O que é o inconsciente?

O inconsciente refere-se a conteúdos mentais/emocionais não acessados pela razão, pela consciência. É composto de memórias esquecidas, experiências reprimidas,  percepções subliminares, experiências afetivas, sensações e intuições.  É como um “espaço” psíquico que funciona como um “baú” repleto de fantasias, desejos e emoções de difícil controle. Escrevi sobre esse tema também no post DESPERTANDO PARA O INCONSCIENTE.

É parte de um sistema de funcionamento da mente que exerce grande influência no comportamento das pessoas. Com a  descoberta do inconsciente, Freud tirou o foco da determinação da razão, das escolhas conscientes dos indivíduos na determinação do comportamento para atribuir ao inconsciente essa importância.

O inconsciente se expressa, mas por meio de símbolos e reações autônomas. Externaliza seus “alertas”, recados e anseios autênticos de diferentes formas, inclusive por meio dos sonhos. Daí porque em análise junguiana os sonhos dos pacientes são nossos aliados no processo. Também ocorrem expressões do inconsciente por meio dos chistes (humor), atos falhos (comportamentos inesperados), lapsos de linguagem, expressão artísticas (desenhos, pinturas,  modelagens, etc.) e associação livre de idéias (fala livre sem crítica e sem preocupação com a coerência).

São, ainda, exemplos concretos de expressões do inconsciente: chamar uma pessoa pelo nome de outra; uma palavra que escapa fora do contexto; comportamentos não planejados  ou fazer algo e depois não reconhecer o ato como sendo ação própria. Após essas “escapadas” do inconsciente as pessoas se questionam: “por que fiz isso?”, “por que disse isso?”. Vazou do inconsciente! Em terapia usamos essas “expressões” para compreender o funcionamento do paciente, para nos aproximarmos do que realmente está por trás da ação ou emoção da pessoa.

Mais um exemplo: uma mulher com Complexo de Édipo sonha que a irmã, considerada por ela a preferida do pai, está numa cama transando com ele. Na verdade, é a própria sonhadora que tem o desejo recalcado de transar com o pai, um desejo originado na fase fálica (3 a 5 anos, aproximadamente – desejo libidinal, mas não propriamente sexual), mas que passa naturalmente, caso não ocorra nenhuma perturbação no ciclo normal de desenvolvimento. Em havendo uma vivência traumática nessa fase, pode formar-se o Complexo de Édipo e a pessoa ficará estacionada nessa época do seu desenvolvimento, sendo “obrigada” a retornar a ele em situações difíceis depois de adulto, mediante as associações que o psiquismo faz. Em diversas situações, esse complexo psicológico inconsciente vai se manifestar, interferindo no livre arbítrio da pessoa, conduzindo-a a pensamentos e ações as quais ela racionalmente recusa e não reconhece como lhe pertencendo.

Outro exemplo: um homem maduro que só consegue ser atraído por mulheres bem jovens. O indivíduo pode estar agindo assim por força do Complexo de Púer, isto é, uma infantilização na fase adulta, tanto no plano emocional como em outros aspectos. Como surge? Se a pessoa sofreu um trauma na infância, ela se “fixa” na fase do trauma. Se ele não amadureceu emocionalmente, se sentirá seguro se relacionando com pessoas novas, consideradas por ele menos ameaçadoras. É algo assim. Cada caso é um caso muito individual e cada psiquismo vai funcionar de forma muito própria. Os exemplos apenas ilustram de forma concreta os caminhos do psiquismo e tento mostra como é inviável, senão impossível, resolver certas dificuldades sem o processo psicoterápico.

Por que um conteúdo é reprimido?

Por ser doloroso. A dinâmica do psiquismo humano mobiliza, conduz o organismo para a sobrevivência, recorrendo a artifícios que evitem a “destruição” do ser. Os caminho de sobrevivência são os mais variados possíveis, inclusive a neurose, a psicose, a negação e o “esquecimento”, entre muitos outros. Mas com o decorrer do tempo, o recalque vai perdendo a eficiência e os conteúdos começam a escapar, a se mostrar por meio dos caminhos citados acima.

O ideal é livrar-se do sofrimento antes de chegar ao limite de tolerância do psiquismo e do corpo. No processo analítico, é possível recordar, reviver e elaborar a vivência traumática, fazendo com que a pessoa esvazie o complexo e recupere a autonomia de seu funcionamento.

Costumo dizer aos meus pacientes que a doença não é inimiga, mas uma aliada da Vida. É o protesto do corpo, é como se ele estivesse dizendo: “Chega! Eu não agüento mais. Não dou conta de continuar me autorregulando se você não “arrumar” isso que está errado, se não resolver esse problema”. O corpo dá esse grito de alerta por meio dos sintomas, das doenças. Alteração no sono, ansiedade, medos, depressão, pânico são alguns dos “protestos” do psiquismo via soma (corpo). É daí que vem o termo somatizar. Ouça seu corpo! Resolva suas coisas! A vida é pra valer! Não dá pra viver indeterminadamente no faz-de-conta que estou fazendo o que devo.O sofrimento surge, ele é condição inalienável para o crescimento do ser como um todo.Mas não precisa ser perpétuo.

Se deseja ampliar sua compreesnão sobre essa importante dimensãoa da vida sugiro a leitura do outro post: DESPERTANDO PARA O INCONSCIENTE.

E ainda existe o inconsciente coletivo! que também interfere nas nossas vidas.Mas sobre isso escrevo outro dia.

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13 comentários sobre “O que é o inconsciente?

  1. Assim como numa semente, já tem em estado latente, todo o projeto de uma planta, também o nosso inconsciente, tem todo o sistema latente de evolução anímica, como se fosse a parte submersa de um iceberg , que vai aos poucos aparecendo ,ou seja, tornando-se consciente, conhecida, experienciada, vivida e apropriada pelo ser. O problema é …quem é esse ser ? É uma psiké, um “espírito”, ou o quê? Qual o limite dese desenvolvimento ? O que acontece depois que o corpo em que habita essa psiké ,morre? Creio que seja isso que devamos estudar ,para termos um melhor entendimento do que realmente somos no mundo! Pedro Pail

  2. Boa tarde! Eu gostaria de saber das referências onde foram tiradas as informações desse texto maravilhoso, por favor.

    • Olá, Lívia. Obrigada. Desculpo-me pela demora: correria da vida. Referências das quais me lembro: Jung o Mapa da Alma, de Murray Stein; Imaginação Ativa, de Robert Johnson e Noções Básicas de Psicanálise, de Charles Brenner. Acho que usei tb um livro antigo do Greenson, mas não estou certa disso, sorry… já faz um certo tempo…

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