O TDAH e uma definição de “pessoa gentil”

Lucas*, meu adorável paciente de seis anos de idade, é um caso clássico de criança com TDAH. É um encanto de criança, daquelas que nos deixam apaixonados – no sentido fraterno – já no primeiro encontro. Quando falávamos das vivências dele na escola, ele referiu-se várias vezes à professora do ano passado, de quem ele fez o seguinte comentário: “Eu gosto muito dela, nunca mais encontrei ela, mas gosto dela”. Perguntei por que ele gostava dessa professora. Ele respondeu-me: “Porque ela é gentil!”  Eu insisti no assunto para entender as significações dele: “o que  é uma pessoa gentil, Lucas?” A resposta dele: “Ah, é uma pessoa que trata bem as crianças.” Perfeito, não acham? Adorei a resposta dele e me encantei um pouco mais com o pequeno gênio, que vem sofrendo com a atual professora, devido à falta de tolerância, amorosidade e despreparo para a função.

Tenho pesquisado muito sobre o TDAH e, vasculhando anotações e material informativo sobre o assunto, encontrei uma lista de sugestões direcionadas a pessoas que se relacionam com crianças hiperativas e com déficit de atenção. Foram escritas por Ângela Cota e sua filha, Cristina Cota, que deram o  curso “Metáfora Ativas no Trabalho com Crianças e Adolescentes”, em Brasília:

. É importante buscar informações sobre o TDAH para conhecer os limites da criança e do adolescente na sua atuação dentro do âmbito social educacional favorecendo a compreensão do seu funcionamento emocional;

. Saber distinguir entre o não querer e o não ter condições para (quando se trata de obediência a regras de conduta e outras instruções);

. Reforçar o que há de melhor na criança;

. Não enfatizar o fracasso;

. Explicar à criança previamente como agir fazendo orientações positivas e comunicando com clareza o que se espera dela no sentido afirmativo. Ao invés de dizer “não pode …”, dizer: “eu sei que você pode…”(detalhando o comportamento  desejado);

. Estabelecer uma rotina diária com objetivos e limites claros e conscientes;

. Ser capaz de flexibilizar e discutir possíveis alterações nos planos;

. Observar a qualidade da sua própria interação com a criança: escuta, tempo disponível, atenção focada;

. Estar atento à socialização da criança e intermediar contatos na medida do necessário;

. Estar atento à própria postura corporal ao praticar a comunicação: ficar próximo, olhar nos olhos, conter fisicamente a criança (em caso de necessidade) de maneira amorosa e firme e usar voz modulada;

. Ficar atento para discernir quando e onde persistir no comando e qual o momento de criar novas estratégias;

. Procurar estar sempre sintonizado com a empatia, ou seja – fazer o necessário (estando além da simpatia ou antipatia);

. Cuidar-se para cuidar;

. Abrir-se para as trocas mantendo um diálogo aberto com todos os profissionais envolvidos.

Nome fictício.

Postado por Carmelita Rodrigues, em 02.09.08

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