Relações humanas eficientes

Os seres humanos nascem e vivem em grupos, pequenos ou grandes, compartilhando necessidades básicas, prazeres ou adversidades. A maioria das atividades humanas é realizada em grupos, com grande dependência dos membros entre si. Todo indivíduo é um ser social e a coexistência é a estrutura das relações humanas.
Apesar disso, a integração entre as pessoas nem sempre flui com leveza ou de forma perfeita. Ao contrário: por trás de grandes conflitos, inimizades ferrenhas e até crimes está, muitas vezes, a falta de habilidade de algumas pessoas para interagir com outras. Por que isso ocorre? Há várias possibilidades, entre elas, a falta de repertório comportamental (usando uma expressão behaviorista); isto é: a falta de treino para recorrer à expressões e atitudes corretas em determinadas situações.
O isolamento social é um dos fatores que reforça essa dificuldade de interação por provocar falta de “repertório social”. Deparar-se repetidas vezes com situações idênticas ajuda o indivíduo a ganhar confiança em si mesmo e a sair-se bem mesmo que em situações do tipo “saia-justa”.
Mesmo uma expressão formal, uma “frase feita”, pode adquirir valor individual e assumir caráter de gentileza genuína se a emoção por trás das palavras for autêntica. Um amigo singapuriano, morando no Brasil há poucos meses, repetia sempre que alguém lhe agradecia uma gentileza: “de nada, é um prazer para mim”. É uma típica frase daqueles livrinhos de expressões para estrangeiros se comunicarem mais facilmente, mas ao ser dita por ele da forma como ele dizia, com sotaque, sorriso sincero e trejeitos de quem realmente só quer ser gentil soava extremamente agradável, como a coisa mais gentil a ser dita em situação idêntica.
Nos ambientes de trabalho, a pressão pela produção ou a competitividade selvagem podem resultar em desentendimentos que seriam evitados se as pessoas tivessem mais tempo para troca de amenidades, para demonstrar preocupação com o outro, ocupar-se com o que acontece a sua volta.
Isso é fato, mas também é verdade que raramente paramos para observar o que está acontecendo num grupo e quase nunca analisamos o nosso comportamento em grupo. Talvez nossa conduta sem sempre atenda às exigências e observações dos outros integrantes do grupo social do qual fazemos parte. E acabamos criando situações constrangedoras ou mesmo de conflito.
Além da falta de tempo, que talvez seja a justificativa menos razoável, existem outros fatores que prejudicam a boa interação social: preconceitos, condicionamentos, ausência de espírito de solidariedade, excesso de individualismo, egoísmo, frieza, indiferença, agressividade, desrespeito ou desejo de dominação.
Para errar menos é importante observar, analisar as contingências e fazer distinções. Quanto mais se consegue distinguir aspectos no ambiente que nos cerca, mais eficiente será a comunicação. Por exemplo: quando se precisa fazer um pedido a alguém, o contexto psicológico do ambiente é de grande importância, podendo ser fator decisivo.
Também e favorável a existência de reciprocidade de gentilezas. É comum as pessoas sentirem-se “obrigadas” a dar alguma coisa em retribuição a quem lhes deu algo primeiro. É daí que surgiu o hábito de presentear, distribuir brindes, amostras grátis, doar flores, fazer convites para almoços ou jantares, entre outros agrados. São recursos que podem render bons resultados se forem usados com bom senso e elegância, tanto nos ambientes profissionais quanto nos espaços de relações pessoais.
Igualmente importantes são os gestos simples de atenção, pequenas concessões e singelos favores ou serviços. Mas cuidado par anão confundir essas delicadezas com manipulações grotescas nem “puxassaquismo”. Os gestos gentis, as palavras oportunamente doces devem ser passos iniciais na abertura de novas relações de benefícios recíprocos ou preservação de boa interação pessoal.
O bom relacionamento com outras pessoas exige, portanto, comunicação eficiente. E se você quer se comunicar bem, em qualquer ambiente onde estiver, deve observar antes de falar. Qual é a conversa que acontece no ambiente? Qual a linguagem das pessoas? Quais são as crenças, os interesses e valores culturais das pessoas presentes? Esses aspectos devem ser observados para se obter sintonia com os componentes do grupo. Quanto mais sua linguagem estiver sintonizada com a dos outros, mais você será bem recebido. Assim, não informalize demais se o outro for formal e vice-versa.
E há um segredinho para se errar menos quanto à interação, ao trabalho ou convívio em grupo: o respeito. Qualquer pessoa que tenha aprendido a respeitar o outro em todos os aspectos, seja quanto à diferença de ser, agir, pensar, amar e até de errar, certamente terá mais sucesso no convívio com outras pessoas.
Outro segredo é o ensinamento de Cristo: “não faça aos outros o que não desejar que façam a você”. E há, ainda, uma segunda lição de Jesus que cabe nessa conversa: “a boca fala do que está cheio o coração”. Em quem for tão difícil entender o outro, solidarizar-se com a dificuldade alheia, omitir agressões, respeitar as outras pessoas e coisas do gênero, o problema é mais profundo e exigirá mais do que aprendizado comportamental. Pode ser necessário um intenso trabalho de reforma interior que detecte e elimine tanta falta de aceitação da imperfeição alheia. É bom lembrar que nós temos facilidade para reconhecer e criticar no outro algo que existe dentro de nós.

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