Tratamento do pânico

O transtorno do pânico tem sido diagnosticado com freqüência entre pessoas de diferentes faixas etárias e todos os níveis sócio-econômico. Afeta um grande número de pessoas, causando grande sofrimento.Os sintomas são: apreensão, temor ou terror que surge sem causa aparente e em forma de ataques súbitos, alteração nos batimentos cardíacos, tremor nas mãos ou ns pernas, sensação de formigamento, medo inexplicável de dirigir ou sair de casa, medo de multidões e  sentimento de incapacidade, entre outros.

Escrevi um artigo sobre como tratar esse transtorno por  meio das técnicas da Gestalt-terapia, mas ultimamente tenho tratado pacientes com essa queixa também com a abordagem junguiana, usando Imaginação Ativa, Análise de Sonhos e Associação Livre, entre outras possibilidades da Psicologia Profunda.

O que estará por trás do surgimento de tantos casos de pânico? Acredito ser o atual modo de vida, em contextos de individualismo, competitividade exagerados e falta de compartilhamento de cuidados com as crianças, comum em décadas atrás quando tias, tios e vizinhos dividiam os cuidados com as crianças. Hoje vive-se mais isolado e os pais têm menos tempo para dedicar à proteção dos filhos, não propiciam aos bebês ou crianças de até 7 anos o necessário sentimento de amparo, de proteção e afeto.

O pânico se desenvolve a partir de experiências de desamparo, reais ou imaginárias, em que o sujeito vivencia o sentimento de desamparo, de ameaça à sobrevivência. Internamente, ocorrem conflitos, diante de situações ao mesmo tempo intolerantes e indispensáveis. Para resolver o impasse, o organismo recorre a mecanismos de defesa, buscando preservar a sobrevivência, e desenvolve a neurose do pânico.

A boa notícia é que existe tratamento eficiente para esse transtorno, com medicamentos prescritos por um psiquiatra e com psicoterapia. Mas atenção: pesquisas recentes e a experiência clínica mostram que só o uso de remédios não leva à remissão completa dos sintomas. Ou seja: o pânico NÃO  deve ser tratado apenas com remédio, sob pena de a pessoa ter que tomar os medicamentos por toda a vida. A psicoterapia é necessária e resolve o problema de forma definitiva na medida em que o processo conduz à elaboração das vivências traumáticas e o corpo dispensa os mecanismos de defesa, os sintomas.

Tenho uma amiga jornalista que está na fase final do tratamento, após dois anos de terapia e remédios. Quando começou o tratamento sequer conseguia trabalhar, terminou com dificuldade o mestrado e viveu meses isolada de todos, até dos amigos. Esse tempo ruim passou  e escrevo este post em homenagem à recuperação dela, que voltou a dirigir e acaba de retornar ao mercado de trabalho. É também para comemorar que vamos voltar a viajar, fazer programas divertidos, enfim, festejar a vida. Parabéns, amiga.

Se você deseja entender melhor isso à luz da teoria da Gestalt, sugiro que leia os textos Síndrome do Pânico: compreensão e tratamento e Mecanismos de Bloqueio de Contato . Se eu NÃO tiver sido suficientemente clara, pode protestar: me escreva reclamando! O objetivo deste blog é a informação com clareza e objetividade. Sem academicismos.

Postado por Carmelita Rodrigues

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4 comentários sobre “Tratamento do pânico

    • Há mtos anos atrás fui acometida pela síndrome do pânico.Foram várias as razões:acidente automobilístico, violêcia sexual, falta de condições de trabalho… O que me facilitou a sair desta condição além dos medicamentos psiquiátricos, foi o fato de já pertencer ao Núcleo Integrado de Psicologia “Carl Gustav Jung” onde na concepção Junguiana, a visão biológica vem acompanhada da mitológica ou seja,o pânico tem uma origem, ele não é apenas uma sensação de transtorno,
      e debilidade física.A idéia de que o que está acontecendo com a gente tem uma origem, nos dá mais conforto do que a visão tecnicista-biológica que é uma visão imedia-
      tista. Na visão Junguiana,o pânico é a escuridão da psiquê(alma).É quando eros (deus do prazer, felicidade, desejo…) dá lugar para Hades(deus do inferno). Neste momento se desencadeia sucessivos processos violentos onde não se tem controle sobre os fatos justamente por estarmos possuídos por eles.Trazer a luz da consciência estes elementos é mais tranquilizador, pois, isto nos faz dividir um pouco a responsabilidade no sucesso do tratamento. Aliás,não se deve usar apenas a ciência como caminho para recuperação do indivíduo doente. O crime maior, foi a fragmentação da ciência com a filosofia e a mitologia na preparação dos profissionais da área da saúde.

      • Excelentes acréscimos os seus, Regina. Pertinentes e ampliam o conteúdo. Agradeço sua participação e espero que volte a participar sempre.
        Abraço,
        Carmelita

  1. estou com a síndrome do pânico já vai fazer um ano..estou o pisquiatra me passou o bromazepam..Não estou vendo melhoras estou desesperada não aguento mais viver com isso

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