A mitologia em nós

 

Por que nos interessa estudar sobre mitologia? Porque queremos saber como o mundo foi criado e desejamos entender o processo de desenvolvimento interior do homem. Segundo Moacir Rodrigues, didata em psicologia junguiana, a visão extrovertida da mitologia preconiza que o homem inventou os deuses; a partir da projeção de suas próprias características, manifestações no mundo e anseios interiores. A visão introvertida, por sua vez, diz: os deuses existem porque são uma verdade; são verdades primordiais dos arquétipos. Projeções ou verdade, as duas versões estão falando do indivíduo, de como ele nasceu e se desenvolveu. Mas trata-se de uma verdade simbólica, subjetiva, que pertence à psique (à alma) e não ao mundo físico. Cada deus, seja da mitologia grega, egípcia, romana, asteca, africana ou qualquer outra, representa aspectos nossos; os deuses são representações das características dos seres humanos. Temos dentro de nós um panteão de deuses. E predomina em cada um de nós um tipo de expressão mítica simbolizado por um deus específico. Há quem tenha mais de Zeus; em outra pessoa Athena se expressa com mais vigor; há quem tenha mais semelhanças com Pã e por aí vai. E essa visão não deve ser vista como um ataque ou contradição à crença em um deus único, defendida sobretudo pela teologia judaico-cristã. A bem da verdade, mesmo essas religiões reconhecem a existência de outros deuses além do Deus supremo e criador do universo. O que é Maria Santísssima senão uma deusa? E Jesus Cristo? O Espírito Santo, os santos e anjos? São divindades. E todos esses Deuses têm em si representações de arquétipos. Maria é a Grande Mãe. Jesus é o Salvador, assim como Dionísio o fora para os gregos. À propósito, a interessante obra de Edward F. Edinger, O Arquétipo Cristão, faz uma analogia com as várias fases da vida de Cristo e o processo de individuação do homem. Outro livro que mostra a mitologia entrelaçada com nossa realidade é Deuses e o Homem, de Jean Shinoda Bolen. A nós, psicoterapeutas, interessa sobretudo a relação entre mitologia e a psicoterapia, o que pode ser melhor compreendido com a leitura das obras citadas. Neste blog há umpouco mais desse assunto no post de título Alquimia, psicoterapia e nossas dificuldades concretas.

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3 comentários sobre “A mitologia em nós

  1. Olá,

    Faço o setimo semestre de psicologia e estou querendo desenvolver meu projeto de pequisa sobre o tema: IMPORTANCIA DOS MITOS PARA A PSICOLOGIA e A PSICOTERAPIA. Como efetivamente os mitos são utilizados no processo de estruração da psique de um cliente? Alguma bibliografia ou artigo sobre o tema?
    Obrigado

    • Olá, me desculpe pela demora em lhe responder: estive sem tempo. Dê uma olhada ou disccuta com seu orientador os livros abaixo relacionados.

      1. A psique na antiguidade. Edward F. Edinger
      2. A sombra e o mal nos contos de fadas. Von Franz
      3. História das crenças e das religiões, 6 volumes
      4. O livro de ouro da mitologia. Thomas Bulfinch
      5. Mitologia viva. Victor Sales
      6. Magia interior. Robert Johnson
      7. Psicologia e vida mística. Leon Bonaventura
      8. O mito cristão. Laércio Torres de Góes
      9. Mitologia simbólica. Maria Zélia de Alvarenga e colaboradores.
      10. Mitologia Grega, vol I, II e III. Junito Brandão
      11. Dicionário de mitologia grega, vol I e II. Junito Brandão
      12. Rastreando os deuses – James Hollis

      Abraço e boa sorte!
      Carmelita

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