente sincero:

GAROTO SINCERO

Pode alguém ficar aborrecido mesmo diante da mais dolorosa verdade, ao perceber a grandeza da sinceridade?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s